Publicado em Deixe um comentário

Educação inclusiva: alunos gravam audiolivro para Biblioteca Braile do Centro Cultural São Paulo

Fotografia de dois jovens em um estúdio, gravando o audiolivro.
(Divulgação)

O Colégio Humboldt é uma instituição bilíngue e multicultural português/alemão localizada na zona sul de São Paulo. Com o objetivo de dar suporte à educação literária do Centro Cultural São Paulo (CCSP), promover a educação inclusiva e incentivar a leitura entre deficientes visuais, alunos da instituição produziram um audiolivro do título “Basta de cidadania obscena!”. A obra, que é da Editora Papirus, é de Mário Sérgio Cortella e Marcelo Tas.

LEIA MAIS: Como a tecnologia pode colaborar por uma educação mais inclusiva

O projeto foi desenvolvido pela professora de Língua Portuguesa, Daniella Barbosa Buttler. Além dela, houve também a participação dos estudantes do Humboldt Formação Profissional Dual do Colégio. Este é considerado o maior instituto de ensino profissionalizante no sistema dual alemão existente fora da Alemanha.

Segundo a educadora, a ideia de fazer um audiolivro surgiu a partir da redação do ENEM de 2017. O tema abordou os desafios para formação educacional de surdos. Com base nisso, Daniella passou a trabalhar a inclusão de pessoas com deficiência em sala de aula e também no mercado de trabalho. “Pedi aos alunos que mencionassem se tinham colegas com alguma necessidade especial nas empresas onde estagiam”, relata. Deste modo, incentivou os alunos a produzirem um projeto que ajudasse nesse processo de integração.

Educação inclusiva

“No Brasil, o sistema de inclusão é muito lento e me surpreendi quando apareceu este tema no ENEM. Então, organizei palestras com convidados que falaram sobre integração de pessoas com deficiência nas empresas”, explica a professora. “Depois disso, em um módulo, falamos sobre inclusão, sobre as leis. Para isso, pedi apoio à docente de Direito do Curso Dual, professora Maria Cristina Fagundes de Almeida. Ela trouxe em suas aulas essa temática com o conteúdo sobre o amparo legal ao deficiente no ambiente corporativo. E no meio dessa vibração, pensamos em como colocar esse tema em prática. Entramos em contato com a biblioteca Braile do Centro Cultural São Paulo e perguntamos o que eles gostariam de ler e que ainda não está em braile. Eles nos deram uma lista de livros e escolhemos um com a maior aderência ao nosso curso”, afirma.

VEJA TAMBÉM: Novos capítulos do “Guia para Educador Inclusivo” estão disponíveis para download

Após lerem a obra e discutirem em sala de aula, os estudantes partiram para a gravação do livro no estúdio do Teatro Humboldt. Apesar de parecer simples, a professora destaca a necessidade de alinhar a questão de direitos autorais com a Editora. “Antes de gravar, tivemos a preocupação de entrar em contato com os editores. E eles tinham toda uma burocracia sobre direitos autorais. Nós assinamos contrato e os alunos também tiveram que assinar um contrato de cessão de voz. Além disso, a Biblioteca Braile precisa assinar um termo de recebimento deste audiolivro para garantir que ele não se torne um material pirata”, ressalta Daniella.

O impacto do projeto

Para tornar o projeto em realidade, Michelle Gonçalves, aluna da turma de Processos Gerenciais do ensino Dual, conta que os estudantes participaram de todos os processos. Desde o contato com a editora, até a edição e o envio para aprovação. “Eu senti, enquanto a estávamos gravando, que as pessoas estavam lá dando o máximo para ter um resultado legal. Eles estavam realmente empenhados em fazer um projeto bom para de fato incluir as pessoas com deficiência”, conta Michelle.

Publicado em Deixe um comentário

Jovem impedida de ir à escola por não ter braços se torna professora e ensina sobre aceitar as diferenças

Imagem da professora em frente ao quadro negro, usando o pé esquerdo para escrever na lousa.
Imagem da professora em frente ao quadro negro, usando o pé esquerdo para escrever na lousa.
(Reprodução/Catraca Livre)

Patcharamon Sawana é uma tailandesa que superou todos os obstáculos impostos por uma deficiência. Durante muitos anos ela foi impedida de frequentar a escola porque, onde ela mora, pessoas com deficiência não podiam estudar. Ela só conseguiu reverter essa situação e frequentar uma escola depois de uma alteração na lei, quando ela já tinha 20 anos. 

E, mesmo após tudo ela se tornou professora e hoje surpreende todos. Ela se tornou professora e escreve com os dedos dos pés por não ter os braços. “Ainda me lembro do meu primeiro dia de trabalho. Meus alunos ficaram espantados em me ver usando meu pé para escrever no quadro negro”, disse Sawana à BBC.

