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Ferramenta gratuita aborda competências digitais para professores

Imagem com o texto "CIEB Notas técnica #15 Autoavaliação de competências digitais de professores", com o fundo na cor verde.
Imagem com o texto "CIEB Notas técnica #15 Autoavaliação de competências digitais de professores", com o fundo na cor verde.

O CIEB (Centro de Inovação para a Educação Brasileira) lançou, neste mês, a a Matriz de Competências Digitais. Eles acreditam que a tecnologia pode ser uma grande aliada no processo de ensino e aprendizagem. Por isso, compreender quais são as competências e ferramentas digitais que devem ser trabalhadas é uma etapa muito importante para gerar práticas pedagógicas efetivas e significativas.

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Assim, esse documento feito pela organização elenca quais os aspectos necessários para que o educador potencialize o poder da tecnologia. Seja para as atividades de ensino ou para seu próprio processo de atualização.

Esse trabalho busca possibilidade cada vez mais o desenvolvido do docente na tecnologia educacional. A partir disso, o trabalho resultou na criação de níveis de apropriação de tecnologias. Esse estudo apresenta descritores que indicam o que um professor, em cada nível, está apto a fazer.

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A base conceitual dos descritores, desenvolvidos em parceria com o Instituto Natura e a Rede Escola Digital, está na Nota Técnica #15 do CIEB: “Autoavaliação de Competências Digitais de Professores”.

Competências digitais

A partir disso eles criaram a Autoavaliação de Competências Digitais de Professores, uma nova funcionalidade do Guia Edutec. Qualquer educador pode se cadastrar e acessar a ferramenta online e gratuita. São 23 questões, distribuídas em três áreas: Pedagógica, Cidadania Digital e Desenvolvimento Profissional.

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Ao responder as questões, o professor recebe uma devolutiva detalhada indicando qual o seu nível de apropriação das tecnologias digitais. Cada área e competência tem cinco níveis de apropriação: exposição, familiarização, adaptação, integração e transformação. O resultado inclui ainda sugestões, indicações de materiais, leituras e atividades. 

Além da devolutiva do professor, eles oferecem uma devolutiva aos gestores públicos. Assim, é possível visualizar o mapeamento das competências dos docentes da sua rede de ensino. Com isso, a secretaria de Educação pode desenvolver estratégias de formação bem focadas, significativas, que supram as reais lacunas e contemplem as expectativas dos educadores.

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Nova Plataforma do CIEB aborda tecnologia e computação na educação

Fotografia de duas crianças uniformizadas, lado a lado, usando um tablet. Ao lado da foto há o texto "Inovações e conexões que transformam a educação".
(Reprodução/Facebook)

O Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB) é uma associação que busca promover a cultura de inovação na educação pública brasileira. Recentemente, eles lançaram uma nova plataforma, o Currículo de Referência em Tecnologia e Computação. Essa ferramenta busca auxiliar gestores e professores na implementação de alguns aspectos alinhados com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Com referências do Fundamental I e II, ela busca desenvolver habilidades relacionadas a inovação, tecnologia e computação, a partir da lógica de resolução de problemas.

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No material, são apresentadas habilidades a serem desenvolvidas pelos alunos. Além disso, há também práticas pedagógicas para ajudar os professores a pensar como trabalhar cada conteúdo em sala de aula. Ele foi elaborado a partir da análise de referências curriculares nacionais, como a BNCC. E também de materiais internacionais, que contemplam tecnologias e premissas da computação como conteúdos essenciais para trabalhar com alunos.

Assim, a plataforma busca mostrar sugestões e inspirações para gestores e educadores trabalharem suas propostas curriculares. É importante destacar que este currículo poderá ser revisado sempre que for necessário. Assim, é possível realizar as atualizações e aprimoramentos a partir de sua implementação.

Tecnologia e computação

O material está organizado em eixos (Cultura Digital, Pensamento Computacional e Tecnologia Digital), conceitos e habilidades específicas de tecnologia e computação. Apresenta sugestões de práticas pedagógicas e materiais de referência para apoiar os professores, bem como sugestões de avaliação dos alunos. O material traz também indicações sobre níveis de maturidade das escolas e dos docentes em relação ao uso das TDICs para cada prática sugerida.

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O currículo está na sua primeira versão e, com a contribuição de diversos profissionais, ele pode ser cocriado e atualizado. Veja mais informações no Site do Currículo. Eles também disponibilizaram também uma webconferência no Youtube para tratar o assunto. 
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Concurso Mathema: o que os professores aprendem ao ensinar matemática?

