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10 exercícios de mindfulness para colocar em prática na sala de aula

Imagem de um menino e uma menina deitados em um tapete apoiados em almofadas, concentrados e conversando sobre a garrafa da calma

Se você é professor, com certeza já se descabelou com alguma turma. Já cansou de pedir silêncio e, com certeza, já pensou “Será que eu tô falando grego? Eu falo mil vezes e parece que ninguém ouve!”. Os alunos não se concentram, não escutam e estão sempre ligados no 220. Seja no ensino fundamental ou médio, sempre vai ter alguma turma, grupo ou aluno com esses comportamentos dispersos em horas não apropriadas.

No final da semana, você já está de cabelo em pé, cansado de ter pedido a mesma coisa várias vezes. E até gritando, perdendo a voz por ter que falar alto, já que ninguém te escuta. Na Numi – escola de desenvolvimento emocional-criativo fundada por mim (Amanda Lopes), Sophia Leal e Mari Abreu –  a gente sabe que antes de tudo, professor é um ser humano e que acontece de perder a linha às vezes. Dar aula pode ser desgastante e frustrante desse jeito.

Mas existe uma palavrinha mágica, em inglês, que se praticada com frequência, pode gerar resultados significativos em sala de aula: o mindfulness. A redução do estresse, diminuição da violência, melhora da autoestima, melhora do aproveitamento escolar, calma, entre outras coisas, são alguns dos benefícios dessa prática.

Mindfulness é a prática da atenção plena. Estar presente em todos os momentos da própria vida. Não pensar no futuro, nem no passado, é se focar no presente e estar com a mente livre para se concentrar no agora e viver mais plenamente. Por isso, separamos 10 atividades para você colocar em prática com a sua turma.

1. Jujuba

Distribua uma uva passa (jujuba ou outro alimento) para os alunos. Peça que eles não comam. Os oriente a observar o formato e a cor da uva passa. Depois, peça que eles sintam a textura. Em seguida, eles podem cheirar, e colocar na língua, sem mastigar. Depois de passar por toda a boca, eles podem mastigar. No final, mas pergunte como foi a experiência para eles.

Imagem de um menino sentado, no chão, desenhando em uma folha de sulfite branca com tinta roxa

2. Música e tinta

Coloque uma música clássica ou uma música que possa despertar a calma nos alunos. Entregue tintas de várias cores e peça para eles expressarem o que sentem no papel, com um pincel. Faça o processamento da atividade e os convide a falar sobre as próprias emoções.

3. Natureza

Faça um passeio na natureza e os convide a observar o som dos pássaros, o tronco e o tamanho das árvores, as teias de aranha…depois, peça para eles desenharem o que viram!

4. Sino tibetâno

Para essa, você vai precisar de um som de sino tibetâno. No youtube tem! Você pode baixar e levar para a sala com uma caixinha de som. Apague as luzes e vá acalmando a turma. Fale para eles ficarem em uma posição confortável (deitados, sentados…) e respirarem fundo, todos juntos. Depois, explique que eles vão ouvir um barulho de um sino, e que quando eles pararem de ouvir o barulho, eles devem levantar a mão, em silêncio. Então, dê o play. É um ótimo exercício para eles trabalharem a concentração e a calma (repita esse processo algumas vezes).

5. Brinquedos

Novamente, apague as luzes. Fale para cada um pegar um brinquedo ou objeto que goste e diga para todos se deitarem. Peça para eles colocarem o objeto em cima da barriga e observarem como ele sobe e desce à medida que eles respiram. Vá pedindo para respirarem mais devagar e profundamente e observarem. Depois, converse com eles sobre a experiência.

6. Observação

Os alunos devem formar duplas e sentar um de frente para o outro. Explique que eles têm 1 minuto para olhar nos olhos do parceiro e que não podem desviar o olhar. Depois, eles podem trocar de duplas algumas vezes e vocês podem conversar sobre como eles se sentiram e como podem usar isso no dia a dia.

7. Respiração

Primeiro, peça a seus alunos que tapem à orelha com as mãos até que não escutem nada. Depois, fechem os olhos. Inspire pelo nariz profundamente e quando exalar, faça o barulho do zumbido da abelha (a letra “z”). Repita o exercício quantas vezes quiser.