Professora e advogada

Atualmente, Patcharamon se formou em direito e sonha em exercer e viver disso. “Estou fazendo um exame de habilitação que me permitirá trabalhar na profissão. Quero poder pagar minhas contas sendo advogada para sustentar minha família e ensinar os outros”, conta.

Sobre sua condição física, ela afirma querer “romper com a norma social que os outros criaram para quem tem algum tipo de deficiência”.

Post com resumo e modificações produzidas pelo Caindo no Brasil da publicação “Mulher barrada em escola por não ter braços se torna professora”, pelo Catraca Livre. Leia a matéria original e na íntegra clicando no link.

Publicado em Deixe um comentário

Novos capítulos do “Guia para Educador Inclusivo” estão disponíveis para download

Imagem de aproximadamente 20 alunos sentados em uma área externa da escola, enquanto outros dois estudantes, ao lado do seu professor, realizam uma atividade na grama. Um deles está em pé, empurrando a cadeira de rodas do colega, enquanto ele joga uma bola
(Pixabay)

O número de matrículas de crianças com deficiência nas salas de aula comuns aumentou 6.5 vezes entre 2005 e 2015, segundo o INEP. Apesar disso, ainda existem muitas dificuldades para que a inclusão escolar ocorra de forma plena.

Foi pensando nisso que surgiu o projeto “Práticas e Desafios da Educação Inclusiva”. Ele tem como objetivo criar uma metodologia que fortaleça o processo de inclusão nas escolas brasileiras. A iniciativa tem apoio do Carrefour e do Instituto Carrefour e desenvolvimento de metodologia própria pelo Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas. Houve também o apoio da Coordenadoria de Educação Especial, da Secretaria Municipal da Educação de Ribeirão Preto e da comunidade das duas escolas piloto.

Metodologia criada colaborativamente

A metodologia do “Guia para Educador Inclusivo” foi criada de forma interativa. Foram realizadas seis rodas de conversa mediadas por dinâmicas que envolveram aproximadamente 100 pessoas. Dentre elas, estavam as equipes das duas escolas (gestores, professores, área administrativa e operacional) e pais de alunos.

A publicação contará com sete capítulos sobre os temas identificados nas rodas de conversas e serão escritos pela equipe do Amankay. Em seguida serão discutidos por um grupo de especialistas em educação. Os capítulos serão publicados online conforme ficarem prontos. Escolas e professores de todo Brasil poderão utilizar o Guia, já que todo o conteúdo estará disponível, gratuitamente no site do Instituto.

Conhecendo melhor o “Guia para Educador Inclusivo”

Os capítulos “Quem cabe na Inclusão?” e “Como preparar atividades pedagógicas para todos” do guia já estão disponíveis e podem ser baixados gratuitamente neste link. O primeiro capítulo “Inclusão: o que é?”  trouxe uma visão geral sobre a Educação Inclusiva, principais conceitos e fundamentação legal com depoimentos e citações. O segundo explica as especificidades das deficiências, a partir de um olhar abrangente para a sociedade contemporânea. Assim, ele mostra a necessidade e a urgência de efetuar mudanças profundas de comportamento. Já o terceiro capítulo busca refletir sobre os aspectos que contribuem para tornar a prática pedagógica mais eficiente. Assim, através desse processo contínuo de troca e aprendizagem, a sala de aula se torna um local dinâmico e com mais significado. 

“Se no primeiro capítulo contextualizamos o tema da inclusão e tudo que o permeia – para educadores, pais e funcionários das escolas, que nem sempre conhecem o assunto, neste segundo aprofundamos o conteúdo para olhar as especificidades das deficiências e explicar cada uma delas, a fim de desmistificar certos pensamentos, rótulos e definições desatualizados que acabam atrasando o processo de inclusão”, afirma Marta Gil, Coordenadora Executiva do Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas e coordenadora do Projeto.

Publicado em Deixe um comentário

Tornando espaços educativos mais inclusivos

Espaços educativos inclusivos
(Pixabay)

A deficiência é um tema de direitos humanos. E, como tal, obedece o princípio de que todo ser humano tem o direito de desfrutar das condições necessárias para seu desenvolvimento. Diversas inciativas estão sendo feitas no Brasil a favor da inclusão na educação, como o Prêmio Paratodos e o trabalho do Instituto Rodrigo Mendes. Apesar disso, a realidade dos espaços educativos inclusivos ainda está longe.

