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6 mulheres cientistas para estudar em sala de aula

Imagem com seis nomes de mulheres cientistas para estudar em sala de aula

Imagem com seis nomes de mulheres cientistas para estudar em sala de aula

Elas protagonizaram grandes avanços na ciência, apesar do machismo que tentou afastá-las de suas áreas de interesse ou silenciar suas contribuições para a sociedade. Estas cientistas foram pioneiras em estudos sobre computação, astronomia, radiação, mas pouco ou nada se fala sobre elas nas escolas.

Sabendo da importância de lutar contra a invisibilidade da contribuição histórica das mulheres para a promoção da igualdade de gênero, o Centro de Referências em Educação Integral selecionou seis cientistas de diferentes áreas de atuação que podem adentrar as salas de aula brasileiras para um ensino mais diversificado e integral. Confira:

Hipátia de Alexandria (350 d.C-415 d.C)

Em uma época onde o repertório cultural e intelectual estavam circunscritos ao gênero masculino, Hipátia enveredou notavelmente por diversas ciências. Especialmente pela influência de seu pai, o filósofo Theon de Alexandria, que lhe proporcionou uma criação liberal. Além de ser matemática, ela era chefe da escola platônica em Alexandria, um dos maiores centros do saber da Antiguidade. Hipátia também era conhecida como “a mulher sábia do Egito”. Ela lecionou filosofia e astronomia, deixando importantes descobertas nestas disciplinas. Foi brutalmente assassinada por um grupo de fervorosos cristãos devido suas crenças tidas como “pagãs”.

Ada Lovelace (1815-1852)

Cientista Ada Lovelace
Ada Lovelace é considerada a primeira programadora da história (Reprodução/Centro de Referências em Educação Integral)

Ada Lovelace é considerada a primeira programadora do mundo. Afinal, a matemática inglesa escreveu o primeiro algoritmo a ser processado pela chamada máquina analítica criada por Charles Babbage. Atualmente, este é considerado o primeiro modelo de computador da história. Além disso, enquanto todos os matemáticos da época focavam tão somente na capacidade dos computadores de processarem números, Ada deixou inúmeras reflexões sobre como a tecnologia poderia ser uma ferramenta de colaboração para indivíduos e sociedade. Outra curiosidade é que Ada era filha do poeta romântico Lord Byron.

Marie Curie (1867-1934)

“A vida não é fácil para nenhum de nós. Mas e daí? Devemos ter perseverança e, acima de tudo, confiança em nós mesmos. Devemos acreditar que somos talentosos para algo, e que isso, a qualquer custo, deve ser alcançado”. As palavras de Marie Curie talvez resumam como conseguiu sobreviver e se destacar em segmentos tão hostis às mulheres. Primeira mulher a receber um Prêmio Nobel, em 1903, na área de Física, ela o recebeu novamente em 1911, em Química. Ambos os prêmios foram pelo seu trabalho e descobertas sobre radiação. Seus estudos incluem a teoria da radioatividade, técnicas para isolar isótopos radioativos e a descoberta de dois elementos: polônio e rádio. Marie Curie foi também a primeira mulher a ser admitida como professora na Universidade de Paris.

Cecilia Payne-Gaposchkin (1900-1979)

Astrônoma e astrofísica, Cecilia dedicou sua vida ao estudo das estrelas. Ela foi responsável, entre outras coisas, por mostrar que o Sol é composto primariamente de hidrogênio. Nascida na Inglaterra, ela completou seus estudos na Universidade de Cambridge. No entanto, saiu sem diploma, já que o certificado só passou a ser conferido pela instituição à mulheres após 1948. Diante das pífias chances de trabalhar com astronomia no país, mudou-se para os Estados Unidos. Lá, ela se tornou a primeira mulher a ser professora associada em Harvard. Posteriormente, ela também foi a primeira a comandar um departamento, o de Astronomia.

Nise da Silveira (1905- 1999)

Cientista Nise da Silveira
Nise da Silveira promoveu uma verdadeira revolução psiquiátrica no País (Reprodução/Facebook Ocupação Itaú Cultural

Psiquiatra alagoana, Nise revolucionou o tratamento de doentes psiquiátricos no País. Na época, eles eram massivamente submetidos a procedimentos de extrema violência como eletrochoques, insulinoterapia e lobotomia. Ao aproximar a medicina de campos como a filosofia e a arte, Nise pavimentou uma terapia psiquiátrica baseada no afeto e no respeito ao outro. Em 1952, fundou o Museu de Imagens do Inconsciente (MII). Seu objetivo era de socializar suas pesquisas sobre os casos clínicos com os quais se deparou. Nise manteve uma extensa e frutífera correspondência com o psiquiatra Carl Jung por meio da qual teceram comentários, sobretudo, a respeito dos significados de mandalas pintadas por esquizofrênicos.

