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Educação só se constrói com democracia

Fotografia em preto e branco de centenas de pessoas reunidas em uma ampla rua do Rio de Janeiro, em uma passeada de estudantes durante a Ditadura Militar. No centro da foto, há um homem em destaque, em cima de uma pequena estrutura, fazendo um discurso.

Esse texto é uma publicação da Carta Educação, escrito por Gilson Reis. Ele é coordenador-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee e é vereador de Belo Horizonte pelo PCdoB.  Nós compartilhamos o texto na íntegra pois achamos que esse tema gera reflexões muito interessantes sobre o cenário político e educacional do país. Veja a matéria na íntegra no site

Fotografia em preto e branco de centenas de pessoas reunidas em uma ampla rua do Rio de Janeiro, em uma passeada de estudantes durante a Ditadura Militar. No centro da foto, há um homem em destaque, em cima de uma pequena estrutura, fazendo um discurso.
Passeata de estudantes no Rio de Janeiro durante a ditadura militar (Reprodução/Carta Educação)

As bandeiras da redemocratização do país e da defesa de educação pública, gratuita, laica, inclusiva e de qualidade socialmente referenciada caminharam juntas no processo de derrota da ditadura civil-militar brasileira, nos anos 1980, após longos 21 anos de opressão, bem como na construção de um novo pacto social, com a Constituição de 1988.

Tais bandeiras voltam agora, 30 anos após a promulgação da Carta Magna, cidadã, a ser hasteadas juntas, lado a lado, e é em nome delas que Belo Horizonte, em Minas Gerais, se transformará, nos dias 24, 25 e 26 de maio, na capital nacional da educação.

Na verdade, é possível dizer que a batalha pela redemocratização do Brasil englobava a redemocratização da própria educação. Nesse sentido, enquanto, na primeira metade da década de 1980, o regime ditatorial dava seus últimos suspiros, confrontado pela consolidação de espaços e sujeitos coletivos que o combatiam, esses mesmos espaços e sujeitos, no âmbito educacional, por meio das entidades representativas de educadores, pesquisadores e estudantes, esforçaram-se para que o restabelecimento da democracia se desse também na implementação de políticas públicas para o setor, que havia sido desfigurado durante a ditadura.

Assim, a década de 1980 e, posteriormente, a de 1990, visando a assegurar o cumprimento dos princípios conquistados na letra da Constituição — sobretudo o de que a educação é um dever do Estado e da família e direito de cada cidadão —, foram marcadas por intensas mobilizações do campo educacional.

Em 1980, foi realizada a primeira Conferência Brasileira de Educação (CBE), com o tema “A política educacional”. A ela se seguiram outras CBEs: em 1982, sobre “Educação: perspectiva na democratização da sociedade”; em 1984, “Da crítica às propostas de ação”; em 1986, “A educação e a Constituinte”; em 1988, “A Lei de Diretrizes e Bases da Educação”; em 1991, a “Política Nacional de Educação”. Mais tarde vieram os Congressos Nacionais de Educação (Coneds).

O primeiro, em 1996, tratou da temática “Educação, democracia e qualidade social”. Em 1997, foi a vez de discutir a perspectiva de um “Plano Nacional de Educação”. Dois anos mais tarde, em 1999, o tema foi “Reafirmando a educação como direito de todos e dever do Estado”. Seguiram-se os de 2002, sobre “Garantir direitos, verbas públicas e vida digna: uma outra educação é possível”, e o de 2004, que afirmou que “Educação não é mercadoria”.

Como espaços inaugurais de participação popular e de apresentação e debate de propostas de políticas educacionais, mesmo sob a égide do neoliberalismo dos anos 1990, CBEs e Coneds lançaram a semente do que viriam a ser, em 2010 e 2014, a 1ª e a 2ª Conferência Nacional de Educação (Conae). Do que viria a ser, também, a 3ª Conae, em 2018, não fosse o desmanche do Fórum Nacional de Educação (FNE) e o esvaziamento do diálogo com a sociedade civil promovidos pelo governo golpista e ilegítimo de Michel Temer.