Foi a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência que reconheceu o valor de cada indivíduo, independente de sua funcionalidade. Promulgada em 2007, ela apresentou linhas de ação que permitam que pessoas com deficiência vivam de forma independente e participem plenamente de todos os aspectos da vida.

No Brasil, 23,9% da população total têm algum tipo de deficiência – visual, auditiva, motora e mental ou intelectual. Dessas pessoas – que somam 45.606.048! – 7,53% têm de 0 a 14 anos e 24,94% de 15 a 64 anos. As dificuldades de acesso à educação, saúde, trabalho e mobilidade que enfrentam as pessoas com deficiência revelam a importância de políticas públicas inclusivas.

Na educação, as pessoas com deficiência apresentam taxas de alfabetização menores do que a população total em todas as regiões brasileiras. E, apesar de todos terem direito à educação obrigatória e gratuita, 61,1% dessas pessoas não têm instrução e fundamental completo. Enquanto a taxa para pessoas sem nenhuma deficiência é de 38,2%. É uma baita diferença, não é?

De acordo com o Relatório da Situação da Infância e Adolescência Brasileira do UNICEF, crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos com qualquer tipo de deficiência têm o dobro de chance de estarem fora da escola. Isso é consequência, entre outros fatores, da falta de transporte adaptado, escassez professores treinados, equipamento, material didático e acesso à infraestrutura de ensino adequado. Ou seja, a busca por espaços educativos mais inclusivos está diretamente relacionada com o combate a evasão escolar.

Entendemos que a educação é essencial para o desenvolvimento sustentável do país, e esse desenvolvimento depende da inclusão de todos!

Com a ajuda do livro “Educação Inclusiva: o que o professor tem a ver com isso?”, selecionamos as dúvidas mais comuns entre educadore/as sobre educação inclusiva. Vamos lá?

1) O que o governo está fazendo para formar os/as educadores/as na temática de educação inclusiva?

Uma das maiores referências em capacitação a nível público nacional é a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi). Em articulação com os sistemas de ensino, ela implementa políticas educacionais nas áreas de alfabetização e educação de jovens e adultos, educação ambiental, educação em direitos humanos e educação especial.

O objetivo da Secadi é contribuir para o desenvolvimento inclusivo dos sistemas de ensino, voltado à valorização das diferenças e da diversidade, à promoção da educação inclusiva, dos direitos humanos e da sustentabilidade socioambiental, visando à efetivação de políticas públicas transversais e intersetoriais. Formações como, PROINESP (Programa de Informática Especial), Programa Educação Inclusiva, Formação em braile e libras, são algumas das informações oferecidas pelo Secadi. Materiais didáticos podem ser encontrados aqui.

2) Estes cursos são suficientes para formar o educador?

Na maioria das vezes não, porque não contemplam todos os professores. Outro ponto importante é que a formação deveria ser permanente, contínua, e não pontual como é hoje. Com as novas tecnologias, este recurso deve estar alinhado com as práticas apreendidas nas formações. Além dos espaços formais de formação de educadores/as, a troca de experiências com colegas de profissão é essencial!

3) O que é um/a professor/a especializado/a em educação especial?

É aquele ou aquela que desenvolveram competências para identificar as necessidades educacionais de cada aluno ou aluna! Esses professores promovem estratégias de flexibilização e adaptação curricular. Eles também atuam com práticas pedagógicas alternativas, de forma a incluir o aluno ou aluna com deficiência.

Além disso, o professor especializado têm um papel muito importante na formação de outros educadores para o atendimento adequado dos alunos e alunas com deficiência.

Para se especializar em educação especial, o educador deve cursar faculdade de pedagogia. Ele ainda precisa também de formação em cursos de licenciatura em educação especial, complementação de estudos ou pós-graduação em áreas específicas de educação especial.

4) O que fazer quando o/a aluno/a com deficiência é discriminado em espaços educativos?

O aluno com deficiência precisa que sua diferença seja respeitada. E isso não significa que deve ter privilégios em relação aos outros colegas! O educador não pode negar a diferença, mas trabalhar com toda a turma para que ela seja compreendida como uma característica do ser humano e que ela não tira a dignidade de ninguém.

É importante lembrar que muitas vezes os recursos existem, mas o acesso é dificultado por preconceitos, discriminação e negligência. Além disso, há também a falta de conhecimento sobre as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência. O papel de educadores e educadoras é lutar contra esses fatores que geram desigualdades. Com isso, eles promovem uma educação mais inclusiva e um mundo participativo e plural.

Matéria publicada pela Viração.

