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Maioria dos professores da Educação Infantil tem problemas de audição

(Freepik)

O ano letivo está aí. E os professores já se preparam para voltar às escolas e receber seus alunos com atenção e carinho. Mas, dentro da correria que envolve a educação, há um problema que ainda é pouco abordado: o barulho em sala de aula. Uma pesquisa da Academy at University of Gothenburg, na Suécia, revelou que sete em cada dez professores da Educação Infantil já têm dificuldades de audição. O mal afeta principalmente professoras jovens, entre 18 e 44 anos.

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Ou seja, as professoras da Educação Infantil correm alto risco de danos auditivos devido à profissão. Comparadas com mulheres da população em geral, as docentes dos primeiros anos escolares apresentam sintomas de perda auditiva precocemente. Isso acontece devido ao elevado barulho que essas profissionais convivem diariamente. São gritos, choros, carteiras arrastando, campainhas estridentes, além da agitação, brincadeiras, conversas e correria das crianças.

Isso leva os professores à fadiga auditiva induzida por ruídos, hiperacusia e dificuldade de compreensão de fala. A fadiga auditiva é uma sensação de pressão no ouvido, de ficar com o ouvido cheio, ou um zumbido. Dos 4.718 professores da Educação Infantil entrevistados na pesquisa, 71% tinham fadiga auditiva causada por ruídos induzidos. Além disso, 46% tinham dificuldade de compreensão de fala.

Estresse e cansaço emocional

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“Este embaraço para ouvir o que o outro está falando, tendo que pedir para repetir a toda hora, leva ao estresse e ao cansaço emocional. Principalmente quando já são longos anos neste ambiente barulhento. Isso acontece porque o esforço na escuta acarreta uma grande pressão sobre o cérebro, deixando o indivíduo cansado e irritado”, explica Isabela Papera, fonoaudióloga da Telex Soluções Auditivas.

O que é mais alarmante é que muitos professores não procuram ajuda médica nos primeiros sinais de dificuldade auditiva. A fonoaudióloga alerta que a falta de tratamento pode piorar a perda de audição com o passar do tempo, levando até mesmo a um quadro de surdez severa.

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“Quanto mais cedo for detectada a perda de audição, maiores são as opções de tratamento disponíveis. Com isso, é possível levar uma vida absolutamente ativa profissionalmente e em sociedade”, explica a fonoaudióloga da Telex. Ao perceber que há dificuldades para ouvir, consulte um médico otorrinolaringologista para obter um diagnóstico preciso. A partir de avaliações como a audiometria, é indicado o tratamento mais adequado. 

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Ideias para aproveitar melhor os espaços e o tempo das crianças na Educação Infantil

Esse texto é uma publicação da Revista Gestão Escolar, escrito pela Eurismar Silva Ribeiro. Ela é coordenadora pedagógica no CEI Dolores Lustosa, em Sobral, Ceará, desde outubro de 2015. É pedagoga e tem especialização em psicopedagogia institucional e em gestão escolar. Nós compartilhamos o texto na íntegra pois achamos que a criatividade e a educação humana é essencial para o aprendizado alunos. Veja a matéria na íntegra no site
 

Fotografia de uma criança mostrando a palma das mãos que está de pintada com tinta colorida. O rosto da menina também está pintado.
(Pixabay)

Quando cheguei ao CEI Dolores Lustosa, em Sobral, no Ceará, recebi a função de coordenar o trabalho dos professores das crianças de zero a três anos. Eu nunca tinha coordenado e nem dado aula para esse público. Foi um desafio e tanto! Procurei o Projeto Político-Pedagógico da instituição para entender os fundamentos das práticas pedagógicas de lá. E também comecei a observar o que era feito pelas professoras: como davam aula; como organizavam o espaço e os materiais; como tratavam as crianças e como era organizada a rotina. Ao mesmo tempo pesquisava e lia sobre o desenvolvimento infantil, rotina, ambiência entre outros assuntos que surgia sobre o trabalho pedagógico na creche. A diretora Ticiane ajudou demais indicando excelentes fontes de leitura, quase que diariamente.

Observação, estudo e prática

Nas observações diárias do trabalho pedagógico dos professores fiz diversas descobertas. Uma delas é que as crianças interagem o tempo todo com o espaço e seus materiais, além da interação com os colegas nas brincadeiras de faz de conta. Vi várias formas de organizar o trabalho pedagógico. Nas salas em que o professor focava seu trabalho nas interações e brincadeiras, as crianças eram mais tranquilas, felizes, ativas, curiosas e atentas.

Percebi que as crianças precisam de tempo para brincar. E o papel do professor é organizar o espaço e os materiais para que a criança possa brincar e se desenvolver, brincando de faz de conta nos cantinhos ambientados, imitando, se expressando e vivenciando atividades do dia a dia.

Diante das observações e descobertas, resolvi estudar com os professores textos e vídeos que embasavam suas práticas. Assim, eles poderiam tomar consciência sobre quais teorias estavam por trás do seu fazer pedagógico. Além disso, é possível promover a troca de experiências entre eles.  Isso porque só consigo fazer mudanças (intervenções) significativas na prática dos professores que coordeno, estudando, pesquisando, planejando e refletindo com eles sobre a prática. Por isso parto sempre da pesquisa e do estudo sobre o problema vivido.