Ilustração de divulgação do Concurso Mathema

O Mathema é uma instituição que participa de vários projetos que buscam aprimorar a formação dos professores para melhorar a educação matemática. No primeiro semestre, eles fizeram uma pesquisa para entender melhor o cenário da educação matemática no país. E agora, começo do mês de outubro, eles lançaram o concurso “Ser professor é aprender sempre”. Essa iniciativa busca ouvir dos professores que ensinam matemática quais as principais lições que o ato de ensinar a disciplina proporcionou. 

Para participar, eles deverão comentar no post do Instituto completando a frase “ensinando matemática aprendi…”.  O concurso vai até o dia 8 de outubro e as respostas podem ser feitas através do Facebook ou Instagram.  Os autores das quatro frases selecionadas pelo comitê da instituição terão suas frases na campanha de dia dos professores.  Além disso, os premiados vão ganhar um curso do Mathema Online. Essa é a a nossa plataforma de formação continuada para professores de matemática.

Leia mais sobre o regulamento no site do Mathema

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66% dos professores já precisaram se afastar por problemas de saúde

Fotografia feita a partir de uma fresta da janela da sala de aula, com uma professora escrevendo na lousa e três alunas copiando.

Esse texto é uma publicação da Nova Escola, escrito pela Larissa Teixeira. Nós compartilhamos o texto na íntegra pois achamos que esse assunto é essencial para a qualidade da educação do nosso país e para a valorização dos professores. Veja a matéria na íntegra no site. 

Fotografia feita a partir de uma fresta da janela da sala de aula, com uma professora escrevendo na lousa e três alunas copiando.
(Reprodução/Nova Escola – Foto: Arquivo/Agência Brasil)

Já perguntou para um professor como anda sua saúde? Você provavelmente ouvirá queixas a respeito do esgotamento físico e mental causado por uma rotina muito desgastante.

Uma pesquisa online realizada pela Associação Nova Escola com mais de cinco mil educadores, entre junho e julho de 2018, reuniu mais informações sobre o problema. Eles identificaram que 66% das professoras e professores já precisaram se afastar do trabalho por questões de saúde. O levantamento também mostrou que 87% dos participantes acreditam que o seu problema é ocasionado ou intensificado pelo trabalho.

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Entre os problemas que aparecem com maior frequência então a ansiedade, que afeta 68% dos educadores; estresse e dores de cabeça (63%); insônia (39%); dores nos membros (38%) e alergias (38%). Além disso, 28% deles afirmaram que sofrem ou já sofreram de depressão.

Realidade alarmante

Os dados revelam uma realidade alarmante para os professores do país. Segundo Heleno Araújo Filho, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a não aplicação das políticas educacionais previstas na legislação impede que sejam oferecidas condições adequadas de trabalho para o desempenho da profissão. “A falta de infraestrutura; o excesso de alunos por sala de aula; a dupla jornada; a falta de segurança nas escolas e a má remuneração contribuem para desvalorizar a carreira e desestimular os profissionais, causando uma série de doenças”, aponta.

A professora Iêda Soares Pinto, que leciona no Ensino Fundamental II, Ensino Médio e EJA no Distrito Federal, conta que começou a tomar remédios para controlar a ansiedade. “Trabalho em três escolas e raramente consigo fazer todas as refeições ou praticar atividades físicas. Além disso, levo muito trabalho para casa e fico sem tempo para nada”, relata.

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Para a professora Angela Calenzani, que trabalha na rede estadual do Espírito Santo, a falta de um plano de saúde e de apoio psicológico para os docentes compromete o trabalho. “Neste ano tive problemas com pressão alta e estresse, ocasionados por uma rotina de 10 horas diárias. O professor precisa de condições e recursos para trabalhar; sozinhos não conseguimos atender às reais necessidades dos alunos”, opina.

Problemas vocais

Outra questão recorrente no dia a dia dos professores são os problemas de voz. Uma pesquisa que está sendo realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com o Ministério da Educação, com 6.510 professores de todo o Brasil, identificou em seus resultados preliminares que 17,7% deles sofrem com problemas vocais, seguidos por problemas respiratórios (14,6%) e emocionais (14,5%).