É nessa lacuna que a Conferência Nacional Popular de Educação terá início no dia 24 de maio. Primeiramente, na necessidade de se defender conquistas históricas, como o próprio Plano Nacional de Educação (PNE), inviabilizado pelo congelamento de investimentos públicos, e enfrentar os retrocessos que têm sido impostos, entre os quais a reforma do ensino médio e a desfiguração da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Em segundo lugar, na importância de se debater demandas históricas que persistem desde a Constituinte, como aquela, cara à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee, em defesa da regulamentação da educação privada sob as mesmas exigências legais aplicadas à escola pública, bem como da própria instituição de um Sistema Nacional de Educação (SNE).

Em terceiro, como resgate da participação popular, que o atual governo tentou eliminar, na reflexão e concepção de políticas educacionais. E, em quarto, mas não menos importante, como espaço de resistência contra o golpe que continua a se aprofundar e em favor da educação.

Não por acaso, a abertura da Conape, que tomará as ruas da capital mineira, será a marcha “Educação se constrói com democracia”. Poderíamos ainda acrescentar: democracia se (re)constrói com educação.

Gilson Reis é coordenador-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee e é vereador de Belo Horizonte pelo PCdoB.

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O que aprendi com uma professora que não acredita em reclamar da Educação

Fotografia da professora Katherine K. Merseth sentada, segurando um microfone, durante palestra.

Esse texto é uma publicação da Revista Gestão Escolar, escrito pela Marlucia Brandão. Ela é diretora da EMEIEF Boa Vista do Sul, em Marataízes-ES, desde 2016, e professora de Língua Portuguesa, com especialização em Linguística Aplicada ao Português, Psicopedagogia Institucional e Ciências da Educação. Deu aulas em todas as etapas, da alfabetização à Educação de Jovens e Adultos (EJA). Também foi Secretária de Educação de Marataízes entre 2011 e 2012. Nós compartilhamos o texto na íntegra pois achamos que o texto muito importante e inspirador para a educação, para os alunos e professores. Veja a matéria na íntegra no site.

Fotografia da professora Katherine K. Merseth sentada, segurando um microfone, durante palestra.
A professora norte-americana Katherine K. Merseth durante palestra no evento da Rede Conectando Saberes, em São Paulo (Reprodução/Gestão Escola – Foto: Acervo pessoal)

Por três momentos na minha vida ocupei um cargo de gestão. Incluindo neste momento em que estou na direção da EMEIEF Boa Vista do Sul, em Marataízes (ES). Gerir uma escola não é tarefa fácil. Ainda mais para quem acredita que essa missão tem que ser realizada de forma solitária.

Acredito verdadeiramente em uma gestão compartilhada, democrática e principalmente humanizada. Temos que gerir todas as aflições de uma escola. Desde a falta do gás de cozinha para fazer a merenda às dificuldades de aprendizagem dos nossos alunos. Mas também acredito que ficar apenas reclamando não traz resultado.

A escola como espaço transformador

Em maio, tive a oportunidade de participar de mais um encontro da Rede Conectando Saberes, uma iniciativa da Fundação Lemann. O evento reúne educadores com o intuito de buscar uma educação pública transformadora para todos os estudantes. Com o tema “Engajando para Conectar”, o encontro convidou a professora Katherine K. Merseth, da Universidade de Harvard, para conversar conosco. Em sua palestra, ela reafirmou que a escola pública tem jeito e que não foi reclamando que países como Finlândia, Singapura, Japão e Estados Unidos têm conseguido avanços na Educação. Foi, sim, com estudo, estratégia, formação de professores, planejamento e o envolvimento de todos os atores que fazem parte desse espaço transformador, que chamamos de escola.

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Temos o mau hábito de reclamar de tudo! Reclamamos do sistema, dos professores, da família. E o que mais me chama atenção nos encontros da Rede Conectando Saberes é que todos — professores, gestores, estudiosos da Educação — estão buscando caminhos para fazer acontecer essa Educação, de norte a sul, com ou sem estrutura, com ou sem material pedagógico necessário. São pessoas capazes de inspirar outros profissionais com o poder de transformação e a seriedade com que tratam a Educação pública. Eles fazem do limão uma limonada. E, assim, ganham um novo fôlego novo para as batalhas diárias dentro desse universo mágico e complexo, que chamamos de escola e nos mostram que a aprendizagem, se bem planejada e com propósito, tem o poder de vencer as dificuldades do dia a dia de uma escola.