Lemos o livro: “Interações: ser professor de bebês – cuidar, educar e brincar, numa única ação”, de Cisele Ortiz e Maria Tereza V de Carvalho. Assistimos a alguns vídeos da professora da Faculdade de Educação da USP Tizuko Morchida sobre a importância do brincar e como organizar o espaço para as brincadeiras (vários disponíveis no YouTube, como este). Vimos também o documentário “Território do Brincar” do Instituto Alana (veja aqui como assistir). Lemos o texto “Qual lugar da sucata na escola?” da revista NOVA ESCOLA sobre o uso de materiais não estruturados na Educação Infantil, e muito mais.

Estudando, descobrimos que o educador infantil precisa fazer intervenções constantes no espaço. Assim, ele pode atender as necessidades e curiosidades das crianças. Pois é mexendo, pegando, sentindo, interagindo, experimentando o espaço e seus materiais que as crianças aprendem. É preciso aproveitar bem todos os espaços e recursos disponíveis e buscar materiais não estruturados constantemente.

As mudanças

Os professores aceitaram o desafio da mudança do ambiente. Fomos organizando novos espaços, renovando os materiais de alguns cantinhos que são permanentes, fazendo intervenções nos diversos ambientes que as crianças frequentam no CEI. No parque, por exemplo, uma professora passou a armar uma rede e as crianças adoraram se deitar e balançar. Pendurou também malhas no teto onde muitas brincaram de escalar, se enrolar, e fazer casinha.

Outro dia fizemos até um foguinho num cantinho do parque e uma criança de três anos sugeriu que cozinhássemos ovos. E assim as professoras, juntas com eles, cozinharam e degustaram ovos no parque. E também aproveitaram a oportunidade e conversaram sobre os cuidados que precisamos ter com o fogo e panelas no fogão. Passamos a brincar mais com água, construímos com as crianças e enchemos lagos na areia do parque, onde elas colocaram brinquedos para flutuar nele.

A partir daí passamos a coletar material não estruturado e levar diariamente um sacolão com eles para brincar de faz de conta. Além das mudanças no espaço, decidimos dobrar o tempo das crianças no parque. E também oportunizamos o convívio das crianças pequenas com as maiores. Também resolvemos visitar as demais salas de aula participando de alguma atividade da turma visitada.  Agora faz parte da rotina planejar o uso dos espaços e materiais disponíveis, organizar contextos  e oportunidades para aprender brincando.

Organizamos o nosso fazer pedagógico em projetos temáticos, sempre tendo em vista as necessidades e os desejos das crianças. Nessa época, estudamos a vida no jardim. Afinal, sempre que as crianças achavam bichinhos no parque ficavam muito curiosas e admiradas. Então para permitir que as crianças plantassem, mexessem com a terra, com a água e conhecessem os bichinhos que habitam o jardim, decidimos elaborar o projeto que foi um sucesso.

E vocês, coordenadores, já fizeram algo semelhante? Contem suas experiências.

Eurismar Silva Ribeiro é coordenadora pedagógica no CEI Dolores Lustosa, em Sobral, Ceará, desde outubro de 2015. É pedagoga e tem especialização em psicopedagogia institucional e em gestão escolar. 

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A criança não sai da TV, nem larga o celular? SOS CanalBloom!

Ilustração de uma criança de costas, sentada olhando para a TV

Ilustração de uma criança de costas, sentada olhando para a TV

Seu filho adora assistir à televisão ou pede o tempo todo para usar o celular? Quando você tenta colocar um limite, começa aquela disputa? Apesar de serem hábitos comuns, é importante que você tente regular a exposição às telas em até uma hora por dia. Caso contrário, podem aparecer problemas de sono, comportamento e inclusive há riscos de diabetes e obesidade. Saiba o que fazer!

Preste atenção aos seus próprios hábitos 

Você é o maior exemplo para o seu filho. Se você gosta de passar horas assistindo à televisão ou fica muito tempo usando o celular, provavelmente seu filho vai querer fazer o mesmo. Portanto, comece a mudança por você. Quando estiver com a família, evite as telas. Você inclusive pode compartilhar as dificuldades com o seu filho, dizendo algo como: “Eu recebi uma mensagem no celular e queria responder… Mas, como estamos almoçando, vou deixar pra depois, porque é ótimo quando almoçamos juntos e o celular atrapalha a nossa conversa”.

Organize a rotina 

Como está o seu dia a dia? Sobra tempo para você mesmo? Muitas vezes, a televisão se torna um recurso para entreter as crianças quando o adulto está sobrecarregado e precisando de “tempo para respirar”. Reveja suas atividades e tente reservar um momento da rotina só para você, mesmo se for por alguns minutos. Faça algo que goste ou simplesmente descanse! 

