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Projeto Roda da Vida combate o suicídio e evasão escolar no interior da Bahia

No município baiano de Uauá (a 600km de distância de Salvador), o alto índice de suicídio de jovens entre 15 e 21 anos e o abandono da escola pelos jovens chamou a atenção do professor universitário Tadeu Ferreet. Foi por isso que o educador e um grupo local se articularam para a realização do projeto Roda da Vida na escola Municipal Santo Antônio, que fica no povoado de Carataca (20km de Uauá).

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O projeto aconteceu entre maio e agosto de 2017 com a participação de 15 estudantes com idade entre 15 e 21 anos; 5 professores; 20 representantes familiares (pai, mãe, tios ou avós) e 4 microempresários da região. A iniciativa tem o objetivo de resgatar a cidadania e conscientizar a importância da família e da comunidade nas escolas.

Capacitação de professores

 

Fotografia de aproximadamente 19 professores sorrindo para a foto.

Tedeu e seu grupo entenderam que, para isso, era preciso capacitar professores e diretores da escola, se aproximar da comunidade e trabalhar disciplinas e práticas extracurriculares para jovens da escola: cidadania, lazer, espiritualidade, relacionamentos, finanças, saúde e família. Tudo isso foi feito a partir de uma série de encontros.

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A primeira formação foi com o grupo de 5 professores que se tornaram multiplicadores na formação dos alunos, família e comunidade. Em todos os módulos foram abordados teorias e práticas com: vivências, dinâmicas de grupos, fórum de discussões, estudos de casos reais e oficinas de leitura e empreendedorismo, psicodrama e constelação familiar. As formações também trabalharam questões lúdicas, imaginação e criatividade. 

“Durante os 5 meses de aplicabilidade do Projeto Roda da Vida, podemos constatar um resultado ainda tímido, porém eficiente, considerando o seu tempo de vida na comunidade de Carataca”, conta Tadeu. De 2015 a 2017, não aconteceram casos de evasão e suicídios de jovens.

Fotografia de aproximadamente 5 caixas de um "remédio" produzido pelos alunos. A releitura do medicamento Rivotril se chama Risotril. Nas embalagens, há o texto "Paracetomar cosamigos. Rir é sempre o melhor remédio. Venda sem prescrição médica. Contém alegria".

Suicídio e evasão escolar

O Roda da Vida busca resgatar a cidadania e conscientizar a importância da família e da comunidade nas escolas. Em todas as formações foram trabalhadas questões lúdicas e de imaginação e criatividade. O projeto desperta a consciência e a escuta de si e do outro. Por isso, eles buscam destacar o quanto é importante, na formação das pessoas, a prática da escuta como forma de aprendizagem significativa.

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A iniciativa surgiu em um momento de grande importância para a comunidade de dentro e fora da escola. Eles seguem com a conscientização dos jovens quanto aos perigos das drogas, entre outras questões latentes na região; Também promovem capacitação dos professores e diretores da escola; Aproximam e estreitam a relação entre a comunidade, a família e escola; Trabalham disciplinas e práticas extra-curriculares para jovens da escola, como cidadania, lazer, espiritualidade, relacionamentos, finanças, saúde e família.

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Engajamento escolar é prioridade: vídeo do GESTA aborda política e educação

As eleições de 2018 estão quase aí. Temos um cenário extremamente polarizado e, dentro disso, não podemos esquecer que combate à evasão e abandono escolar precisam ser prioridades, independente do resultado eleitoral. Afinal, as atuais políticas públicas voltadas para o Engajamento Escolar não estão dando resultado.

Pesando nisso, o GESTA publicou um vídeo muito interessante com essa provocação. A Galeria de Estudos e Avaliação de Iniciativas Públicas é um espaço online que expõe os principais desafios do Brasil. Lá, eles falam sobre as causas, sobre iniciativas conscientes e sobre a participação ativa para a transformação do país. Neste material, eles fazem uma provocação sobre o atual cenário educacional brasileiro. 

Nós compartilhamos abaixo o vídeo. Acesse a sua página no Facebook para ver o vídeo na íntegra e para saber mais sobre o estudo completo que eles fizeram.