Publicado em Deixe um comentário

Modalidades olímpicas e paralímpicas chegarão aos CEUs e outras escolas de ensino municipal

A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME-SP), em parceria com o Instituto Península, irá implementar, em até quatro anos, o Programa Impulsiona. A iniciativa beneficiará a rede municipal e CEUs com materiais didáticos de referência sobre a temática educação esportiva, capacitação esportiva de educadores e cursos à distância oferecidos no portal  www.impulsiona.org.br e podem ser acessados por qualquer professor da rede pública e privada.

Com a parceria, o programa pretende fortalecer a política pública municipal de educação integral. Assim, cria oportunidades para que os professores possam ampliar a oferta de novos esportes para todos os alunos. O objetivo é tornar seu acesso mais inclusivo. Desta forma, modalidades como rugby, goalball, hóquei, badminton e atletismo farão parte da rotina de qualquer escola. Isso independentemente de sua infraestrutura. O programa prevê a utilização de materiais alternativos, construção coletiva com os alunos e adaptação de espaços.

impulsiona-educacao

Heloisa Morel, do Instituto Península, fala sobre a importância do Impulsiona. “Com esta iniciativa, queremos ampliar e fortalecer a educação esportiva, entendendo o esporte, acima de tudo, como um instrumento pedagógico capaz de agregar valor à educação, ao desenvolvimento das competências socioemocionais e à formação integral dos indivíduos”. Serão oferecidas formações presenciais para coordenadores pedagógicos, professores de Educação Física e orientadores de alunos líderes para 120 escolas.  A adesão da escola para estas oficinas esportivas é voluntária e todas as Diretorias Regionais de Ensino podem participar. As inscrições para as oficinas presenciais serão realizadas no portal do Impulsiona, e estarão disponíveis para qualquer professor de educação física da SME-SP.

Durante todo o ano letivo de 2017 serão realizadas 26 turmas de oficinas esportivas, também divididas em duas fases. Cada oficina será ministrada em um encontro de 4 horas. Nele, o professor de educação física será apresentado a um novo esporte. O educador também receberá dicas necessárias para incorporá-lo às suas aulas.

Essa ação complementa o Programa CEU Olímpico. A iniciativa visa incentivar a prática esportiva, de maneira que este hábito faça parte do cotidiano dos estudantes. A expectativa é atender cerca de 3.680 alunos nos 46 CEUs da capital. Conheça outros projetos do Instituto Península para incentivar o esporte na escola.

qedu-impulsionaO PROGRAMA IMPULSIONA AJUDA O BRASIL A VENCER O DESAFIO DE INTRODUZIR E VALORIZAR OS DIVERSOS TIPOS DE ESPORTE NA ESCOLA. DE ACORDO COM O CENSO ESCOLAR 2015, APENAS 22% DAS ESCOLAS MUNICIPAIS DO PAÍS POSSUEM QUADRA DE ESPORTES NAS SUAS DEPENDÊNCIAS. NA CIDADE DE SÃO PAULO, ESSE NÚMERO MELHORA E ALCANÇA 51%, SEGUNDO ANÁLISE DO QEDU.
Publicado em Deixe um comentário

Teatro em libras: a arte como ponte entre os mundos surdo e ouvinte

Teatro em Libras

Em um mundo predominantemente ouvinte, pouco se compreende e se discute sobre o acesso da população surda aos debates da agenda política do país. Ao mesmo tempo, quase não há espaço para apreciação e valorização da cultura surda, e da forma com que esta possibilita um outro jeito de ver o mundo. Com o objetivo de responder a estes desafios, e buscando a inclusão de adolescentes surdos no contexto do mundo ouvinte, a Escola Municipal de Educação Bilíngue para Surdos (EMEBS) Vera Lúcia Aparecida Ribeiro, em São Paulo, realiza o projeto Teatro em LIBRAS.

Em 2016, no contexto da crise política que levou ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff, a professora Maria Aparecida Pereira de Castro Augusto, responsável pelo projeto, identificou que seus estudantes estavam à margem da discussão que envolvia o país. Eles não tinham acesso a diferentes fontes de informação e com pouca contextualização dos fatos e eventos políticos que diariamente se encontravam na pauta nacional.  “Eles liam no jornal, mas a família não explicava o que acontecia, faltava a contextualização. Nisso, pensamos em fomentar uma abordagem crítica, que valorizasse a multiplicidade de fontes de informação, mas sem emitir opinião sobre o que acontecia, deixando que eles decidissem isso”, explica Maria Aparecida, lembrando que, muitas vezes, o repertório em LIBRAS dos familiares é insuficiente para discutir cenários ou situações complexas.

