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O que é educação compartilhada? Unesco lança relatório sobre o tema

Educação Compartilhada Unesco

Educação compartilhada. Eis um termo que deve estar sempre no radar quando falamos de preparar uma criança para o futuro. Mas afinal, o que ele significa? Quais atores devem estar envolvidos no processo?

Pensando em ampliar o olhar sobre essa questão, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) lança o Relatório de Monitoramento Global da Educação de 2017/2018 (GEM Report, sigla em inglês para Global Education Monitoring), que foi lançado em evento especial em Brasília no mês de outubro.

O documento defende que o aprendizado integral dos alunos só pode acontecer se for estabelecido um pacto de responsabilidade compartilhada. Esse pacto deve ser firmado entre todos os membros da sociedade: pais, professores, políticos, estudantes, imprensa e sociedade civil. O objetivo é evitar a culpabilização que recai principalmente sobre os educadores.

Outro ponto importante que o Relatório ressalta é o efeito negativo do modelo de prestação de contas sobre problemas educacionais. A pesquisa identificou que isso acaba recaindo sobre dos atores desse pacto. Segundo informações do Porvir, “a Unesco exemplifica que a escola é a responsável final da cadeia a oferecer ambientes de aprendizagem construtivos, mas, para dar conta dessa função, depende de recursos dos governos, de professores que cumpram as normas, e do comportamento adequado dos alunos”.

A forma como são aplicados os testes para medir a qualidade da aprendizagem, por exemplo, não são efetivos e muitas vezes induzem o professor a dar mais atenção a estudantes mais propensos a apresentar resultados melhores. “Testes de alta relevância podem levar os professores a ensinar somente aqueles que são capazes de obter melhores resultados”, defende o relatório.

Além de citar a luta dos movimentos estudantis pelo acesso à educação e a importância da imprensa para a trazer à luz casos de corrupção, o texto reconhece que tudo começa a partir da postura adotada pelos governos, que devem estabelecer leis que elevem a educação a um direito.

O Relatório também investigará a responsabilização na educação, ao analisar como todas as partes interessadas relevantes podem oferecer educação de forma mais eficaz, eficiente e equitativa. Ele examina, ainda, diferentes mecanismos de prestação de contas que são utilizados para atribuir responsabilidades a governos, escolas, professores, pais, estudantes, sociedade civil, comunidade internacional e setor privado, em busca de garantia de uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade. Ao analisar quais políticas favorecem ou não o bom funcionamento dos mecanismos de responsabilização e quais fatores externos influenciam seu sucesso, o Relatório GEM 2017/18 apresentará conclusões com recomendações concretas que ajudarão a construir sistemas educacionais mais fortes. (Fonte: Unesco)

A Unesco exemplifica alguns caminhos possíveis no relatório

1. Estruturar a responsabilização para escolas e professores de forma solidária. Isso deve evitar mecanismos punitivos, especialmente aqueles com base em medidas limitadas de desempenho;

2. Permitir a participação democrática. Respeitar a liberdade de imprensa para investigar criticamente a educação e criar instituições independentes para lidar com reivindicações;

3. Desenvolver regulamentações confiáveis e efetivas com sanções relativas a todos os provedores de educação, públicos e privados, que assegurem a não discriminação e a qualidade da educação;

4. Fazer com que o direito à educação tenha efeitos jurídicos, o que não é o caso em 45% dos países.

Matéria publicada pelo Catraquinha

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A importância da educação para o crescimento econômico

crescimento econômico e educação

É comum associarmos o crescimento econômico com o aumento da renda geral. Mas isso não é suficiente para definir o que é crescer economicamente? Este é o tema que Robert Solow, ganhador do Prêmio Nobel em 1987, investigou durante sua vida profissional.