Ouvi experiências de colegas que, com pouquíssimos recursos e com a estrutura física da escola comprometida, conseguem ofertar uma educação de qualidade. Como docente, não sou capaz de descrever como isso me reanima, bem como em meu papel de gestora.

Ouvir da professora Katherine K. Merseth que “o fator que mais influencia o desempenho do estudante é um professor motivado e decidido a aprender” serve como impulso para o desejo que nós, professores e gestores que integramos a Rede Conectando Saberes e todos os docentes comprometidos deste Brasil, sigamos em frente com entusiasmo e dedicação.

Parcerias e trocas de experiências

Acredito que é no poder da troca de experiências exitosas e nas parcerias firmadas com aqueles que acreditam, assim como nós, numa Educação verdadeira e transformadora, que podemos ajudar e levar para a nossa realidade escolar aquilo que deu certo em outras regiões — até mesmo em solos áridos da Educação.

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Segundo Katherine Merseth, toda escola se estrutura em pontos precisos. “O diretor da escola pública tem a função de definir expectativas altas e claras, monitorando sua implementação” e “O aprendizado de professores e estudantes está interligado”, disse ela no encontro. Essas duas colocações dependerão de um trabalho coletivo, organizado e compartilhado, em que todos os atores —famílias, alunos, comunidade escolar, professores, gestores, órgãos públicos —estejam imbuídos de um mesmo objetivo: ofertar e receber uma educação de qualidade. Para todos e todas.

Marlucia Brandão é diretora da EMEIEF Boa Vista do Sul, em Marataízes-ES, desde 2016, e professora de Língua Portuguesa, com especialização em Linguística Aplicada ao Português, Psicopedagogia Institucional e Ciências da Educação. Deu aulas em todas as etapas, da alfabetização à Educação de Jovens e Adultos (EJA). Também foi Secretária de Educação de Marataízes entre 2011 e 2012.

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Neurociência e educação: como treinar o cérebro para mudar um hábito ruim

Selo com quatro dicas sobre como treinar o cérebro para mudar um hábito ruim

Selo com quatro dicas sobre como treinar o cérebro para mudar um hábito ruim

Querer mudar de hábito e sair da zona de conforto exige do cérebro uma reorganização constante. Segundo o coordenador da pós-graduação em Neurociência e professor de Programação Neurolinguística do Instituto Brasileiro de Formação de Educadores (IBFE), João Rilton, é possível treinar o cérebro para criar, mudar ou excluir um hábito.

“A verdade é que mudanças exigem muita disciplina e determinação. Afinal, o hábito é um aprendizado em nível de competência inconsciente. Ou seja, quando você executa-o, não precisa estar com sua atenção nele. Você funciona em modo automático”, explica. Isso se aplica para muitas áreas da vida, inclusive na educação. Especialmente porque, na nossa sociedade, ainda enfrentamos muitos obstáculos, como o tradicionalismo, na aprendizagem. O especialista cita 4 passos para treinar o cérebro a programar ou desprogramar costumes negativos:

Aumente sua atenção sobre o hábito

Descubra como seu hábito está estruturado. Ou seja, como e de que forma ele acontece.  Por exemplo, se for um hábito de postergar, é possível observar quais pensamentos chegam a consciência, como o corpo físico se sente e o que dá vontade de fazer. Uma outra maneira é criar uma forma de lembrete que mostre que você está envolvido por aquele hábito no momento. “Algumas pessoas utilizam um elástico no pulso. Toda vez que elas se percebem praticando o hábito, puxam o elástico e, assim, chamam a atenção do cérebro para aquele processo. Por exemplo, se você tem que estudar e percebe que tem o hábito de ficar negociando e postergando o estudo, o elástico no pulso pode ser uma boa forma de você perceber como é o processo de pensamentos que te levam a postergar”, afirma o especialista.