Teatro em Libras

Para falar de política com adolescentes de 7°, 8° e 9° anos, a professora, em diálogo com seus pares, deu início a rodas de conversa com os estudantes. Nelas, o grupo conversava sobre o que estava acontecendo no país, mobilizando diferentes veículos de mídia como fontes de informação. Em seguida, trabalhou-se a diferença de discursos destes veículos, e a relação e poder da mídia na sociedade, utilizando a leitura do clássico de George Orwell, “A revolução dos bichos”. Com os estudantes bastante mobilizados e interessados no texto, surgiu a ideia de montar uma peça, aberta à comunidade, encenada e produzida pelos estudantes surdos.

Direitos em cena

Muitos dos estudantes já acessavam o teatro com alguma regularidade. A escola recebe convites com frequência para apresentações de teatro com intérpretes em LIBRAS. Contudo, com a proposta de reconhecer e valorizar os estudantes em sua própria língua, os 28 alunos que participaram da produção elaboraram e apresentaram a peça em LIBRAS. Os professores foram intérpretes para o português para a plateia ouvinte.

Para a construção do texto em LIBRAS são muitos os processos. Entre eles, adaptação do texto verbal em gestos. Posteriormente, contextualização das emoções, entrelinhas, sugestões e figuras de linguagem presentes no universo falado. O projeto envolveu estudantes, professores, familiares e parceiros da comunidade no processo. A peça se tornou importante ferramenta para fomentar a inclusão e a sociabilização dos alunos surdos. Assim, desenvolveu suas habilidades artísticas, de comunicação e de compreensão do mundo, que muitas vezes está distante.  “Ficou perceptível como o teatro fez deles um grupo mais coeso e com vontade de crescer intelectualmente e ampliar seu repertório cultural”, descreve a professora. Ela afirmou que o impacto foi tão grande que motivou os alunos do ano seguinte a seguir com o projeto.

“A volta ao mundo em 180 gestos”

Em 2017, o projeto teve sequência com a montagem e encenação de “A volta ao mundo em 180 gestos”. A iniciativa teve ainda maior produção autoral das meninas e meninos. Encenada em 22 de novembro no CEU Vila Atlântica, alunos da EMEBS apresentaram aos ouvintes de diversas escolas da região. Tratava-se de um enredo que discutia algumas das tradições de seis países ao redor do globo. Baseada na leitura da obra de “A volta ao mundo em 80 dias”, de Júlio Verne. Diferente da primeira, não foi traduzida e sim toda interpretada com gestos e linguagem corporal.

“A LIBRAS é a segunda língua mais falada do Brasil. É muito rica, mas ainda ignorada. Ao apresentar uma peça para pessoas da mesma faixa etária, buscamos iniciar a discussão sobre a cultura surda”, explica. “E o teatro é universal. Para meus alunos, é um empoderamento saber que, quando estão no palco, todos podem entendê-los ”, conclui.

Matéria publicada pelo Portal Aprendiz

Publicado em Deixe um comentário

Prêmio de Inclusão Escolar para professores está com inscrições abertas

Inclusão EscolarA Paratodos, em parceria com os Institutos Lecca, Mara Gabrilli e Rodrigo Mendes, está promovendo a segunda edição do Prêmio Paratodos de Inclusão Escolar. A iniciativa tem como objetivo premiar experiências pedagógicas inclusivas que foram desenvolvidas por professores das instituições de ensino regulares do país.

As inscrições podem ser feitas por professores da rede pública e da rede particular. Em 2016, os trabalhos aceitos eram restritos apenas para a Educação Infantil e Ensino Médio. Já a edição deste ano está aceitando projetos também do ensino Superior.

Professores de todo o Brasil podem inscrever sua experiência pedagógica dos anos letivos de 2016 e 2017. Junto com os relatos, é possível também anexar vídeos, aplicativos, projetos pedagógicos ou fotografias que apresentem ou ilustrem melhor a ideia.

Segundo a pesquisa Engajamento Escolar, da Galeria de Estudos e Avaliação de Iniciativas Públicas (GESTA), criada pela fundação Brava, jovens com deficiências ou doenças graves (crônicas ou contagiosas), portadores de necessidades especiais, ou até mesmo temporariamente enfermos muitas vezes são impossibilitados de acompanhar o conteúdo ou até mesmo de comparecer às aulas, contribuindo para aumentar os índices de evasão e abandono. Mais de 5% dos jovens declaram ter abandonado a escola por esse tipo de impedimento.

Prêmio e divulgação do seu projeto

O prêmio tem o propósito de reconhecer, estimular e disseminar ações inclusivas em todos os segmentos da educação. O vencedor do prêmio receberá um tablet, e os melhores relatos serão divulgados no Diversa. A plataforma, do Instituo Rodrigo Mendes promove uma troca de experiências e construção de conhecimento sobre educação inclusiva. As escolas nas quais foram desenvolvidas as experiências selecionadas como finalistas também serão premiadas com placas comemorativas.