Acolha as emoções da criança

Ninguém gosta de deixar de fazer algo prazeroso, não é? Por isso, acolha às eventuais reações que ela tiver e explique o motivo da mudança. Você pode dizer: “Filho, eu entendo que você quer ver o filme até o final. Eu também não gosto quando tenho que parar de assistir a uma história no meio. Mas, agora precisamos relaxar para ir dormir e a TV nos deixa muito agitados, por isso precisamos desligá-la. Amanhã continuamos!”.

Planeje a mudança em etapas

Se todo dia seu filho passa horas na televisão, provavelmente vai ser difícil deixar de fazer isso de um dia para o outro. Toda mudança de hábito é um processo e por isso é importante realizá-la em etapas. Experimente começar reduzindo o tempo: se ele costuma passar 3 horas por dia na TV, experimente diminuir para 2h30. 

Fazer combinados a partir da quantidade de programas também facilita, porque a criança não precisa deixar de assistir ao programa bem na parte que estava tão interessante! E não esqueça do principal: ofereça alternativas, como áudio-livros infantis ou uma brincadeira gostosa na natureza. Para conferir o SOS completo sobre esse tema, acesse: https://canalbloom.com/sos/meu_filho_nao_sai_da_tv_nem_larga_o_celular

O CanalBloom é uma plataforma que traz ferramentas para apoiar pais e mães nos desafios da parentalidade, buscando uma infância mais saudável com base em orientações de especialistas e um conhecimento qualificado. Acesse através do: www.canalbloom.com

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Primeiros dias da criança na escola? SOS CanalBloom!

Ilustração de um adulto ajudando uma criança

Ilustração de um adulto ajudando uma criança

É natural que a criança estranhe o novo ambiente, sinta ansiedade ao se separar dos pais, chore ou não queira ficar na escola o tempo todo. Portanto, por mais sociável ou independente que seu filho seja com a família ou em outros ambientes sociais, muitas emoções podem surgir nesse processo de adaptação e é importante que você tenha paciência.

Reforce o vínculo entre vocês e facilite a conexão com a professora

Durante essa fase, é importante estar presente e brincar com o seu filho, com um tempo especial durante o dia por exemplo. Além disso, as crianças precisam se sentir seguras com o adulto que cuidará delas na escola. Mas, confiança é algo que adquirimos aos poucos. Coloque-se no lugar da criança. Ela pode se sentir insegura por uma razão legítima: está em um lugar novo, com pessoas que não conhece e – talvez pela primeira vez – sem a sua proteção. A sua calma e confiança nessa relação será essencial para que seu filho se sinta seguro. Se surgirem olhares apreensivos ou lágrimas, não o distraia. Em vez disso, acolha essa insegurança: “Filho, eu sei que é muita novidade e às vezes sentimos medo. Mas fique tranquilo, você está seguro aqui e vai ver que essa nova rotina vai ser bem divertida. Sempre que precisar, você pode pedir ajuda para a professora, que vai cuidar de você todo o tempo que estiver aqui. Volto para te buscar assim que a escola terminar e depois vamos ficar juntos!”.

Ofereça algo familiar

Permita que seu filho leve um brinquedo, um livro ou aquele pano que tanto gosta para escola nestes primeiros dias. Mesmo se ele precisar ou quiser guardar na mochila ao chegar lá. Os objetos familiares ajudam a criança a se sentir mais segura, principalmente em um ambiente novo. Você também pode imprimir uma foto da família e propor que seu filho a leve na mochila.

Sempre se despeça e crie rituais

Tudo bem deixar seu filho ocupado com alguma atividade e sair em silêncio, mas nunca saia sem se despedir. Por mais difícil que seja a despedida, deixe claro que você está indo embora e que vai voltar para buscá-lo ao final do período. Isso fortalecerá a confiança e ele saberá que você jamais vai desaparecer sem avisar. Estabelecer rituais também pode ajudar. Pode ser um simples abraço ou a cantoria de uma música na caminhada até a escola. A repetição de uma mesma atividade será reconfortante para vocês dois.

A adaptação à escola é um processo. Por isso, respire fundo, lembre-se do valor que essas interações e aprendizados trarão para a vida da criança. E converse com a equipe da escola sempre que precisar. Para conferir o SOS completo no CanalBloom, acesse: https://canalbloom.com/sos/o_primeiro_dia_na_escola

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O que fazer quando a criança mente? SOS CanalBloom!

O que fazer quando a criança mente? É comum que crianças já com 2 anos comecem a mentir sobre algo que fizeram e sabem que não foi legal. Fazem isso principalmente porque não querem nos decepcionar. Depois, podem criar mentiras para beneficiar outras pessoas ou não machucar aqueles de quem gostam. Como lidar?

O que fazer quando a criança mente?

Adultos também mentem

Pouco a pouco, ensinamos às crianças que a honestidade nem sempre é o melhor caminho: quando você fala que adorou o presente à pessoa quem te deu, e depois comenta na frente da criança que não gostou, você mostra que as mentiras fazem parte da vida – e que, inclusive, às vezes mentir é a melhor opção. Então em vez de exigir que ela não minta NUNCA, observe as suas atitudes. Vai ser mais fácil evitar contradições!