 

 

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Censo Escolar e evasão: os erros da educação brasileira

Imagem de uma menina sentada na carteira da sala de aula vazia, olhando pensativa para a janela

Imagem de uma menina sentada na carteira da sala de aula vazia, olhando pensativa para a janela
(Pixabay)

A taxa de reprovação do  3º ano do Ensino Fundamental é de 11% no Brasil. Esse número se repete no 9º ano, quando o aluno deveria encarar a próxima fase escolar. Este pode ser um indicativo da dificuldade dos alunos de se manterem estimulados com os estudos, segundo o MEC. E isso pode ser um dos fatores da queda de 1,8 milhão de matrículas no Fundamental nos últimos quatro anos.

A apresentação dos dados da edição 2017 do Censo Escolar aconteceu em janeiro e teve algumas conclusões. O que ficou evidente é que os fracassos diários na alfabetização têm um impacto direto no desempenho do aluno nos anos seguintes. Atualmente, como o 3º ano é fim do ciclo de alfabetização, a falta de base para as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática impactam na aprendizagem de outros conteúdos ao longo do caminho.

Em parte, uma das explicações para essa queda de matrículas de 2013 para cá é a tendencia de adequação à dinâmica demográfica. Outra parte é resultado direto da trajetória dos estudantes. Com as reprovações, a distorção idade-série cresce ao decorrer dos anos escolares. A maior elevação se dá no 5º ano, que chega a 19,6%. No último ano do Fundamental, ela atinge 24,2%. “Boa parte dos alunos que não vão para o Ensino Médio é porque estão com uma grande distorção idade-série. Essa tendência é extremamente preocupante”, considera Maria Helena Guimarães, ministra da Educação substituta. “É inútil reprovar e não mudar o que a escola pode fazer. Todo aluno pode aprender. É um número que representa o fracasso da escola e não do aluno”, diz.

Mais jovens na EJA

A crescente matrícula da Educação de Jovens e Adultos em 2017 mostra o tamanho do desafio. Hoje, o EJA conta com 3,6 milhões de alunos. Entre 2014 e 2016 houve um período de queda nessas matrículas. Embora os dados da EJA para o Fundamental apresentem uma tendência de estabilização, o aumento para o Médio foi  de 3,5% em 2017. “Essa afluência não é vista com bons olhos por nós. O EJA é uma ação compensatória, que tem recebido mais jovens que poderiam estar sendo atendidos pelo ensino regular”, avalia Maria Inês Fini, presidente do Inep.

A ministra é enfática na questão. “Há um analfabetismo jovem. É inaceitável que pessoas nascidas no final da década de 1990, que tiveram oportunidades de acesso à Educação, componham esse percentual tão alto”, afirma Maria Helena. Para Rossieli Soares, secretário de Educação Básica do MEC, é preciso investir no combate à taxa de reprovação. “A taxa de insucesso do Fundamental precisa ser resolvida, senão continuaremos crescendo na EJA”, afirma o secretário.

O impacto no Ensino Médio

Nesta etapa, o cenário é fruto dos problemas acumulados ao longo de toda a Educação Básica. O próprio Inep indica que a queda de matrículas no Médio se dá, principalmente, por dois motivos. Um deles é a redução dos alunos que concluem o Fundamental que se matriculam para a etapa seguinte. O outro é o percentual de evasão de 11,2%. “A taxa de evasão do Médio se manteve em 2017, mas o dado positivo é que o número de concluintes da etapa aumentou”, diz Carlos Moreno, diretor de estatísticas educacionais do Inep.

A aposta do MEC para reverter esse quadro são os novos programas e políticas anunciadas desde 2016. Como o Mais Alfabetização, a residência pedagógica, a reforma do Ensino Médio e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). No entanto, para Ernesto Martins Faria, diretor-executivo do Portal Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), o desafio no sucesso das políticas públicas é a continuidade. “Educação não é um processo que muda de um ano para outro por isso a continuidade e a articulação entre governos federal, estaduais e municipais são tão importantes”, analisa Ernesto.

Post com modificações produzidas pelo Caindo no Brasil da publicação Evasão: Censo Escolar revela “fracasso da escola”, da reporter Laís Semis para o Gestão Escolar. Leia a matéria original e na íntegra clicando no link.

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Pesquisa identifica evasão escolar na raiz da violência extrema no Brasil

Imagem de uma fila de aproximadamente 10 detentos

Imagem de uma fila de aproximadamente 10 detentos
Adolescentes recapturados após fuga de unidade de internação no Distrito Federal em 2015; estudo analisou formação de jovens violentos (Reprodução/BBC Brasil)

Dois grupos de jovens de idade semelhante, todos homens, pobres e criados na mesma região. Um grupo vira matador e o outro, trabalhador. Por quê?