8. Garrafa da calma

Imagem de um menino e uma menina deitados em um tapete apoiados em almofadas, concentrados e conversando sobre a garrafa da calma

A garrafa da calma é um objeto muito legal de se fazer. Recolha garrafas pet leve para a sala com cola glitter de diferentes cores, corante alimentar, e o que mais você quiser colocar dentro da garrafa (botões, argolas…). Distribua para os alunos os materiais e, com uma garrafa pronta de exemplo, explique que, quando se agita a garrafa, o que tem dentro fica bagunçado, agitado, e que é assim com a nossa cabeça quando ficamos nervosos, com raiva ou tristes. E mostre que quando o glitter cai, tudo fica calma e em paz, assim é com a gente quando nos acalmamos. Agora eles podem fazer a própria garrafa e você pode usar em momentos estratégicos, quando eles estiverem dispersos, bravos ou tristes.

9. Consciência corporal

De olhos fechados, todos devem respirar profundamente. Rapidamente, vá narrando a viagem de uma formiguinha dos pés até a cabeça deles. Esse exercício ajuda a trazer a presença e consciência corporal, mental e emocional da turma.

Imagem de um menino sentado em cima de uma almofada no chão, desenhando com caneta na perna

10. Criatividade

Dê uma canetinha para cada aluno e peça que eles observem as marcas que tem no corpo: pintas, verrugas, cicatrizes, marcas de nascença…e criem desenhos a partir de suas marcas. No final, todos devem estar cheio de desenhos pelo corpo. Esse exercício ajuda a desenvolver a observação, criatividade e concentração.

Sempre que fizer uma dessas atividades, é interessante que você converse com a turma e faça o processamento do que acabou de acontecer. Assim, o aprendizado ancora neles e você consegue trazer essas lições aprendidas sempre que precisar.

E então, que tal começar fazendo uma vez por semana e ir aumentando a frequência das atividades? Tenho certeza que os resultados à longo prazo serão incríveis!

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11 tendências da educação brasileira para 2018

Quais são as tendências da educação para 2018 e quem são as pessoas que estão trabalhando para concretizar essas ações? A educação brasileira teve avanços e desafios em 2017. Por um lado, muitas iniciativas foram interrompidas por causa da crise ou episódios como a tragédia de Janaúba mostraram como existem professores que fazem muito mais do que dar aula. Por outro, um número incontável de educadores, empreendedores e outros profissionais da educação tiveram um ano de muitas conquistas.

Conhecendo as tendências da educação brasileira para 2018

Mapeamos quase 100 experiências neste post. Aqui, separamos as 11 pessoas ou iniciativas que mais se destacaram no ecossistema de educação e inovação. Veja quem são as pessoas e projetos que precisamos ficar de olho em 2018:

Projeto Mulheres InspiradorasGina Vieira posa para foto sorrindo

Iniciativa criada em 2014 com o objetivo de incentivar a valorização da figura feminina através de exemplos inspiradores. Em 2016, recebeu apoio da Corporação Andina de Fomento, um banco de desenvolvimento social.  A Organização de Estados Ibero-americanos se propôs a ser gestora dos recursos. O Governo de Brasília aceitou a parceria, tendo o papel de colocar a Secretaria de Educação como articuladora e executora.

“Assim, conseguimos definir um desenho do programa que tem como principal pilar o fortalecimento da formação das professoras, o fomento à leitura e à escrita autoral, a valorização do Protagonismo Juvenil e a concepção do professor como Intelectual transformador, protagonista da própria prática”, contou a professora Gina Vieira, fundadora do projeto.

Em 2017, foram 17 escolas atendidas, 48 professores e professoras em formação e mais de 3.000 estudantes integrados ao programa. O projeto distribuiu mais de 1500 livros, organizou quase 60 palestras e recebeu 5 prêmios (Prêmio Grandes Educadores, do UniProjeção; Prêmio Medalha Mérito Buriti, do Governo de Brasília; Prêmio Igualdades de Gênero na Cultura, da Secretaria de Cultura; Finalista no Prêmio Cláudia, na categoria Trabalho Social; e Prêmio WEDO, Mulheres Empreendedoras).