Entenda os sentimentos por trás da mentira

As crianças não querem nos decepcionar, mas continuam querendo o que querem: então desejam que as DUAS coisas sejam verdade! Seu filho quer continuar brincando na hora em que deveria lavar as mãos, mas quer ter lavado as mãos como você pediu. Então tente se colocar no lugar dele e reflita: o que será que ele ganha com essa mentira? Será que tem a sua aprovação? Ou quer mostrar para você que consegue, por isso diz que sabe ler quando ainda não faz isso? Ou quer proteger um amigo que gosta? Entender os sentimentos por trás da mentira vai te ajudar a orientá-lo com mais carinho.

Acolha a criança, mesmo se você não gostou do que ela fez

Em vez de culpá-la, acolha a necessidade por trás da mentira e mostre que, independente da atitude, ela sempre será digna do seu amor. Se você acha que ela está com medo de dizer que quebrou o copo porque você costuma reagir gritando, que tal dizer: “Filho, eu sei que às vezes fico bravo quando isso acontece, porque gosto muito desses copos, mas sei também que você não fez por querer! Então fique tranquilo. Vamos usar aquele que não quebra? Assim evitamos mais acidentes”.

Assegure a criança que ela não vai ter problemas se contar a verdade

A mentira é muito mais comum entre crianças que são punidas, porque elas acabam mentindo para evitar o castigo ou aquela conversa desagradável sobre como deveria se comportar. Então observe como você estabelece limites: se a mentira é a única maneira da criança escapar da nossa raiva, das broncas e dos castigos, ela provavelmente vai narrar uma versão diferente daquela que envolve a responsabilidade dela na história!

Com paciência, logo as crianças desenvolvem a segurança que precisam para dizer a verdade! Para conferir o SOS completo sobre esse tema no CanalBloom, acesse: https://canalbloom.com/sos/meu_filho_mentiu_pra_mim

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Brincadeiras simples para desenvolver coordenação motora das crianças

Imagem com três brincadeiras para desenvolver a Coordenação Motora das Crianças

Imagem com três brincadeiras para desenvolver a Coordenação Motora das Crianças

A infância é determinante para outras etapas da vida. A coordenação motora representa um dos aspectos mais importantes para o desenvolvimento de uma pessoa. Situações que fazem parte do cotidiano da criança são essenciais para impulsionar esse conjunto de habilidades.

O primeiro contato com objetos, os trabalhinhos do jardim de infância e a manipulação de pequenos objetos significam as descobertas daquele pequeno universo para o bebê.

Qual a importância das brincadeiras?

A partir dos 3 ou 4 anos, meninos e meninas começam a ter um certo controle de sua preensão (ato de pegar algo), do equilíbrio das pernas e tronco, embora ainda possam cambalear. As tarefas pedagógicas e as brincadeiras que fazem parte de sua vida exercem uma influência imprescindível no desenvolvimento das crianças.

Colocando em prática as habilidades necessárias

É válido ressaltar que para uma coordenação motora regular, o pequeno deve mexer, tocar, descobrir, movimentar-se. As brincadeiras, então, representam uma excelente oportunidade para que seus filhos possam colocar em prática as habilidades, cujos benefícios os acompanharão por toda a sua vida. Afinal, esse desenvolvimento pode ter relações diretas com o empenho, estímulo e qualidade do estudo da criança futuramente. A psicomotricidade é um exemplo.

Há uma série de atividades lúdicas que podem ser realizadas não somente no ambiente escolar, mas em casa mesmo. Portanto, pegue papel e caneta; anote nossas dicas e aproveite com o seu pequeno.

Imagem de criança brincando ao ar livre com lupa e blocos de plástico
(Pixabay)

Que brincadeiras simples posso ensinar aos meus filhos?

Não há espaço para citar todas elas, mas podemos falar sobre algumas que exercem o papel de desenvolvimento nas habilidades motoras da criança.

Produção de pães (fictícios): sabe aquela famosa massinha que todos nós já brincamos um dia? Então, esse material oferece uma textura própria para que os pequenos amassem, enrolem, puxem, desfaçam e criem o que eles desejam. O trabalho exercido com os músculos das mãos é imenso. A criança, geralmente, distrai-se tanto que nem percebe o exercício que realiza;

Amarelinha: quem nunca brincou de amarelinha durante a infância? Todos nós sabemos como a atividade nos dá um maior controle das pernas, impulsionando o equilíbrio e a psicomotricidade em geral;

Pega-pega: a clássica brincadeira é uma das práticas mais benéficas para o corpo da criança. Os próprios movimentos já falam por si;

Pular corda: ideal para trabalhar a força dos membros inferiores, importantes para a locomoção;

Dedoches: os fantoches usados nos dedos (para teatro, encenações) são excelentes para a própria coordenação motora, mas também exercem um papel muito interessante, pois eles são responsáveis pela associação de palavras com ações coordenadas (onde ocorre a junção dos processos de linguagem ao processamento visual e o movimento dos dedos);

Pintura com tinta guache: a atividade é ideal para a preensão do pincel utilizado e, consequentemente, o fortalecimento das mãos ao pintar ou colorir as imagens;

Colagens: para o resultado final desta tarefa, a criança precisará rasgar, amassar e a manipular o material; impulsionando o trabalho de suas mãos.