O estudo também mostrou que 69,1% dos professores faltaram ao menos um dia no último ano. A maioria dos casos são por questões de saúde. “São múltiplos fatores que estão relacionados com esse adoecimento. Entre eles, um ambiente de trabalho com condições precárias; a violência verbal praticada pelos alunos; falta de apoio dentro da escola e dificuldade de relacionamento com os colegas”, afirma Adriane Mesquita de Medeiros. Ela é professora e pesquisadora do Núcleo de Estudos em Saúde e Trabalho da UFMG.

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Em alguns casos, a ansiedade é ampliada por fatores locais, como clima escolar e excesso de trabalho. A professora Eliane*, que leciona no Ensino Fundamental II e Médio no Recife, conta que a pressão e as cobranças que ela considera exageradas são alguns dos principais fatores que afetam a sua saúde. “O clima com os superiores é de desconfiança e há muitas exigências com relação a atividades burocráticas. Além disso, os docentes não têm liberdade na sala de aula e muitos são perseguidos quando tocam em temas considerados polêmicos”, relata.

Para Araújo Filho, da CNTE, é preciso que haja uma gestão democrática dentro das escolas. E que permita que o educador tenha voz ativa na construção do projeto político-pedagógico e se sinta confortável no ambiente escolar.

Repercussão na sala de aula

A desvalorização da carreira e o acúmulo de problemas de saúde também trazem efeitos de longo prazo. E também prejudicam o processo de ensino e aprendizagem. De acordo com o relatório Políticas Eficientes para Professores, divulgado em junho deste ano pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apenas 2,4% dos jovens brasileiros de 15 anos querem ser professores.

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“O adoecimento do professor repercute na sala de aula, na dinâmica escolar, nas políticas públicas e na carreira docente, fazendo com que o aluno perca na figura do professor a sua referência como profissional fundamental na mediação do conhecimento. O absenteísmo prejudica a formação dos nossos jovens. E também resulta em uma educação aquém do que se espera em termos de qualidade”, destaca Cristina Miyuki Hashizume. Ela é doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pelo Instituto de Psicologia da USP e professora da Universidade Metodista de São Paulo e da Faculdade Messiânica.

Segundo ela, as políticas públicas educacionais devem ser formuladas a partir do mapeamento real dos dados sobre o adoecimento docente. Assim, haverá a elaboração de estratégias para melhorar a qualidade de vida dos professores. “Plano de carreira, aumento de salário, diminuição do número de horas trabalhadas e políticas de valorização docente são fatores que podem amenizar esse adoecimento”, aponta.

*O nome da entrevistada foi trocado para preservar a sua identidade

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Professora visita casa dos alunos e usa afeto para melhorar desempenho da turma

Fotografia de uma mulher agachada, olhando para uma criança e segurando suas mãos. Os dois estão sorrindo.

Esse texto é uma publicação do Porvir, escrito pelaMaria de Fátima Destro de Arruda. Ela é formada em PedagogiaPós-graduada em educação especial e inclusiva e em psicopedagogia, com extensão universitária em pedagogia Hospitalar. Nós compartilhamos o texto na íntegra pois achamos que seu relato é muito inspirador e que boas práticas como essa podem transformar a educação brasileira. Veja a matéria na íntegra no site

Fotografia de uma mulher agachada, olhando para uma criança e segurando suas mãos. Os dois estão sorrindo.
(Nappy)

Muito tem sido debatido e escrito sobre a importância do bom relacionamento entre o professor e o aluno. No entanto, no dia a dia em sala de aula, nem sempre a convivência harmônica e segura acontece. Independente de quem seja a culpa pela falta de entrosamento, cabe ao educador tentar estabelecer condições que propiciem a boa relação afetiva em nome da aprendizagem e também do crescimento pessoal.

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Tudo que os professores fazem em sala de aula é percebido pelos alunos. E isso também influencia na posição que eles ocupam no inconsciente da turma. Isso traz aos educadores um ‘poder’ que tem a possibilidade de influenciar os alunos em suas ideias e valores. Deste modo, ė preciso ser humilde o suficiente para adentrar ao seu lar e estreitar os laços.

Professora em minha casa

A ideia de visitar as casas dos alunos surgiu em 2014. Foi quando assumi uma sala de aula de quarto ano do ensino fundamental. Eles tinham sérios problemas de comportamento e desempenho, e eu precisava conhecê-los para estabelecer um vínculo maior com as famílias. Então, em uma roda de conversa, nasceu o projeto “Professora em minha casa”.