Vera Rubin (1928-2016)

Suas descobertas sobre curvas de rotação de galáxias espirais são consideradas uma das principais evidências da existência de matéria escura. Como tantas mulheres cientistas, Vera viu muitas de suas descobertas serem desacreditadas. Uma delas é a que dizia que as galáxias se aglomeravam, ao invés de se distribuírem aleatoriamente no universo. Vera contava que, quando menina, sua cama ficava bem ao lado de uma janela e, ao invés de dormir, ela costumava passar as noites acordada olhando as estrelas. A astrofísica norte-americana faleceu recentemente, em 2016, aos 88 anos. Entre as frases mais emblemáticas deixadas por ela, está: “A ciência progride melhor quando as observações nos forçam a alterar nossos preconceitos.”

Matéria publicada pelo Centro de Referências em Educação Integral.

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3 curiosidades para você conhecer o legado da cientista Marie Curie

Muito se sabe sobre Marie Curie, cientista responsável por descrever os elementos químicos Polônio e o Rádio e primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel — Física (1903) e Química (1911). Mas para celebrar a vida dessa mulher incrível, separamos três fatos sobre ela que você talvez não conheça.

Ela foi educada em segredo

Curie nasceu e cresceu em Varsóvia, na Polônia, que na época era controlada pelo Império Russo. Ela obteve sua educação universitária na Flying University. A instituição secreta polonesa que educava mulheres em locais que migravam de acordo com a necessidade.

Isso ocorreu porque na época os russos consideravam educar mulheres uma atividade ilegal: “Os esforços de germanização e rusificação (dependendo da pare da Polônia onde se vivia) visando o ensino superior tornaram quase impossível os cidadãos participarem de um currículo que, de alguma forma, não estivesse trabalhando para apagar a cultura polonesa”, explica o especialista Eric Grundhauser, para o Atlas Obscura.

Marie Curie

Mulheres fizeram uma vaquinha para ajudá-la a continuar suas pesquisas sobre o Rádio — elemento que ela mesma descobriu

Quando visitou os Estados Unidos em 1921 Marie Curie ganhou um grama de Rádio para continuar suas pesquisas graças a uma arrecadação feita por mulheres norte-americanas — naquele período, esse material era extremamente caro. O presidente dos EUA durante aquele período, Warren G. Harding, e sua esposa, Florence Harding, apoiaram o esforço de angariação de fundos.

“Ela, que descobriu o Rádio, que compartilhou livremente todas as informações sobre seu processo de extração, e que havia dado o Rádio para que os pacientes com câncer pudessem ser tratados, encontrou-se sem os meios financeiros para adquirir a substância cara”, relata Ann Lewicki no periódico Radiology. Em 1921 um grama de rádio custava US$ 100 mil, o que hoje equivale a aproximadamente US$ 1,3 milhão.

O esforço feminino deu certo e em menos de um ano a quantia foi obtida. O que sobrou, exatos US$ 56.413,54 foram deixados para as pesquisas da filha Irène Joliot-Curie. Ela recebeu o Nobel em 1935.

Os cadernos dela (ainda) são super radioativos

“As décadas de exposição de Marie Curie [à radiação] a deixaram cronicamente doente e quase cega de catarata e, finalmente, causaram a morte aos 67 anos, em 1934, de anemia grave ou leucemia”, escreve Denis Grady para The New York Times. “Mas ela nunca soube plenamente que seu trabalho havia arruinado sua saúde”.

O efeito da radioatividade é tão grande que hoje, mais de 100 anos após suas descobertas, os cadernos que a cientista utilizava ainda estão contaminados pelas substâncias. Hoje, seus arquivos são guardados em caixas de chumbo: para acessá-los, é preciso assinar um termo de responsabilidade.

“E não são apenas os manuscritos de Curie que são perigosos de tocar. Se você visita a coleção de Pierre e Marie Curie na Biblioteca Nacional, na França, muitas de suas posses pessoais — de móveis a livros de receitas — requerem roupas protetoras para serem manipuladas com segurança”, afirma Adam Clark Estes ao Gizmodo.

Matéria publicada em Smithsonian