Tornando a brincadeira mais atraente

Para chamar a atenção de seus filhos, por que não convidar outras crianças para as atividades? Desenvolver a coordenação motora promovendo a diversão é o melhor caminho para todos eles. Não perca mais tempo.

Já pensou aprender profundamente as Técnicas Psicomotoras que podem otimizar o Desenvolvimento Infantil de uma maneira Lúdica, Encantadora e Eficaz? Em um curso online completo a Lu Brites te ensina tudo sobre Psicomotricidade com fundamentação científica e de forma prática e simplificada.

Matéria publicada pelo NeuroSaber.

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Programa Paralapracá disponibiliza ambiente virtual de apoio aos professores da Educação Infantil

Imagem de criança participante do Programa Paralapracá

Imagem de criança participante do Programa Paralapracá
(Reprodução/Centro de Referências em Educação Integral)

A fim de possibilitar a aprendizagem colaborativa, está no ar a plataforma Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Em busca da ampliação de repertório, a ferramenta foi disponibilizada pelo Paralapracá. A organização é uma frente de formação de profissionais da Educação Infantil realizada pela Avante – Educação e Mobilização Social.

A ferramenta reúne conteúdos e instrumentos de apoio com múltiplas linguagens para os professores da Educação Infantil. Ela serve como um repositório de práticas culturais e pedagógicas e sugestões de atividades. Além disso, há inspirações sobre como usar recursos digitais para a produção de registros pedagógicos mais criativos. Ou seja, ela pode ser um auxílio para promover o engajamento e desempenho por parte dos alunos.

A maior parte do material disponibilizado no site está aberto para todas as pessoas interessadas. Basta a realização de um cadastro para a navegação.

O programa

A metodologia do Paralapracá, chancelada pelo MEC/2015 e indicada ao Prêmio Criança da Fundação Abrinq, visa a melhoria da qualidade do atendimento às crianças. Além disso, ele busca promover seu desenvolvimento integral por meio da formação continuada dos profissionais da Educação Infantil das redes municipais de Educação.

Para isso, valoriza os saberes de cada localidade e amplia as referências teórico-práticas dos docentes a partir das orientações nacionais para o segmento, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e as Diretrizes Nacionais para a Educação Infantil.

Matéria publicada pelo Centro de Referências em Educação Integral.

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10 planos de aula para Educação Infantil

Imagem com três dicas de Atividades criativas para realizar na educação infantil

Imagem com três dicas de Atividades criativas para realizar na educação infantil

As férias estão terminando e chega o momento de renovar o planejamento para o novo ano letivo. E é hora de buscar atividades diferentes. Especialmente as que tragam novas formas de trabalhar áreas programadas para o desenvolvimento das crianças ao longo da Educação Infantil.

Para inspirar o seu trabalho, a Nova Escola selecionou dez planos de aula voltados apenas aos pequenos. Confira abaixo e clique nos títulos para conhecer todas as etapas propostas:

Identidade e autonomia

Por meio de fotos das crianças em seu dia a dia e de materiais básicos, é possível criar interações em que elas percebam a si e aos outros, identificando diferenças, vendo-se como parte de um grupo mais complexo e se reconhecendo como indivíduo. O plano é dividido em três etapas: “eu, eu e eu”, “eu, tu, eles” e “nós e todo mundo”. Indicado para creche e pré-escola.

Uso racional da água

Aproveitar bem os recursos naturais tem de ser um cuidado permanente. E as novas gerações precisam incorporar práticas nesse sentido desde cedo. Com algumas atividades, é possível colaborar para que os pequenos entendam como a água é escassa no planeta e como o uso irresponsável dela pode prejudicar toda a vida no planeta. Chega de torneira aberta durante a escovação! Para a pré-escola.

Aprender com o próprio nome

O nome das crianças abre um imenso campo de trabalho na pré-escola. É possível iniciar o processo de alfabetização pela lista da sala, mostrar como a escrita ajuda a resolver problemas práticos e ampliar o repertório de letras conhecidas.

Os livros e o prazer em ouvir histórias

O livro pode ser um dos melhores amigos da criança, e dá para incentivar essa relação já nos primeiros anos. O plano prevê atividades para pequenos de 1 a 3 anos, e permite criar o hábito de escutar histórias e de ter contato com textos de qualidade, enriquecer a imaginação e fortalecer os momentos em grupo.

É dançando que a gente aprende

A dança é mais que uma brincadeira para a hora da música. Ela ajuda a criança a conhecer seu corpo e a se expressar por meio de seus movimentos. Fizemos até um vídeo inspirado nesse plano de aula, indicado a creches, assista abaixo:

O uso do calendário

O calendário é algo tão corriqueiro na vida das pessoas que as crianças, muitas vezes, têm contato com ele em casa, vendo os pais planejando a semana ou marcando compromissos na agenda. Com os pequenos da creche, ele pode ser usado para introduzir várias formas de uso dos números.

