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Educação inclusiva: alunos gravam audiolivro para Biblioteca Braile do Centro Cultural São Paulo

Fotografia de dois jovens em um estúdio, gravando o audiolivro.
(Divulgação)

O Colégio Humboldt é uma instituição bilíngue e multicultural português/alemão localizada na zona sul de São Paulo. Com o objetivo de dar suporte à educação literária do Centro Cultural São Paulo (CCSP), promover a educação inclusiva e incentivar a leitura entre deficientes visuais, alunos da instituição produziram um audiolivro do título “Basta de cidadania obscena!”. A obra, que é da Editora Papirus, é de Mário Sérgio Cortella e Marcelo Tas.

LEIA MAIS: Como a tecnologia pode colaborar por uma educação mais inclusiva

O projeto foi desenvolvido pela professora de Língua Portuguesa, Daniella Barbosa Buttler. Além dela, houve também a participação dos estudantes do Humboldt Formação Profissional Dual do Colégio. Este é considerado o maior instituto de ensino profissionalizante no sistema dual alemão existente fora da Alemanha.

Segundo a educadora, a ideia de fazer um audiolivro surgiu a partir da redação do ENEM de 2017. O tema abordou os desafios para formação educacional de surdos. Com base nisso, Daniella passou a trabalhar a inclusão de pessoas com deficiência em sala de aula e também no mercado de trabalho. “Pedi aos alunos que mencionassem se tinham colegas com alguma necessidade especial nas empresas onde estagiam”, relata. Deste modo, incentivou os alunos a produzirem um projeto que ajudasse nesse processo de integração.

Educação inclusiva

“No Brasil, o sistema de inclusão é muito lento e me surpreendi quando apareceu este tema no ENEM. Então, organizei palestras com convidados que falaram sobre integração de pessoas com deficiência nas empresas”, explica a professora. “Depois disso, em um módulo, falamos sobre inclusão, sobre as leis. Para isso, pedi apoio à docente de Direito do Curso Dual, professora Maria Cristina Fagundes de Almeida. Ela trouxe em suas aulas essa temática com o conteúdo sobre o amparo legal ao deficiente no ambiente corporativo. E no meio dessa vibração, pensamos em como colocar esse tema em prática. Entramos em contato com a biblioteca Braile do Centro Cultural São Paulo e perguntamos o que eles gostariam de ler e que ainda não está em braile. Eles nos deram uma lista de livros e escolhemos um com a maior aderência ao nosso curso”, afirma.

VEJA TAMBÉM: Novos capítulos do “Guia para Educador Inclusivo” estão disponíveis para download

Após lerem a obra e discutirem em sala de aula, os estudantes partiram para a gravação do livro no estúdio do Teatro Humboldt. Apesar de parecer simples, a professora destaca a necessidade de alinhar a questão de direitos autorais com a Editora. “Antes de gravar, tivemos a preocupação de entrar em contato com os editores. E eles tinham toda uma burocracia sobre direitos autorais. Nós assinamos contrato e os alunos também tiveram que assinar um contrato de cessão de voz. Além disso, a Biblioteca Braile precisa assinar um termo de recebimento deste audiolivro para garantir que ele não se torne um material pirata”, ressalta Daniella.

O impacto do projeto

Para tornar o projeto em realidade, Michelle Gonçalves, aluna da turma de Processos Gerenciais do ensino Dual, conta que os estudantes participaram de todos os processos. Desde o contato com a editora, até a edição e o envio para aprovação. “Eu senti, enquanto a estávamos gravando, que as pessoas estavam lá dando o máximo para ter um resultado legal. Eles estavam realmente empenhados em fazer um projeto bom para de fato incluir as pessoas com deficiência”, conta Michelle.

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Como a tecnologia pode colaborar por uma educação mais inclusiva

Imagem de uma adulta e uma criança sentadas observando algo em um computador
Imagem de uma adulta e uma criança sentadas observando algo em um computador
(Pixabay)

“Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil” foi o tema da redação da última edição do ENEM. Essa escolha provocou uma grande reflexão sobre a importância de discutir a educação inclusiva. Apesar de focar nos estudantes com deficiência auditiva, o assunto estimulou o debate sobre metodologias para incluir alunos com diferentes necessidades. 