Inscreva-se e veja mais detalhes no site do Paratodos.

Publicado em Deixe um comentário

Papai Noel aprende língua de sinais para atender crianças surdas em São José

José Mário Graciano, 68 anos, que atua há dez anos como papai noel, aprendeu há três a linguagem. Ele atende em um shopping.

Um papai noel aprendeu a língua brasileira de sinais (libras) para atender crianças com deficiência auditiva neste Natal. Segundo José Mário Graciano, de 68 anos, e que atua há dez como personagem, o aprendizado foi há três para que conseguisse se comunicar com as crianças, sem restrições.

Graciano conta que decidiu fazer a especialização depois de ser surpreendido por uma criança surda que não conseguir se comunicar. “Eu estava preparado para mais um ano como todos os outros, quando fui surpreendido por dois jovens surdos. Eu não sabia o que fazer, não podia fazer com eles o que todo papai noel faz, que é ouvir o pedido. Foi quando fui pesquisar o que podia fazer e descobri o curso de libras”, conta Graciano.

Escolha

Mais que barba branca e a afinidade com as crianças, saber libras foi decisivo na hora da contratação, segundo a gerência do centro de compras, que pelo primeiro ano tem um Papai Noel inclusivo.

A aposta está fazendo sucesso e nesta terça-feira (12) ele recebeu a visita de cerca de 30 crianças da Associação de Apoio Ao Deficiente Auditivo (AADA). O Ricardo é uma das crianças e este ano ele conseguiu fazer o seu pedido: um cachorro de estimação.

Para a psicopedagoga da associação, Jussara Alvarenga, a habilidade do papai noel é um passo a mais paraa criação de uma sociedade inclusiva. “É tão comum para as crianças irem ao shopping nessa época do ano e fazerem seus pedidos. Isso precisa ser para eles também. Essa comunicação direta não tem preço”, comenta.

Confira a matéria completa clicando no vídeo abaixo

Publicado em Deixe um comentário

Educação e síndrome de Down: estímulo é a palavra-chave

síndrome de Down

Karina Gouvea tem 38 anos e leva uma vida cultural agitada: congressos, viagens e namoro. Desde os 16, conquista sua independência e já trabalhou em vários lugares. Hoje atua na parte de assistência administrativa de uma empresa multinacional. “Entrego malotes, correspondências e materiais de escritório”, conta.

Aos três anos de idade, Karina foi diagnosticada com síndrome de Down. A família optou por uma escola regular, junto com os outros dois irmãos. Foi assim até concluir o ensino médio e depois cursos profissionalizantes. A mãe, Gislene Gouvea, afirma que a escolha do colégio foi pensando na autonomia e adaptação para os outros espaços sociais.

“Tive muita dificuldade em matemática, mas gostava de português, história e física”, relembra Karina. Durante o colégio, além de um curto período de fonoterapia, ela contou com a ajuda de uma professora auxiliar no contraturno. A profissional ficava disponível para todos os alunos. O gosto pela arte, também entre suas disciplinas favoritas quando criança. Isso influenciou a participação posteriormente em aulas de dança, fotografia, pintura e teatro.

síndrome de Down
Karina Gouvea e a mãe Gislene. Trabalhando desde os 16 anos e com ensino médio completo, Karina Gouvea teve grande incentivo da arte (Reprodução/Catraquinha)

Estimular é necessário

“As grandes conquistas estão relacionadas aos estímulos que recebem desde cedo e o tripé fundamental é a família, a escola e a terapia”, garante a fonoaudióloga Christiane Caruzzo. Ela relata que as crianças, em geral, reagem de maneiras diferentes aos estímulos. Por isso, é importante levar em conta a individualidade de cada um.

Em relação às crianças com síndrome de Down, a fonoaudióloga aponta algumas características que podem afetar o desenvolvimento cognitivo. Entre elas, estão a apraxia da fala, uma dificuldade de programação e planejamento dos movimentos motores. Além disso, a memorização de curto prazo. “É importante trabalhar de forma lenta, repetida e com elementos concretos”, afirma.

Seu filho Henrique, de setes anos, tem síndrome de Down e frequenta o primeiro ano do ensino fundamental. Com ele, ela utiliza o trabalho manual, com auxílio de letrinhas de madeira para a formação de palavras. “Na educação infantil eles acompanham as crianças do ensino regular, mas no ensino fundamental o atraso fica mais evidente”, observa.