O sociólogo Marcos Rolim procurou essa resposta ao investigar a violência extrema. Aquela que mata ou fere mesmo quando não há provocação nem reação da vítima. Modalidade que, acredita ele, está em alta no Brasil.

Em experimento inédito no país, ele entrevistou um grupo de jovens violentos de 16 a 20 anos que cumpriam pena na Fase (Fundação de Atendimento Socioeducativo) do Rio Grande do Sul. Ao final, pediu que indicassem um colega de infância sem ligação com o crime e foi atrás dessas histórias. Rolim esperava que prevalecessem, no grupo dos matadores, relatos de violência familiar e uso de drogas. No entanto, outro fator se destacou: a evasão escolar (quando o aluno deixa de frequentar a escola). E, aliado a isso, a aproximação com grupos armados que “treinam” esses jovens a serem violentos.

Entre os que cumpriam pena, todos, sem exceção, tinham largado a escola entre 11 e 12 anos. E citavam motivos banais: são “burros” e não conseguem aprender. Ou que a escola é “chata” e o sapato furado era motivo de chacota. Os colegas de infância continuavam estudando.

Ao comparar esses e outros casos (111 ao todo), incluindo dois grupos de presos jovens do Presídio Central de Porto Alegre, uns condenados por homicídio e outros por receptação, e alunos de uma escola de periferia sem histórico criminal, concluiu que o chamado “treinamento violento” respondeu por 54% da disposição para a violência extrema.

Em outras palavras, isso significa que sem a experiência do “treinamento violento” – aquela que ensina a manusear armas, bater antes de apanhar e exalta atos de violência – a disposição para esses crimes extremos cairia para menos da metade nos casos analisados.

As conclusões de Rolim, que foi vereador em Santa Maria (1983-1988), deputado estadual (1991-1999) e deputado federal pelo PT gaúcho (1999-2003) e hoje não tem filiação partidária, estão no livro recém-lançado A Formação de Jovens Violentos – Estudo sobre a Etiologia da Violência Extrema (editora Appris).

“Muitos meninos que se afastam da escola são, de fato, recrutados pelo tráfico de drogas e socializados de forma perversa. E isso provavelmente deverá se repetir se a pesquisa for reproduzida em outros locais. Afinal, a diferença estatística foi muito forte”, diz Rolim à BBC Brasil.

A conclusão prática, segundo o sociólogo, é que a prevenção da criminalidade deve levar em conta a redução da evasão escolar. Um aspecto que costuma ser negligenciado no Brasil quando o assunto é segurança pública. Considerados os índices de evasão escolar, o cenário no Brasil seria, de fato, favorável à violência extrema.

Em 2013, por exemplo, uma pesquisa do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) mostrou que um a cada quatro alunos que inicia o ensino fundamental no país abandona a escola antes de completar a última série.

O Brasil figurava no estudo com a terceira maior taxa de abandono escolar entre os 100 países de maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), atrás apenas da Bósnia e Herzegovina e do arquipélago de São Cristóvão e Névis.

Família como dor

Outra característica comum aos jovens internados por delitos de grave violência era a vida “independente” da família logo no começo da adolescência. “Às vezes porque o que havia de família era tão confuso ou violento que era preciso mesmo inventar um rumo; outras, porque era preciso se afastar para proteger seus familiares”, escreve Rolim.

Um dos jovens entrevistados, identificado apenas como Aírton, descreveu a saída de casa como consequência natural do envolvimento com o tráfico. “Moro sozinho desde os 13 anos. Nesta idade já alugava minha casa. Eu morava com minha mãe, mas meu pai nunca aceitou que eu fosse do crime. Por isso, optei por sair de casa para não viver neste confronto”, afirma ao pesquisador.

Os internos da Fase também relataram histórico de problemas familiares sérios. Com duas exceções em 17 entrevistas, “não há qualquer relação afetuosa ou de admiração pelos pais digna de menção”, diz Rolim, para quem a violência foi “uma experiencia anterior ao crime para quase todos”.

“De alguma maneira, os jovens vivenciaram dinâmicas de agressão física, desrespeito e injustiça entre seus familiares em ambientes de hostilidade e tensionamento prolongado”, anota o autor.