A inclusão escolar de alunos deficientes no ensino regular tem crescido no país. O Censo Escolar do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), realizado em 2015, constata que o número de alunos deficientes no ensino regular aumentou 6,5 vezes em 10 anos: de 114.834, em 2005, para 750.983 em 2015. No entanto, precisamos evoluir nas metodologias que estão sendo adotadas. Assim, podemos realmente oferecer uma aprendizagem efetiva desses jovens. E estamos em um ótimo momento para isso. A Era Digital e o uso correto das novas tecnologias acaba sendo um grande aliado nisso.

Essas tecnologias estão sendo aplicadas na sala de aula para oferecer um aprendizado diferente para uma geração que nasceu digital. E quando o aluno possui alguma deficiência, essas ferramentas podem auxiliar na adaptação e no aprendizado coletivo. Macaé, município do estado do Rio de Janeiro, é um exemplo. A aluna do 1º ano do ensino fundamental, Luna Oliveira, está em investigação sobre a possibilidade de TDAH (Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade). Ela apresenta dificuldades para concluir suas atividades no mesmo ritmo dos outros colegas. Com metodologias como a Conecturma, que usa uma plataforma adaptativa e gamificada, ela já consegue acompanhar o grupo e se sente mais concentrada e engajada.

Por que isso acontece?

Pela afinidade com a tecnologia, o uso dessas ferramentas na sala de aula torna os alunos mais receptivos ao aprendizado. Um estudante com deficiência pode ficar muito mais concentrado quando são utilizados recursos que o estimulem de forma adequada. E a tecnologia possibilita a construção de múltiplos estímulos. Técnicas narrativas, plataforma de jogos e músicas, fantoches e outras atividades lúdicas que envolvam a cultura brasileira podem ser utilizados.

Esses recursos podem ser utilizados em atividades individuais ou coletivas. Assim, é possível desenvolver habilidades socioemocionais como respeito à diversidade e resolução de conflitos. Além da análise de problemas e tomadas de decisões, vivência cultural, estímulo ao autoconhecimento, entre outros. Em um sistema regular de ensino com alunos deficientes, não apenas o aprendizado deve ser adequado e atrativo. É preciso promover o respeito e o sentimento de pertencimento entre toda a comunidade escolar. Não devemos esquecer que a educação inclusiva é um direito garantido e foi criada para dar oportunidades para que todas as crianças e adolescentes façam parte do sistema regular de ensino, convivendo com a diferença e respeitando a diversidade.

Post com resumo e modificações produzidas pelo Caindo no Brasil da publicação “O que as novas tecnologias podem fazer pela educação inclusiva”, do repórter Rafael Parente, para o Porvir. Leia a matéria original e na íntegra clicando no link.

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Tornando espaços educativos mais inclusivos

Espaços educativos inclusivos
(Pixabay)

A deficiência é um tema de direitos humanos. E, como tal, obedece o princípio de que todo ser humano tem o direito de desfrutar das condições necessárias para seu desenvolvimento. Diversas inciativas estão sendo feitas no Brasil a favor da inclusão na educação, como o Prêmio Paratodos e o trabalho do Instituto Rodrigo Mendes. Apesar disso, a realidade dos espaços educativos inclusivos ainda está longe.

Foi a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência que reconheceu o valor de cada indivíduo, independente de sua funcionalidade. Promulgada em 2007, ela apresentou linhas de ação que permitam que pessoas com deficiência vivam de forma independente e participem plenamente de todos os aspectos da vida.

No Brasil, 23,9% da população total têm algum tipo de deficiência – visual, auditiva, motora e mental ou intelectual. Dessas pessoas – que somam 45.606.048! – 7,53% têm de 0 a 14 anos e 24,94% de 15 a 64 anos. As dificuldades de acesso à educação, saúde, trabalho e mobilidade que enfrentam as pessoas com deficiência revelam a importância de políticas públicas inclusivas.

Na educação, as pessoas com deficiência apresentam taxas de alfabetização menores do que a população total em todas as regiões brasileiras. E, apesar de todos terem direito à educação obrigatória e gratuita, 61,1% dessas pessoas não têm instrução e fundamental completo. Enquanto a taxa para pessoas sem nenhuma deficiência é de 38,2%. É uma baita diferença, não é?

De acordo com o Relatório da Situação da Infância e Adolescência Brasileira do UNICEF, crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos com qualquer tipo de deficiência têm o dobro de chance de estarem fora da escola. Isso é consequência, entre outros fatores, da falta de transporte adaptado, escassez professores treinados, equipamento, material didático e acesso à infraestrutura de ensino adequado. Ou seja, a busca por espaços educativos mais inclusivos está diretamente relacionada com o combate a evasão escolar.