Quando comuniquei às famílias a vontade de visitar seus lares, as crianças relataram que os pais acharam a ideia estranha. Mas, mesmo assim, aceitaram. Nascia, então, o projeto com autorização e incentivo da diretoria da Escola Municipal de Ensino Fundamental Luiz Zovaro, em Caieiras (SP).

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Escolhi começar pela casa de um aluno que precisava muito de um novo olhar, de maior dedicação e afeto. Pois era considerado pela escola como o “pior”. Não sabia como seriam de fato esses encontros e como seriam as conversas, nem se o projeto daria certo. Mas logo descobri que em uma única visita, sem formalidades, seja para tomar um café ou até mesmo para um almoço, eu poderia aprender muito sobre meus alunos.

O aluno como protagonista

Cada encontro resultava em uma história ou nova estratégia para ser aplicada em aula. Após a visita, o aluno se tornava protagonista na sala, pois no dia seguinte era sua função contar para a turma como foi receber a professora em sua casa e fazia uma produção de texto. Os relatos me enchiam de lágrimas e davam a certeza da importância que eu tinha na vida das crianças.

Estou muito feliz com o projeto. Os alunos alcançaram melhor desempenho e as famílias maior interação com a escola. A confiança e o afeto também foram valores conquistados. Nós, educadores, somos mais do que acreditamos ser.

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Quando criei o projeto, tinha em mente o desejo de atravessar os muros das escolas. No entanto, o projeto na fez ir mais longe. Em 2016, ele foi aceito no Congresso Internacional de Pedagogia Especial, em Cuba. No ano seguinte, também participei do Congresso Internacional de Riscos, em Portugal, do Congresso Internacional de Trabalhos Latinos Americanos, em Moçambique, e da Conferência Internacional de Educação, na Irlanda. Este ano, ele está no Congresso de Nasvhille, nos Estados Unidos, e no Congresso Internacional Americanistas, na Espanha.

Maria de Fátima Destro de Arruda é Graduada em pedagogia pela Faculdade Sumaré. Pós-graduada em educação especial e inclusiva pelo UNINTER (Centro Universitário Internacional) e em psicopedagogia pela Unicid (Universidade Cidade de São Paulo). Possui extensão universitária em pedagogia Hospitalar. É pedagoga na ABADS (Associação Brasileira de Assistência e Desenvolvimento Social), conhecida anteriormente como Pestalozzi, diretora da APAE de Caieiras, professora da rede pública e do Departamento de Educação Especial de Caieiras, na região metropolitana de São Paulo.

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#1MudaMuitos: Instituto Península lança campanha pela valorização de professores

Foto de aproximadamente três alunos, de costas, olhando para a professora na frente da sala de aula.

Foto de aproximadamente três alunos, de costas, olhando para a professora na frente da sala de aula.
(Reprodução/Facebook)

O Instituto Península é uma organização social que tem como foco a melhoria da qualidade da educação brasileira. No dia 9 de agosto, eles lançaram a campanha #1MudaMuitos. Ela tem como objetivo reforçar que os principais agentes de transformação da educação do país são os professores. Para isso, eles lançaram um vídeo que foi narrado, de forma pro bono, pelos apresentadores Jô Soares e Luciano Huck.

A campanha #1MudaMuitos

A campanha busca destacar como cada professor pode contribuir para a transformação positiva da sociedade através da sua atuação. “Quando um profissional faz a diferença na vida do aluno, este levará seus aprendizados para casa, transformando também a sua família. Consequentemente, ele transforma sua comunidade. A rede de pessoas atingidas pelos conhecimentos passados por um professor em sala de aula vai se ampliando até que seu trabalho faça a diferença na construção da sociedade brasileira”, afirma Heloisa Morel, diretora do Instituto Península. De acordo com o Censo Escolar, atualmente 2,2 milhões de professores são responsáveis pela educação de 48,6 milhões de alunos da educação básica. “Essas crianças são 100% do nosso futuro e por isso precisamos garantir uma aprendizagem de qualidade”, completa Heloisa.

O filme foi desenvolvido pela Tribal WorldWide, agência pós-digital do grupo ABC Omnicom. Além disso, foi produzido pela Maria Farinha Filmes e mostra que a solução da educação está nas salas de aula. O material destaca é por meio do trabalho diário dos professores qualificados de todo o Brasil que o país vai se transformar e prosperar. Além da TV, a campanha também será veiculada nas redes sociais do Instituto Península e nas redes de cinema Cinemark.