Circuitos no pátio

Crianças gostam de se imaginar em trilhas, desafios, aventuras. Circuitos permitem despertar essa criatividade e muito mais. É possível construir um caminho com base em um desenho , desenvolver relações espaciais, interpretar informações, representar graficamente o ambiente e progredir no uso de vocabulário específico. Para creche e pré-escola.

Conversa para desenvolver a linguagem

Pensar, falar, ouvir, interpretar, responder. Diálogos envolvem uma série de processos na mente, o que é particularmente saudável para o desenvolvimento de uma criança na pré-escola. Estabelecer rodas para que os pequenos conversem pode ajudar na capacidade de articular seus pensamentos, ampliar o vocabulário e aprender a absorver as ideias dos outros.

Brincar na frente do espelho

O espelho é uma ferramenta fundamental para a criança entender a si mesma. O primeiro passo é se ver, mas o educador pode aproveitar para propor atividades que diversifiquem esse contato, com a turma fantasiada, de cara pintada, fazendo caretas ou experimentando expressões faciais. O plano de aula, indicado principalmente para a creche, inclui até sugestão de músicas para esses momentos.

Cantigas e brincadeiras de roda

Crianças gostam de testar seus sentidos, sobretudo os pequenos que ainda estão na creche. Tudo é uma novidade e exerce fascínio: o gosto, a textura, o cheiro, a imagem e o som que cada coisa tem ou faz. Cantigas são fundamentais para estimular a audição, não apenas pelo ritmo delas, mas também pela interação entre a fala e os sons do ambiente – que podem vir desde algo voltado para isso, como CDs ou instrumentos musicais, até objetos que sejam improvisados.

Esse post é uma reprodução integral da matéria publicada pelo repórter Ubiratan Leal para o portal Nova Escola, com o título “Os dez melhores planos de aula para Educação Infantil”. Clique no link para conferir a matéria original e completa.

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Prêmio de Inclusão Escolar para professores está com inscrições abertas

Inclusão EscolarA Paratodos, em parceria com os Institutos Lecca, Mara Gabrilli e Rodrigo Mendes, está promovendo a segunda edição do Prêmio Paratodos de Inclusão Escolar. A iniciativa tem como objetivo premiar experiências pedagógicas inclusivas que foram desenvolvidas por professores das instituições de ensino regulares do país.

As inscrições podem ser feitas por professores da rede pública e da rede particular. Em 2016, os trabalhos aceitos eram restritos apenas para a Educação Infantil e Ensino Médio. Já a edição deste ano está aceitando projetos também do ensino Superior.

Professores de todo o Brasil podem inscrever sua experiência pedagógica dos anos letivos de 2016 e 2017. Junto com os relatos, é possível também anexar vídeos, aplicativos, projetos pedagógicos ou fotografias que apresentem ou ilustrem melhor a ideia.

Segundo a pesquisa Engajamento Escolar, da Galeria de Estudos e Avaliação de Iniciativas Públicas (GESTA), criada pela fundação Brava, jovens com deficiências ou doenças graves (crônicas ou contagiosas), portadores de necessidades especiais, ou até mesmo temporariamente enfermos muitas vezes são impossibilitados de acompanhar o conteúdo ou até mesmo de comparecer às aulas, contribuindo para aumentar os índices de evasão e abandono. Mais de 5% dos jovens declaram ter abandonado a escola por esse tipo de impedimento.

Prêmio e divulgação do seu projeto

O prêmio tem o propósito de reconhecer, estimular e disseminar ações inclusivas em todos os segmentos da educação. O vencedor do prêmio receberá um tablet, e os melhores relatos serão divulgados no Diversa. A plataforma, do Instituo Rodrigo Mendes promove uma troca de experiências e construção de conhecimento sobre educação inclusiva. As escolas nas quais foram desenvolvidas as experiências selecionadas como finalistas também serão premiadas com placas comemorativas.

Inscreva-se e veja mais detalhes no site do Paratodos.

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Observação na Educação Infantil é essencial para a realização do projeto pedagógico

Qual a importância de realizar observação na educação infantil? Jones, 2 anos, era um menino agitado e ativo que adorava esvaziar prateleiras, espalhar brinquedos pela creche e ver a educadora correr atrás dele para retomar a ordem do lugar. Instigada por informações sobre observação infantil, a educadora se forçou a olhar para Jones todos os dias com outros olhos. Ela notou, então, que a música prendia a atenção e a concentração da criança. Com isso, passou a estimulá-lo com diferentes instrumentos. Como resultado, o menino começou a passar mais tempo com a educadora lendo livros, conversando e preparando o lanche. A imagem de garoto caótico, hiperativo e problemático deu espaço a uma nova. Jones se mostrou uma criança curiosa, esperta e com um ótimo senso de humor.

A educadora em questão é Amy Laura Dombro. A experiência faz parte do livro O poder da observação – do nascimento aos 8 anos. Com o seu relato, a autora chama atenção para a importância da observação na educação infantil. “Com as informações que você adquire ao observar, é possível selecionar os materiais certos, planejar atividades adequadas e fazer perguntas que orientem as crianças para aprender a entender o mundo que as rodeia”, descreve. Isso porque cada criança lida de sua própria maneira com a aprendizagem. Logo, o olhar atento sobre os interesses, as relações, a personalidade e as interpretações das experiências das crianças são essenciais para que o educador avalie a reação à sua proposta e reveja suas práticas.