Entendemos que a educação é essencial para o desenvolvimento sustentável do país, e esse desenvolvimento depende da inclusão de todos!

Com a ajuda do livro “Educação Inclusiva: o que o professor tem a ver com isso?”, selecionamos as dúvidas mais comuns entre educadore/as sobre educação inclusiva. Vamos lá?

1) O que o governo está fazendo para formar os/as educadores/as na temática de educação inclusiva?

Uma das maiores referências em capacitação a nível público nacional é a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi). Em articulação com os sistemas de ensino, ela implementa políticas educacionais nas áreas de alfabetização e educação de jovens e adultos, educação ambiental, educação em direitos humanos e educação especial.

O objetivo da Secadi é contribuir para o desenvolvimento inclusivo dos sistemas de ensino, voltado à valorização das diferenças e da diversidade, à promoção da educação inclusiva, dos direitos humanos e da sustentabilidade socioambiental, visando à efetivação de políticas públicas transversais e intersetoriais. Formações como, PROINESP (Programa de Informática Especial), Programa Educação Inclusiva, Formação em braile e libras, são algumas das informações oferecidas pelo Secadi. Materiais didáticos podem ser encontrados aqui.

2) Estes cursos são suficientes para formar o educador?

Na maioria das vezes não, porque não contemplam todos os professores. Outro ponto importante é que a formação deveria ser permanente, contínua, e não pontual como é hoje. Com as novas tecnologias, este recurso deve estar alinhado com as práticas apreendidas nas formações. Além dos espaços formais de formação de educadores/as, a troca de experiências com colegas de profissão é essencial!

3) O que é um/a professor/a especializado/a em educação especial?

É aquele ou aquela que desenvolveram competências para identificar as necessidades educacionais de cada aluno ou aluna! Esses professores promovem estratégias de flexibilização e adaptação curricular. Eles também atuam com práticas pedagógicas alternativas, de forma a incluir o aluno ou aluna com deficiência.

Além disso, o professor especializado têm um papel muito importante na formação de outros educadores para o atendimento adequado dos alunos e alunas com deficiência.

Para se especializar em educação especial, o educador deve cursar faculdade de pedagogia. Ele ainda precisa também de formação em cursos de licenciatura em educação especial, complementação de estudos ou pós-graduação em áreas específicas de educação especial.

4) O que fazer quando o/a aluno/a com deficiência é discriminado em espaços educativos?

O aluno com deficiência precisa que sua diferença seja respeitada. E isso não significa que deve ter privilégios em relação aos outros colegas! O educador não pode negar a diferença, mas trabalhar com toda a turma para que ela seja compreendida como uma característica do ser humano e que ela não tira a dignidade de ninguém.

É importante lembrar que muitas vezes os recursos existem, mas o acesso é dificultado por preconceitos, discriminação e negligência. Além disso, há também a falta de conhecimento sobre as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência. O papel de educadores e educadoras é lutar contra esses fatores que geram desigualdades. Com isso, eles promovem uma educação mais inclusiva e um mundo participativo e plural.

Matéria publicada pela Viração.

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Modalidades olímpicas e paralímpicas chegarão aos CEUs e outras escolas de ensino municipal

A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME-SP), em parceria com o Instituto Península, irá implementar, em até quatro anos, o Programa Impulsiona. A iniciativa beneficiará a rede municipal e CEUs com materiais didáticos de referência sobre a temática educação esportiva, capacitação esportiva de educadores e cursos à distância oferecidos no portal  www.impulsiona.org.br e podem ser acessados por qualquer professor da rede pública e privada.

Com a parceria, o programa pretende fortalecer a política pública municipal de educação integral. Assim, cria oportunidades para que os professores possam ampliar a oferta de novos esportes para todos os alunos. O objetivo é tornar seu acesso mais inclusivo. Desta forma, modalidades como rugby, goalball, hóquei, badminton e atletismo farão parte da rotina de qualquer escola. Isso independentemente de sua infraestrutura. O programa prevê a utilização de materiais alternativos, construção coletiva com os alunos e adaptação de espaços.

impulsiona-educacao

Heloisa Morel, do Instituto Península, fala sobre a importância do Impulsiona. “Com esta iniciativa, queremos ampliar e fortalecer a educação esportiva, entendendo o esporte, acima de tudo, como um instrumento pedagógico capaz de agregar valor à educação, ao desenvolvimento das competências socioemocionais e à formação integral dos indivíduos”. Serão oferecidas formações presenciais para coordenadores pedagógicos, professores de Educação Física e orientadores de alunos líderes para 120 escolas.  A adesão da escola para estas oficinas esportivas é voluntária e todas as Diretorias Regionais de Ensino podem participar. As inscrições para as oficinas presenciais serão realizadas no portal do Impulsiona, e estarão disponíveis para qualquer professor de educação física da SME-SP.