Para o ano de 2018, a perspectiva é tornar o programa uma política pública. Assim, não há risco que seja enfraquecido a cada nova gestão que assumir a educação no DF.

Fast Food da Política

A Fast Food da Política desenvolve ferramentas educacionais abertas para promover o entendimento das regras que regem a Política, sua estrutura, processos e personagens. Em 2017, criou seu conselho consultivo, foi certificado como Tecnologia Social pelo ITS e Fundação Banco do Brasil. Eles também foram aprovados no Concurso de Projetos 2017 da Fundação Arymax. Além disso, realizaram dois projetos com a Prefeitura de São Paulo pelo programa Agentes de Governo Aberto.

Imagem de uma mulher sorrindo enquanto joga o jogo do Fast Food da Política

“Ganhar o prêmio de Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil na categoria Educação foi muito importante e gratificante. Para nós é um reconhecimento que a temática é urgente e necessária. Em tempos onde projetos de intolerância política buscam terreno, uma iniciativa que fortalece a democracia e a diversidade ser reconhecida é motivo de esperança”, contou Júlia Carvalho, uma das fundadoras da iniciativa.

O Fast Food também ampliou sua atuação a partir de produtos e formações. A iniciativa desenvolveu e realizou uma série de cursos gamificados sobre educação política, educação de gênero e gamificação política. A iniciativa também disponibilizou os jogos online para download. Os pontos altos da produção foram o lançamento do projeto Molho Especial – jogos sobre Gênero e Política na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Além disso, fez formação da primeira turma de Multiplicadores Oficiais Fast Food da Política.

Datapedia

Imagem com o texto "Prêmio Veja-se" em um fundo laranjaO Datapedia consolida dados públicos em uma plataforma única, acessível e pública, facilitando o entendimento de dados de todas as cidades brasileiras. Uma das tendências da educação é trabalhar com base em análise de dados. Em 2017, eles lançaram o site, que já teve mais de 200 mil visualizações. A startup também iniciou vários projetos com governos e outras organizações. Indicado para o prêmio Veja-se na categoria de Políticas Públicas, a iniciativa acabou de fechar uma grande parceria com Itaipu. “O Projeto Site de Passargada – para criar um modelo ideal de site para prefeituras do Brasil seguirem a LAI, transparência e serviços para cidadãos”, contou Marcos Silveira, fundador da Datapedia.

Seminário Amplifica

Imagem de divulgação do Amplifica, e ao fundo a imagem de um auditório cheio de pessoas com as mãos levantadas

Essa iniciativa que foca na capacitação de educadores para a transformação da sala de aula com ferramentas digitais colaborativas Google fez barulho em 2017. Foram quase 10 edições em todo o Brasil – uma delas sendo a edição internacional. O Amplifica também conquistou um público fiel no Amplifix, as lives semanais que as organizadoras realizam via Facebook.

O projeto também criou um programa de Bootcamp para ajudar os educadores a se certificarem e se qualificarem ainda mais para o mercado. Carla Arena, uma das criadoras da iniciativa, conta: “O resultado nos deixou radiantes e confiantes de que estamos trilhando um caminho em que o professor se sente acolhido e apoiado”.

Alex Bretas

Em 2017, Alex abriu a primeira turma da Multiversidade. A iniciativa é uma comunidade de aprendizes autônomos ou, se você preferir, uma “universidade para autodidatas”. O aprendizado autônomo também é um das tendências da educação no Brasil. “Superamos a dificuldade de comunicação que costuma ocorrer em projetos de inovação e acabamos com uma lista de espera de mais de 250 pessoas para as próximas turmas”, contou. No trajeto, a Multiversidade teve oportunidade de apresentar a proposta em vários lugares, dentre eles na Romênia, na sede da Universidade Alternativa, um de seus parceiros internacionais.

Conrado SchlochauerImagem branco e preto de Conrado Schlochauer

Sócio-fundador da Affero Lab, começou 2017 ajudando na criação da Multiversidade e encerrou o ano como embaixador responsável por trazer a Singularity University para São Paulo.

Na Affero Lab, o ponto alto foi a disseminação da Nextpedia. A iniciativa é um modelo usa sala de aula invertida e considera o antes e depois da aula tão importante quanto o momento da instrução. “A Multiversidade foi uma grande conquista e, especialmente, fonte de aprendizado. Tendo feito doutorado em aprendizado autodirigido, está sendo lindo ver a criação de uma comunidade democrática de aprendizado”, contou.