O pedagogo Gabriel Junqueira Filho, da UFRGS, alerta: qualquer projeto pedagógico está fadado ao fracasso se não houver a observação. “Não olho para uma criança como para uma tela de um museu, mas como ela responde a mim, ao que eu escolhi para ela fazer”, afirma. “A observação é o pressuposto da pedagogia porque significa querer saber a reação do outro em relação àquilo que está acontecendo entre vocês.” Nesse sentido, a observação bem feita pode ser a medida do bom desempenho de um projeto pedagógico. “Isso é absolutamente importante para pensarmos de que maneira e em que medida o projeto pedagógico teve sucesso ou não”, analisa Maristela Angotti, da Unesp.

O que observar?

É simples convencer-se de que a observação das crianças é essencial para o processo de aprendizagem. Mas de onde partir? Como ser um observador? O que observar? Judy, Amy e Margo sugerem alguns campos para dirigir o olhar à criança. Entre eles, estão saúde e desenvolvimento físico, temperamento, habilidades e capacidades, interesses. Além disso, cultura e vida em família, abordagem à aprendizagem, uso da linguagem verbal, uso da linguagem corporal também são importantes.

“Se a educação infantil tem por finalidade o desenvolvimento integral dessa criança, temos de observar a criança como um todo”, aponta Maristela. Isso inclui a forma como ela se movimenta, fala, observa, interage, se expressa, se relaciona com o mundo, como constrói a oralidade. E esses são apenas alguns exemplos.

A indicação dos especialistas é observar tudo. No entanto, segundo Junqueira, da UFRGS, a observação deve ser dirigida pelo planejamento. “Se o educador quer que as crianças desenhem, sabe que vai observar quem fica feliz com a proposta, quem não fica, quem não diz nada”, exemplifica. Depois disso, há os que fazem dois riscos e dizem ter terminado. Também há os que se debruçam durante um longo período, os que preenchem a folha inteira, os que se restringem a um canto do papel. Uns apertam a canetinha com força contra a folha, outros pedem que um colega faça o desenho por eles. “Se o educador estudou a atividade desenho, tudo isso é elemento para observar a criança em ação. Mas se ele não estudou nem planejou, o que vai observar? Só vai contar tempo no relógio.”

Desta forma, uma sugestão é fazer a sequência de questionamentos: qual é o projeto pedagógico? Qual é meu planejamento para colocá-lo em prática? Quais resultados pretendo alcançar? A partir disso, então, é possível criar perguntas que orientem a observação na educação infantil. Ela nada mais é do que a forma de entender o desenvolvimento de cada criança a partir da proposta e atividades realizadas.

Observação na educaçnao infantil
(Reprodução/Revista Educação)

Como organizar a observação na Educação Infantil?

Esse olhar direcionado é essencial para a observação na educação infantil. Mas o pedagogo Paulo Fochi, professor e coordenador do curso de especialização em educação infantil da Unisinos, alerta que é preciso buscar um equilíbrio. “Não é possível observar a partir do nada, mas também não dá para observar algo só para comprovar o que já tenho. Não é 8 nem 80”, pondera. Por isso, segundo ele, é interessante seguir o conselho dos pedagogos italianos: faça boas perguntas para observar as crianças.

Em O poder da observação, as autoras sugerem que o educador faça uma tabela dividida em três colunas. Na primeira, coloca-se o nome e idade. Na segunda o que foi observado. Na terceira, o que é possível fazer sobre o que foi observado. Assim, se o objetivo é ver como uma criança lida com a separação, é interessante observá-la no momento em que se despede do familiar que a deixa na escola. Caso seja notado que a criança não reage bem à situação, uma possível solução é fazer um mural com fotos da família para fixar na sala de aula. O educador pode também adicionar um outro espaço para anotar suas interpretações e questões sobre aquilo que foi observado.

Uma experiência prática de observação na Educação Infantil

No Colégio Ofélia Fonseca, em São Paulo, a equipe pedagógica senta com os educadores no início do ano letivo. Nesse momento, elabora-se coletivamente uma tabela de parâmetros de observação e registro. O material foi baseado em pesquisadores e textos teóricos da educação infantil. Para cada item, existem três espaços para momentos diferentes de observação no trimestre. Os professores são orientados para observar como o aluno pensa para dar a resposta aos questionamentos, e não a resposta em si. “Qual pensamento, estratégia ou habilidade ele usa para dar uma resposta?”, indaga Solange Souza, coordenadora pedagó­gica do colégio. O educador observa também as parcerias feitas pela criança, como ela lida com conflito, como brinca, como comunica suas ideias, entre outros.

A tabela de observação é reavaliada constantemente pela equipe de acordo com o que é registrado como reação das crianças. O que não funciona é reformulado, e novos critérios são adicionados de acordo com a avaliação do processo feita pelos professores. “É importante sempre rever essa dinâmica. A todo momento estamos nos questionando se os dados deram uma boa base para um relatório”, afirma Solange.