Rolim conclui, no entanto, que a convivência familiar não foi um fator decisivo na disposição dos jovens a cometer violência extrema. “Ao contrário do que eu imaginava, jovens extremamente violentos podem vir de famílias bem e mal estruturadas”, diz.

Razões da evasão

E por que as escolas não conseguem manter esses jovens na escola?

Embora o assunto não tenha sido foco da pesquisa, Rolim arrisca algumas possíveis explicações. Especialmente a partir do contato com colegas que desenvolvem pesquisas em instituições de ensino.

A primeira, diz, é o despreparo de professores para lidar com alunos mais vulneráveis e problemáticos. “O jovem de área de exclusão, que nunca abriu um livro e tem pai analfabeto, tem toda uma diferença de preparação. E grande parte dos professores não está preparada para lidar com ele”, afirma.

Imagem da quadra de esportes vazia da Fundação de Atendimento Socioeducativo, no Rio Grande do Sul,
Fase (Fundação de Atendimento Socioeducativo) do Rio Grande do Sul; internos abandonam escola cedo, aponta pesquisa (Reprodução/BBC Brasil)

Rolim cita como exemplo um caso recente registrado em Porto Alegre. “A pesquisadora presenciou uma cena de indisciplina de um aluno de 10 anos em uma turma pequena; a professora conhecia todos. Ela disse ao menino: ‘Tu vai ser bandido como seu pai’. Esse tipo de reação é inaceitável”, conta.

Outra possível causa, segundo Rolim, está na falta de conexão das escolas com as comunidades em regiões violentas. “Pelo medo do crime, a escola deixou de se relacionar com as comunidades nas periferias. Transformaram-se em bunkers com grades, cadeados, polícia na frente. Não prestam serviços, não abrem aos finais de semana, pais e parentes não a frequentam.”

O terceiro problema seria a própria educação oferecida na escolas públicas. “Basicamente, a mesma de 50 anos atrás”, afirma o sociólogo. “Hoje é impossível lidar com crianças conectadas, mesmo as mais pobres, do mesmo jeito. A escola se tornou espaço de pouco interesse e atração para o jovem das periferias”, acrescenta.

Violência futura

Em 2015, último dado disponível, o Brasil registrou 170 assassinatos por dia. Foram 58 mil homicídios naquele ano, número mais alto do que os de países em guerra. A taxa daquele ano, de 29 casos por 100 mil habitantes, insiste em não baixar.

Na visão de Rolim, o Brasil está “contratando violência futura” em escolas, prisões e nas próprias instituições policiais. Nas prisões, isso se dá, segundo ele, pela reclusão por crimes patrimoniais.

Dados do governo mostravam que, ao final de 2014, 66% da população carcerária brasileira estava atrás das grades por crimes de drogas, roubos ou furtos – casos de homicídios eram apenas 10%. Jovens negros e de baixa escolaridade são maioria.

“Temos um perfil de encarceramento que não pega autores de crimes mais graves. Pegamos um monte de jovens pobres na periferia, pequenos traficantes e usuários, e vamos recrutando essas pessoas para as facções que atuam nos presídios”, diz Rolim, para quem o Estado brasileiro é o “principal recrutador de mão de obra para as facções criminosas”.

Imagem da rebelião em presídio no Rio Grande do Norte, onde os detentos estão em cima do telhado
Rebelião em presídio no Rio Grande do Norte; para pesquisador, prisões de jovens pobres da periferia flagrados com drogas e armas não surtem efeito positivo na segurança pública (Reprodução/BBC Brasil)

E os homicídios continuam em alta. Um estudo recente do Fórum Brasileiro de Segurança Publica mostrou, por exemplo, que um em cada três brasileiros diz ter parente ou amigo vítima de assassinato. Porque falta investigação e foco dos governos nesse problema, opina o pesquisador.

“A redução dos homicídios não é a prioridade número 1 em nenhum lugar do Brasil. Como grande parte das vítimas é pobre, não há pressão social para investigação. E você lança uma mensagem de que o crime compensa”, afirma Rolim. Estudos costumam apontar que menos de 10% dos homicídios no Brasil resultam em condenação.