Durante todo o ano letivo de 2017 serão realizadas 26 turmas de oficinas esportivas, também divididas em duas fases. Cada oficina será ministrada em um encontro de 4 horas. Nele, o professor de educação física será apresentado a um novo esporte. O educador também receberá dicas necessárias para incorporá-lo às suas aulas.

Essa ação complementa o Programa CEU Olímpico. A iniciativa visa incentivar a prática esportiva, de maneira que este hábito faça parte do cotidiano dos estudantes. A expectativa é atender cerca de 3.680 alunos nos 46 CEUs da capital. Conheça outros projetos do Instituto Península para incentivar o esporte na escola.

qedu-impulsionaO PROGRAMA IMPULSIONA AJUDA O BRASIL A VENCER O DESAFIO DE INTRODUZIR E VALORIZAR OS DIVERSOS TIPOS DE ESPORTE NA ESCOLA. DE ACORDO COM O CENSO ESCOLAR 2015, APENAS 22% DAS ESCOLAS MUNICIPAIS DO PAÍS POSSUEM QUADRA DE ESPORTES NAS SUAS DEPENDÊNCIAS. NA CIDADE DE SÃO PAULO, ESSE NÚMERO MELHORA E ALCANÇA 51%, SEGUNDO ANÁLISE DO QEDU.
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11 tendências da educação brasileira para 2018

Quais são as tendências da educação para 2018 e quem são as pessoas que estão trabalhando para concretizar essas ações? A educação brasileira teve avanços e desafios em 2017. Por um lado, muitas iniciativas foram interrompidas por causa da crise ou episódios como a tragédia de Janaúba mostraram como existem professores que fazem muito mais do que dar aula. Por outro, um número incontável de educadores, empreendedores e outros profissionais da educação tiveram um ano de muitas conquistas.

Conhecendo as tendências da educação brasileira para 2018

Mapeamos quase 100 experiências neste post. Aqui, separamos as 11 pessoas ou iniciativas que mais se destacaram no ecossistema de educação e inovação. Veja quem são as pessoas e projetos que precisamos ficar de olho em 2018:

Projeto Mulheres InspiradorasGina Vieira posa para foto sorrindo

Iniciativa criada em 2014 com o objetivo de incentivar a valorização da figura feminina através de exemplos inspiradores. Em 2016, recebeu apoio da Corporação Andina de Fomento, um banco de desenvolvimento social.  A Organização de Estados Ibero-americanos se propôs a ser gestora dos recursos. O Governo de Brasília aceitou a parceria, tendo o papel de colocar a Secretaria de Educação como articuladora e executora.

“Assim, conseguimos definir um desenho do programa que tem como principal pilar o fortalecimento da formação das professoras, o fomento à leitura e à escrita autoral, a valorização do Protagonismo Juvenil e a concepção do professor como Intelectual transformador, protagonista da própria prática”, contou a professora Gina Vieira, fundadora do projeto.

Em 2017, foram 17 escolas atendidas, 48 professores e professoras em formação e mais de 3.000 estudantes integrados ao programa. O projeto distribuiu mais de 1500 livros, organizou quase 60 palestras e recebeu 5 prêmios (Prêmio Grandes Educadores, do UniProjeção; Prêmio Medalha Mérito Buriti, do Governo de Brasília; Prêmio Igualdades de Gênero na Cultura, da Secretaria de Cultura; Finalista no Prêmio Cláudia, na categoria Trabalho Social; e Prêmio WEDO, Mulheres Empreendedoras).

Para o ano de 2018, a perspectiva é tornar o programa uma política pública. Assim, não há risco que seja enfraquecido a cada nova gestão que assumir a educação no DF.