Toda semana, a coordenação pedagógica faz orientações individuais com cada professor. Quando a coordenadora e a educadora trocam as observações que fizeram da turma e dos alunos. Desta forma, a observação, registro e avaliação são constantes na rotina escolar. Isso torna possível o ajuste dos rumos a cada semana. “Coletar os dados e só interpretar no final é algo que não fazemos, porque depois de passado todo esse tempo aquilo não vale mais nada. Se eu coleto os dados é para já interferir e agir em cima deles”, afirma.

Professores também precisam ter autonomia

Assim como no Ofélia Fonseca, a escola Criarte, também de São Paulo, revê constantemente seu projeto político-pedagógico com base nessa observação crítica. “Por não ser um produto acabado, é sempre atualizado”, resume a diretora educacional, Luciana de Castro Helena.

Na Criarte, cada professor tem autonomia para fazer a observação na educação infantil da sua maneira e com seus critérios. Isso acontece dentro do projeto pedagógico da escola. Mas existem alguns pontos aos quais ele deve se ater, com destaque para experiências que favorecem a construção do sujeito (aprender a conviver, estar com outros e consigo mesmo) e a ampliação do universo cultural.

Quando observar?

Toda hora é hora de observar na educação infantil, conforme explica a diretora educacional da Criarte. “Não existe um único momento adequado para o professor observar os seus alunos. Todos os momentos da rotina escolar são considerados importantes”, diz. “As situações de observação podem variar entre momentos espontâneos e outros planejados pelo professor.”

A prática da Criarte é apoiada por Junqueira, que defende que o educador observa como respira. Ou seja, o tempo todo. Para ele, se o professor se atém a observar apenas aquilo que previu, em momentos específicos, perde muito do que as crianças têm para lhe contar com suas ações. Uma situação de brincadeira livre, por exemplo. É um ótimo momento para ver como as crianças se agrupam, se relacionam e tomam (ou não) iniciativa. Ele lamenta, no entanto, que muitos educadores escolham esse momento para mexer em seus diá­rios e fazer outras tarefas que os privem de olhar para as crianças. “É importante ter centralidade no fazer, se desviar pouco daquilo. Se eu estiver mais intensamente envolvido na interação, mais naturalmente consigo observar a criança”, concorda Maristela. Assim, a observação na educação infantil é incorporada e se torna algo natural.

Fochi compara a atitude do professor com a de um caçador ou um pescador. Como a educação diz respeito a aprender e construir hipóteses sobre o mundo o tempo todo, é preciso que o educador esteja aberto a surpresas e, por isso, precisa exercitar seu poder de observador. “Para um caçador, qualquer movimento causa uma reação. No caso, o educador tira uma foto, por exemplo. Mas, e se ele entrar como pescador, silencioso, em um silêncio corporal para observar mais atento o que está acontecendo? É um outro estado”, analisa.

Em uma outra metáfora, pode­ríamos dizer o mesmo ao comparar um clássico turista a um viajante. Enquanto um prefere viajar em um grupo com um roteiro fechado, receber as informações do guia e registrar o lugar pela lente da sua câmera. O viajante olha, sente, escuta, repara em detalhes e absorve a identidade e cultura do local, pois está sempre aberto a surpresas e novos aprendizados.

O registro e a avaliação

Na hora de registrar suas observações, no entanto, o professor precisa ser cauteloso para separar seu tempo. Se está interagindo com as crianças, não pode o tempo todo fazer anotações. Junqueira sugere que o educador registre de acordo com a natureza da atividade. Assim, alguns momentos pedem o papel e caneta, outros um gravador de áudio e/ou vídeo e, outros mais, uma câmera fotográfica. “Seja realista, não tente escrever tudo. Recomendamos se concentrar em estar presente. Ou seja, observar os detalhes especiais que tornam cada criança única em construir relacionamentos”, ponderam as autoras.

Esse momento do registro, segundo Marineide de Oliveira Gomes, da Unifesp, é essencial para reunir elementos a partir dos quais é possível promover reflexões sobre a prática do educador. Também é importante entender para quê, para quem e em nome de quê se organiza essa prática profissional. “Com base em uma análise crítica e reflexiva desses registros – aliada a uma atitude investigativa sobre suas práticas – é possível reorganizar essas práticas em outras bases, do ponto de vista teórico e metodológico”, analisa a pesquisadora.

Falar em avaliação na educação infantil, conforme explica Maristela, é na verdade falar desse processo de acompanhamento do desenvolvimento. Ele acontece justamente através da observação atenta e frequente. Isso possibilita que o professor tenha condições de estabelecer os melhores registros descritivos. “A observação na educação infantil é um instrumento da avaliação e planejamento. Eu planejo, coloco em prática, avalio e continuo planejando. Eu planejo e avalio todo o dia”, complementa Junqueira Filho, da UFRGS. No caso da educação infantil, são novos mundos que não param de se descortinar.

Matéria publicada pela Revista Educação