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Professor, o que você quer na sua escola?

Fotografia de aproximadamente oito crianças brincando na sala de aula com uma corda.
Fotografia de aproximadamente oito crianças brincando na sala de aula com uma corda.
(Reprodução/Facebook)

Há alguma coisa que você queria muito na sua escola? Pode ser oficinas de teatro, música, enfermagem, tecnologia, natureza, direitos humanos, grafite, racismo, quadrinhos, dança, circo. O que a sua necessidade, realidade e criatividade pedir. Esses são alguns dos temas das atividades promovidas pelo Quero na Escola!. Como isso acontece? Eles juntam pessoas que querem ajudar com as pessoas que estão precisando de ajuda. Ou seja, voluntários que têm algum conhecimento e que estão dispostos a colaborar em algum projeto dentro de uma escola que precise. 

Bom, funciona assim. Um professor ou aluno cadastra seu pedido no site do Quero Na Escola de acordo com a necessidade da sua escola. E um voluntário colabora com o projeto. Seja com uma habilidade, como fotógrafo para registrar alguma atividade, um depoimentos inspirador, entre outros. Eles já promoveram oficinas de mediação de conflito, edição de vídeo, jogos teatrais, aulas de excel, apresentações culturais, etc. Toda as participações serão voluntárias, sem remuneração, assim como também não haverá custos para os professores e as escolas envolvidas. 

Projeto Quero na Escola!

Tudo começou com uma necessidade social que foi mapeada durante o Social Good Brasil Lab. Lá, eles perceberam três coisas:

1. os estudantes têm muitos interesses além do currículo escolar
2. a escola já tem muitas demandas e não pode aumentar o atendimento
3. as pessoas querem colaborar, mas não são informadas sobre as oportunidades existentes

Esse projeto busca aproximar a escola pública com a sociedade. Por isso, a prioridade é o atendimento de demandas originais de alunos de escolas públicas por voluntários. Afinal, facilitar essa comunicação e fazendo essa ponte é uma maneira de abrir o  o círculo da escola para a comunidade e estimular novos conhecimentos, dar espaço ao protagonismo e aos sonhos dos estudantes e chance de participação a pessoas comuns.

Especial Professor

Agora, nesta edição, o projeto está com foco nos professores. Junto com a Fundação SM, eles lançaram em julho a terceira edição do Quero na Escola Especial Professor. Qualquer educador pode solicitar colaboração em algum projeto que já existe, ou até trazer algum conhecimento que seja interessante para os alunos ou para a equipe. 

Para se inscrever, os professores devem entrar no site do projeto e dizer que assunto ou tipo de especialista querem. Pode ser alguém para ensinar a mexer em algum programa, dar uma aula de yoga e relaxamento ou levar uma atividade que a escola não costuma ter para os alunos. Após as inscrições dos educadores, quem quer dar sua contribuição com a educação pública tem um mapa claro de como e onde ajudar. As participações serão organizadas pela equipe do Quero na Escola. Essa conexão e o agendamento de visitas acontecerá em outubro, como um presente no mês dos professores.

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Reforma do Ensino Médio: Quero na Escola conversa com alunos sobre suas opiniões

Imagem das mãos de uma menina segurando dois livros
(Pixabay)

Quero Na Escola é um canal onde o aluno pode dizer o que mais quer aprender e a comunidade saber onde pode participar da educação. Esse movimento conversou com estudantes para saber o que eles pensam sobre a Reforma do Ensino Médio. Além disso, eles questionaram a necessidade de escolher seu itinerário de aprendizagem, uma das mudanças mais significativas.

As alterações para as escolas adaptarem-se à reforma começaram neste ano. Sancionada pelo presidente Michel Temer (PMDB) em fevereiro de 2017, a medida gerou polêmicas e insatisfações. Sobretudo entre parte significativa dos estudantes, que se mobilizaram contra a reforma do Ensino Médio.

O Quero Na Escola escutou 209 alunos de 14 estados brasileiros. Dos entrevistados, 30 (14%) sequer sabiam da reforma. Entre os que sabiam, 33% relataram já ter escolhido a área que seguirão entre Linguagens e suas tecnologias; Matemática e suas tecnologias; Ciências da Natureza e suas tecnologias; Ciências humanas e sociais aplicadas; ou Formação técnica e profissional.

Construção do conhecimento básico

A estudante Camila Odete Silva, 17, de Alagoas, afirma que a princípio a Reforma do Ensino Médio parecia positiva. Mas a impressão foi desfeita após olhar a proposta em detalhes. “Filosofia, artes, educação física e sociologia são disciplinas que tem de ser obrigatórias. Pois são pontos fundamentais para a formação do cidadão. Sem falar que priorizar uma das áreas de conhecimento levaria a uma desestruturação de conhecimento básico muito grande”, diz. Os demais alunos ouvidos dividem-se entre querer mais de uma opção de formação (33%) e ainda não saber e precisar de mais tempo para decidir (31%). Destes que ainda não escolheram, a maior parte já está no fim do Ensino Médio.

Nem todas as escolas vão oferecer as cinco áreas, nem disponibilizar a escolha no primeiro ano do Ensino Médio. Essa decisão fica a critério das instituições junto com os estados, que são responsáveis por essa etapa de ensino. Isso pode forçar alguns estudantes a alterar sua escolha de área ou mudar de escola. Neste caso, 62% dos estudantes optariam por mudar de escola para manter sua área de interesse. Enquanto a minoria (33%) preferiria mudar de área a mudar de escola.

A diferença entre as escolas públicas e particulares

“Eles colocam essa escolha, mas a gente nem tem direito de escolher”, afirma Letícia Maria Oliveira Ferreira, 16, do Ceará, sobre o fato de que muitos jovens terão de decidir entre trocar de área ou de escola. Esta segunda opção, mais provável entre os jovens, exigirá tanto da família quanto do Estado uma logística e reorganização cuidadosa. Especialmente para evitar salas lotadas ou jovens estudando muito longe de casa. Além disso, outra questão crucial do debate é a evasão escolar. A mudança de escola, a decisão da área de interesse e a logística da mudança são questões que podem ter uma grande relação com o engajamento e a presença dos estudantes na escola.

A jovem do Ceará afirma ainda recear que alunos de escolas particulares tenham melhor desempenho no vestibular, isso porque o ensino privado terá mais condições de oferecer todas as cinco áreas. Já as públicas veem-se diante de mais um desafio, e provavelmente só vão conseguir ofertar um ou dois itinerários formativos. Ela também afirma temer que a necessidade de optar por estudar mais uma área do que as demais leve a um ensino mais técnico e menos voltado ao desenvolvimento integral dos jovens e que a reforma acabe levando a uma maior disparidade entre a rede pública e particular. “Parece que querem que a gente [de escola pública] entre logo no mercado de trabalho e nem vá para a faculdade, porque a gente vai escolher só algumas matérias prioritárias, mas vão cair todas no vestibular”, observa Letícia.

Post com resumo e modificações produzidas pelo Caindo no Brasil da publicação “O que os alunos esperam da reforma do Ensino Médio“, da reporter Ingrid Matuoka para o Centro de Referências em Educação Integral. Leia a matéria original e na íntegra clicando no link.