O investimento, avalia o especialista, deveria ser reforçado na repressão a homicídios e a crimes sexuais. “E se for para continuar a política de repressão ao tráfico, temos que ir atrás de financiadores, rotas e usar muito mais inteligência do que em prisões em flagrante”, argumenta.

Iniciativas de resultado

No meio do que classifica como “desgraça geral” das políticas de segurança no Brasil, Rolim destaca iniciativas voltadas a jovens que mostraram bons resultados na prevenção da violência.

O POD (Programa de Oportunidades e Direitos) RS Socioeducativo, criado em 2009 no Rio Grande do Sul, atende jovens infratores de 12 a 21 anos que deixam o sistema de internação. Cada jovem passa a receber, por um ano, uma bolsa de meio salário mínimo (R$ 468,50), vale-transporte e alimentação, desde que frequente cursos de formação em áreas como informática, mecânica e manutenção predial.

Segundo o governo gaúcho, a cada dez jovens atendidos pelo programa, apenas três reincidem no crime. No entanto, Rolim acredita que iniciativas semelhantes ainda sejam pouco divulgadas. “A população gaúcha, por exemplo, pouco sabe da existência desse programa. Especialmente porque gestores ficam provavelmente com medo de divulgar e serem criticados por ‘estarem dando dinheiro a bandidos'”, diz. “Essa ideologização do tema da segurança pública é outro lado tenebroso dessa história; você acaba perdendo a capacidade de execução de políticas no setor”, acrescenta.

A cidade de Canoas, na Grande Porto Alegre, criou o programa Cada Jovem Conta. Essa iniciativa procura identificar jovens de escolas públicas com comportamento de risco para ações de prevenção à violência. O jovem passa ser acompanhado por uma equipe de diferentes secretarias, como saúde, educação e assistência social, para que frequente atividades esportivas e culturais, entre outras.

A prefeitura de Canoas afirma que mais de 60% dos jovens atendidos melhoraram o desempenho escolar ou voltaram à escola. Além disso, suas famílias também passaram a frequentar mais os serviços públicos locais.

Neste mês, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou um projeto do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente para elevar de três para oito anos o tempo máximo de internação para jovens infratores.

A medida, que ainda deverá ter mais uma votação na comissão antes de ir à Câmara, valeria para atos infracionais análogos a crimes hediondos – como estupro e homicídio – cometidos com uso de violência ou grave ameaça.

Rolim diz concordar com o aumento do tempo de internação para um “perfil restrito de jovens” reincidentes, mas criticou a associação com crimes hediondos, que no Brasil incluem o tráfico de drogas.

“Isso colocaria a maioria dos jovens sob a possibilidade de (cumprir) oito anos de pena. Hoje se um jovem der um cigarro de maconha a outro, for flagrado e o ato for equiparado a tráfico, é crime hediondo. Elevar o tempo de internação não é problema, mas estabelecer isso para crimes hediondos é uma impropriedade absoluta”, conclui.

Matéria publicada pela BBC Brasil.

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Menino de 7 anos leva irmão à escola para não perder aula

Imagem de Justin sentado na cadeira da escola segurando seu irmão no colo enquanto escreve em seu caderno durante a aula

Imagem de Justin sentado na cadeira da escola segurando seu irmão no colo enquanto escreve em seu caderno durante a aula
(Reprodução/Revista Pazes)

Este garoto encantador que segura o irmãozinho caçula na fotografia de capa é Justin. Para não perder aula, ele levou seu irmão mais novo à escola e foi fotografado enquando dividia a sua atenção entre a tarefa e os cuidados com o irmão. A fotografia foi tirada nas Filipinas, publicada pelo SDP Notícias e reproduzida, em português, pelo site O Povo.

Questionado sobre o motivo que o fez levar o irmão para a escola, afirmou: “Eu não quero sair, senhorita. Vou trazer meu irmão neste ano porque minha avó tem de trabalhar na fazenda e ninguém pode cuidar dele.”

A evasão escolar no mundo

A foto foi tirada por sua professora, Ma’am Lei, que se disse admirada da determinação do menino. Justin mora em uma aldeia, em Salvacion, na cidade de Magallanes, em Sorsogon, nas Filipinas. Assim como no Brasil, a evasão escolar é um grande problema em muitos países ao redor do mundo. Por isso, é essencial refletir e buscar soluções para facilitar o acesso, a qualidade do estudo e promover uma educação com mais significado.

Matéria publicada pela Revista Pazes.