Confira o material:

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Reflexão: ‘Os professores’, por Valter Hugo Mãe

Imagem de Valter Hugo Mãe

Imagem de Valter Hugo Mãe
(Reprodução/Revista Prosa Verso e Arte)

Valter Hugo Mãe* destaca-se no panorama da literatura portuguesa pelo carisma e o ecletismo. Escritor, editor e artista plástico, cursou pós-graduação em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea na Universidade do Porto. Possui livros publicados de poesia, contos e narrativa longa, romances. Em 2007, recebeu o Prêmio Literário José Saramago com o seu segundo romance, O remorso de baltazar serapião.

Os professores

(texto em português de Portugal)

Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em livros a vida inteira. Era-me imperiosa a dedicação a aprender e não guardava dúvidas acerca da importância de ensinar. Lembrava-me de alguns professores como se fossem família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao menos entre os meus treze e os quinze anos de idade.

A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito de liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo se vota a encontrar o seu mais genuíno, honesto, caminho. Os professores são quem ainda pode, por delicado e precioso ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria do mundo em que o mundo se tem vindo a tornar.

Nunca tive exatamente de ensinar ninguém. Orientei uns cursos breves, a muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que tenho há umas semanas. Sinto-me sempre mais afetivo do que efetivo na passagem do testemunho. Quero muito que o Freud, o meu cão, entenda que estabeleço regras para que tenhamos uma vida melhor. Mas não suporto a tristeza dele quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise. Sei perfeitamente que não tenho pedagogia, não estudei didática, não sou senão um tipo intuitivo e atabalhoado. Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe.

Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores versões. Quantas vezes me senti outro depois de uma aula brilhante. Punha-me a caminho de casa como se tivesses crescido um palmo inteiro durante cinquenta minutos. Como se fosse muito mais gente. Cheio de um orgulho comovido por haver tantos assuntos incríveis para se discutir e por merecer que alguém os discutisse comigo.

Houve um dia, numa aula de história do sétimo ano, em que falámos das estátuas da Roma antiga. Respondi à professora, uma gorduchinha toda contente e que me deixava contente também, que eram os olhos que induziam a sensação de vida às figuras de pedra. A senhora regozijou. Disse que eu estava muito certo. Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a descortinar aquela solução, mas porque tínhamos visto imagens das estátuas mais deslumbrantes do mundo e eu estava esmagado de beleza. Quando me elogiou a resposta, a minha professora contente apenas me premiou a maravilha que era, na verdade, a capacidade de induzir maravilha que ela própria tinha. Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois, felizes. Profundamente felizes.

Talvez estas coisas só tenham uma importância nostálgica do tempo da meninice, mas é verdade que quando estive em Florença me doíam os olhos diante das estátuas que vira em reproduções no sétimo ano da escola. E o meu coração galopava como se tivesse a cumprir uma sedução antiga, um amor que começara muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora, sem dúvida que potenciado e acarinhado por uma professora. Todo o amor que nos oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível.

Dá-me isto agora porque me ando a convencer de que temos um governo que odeia o seu próprio povo. E porque me parece que perseguir e tomar os professores como má gente é destruir a nossa própria casa. Os professores são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela educação de algum miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam capazes de cuidar da maravilha que é a meninice dos nossos miúdos, que é pior do que nos arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior do que comer apenas sopa todos os dias.

Estragar os nossos miúdos é o fim do mundo. Estragar os professores, e as escolas, que são fundamentais para melhorarem os nossos miúdos, é o fim do mundo. Nas escolas reside a esperança toda de que, um dia, o mundo seja um condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal mas esforçada para se transcender no alcance da felicidade. E a felicidade, disso já sabemos todos, não é individual. É obrigatoriamente uma conquista para um coletivo. Porque sozinhos por natureza andam os destituídos de afeto.

As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos. Não é indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os alunos não podem abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento. E um país que forma os seus cidadãos e depois os exporta sem piedade e por qualquer preço é um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de educar, não serve para nada. Está a suicidar-se. Odeia e odeia-se.

Autobiografia Imaginária | Valter Hugo Mãe | JL Jornal de Letras, Artes e Ideias | Ano XXII | Nº 1095 | 19 de Setembro de 2012.

Matéria publicada pela Revista Prosa Verso e Arte.