Conheça alguns métodos

Mesmo com o trabalho e as pesquisas no Brasil sendo recentes, segundo ela, alguns métodos interessantes podem ser destacados no processo de alfabetização: método dos dedinhosmultigestos e a utilização de aplicativos, que estimulam não apenas linguagem auditiva, mas sobretudo a visão.

Na opinião da especialista em políticas de educação e fundadora do Movimento Down, Maria Antônia Goulart, o maior ou menor acesso a essas terapias faz diferença para que a criança desenvolva algumas habilidades, como de motricidade e linguagem, que impactam diretamente na aprendizagem.

“Mas esses serviços ainda são pouco oferecidos no (SUS) Sistema Único de Saúde. Isso significa, na prática, que crianças que têm melhores condições financeiras acabam tendo mais condições de avançar no seu desenvolvimento”, aponta.

Autonomia e interpretação

Amante dos livros que ganha desde a infância, Tamile Ritzmann Fronczak sonha em ser professora. Aos 23 anos, ela cursa o segundo semestre de Pedagogia na Universidade Positivo, em Curitiba. Uma vez por semana, faz estágio de observação em uma escola infantil.

Com miopia e após uma cirurgia no coração, a estudante teve o apoio de vários profissionais e atividades para ter bons resultados quando criança: educadora visual, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicopedagoga, além de estimulação aquática e programas de enriquecimento instrumental.

Mas se houve um fator indispensável para trabalhar a comunicação, de acordo com sua mãe, Maria Teresinha, foi a oportunidade de convívio. Ela lembra que a filha teve dificuldade de locomoção, mas que os colegas ajudavam Tamile a chegar ao parquinho da escola. Enquanto ela começava a andar, os colegas aprendiam o significado da solidariedade.

“Precisamos desmistificar a deficiência, pois todos nós temos necessidades diferentes em algum momento da vida. Na escola pública, por exemplo, alguns alunos chegam com fome, o que também afeta o processo de educação e vai demandar auxílio”, diz Teresinha.

síndrome de Down
Tamile Ritzmann Fronczak está no segundo semestre de Pedagogia e faz estágio em uma escola infantil (Reprodução/Catraquinha)

Estimulação precoce

Para a mãe, a estimulação precoce e a oferta de experiências diversificadas ao longo da vida de Tamile também foram a base para para construir uma leitura do mundo após sua alfabetização. Em casa, quando criança, Tamile tinha a tarefa de fazer a lista de compras semanal. Ela observava o que estava faltando na geladeira e copiando o nome dos produtos. “Se ela não colocava na lista, nós não comprávamos, então ela sentia a responsabilidade daquilo”. Além disso, os pais desenhavam mapas com sinalização quando saíam de casa, para ela aprender a se localizar desde cedo.

Hoje, a universidade se adaptou para atender as necessidades específicas da aluna. A instituição disponibiliza uma professora auxiliar e reduzindo a carga horária, para garantir o apoio no contraturno. Todas as janelas da semana estão preenchidas e, nesse meio tempo, já leu uma obra inteira do pedagogo e filósofo Paulo Freire. E as palavras que Tamile escolheu para escrever as páginas da própria vida, também parecem ser aquelas destacadas no livro do autor admirado por ela: educação e autonomia.

Números

No Brasil, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, 2013, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 0,8% da população têm algum tipo de deficiência intelectual. Deste total, 54% tem um grau intenso ou muito intenso de limitação. Apesar disso, ainda não se sabe o número exato de brasileiros com síndrome de Down. Neste caso, é utilizada a estimativa da Organização Mundial de Saúde de que, no mundo, uma em cada setecentas crianças nasce com síndrome de Down. O Movimento Down organiza uma campanha pela notificação dos nascimentos: Notificar Importa!

Conhecendo os direitos

Reconhecer que cada pessoa tem necessidades específicas é o ponto de partida para o desenvolvimento de políticas que garantam a inclusão. E, sendo a escola um dos primeiros espaços de aprendizagem coletiva, ela se torna um ambiente indispensável para que crianças desafiem suas dificuldades e demonstrem habilidades.

“A educação inclusiva é aquela realizada em sala de aula regular ou comum, que atende a toda a diversidade dos estudantes matriculados, incluindo alunos com e sem deficiência. A premissa é a de que pessoas diferentes aprendem melhor juntas, em estratégias colaborativas”, explica Maria Antônia Goulart, fundadora do Movimento Down e especialista em políticas de educação.

No caso de estudantes com deficiência, esse direito é expresso na Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada pelo Brasil em 2006. Em 2008, surge a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, criada pelo Ministério da Educação, para se adaptar às novas legislações. Somente em 2015, entra em vigor a Lei Brasileira de Inclusão (LBI).