Após 4 anos de pesquisa, em 1956, Solow publicou seu posicionamento no artigo “A contribuição para teoria do crescimento econômico”. Nele, introduziu um modelo inovador intitulado “Solow-Swan model”. Ele propõe que o crescimento econômico a longo prazo está associado ao crescimento da população. A poupança (capital) e o progresso tecnológico (alusivo à inovação) também são considerados. Em parceria com o economista Trevor Swan, eles criaram um modelo matemático. O estudo combina esses elementos para estudar o comportamento de países com características semelhantes. Dessa forma, foi possível estabelecer um padrão no desempenho dos países. Os pesquisadores também formularam uma hipótese em relação a taxa do PIB em função das 3 principais variáveis que ditam a função.

O economista, seguindo os estudos de Solow, procurou entender como a acumulação de capitais e a força de trabalho interagem e afetam a produção de bens e serviços. Para isso, ele combinou essas variáveis e percebeu que se desconsiderarmos o fator tecnológico. Assim, os países subdesenvolvidos ou emergentes teriam a tendência de ter um crescimento mais rápido do que países desenvolvidos. Analisando os dados, ele percebeu que essa correlação não necessariamente ocorre.

crescimento econômico e educação

Na prática, isso é realmente perceptível. Em 2016, por exemplo, o PIB dos EUA, uma economia desenvolvida, cresceu 1,6%, enquanto que o PIB do Brasil, país emergente, recuou 3,6%.  Ele concluiu que aproximadamente metade do crescimento econômico não pode ser explicado pela mera acumulação de capital e força de trabalho.

Então, será que o desenvolvimento tecnológico – por representar a última variável do modelo – constitui uma grande parcela determinante do crescimento da economia?

Solow afirmou que a tecnologia aplicada aos meios de produção é um dos principais fatores para a expansão econômica. Dessa forma, em seu modelo, o capital está diretamente ligado com a tecnologia conhecida. À medida que a tecnologia vai se aprimorando, o capital novo fica mais valorizado quando comparado ao capital antigo.

Educação como pilar

Seguindo essa linha de raciocínio, a teoria do economista acaba tornando a educação em um dos principais pilares da economia. Isso porque indivíduos com acesso à educação proporcionam as melhores ideias, promovendo inovação tecnológica. Assim sendo, o incentivo a criatividade humana torna-se o instrumento mais influente na economia.

Confrontando tais ideias com a realidade brasileira é possível entender por que é tão difícil alcançarmos crescimento econômico sustentável no longo prazo. A falta de investimentos na educação cria pouquíssimos incentivos para a promoção de indivíduos intelectualmente notáveis. A péssima gestão no setor também contribui para isso. Em 2016, na prova do PISA, exame anualmente organizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para medir os níveis de educação dos países, o Brasil ficou em 63º em Ciências e em 66º em Matemática entre 70 países. Nos primeiros lugares figuram Cingapura, Japão e Finlândia. Esses países tiveram um crescimento econômico estável no longo prazo, aliado a um enorme desenvolvimento social.

Combatendo a desigualdade

Outra preocupação que surge nas conclusões de Solow é a questão da desigualdade. Ao dar enfoque no progresso tecnológico, que é consequência de investimentos na educação, a concentração de riquezas no longo prazo e seus efeitos são vistos com novos olhos. O crescimento econômico será prolongado à medida que haja um crescimento nas mesmas proporções para todas as parcelas da população. Pelo contrário, se existir uma concentração de riquezas, algo muito corriqueiro nos dias de hoje, no longo prazo, o país vai eventualmente se desestabilizar e ter um desenvolvimento tardio.

Em contrapartida, investir na educação aparenta ser a forma mais eficiente de proporcionar um crescimento econômico estável e perene. Inclusive, é bem comum que em países com grande desigualdade haja a chamada Fuga de Cérebros. Neles, pesquisadores promissores mudam-se para outros países com qualidade de vida e apoio científico melhores, agravando a situação do país de origem.

Diante do exposto, percebe-se que a teoria do crescimento econômico, estruturada por Solow, indica que o progresso tecnológico tem o maior peso para expansão da economia. É de se pensar quão importante é a criatividade nos dias de hoje, afinal, não é à toa que a inovação está enraizada na economia. Já que a educação é o principal meio para incentivar a criatividade, temos sempre que dar suporte às instituições educacionais, pois são elas que definem o futuro.

Matéria publicada pelo G1