Numi Educação

Imagem de oito meninas e mulheres sorrindo e segurando uma mini lousa com o texto "Bem-vindos ao The Chef Experience"

A Numi é uma escola criativa que oferece experiências para despertar a inteligência emocional em crianças e adolescentes. Uma das tendências da educação é desenvolver competências socioemocionais a partir de atividades práticas e significativas. Em seu primeiro ano oficial, já realizam 10 cursos com mais de 50 crianças e jovens. Encerraram 2017 com a inauguração de um espaço próprio que dará mais força e novas perspectivas para 2018.

Mentoring Young Talents Brazil

Projeto que oferece mentoria gratuita aos alunos do ensino médio público e organiza uma rede de jovens de todo o país que trocam experiências e oportunidades em um grupo de Facebook. Em 2017, participou de eventos como a Conferência Mapa Educação, Campus Party e TEDxItajubá. Também começaram a ser acelerados pelo Instituto Legado. A organização apoiou a reorganização do projeto e uma ampliação da estrutura operacional e organizacional para 2018.

Rafael Parente

PhD em educação (NYU), CEO da Aondê/Conecturma, presidente do conselho do CEIPE e sócio-efetivo do Movimento Todos pela Educação. Fundou e dirigiu o LABi, Laboratório de Inovação Educacional, de 2014 a 2017. Foi subsecretário na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro de 2009 a 2013.

Nesse ano, Rafael teve grandes conquistas com a Conecturma. Foram mais de 10 mil alunos usando a metodologia. Também firmou parcerias com o Google para desenvolvimento de jogos de realidade virtual e aumentada e com Porvir e Canal Futura para a criação do programa Educação na Veia. Rafael ainda está desenvolvendo o Conecturma Mini, para crianças de 3 a 5 anos. Trabalhar com tecnologia apoiando a educação continua um ponto forte e pode ser uma das tendências da educação de 2018.

Junto com isso, Rafael e sua equipe também começaram um grande projeto em Goiás, com 5 mil crianças. Lá, vão trabalhar para modernizar 200 escolas por ano. Para isso, trabalharão com infraestrutura tecnológica, formação de professores e gestores, metodologias e materiais inovadores.

Instituto Rodrigo Mendes

O IRM teve um ano e tanto. O Portal Diversa, que apoia redes de ensino no atendimento de alunos com deficiência na escola regular, ganhou destaque e novas seções. A iniciativa também participou de grandes eventos e ganhou prêmios nacionais e internacionais.

Após sua participação no painel “O impacto transformador do esporte” no World Forum on Sport and Culture, realizado no Japão pelo Fórum Econômico Mundial, Rodrigo Hübner Mendes palestrou no TEDxEducação. O Instituto também venceu a etapa nacional do World Summit Award (WSA) 2017, levou o Leão de Prata no Prêmio Cannes Lions Festival of Creativity e conquistou o Grande Clio de Entretenimento.

Em outubro, Rodrigo Hübner Mendes foi homenageado na 15ª edição do jantar de gala da ONG em Nova Iorque. O evento marcou o lançamento da iniciativa Abrace o Brasil, da qual o IRM participa com a campanha Abrace a Comunidade DIVERSA. O instituto também apoiou a criação de uma política nacional de educação especial em Angola e alcançou mais de 20 mil usuários em seus debates via Facebook.

Noc Educação

Um dos cursos de pré-vestibular que mais dá acesso à jovens de baixa renda, a Noc beneficiou 400 alunos em 2017 e conquistou prêmios e parcerias. “Uma conquista legal desse ano foi ter sido premiada em inovação social pelo Acelera FIESP, dentre 22500 organizações participantes!”, contou Luis Mendes, fundador da Noc.

O destaque do ano foi a parceria com o Instituto Acqua. Com ela, foi criado o projeto Universidade Cidadã. A iniciativa oferece curso preparatório gratuito para jovens de baixa renda e teve atuação no Maranhão e Santo André. Em 2017, contou com a participação da Casa1, uma república de acolhimento para LGBTs que foram expulsos de suas casas.