Apesar da garantia pelo Estado de uma estrutura adequada para o acolhimento de pessoas com deficiência nas escolas, que inclui transporte acessível, atendimento educacional especializado, diversidade de instrumentos de avaliação, entre outros elementos, apresentados na Cartilha Escola para Todos, elaborada pelo Movimento Down, não se pode padronizar os métodos de aprendizagem aplicado às crianças que têm síndrome de Down, segundo Maria Antônia Goulart.

Unindo a lei com as necessidades dos estudantes

“O importante é estar atento às características do estudante, ao seu estilo de aprendizagem e oferecer os recursos necessários de forma personalizada a partir do seu perfil e não da síndrome”, defende. Ela reforça que, embora algumas questões sejam comum nas crianças com síndrome de Down de forma mais ampla, como a hipotonia (redução do tono muscular), experiências que ganham sucesso são as que identificam as características da criança, elaboram o Plano de Desenvolvimento Individualizado e ajustam as estratégias e os materiais pedagógicos a essas necessidades.

  • Direito de todos

É dever do Estado garantir “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino” (Constituição Federal, art. 208)

“Qualquer escola, pública ou particular, que negar matrícula a um aluno com deficiência comete crime punível com reclusão de um a quatro anos”. (Artigo 8º da Lei 7.853/89)

A coordenadora de Desenvolvimento Institucional do Movimento Down, Bianca Ramos, afirma que, por vários motivos, o desenvolvimento da capacidade oral e, consequentemente, o processo de alfabetização podem ser afetados.

É o caso de sua irmã Karolina, de 16 anos. A sua escola busca valorizar potências para pensar em boas estratégias de aprendizagem. Além de terapia e apoio pedagógico suplementar, a família discute com professores um equilíbrio entre as atividades de apoio.

  • Passo a passo garantir a vaga de uma criança com deficiência na escola

1º: Diálogo com a escola
2º: Procurar advogado inscrito na OAB da cidade ou Defensoria Pública do município
3º: Acionar a Secretaria de Educação do Estado
4º: Denunciar ao Ministério Público ou ao Disque 100- Direitos Humanos

(FONTE: Movimento DOWN)

Outros caminhos

“É sempre um prazer ser campeão”, diz o atleta Juan Rodrigues do Nascimento Silva, de 27 anos, que conhece bem o gostinho da vitória. Hojr, Juan integra atualmente a seleção brasileira de futebol e também a de natação para atletas com essa necessidade específica. Sua rotina envolve treinos de segunda a sábado.

Augustinho Meireles tem orgulho das conquistas do filho e a certeza de que o incentivo é a palavra-chave para o desenvolvimento de pessoas com Down. Hoje, ele é vice-presidente da Associação Paradesportiva JR,. A instituição incentiva a prática de esporte e o desenvolvimento de atletas com Deficiência Intelectual (DI),. Ele avalia como o esporte mudou a vida de Juan e dos outros 90 alunos da JR. “A gente percebe a evolução deles na parte da fala, do pensamento, das atividades em grupo e também na conquista da independência”.

Mas a atenção desde o momento do nascimento foi indispensável. Com um mês, Juan já recebia o auxílio de fonoaudiólogos da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). Ele entrou na escola com nove anos. Entretanto, a necessidade de acompanhamento dos pais e de profissionais não permitiu que ele ficasse mais do que três anos dedicado ao ensino regular. “Hoje a lei garante a inclusão, mas naquela época era mais difícil”, lembra o pai.

Síndrome de Down
Tamile Ritzmann Fronczak está no segundo semestre de Pedagogia e faz estágio em uma escola infantil (Reprodução/Catraquinha)

Liberdade como caminho

A família optou por dar liberdade a Juan e deixar que ele expressasse suas aptidões. Eles logo perceberam o amor pela música e pelo esporte. Hoje, sem completar alfabetização, Juan tem vontade de aprender a ler e a escrever. No entanto, ele não acha que ir para a escola seja o caminho. “Ele tem uma trajetória de escolhas próprias e está voltando a se interessar pelos estudos. Nós vamos ajudar”, afirma Augustinho.

“Quando eu era pequeno eu nadei na Apae e foi isso que mudou para mim. Depois comecei a nadar com a JR. Hoje estou competindo natação fora do país”, conta o atleta, que já disputou na Grécia, Itália, México, entre outros lugares.

E se de um lado Juan esbarra nas letras, de outro sua saúde e seu treino estão em dia. Por enquanto esse é o equilíbrio que permite o atleta seguir em frente. Ele tem a expectativa e o pensamento de um vencedor: “Rumo ao mundial do Canadá em 2018”.

Matéria do Catraquinha.