Desenvolva a autoconsciência

Perceber quais estímulos disparam aquele hábito e o que acontece em nível emocional é uma forma de treinar o cérebro. É necessário criar um contato entre os seus sentimentos e o hábito que está conectado a ele. Você perceberá, por exemplo, que a preguiça é apenas um hábito da mente querer preservar o conforto pelo maior tempo possível. Sendo assim, é importante ter ciência do seu nível biológico. Ou seja, dos seus batimentos cardíacos, da temperatura do corpo, da salivação, e quaisquer outros sintomas físicos.

Racionalize a questão

Crie alternativas mentais para a solução do problema. O especialista indica você fazer isso em momentos do dia em que se sinta bem. “Sonhe em possibilidades e crie imagens cerebrais. Não tem problema ser grandioso em seus pensamentos. Estamos trabalhando com um exercício mental e não com um código de conduta das coisas concretas”, afirma. Além disso, ele explica que é fundamental manter o emocional positivo para que se possa fazer uma boa reflexão sobre um assunto que deseja mudar ou transformar. “Se você resolver pensar sobre o assunto estando emocionalmente alterado, não conseguirá ter acesso as memórias mais criativas para o problema, pois essas são acessadas a partir de um corpo físico e um cérebro conectados em sensações positivas. Normalmente, momentos de criatividade são acompanhados de uma química cerebral que causa um grande bem estar”, analisa.

Aja diferente perante ao hábito

É fundamental tomar uma posição observadora. Ou seja, não se deixar levar pela inconsciência e cair na malha emocional daquele hábito.Isso se torna possível porque com a execução dos passos 1, 2 e 3, o cérebro já estará treinado a prestar atenção no momento presente. Isso facilitará o processo de enfraquecimento do modo automático do hábito. A partir disso, é possível se reprogramar ou excluir aquele hábito específico”, finaliza o especialista.

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Educação para a cidade: como incluir o território na aprendizagem

Imagem de uma menina tirando uma foto com um celular através de uma grade em um campo

Em 2016, a EMEF Emiliano Di Cavalcanti passou a ser uma escola de tempo integral. Eles buscaram colocar no currículo práticas pedagógicas focadas no desenvolvimento integral e cidadão dos estudantes. Uma delas foi o projeto “Território do saber: Trabalho de Campo”, desenvolvido pelo professor Carlos Asakawa Novais, que reflete a descoberta e redescoberta dos territórios. Por lecionar geografia, o educador encara os territórios como uma categoria de análise, uma ferramenta para entender o mundo. Por isso, iniciou o projeto junto a escola em 2011. Antes da incorporação da Educação Integral ao Projeto Político Pedagógico (PPP) da EMEF.

Na época, o trabalho de campo era oferecido no contraturno escolar aos interessados. Mas o objetivo era o mesmo: não limitar-se ao perímetro da escola, apresentando novos lugares e reflexões sobre o território. Nesse modelo, os estudantes faziam uma viagem grande por ano e diversas visitas ao bairro e arredores da escola. Assim, eles trabalham temas como impacto do turismo, moradia e transporte. Já as “grandes” viagens tinham como principais destinos cidades paulistas como Campos do Jordão, Taubaté e Registro, em um reconhecimento de patrimônios históricos e ambientais.

Territórios Educativos

Imagem de uma menina tirando uma foto com um celular através de uma grade em um campo
(Reprodução/Youtube)

Com a mudança do PPP da escola e a adesão à Educação Integral, a escola transformou o projeto em uma prática regular. Assim, ele se tornou parte de uma série de projetos denominados Território do saber. Segundo o professor responsável pela ação, essa decisão expandiu as possibilidades do Trabalho de Campo. Afinal, ele passou a ter mais verba e tempo disponíveis para as atividades.

“As saídas têm sempre uma intenção pedagógica. Portanto é preciso ter uma bibliografia específica para a turma e planejar as atividades. Educação integral não significa apenas aumentar o tempo do aluno na escola. E sim trabalhar uma série de competências, que é o que buscamos fazer com esse projeto”, explica Carlos. Atualmente, há duas turmas de anos mistos, que têm aulas duas vezes por semana e realizam, em média, uma viagem grande por semestre e outras dez saídas nas proximidades da escola.

O projeto Território do Saber: Trabalho de Campo foi um dos 10 contemplados pela 2ª edição do Prêmio Territórios Educativos. Essa é uma iniciativa do Instituto Tomie Ohtake em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Há também o patrocínio da Universidade Estácio. O prêmio busca reconhecer e fortalecer experiências pedagógicas que explorem as oportunidades educativas do território onde a escola está inserida, integrando saberes escolares e comunitários. Este ano, o programa recebeu 67 inscrições oriundas de todas as Diretorias Regionais de Ensino de São Paulo e de diversos tipos de unidades escolares. Confira os outros projetos vencedores.

Post com resumo e modificações produzidas pelo Caindo no Brasil da publicação “Escola integra território ao currículo e expande educação para a cidade”, da repórter Nana Soares para o portal da Cidade Escola Aprendiz. Leia a matéria original e na íntegra clicando no link.

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Empreendedorismo na educação apoia projetos de vida

Há 48 anos, um grupo de mães se uniu para criar o projeto Arrastão, com o objetivo de atuar na proteção humana e no desenvolvimento local das comunidades Campo Limpo, Capão Redondo, Vila Andrade, Jardim Ângela, Santo Amaro, Centro e Lapa. Hoje, a ONG atende mais de 1000 pessoas por dia. Ela atua em programas nas áreas de educação, arte e cultura. Geração de renda, habitação social e qualidade de vida também são apoiadas na sede, no Campo Limpo.

Há duas semanas, o Caindo no Brasil foi conhecer o Arrastart, um dos programas da ONG voltados para jovens com idades entre 15 e 29 anos. Criado em parceria com a Fundação Telefônica Vivo, o Arrastart é a extensão da formação do Projeto Pense Grande e busca empoderar e instrumentar os jovens para gerar e implementar novas soluções, com o uso de tecnologias, que resolvam problemas de suas comunidades e da cidade.

Além de ferramentas para o empreendedorismo

Programa Arrastart - ONG Arrastão e Pense Grande

O projeto trabalha com introdução de conceitos, metodologias, abordagens e ferramentas como Design Thinking, cultura maker, inovação social, entre outros. O jovem da periferia é convidado para a possibilidade de ser protagonista. Isso num cenário de inovação tecnológica e social. Os participantes criam uma proposta de negócio social e até mesmo ser acelerado pelo Pense Grande.

Mais do que ferramentas para criação de um negócio, o programa apoio o projeto de vida dos jovens beneficiados. Henrique Heder, coordenador do Arrastart, reforçou: “É um processo de autoconhecimento que gera um encontro com ele mesmo. Os jovens se surpreendem como nunca pararam para pensar neles mesmos. Existe um desejo muito grande deles contribuírem para a área social”.

Desse processo, surgiram soluções como o Educanerd, um app envolvendo games e educação para visitação de museus e centros culturais, ou o Manobra Saúde, uma espécio de “Uber” para unir motoristas qualificados a atender clientes que precisem de cuidados especiais por condições físicas ou realização de exames. Além disso, mais de 4500 jovens participaram das formações desenvolvendo as competências empreendedoras e criando 90 propostas de startups. Mariana Ferreira, uma das jovens que participaram do programa, contou: “Eu aprendi que ser empreendedor é pegar um problema social, pegar uma questão que é um nicho de mercado e transformar em um projeto é trazer uma ideia inovadora realmente.”

Programa Arrastart - ONG Arrastão e Pense Grande

Em 2017, o projeto pretende criar um laboratório maker dentro da ONG Arrastão. Assim, aproximará os jovens ainda mais do ecossistema de inovação e empreendedorismo. A ideia também busca garantir um espaço de coworking para os jovens e possibilidades de testarem suas ideias a partir da cultura mão na massa. Henrique, coordenador do Arrastart, contou: “Estamos nos preparando para sermos um polo local de impacto social. Temos um compromisso com o desenvolvimento local da região”.