Fast Food da Política

A Fast Food da Política desenvolve ferramentas educacionais abertas para promover o entendimento das regras que regem a Política, sua estrutura, processos e personagens. Em 2017, criou seu conselho consultivo, foi certificado como Tecnologia Social pelo ITS e Fundação Banco do Brasil. Eles também foram aprovados no Concurso de Projetos 2017 da Fundação Arymax. Além disso, realizaram dois projetos com a Prefeitura de São Paulo pelo programa Agentes de Governo Aberto.

Imagem de uma mulher sorrindo enquanto joga o jogo do Fast Food da Política

“Ganhar o prêmio de Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil na categoria Educação foi muito importante e gratificante. Para nós é um reconhecimento que a temática é urgente e necessária. Em tempos onde projetos de intolerância política buscam terreno, uma iniciativa que fortalece a democracia e a diversidade ser reconhecida é motivo de esperança”, contou Júlia Carvalho, uma das fundadoras da iniciativa.

O Fast Food também ampliou sua atuação a partir de produtos e formações. A iniciativa desenvolveu e realizou uma série de cursos gamificados sobre educação política, educação de gênero e gamificação política. A iniciativa também disponibilizou os jogos online para download. Os pontos altos da produção foram o lançamento do projeto Molho Especial – jogos sobre Gênero e Política na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Além disso, fez formação da primeira turma de Multiplicadores Oficiais Fast Food da Política.

Datapedia

Imagem com o texto "Prêmio Veja-se" em um fundo laranjaO Datapedia consolida dados públicos em uma plataforma única, acessível e pública, facilitando o entendimento de dados de todas as cidades brasileiras. Uma das tendências da educação é trabalhar com base em análise de dados. Em 2017, eles lançaram o site, que já teve mais de 200 mil visualizações. A startup também iniciou vários projetos com governos e outras organizações. Indicado para o prêmio Veja-se na categoria de Políticas Públicas, a iniciativa acabou de fechar uma grande parceria com Itaipu. “O Projeto Site de Passargada – para criar um modelo ideal de site para prefeituras do Brasil seguirem a LAI, transparência e serviços para cidadãos”, contou Marcos Silveira, fundador da Datapedia.

Seminário Amplifica

Imagem de divulgação do Amplifica, e ao fundo a imagem de um auditório cheio de pessoas com as mãos levantadas

Essa iniciativa que foca na capacitação de educadores para a transformação da sala de aula com ferramentas digitais colaborativas Google fez barulho em 2017. Foram quase 10 edições em todo o Brasil – uma delas sendo a edição internacional. O Amplifica também conquistou um público fiel no Amplifix, as lives semanais que as organizadoras realizam via Facebook.

O projeto também criou um programa de Bootcamp para ajudar os educadores a se certificarem e se qualificarem ainda mais para o mercado. Carla Arena, uma das criadoras da iniciativa, conta: “O resultado nos deixou radiantes e confiantes de que estamos trilhando um caminho em que o professor se sente acolhido e apoiado”.

Alex Bretas

Em 2017, Alex abriu a primeira turma da Multiversidade. A iniciativa é uma comunidade de aprendizes autônomos ou, se você preferir, uma “universidade para autodidatas”. O aprendizado autônomo também é um das tendências da educação no Brasil. “Superamos a dificuldade de comunicação que costuma ocorrer em projetos de inovação e acabamos com uma lista de espera de mais de 250 pessoas para as próximas turmas”, contou. No trajeto, a Multiversidade teve oportunidade de apresentar a proposta em vários lugares, dentre eles na Romênia, na sede da Universidade Alternativa, um de seus parceiros internacionais.

Conrado SchlochauerImagem branco e preto de Conrado Schlochauer

Sócio-fundador da Affero Lab, começou 2017 ajudando na criação da Multiversidade e encerrou o ano como embaixador responsável por trazer a Singularity University para São Paulo.

Na Affero Lab, o ponto alto foi a disseminação da Nextpedia. A iniciativa é um modelo usa sala de aula invertida e considera o antes e depois da aula tão importante quanto o momento da instrução. “A Multiversidade foi uma grande conquista e, especialmente, fonte de aprendizado. Tendo feito doutorado em aprendizado autodirigido, está sendo lindo ver a criação de uma comunidade democrática de aprendizado”, contou.

Numi Educação

Imagem de oito meninas e mulheres sorrindo e segurando uma mini lousa com o texto "Bem-vindos ao The Chef Experience"

A Numi é uma escola criativa que oferece experiências para despertar a inteligência emocional em crianças e adolescentes. Uma das tendências da educação é desenvolver competências socioemocionais a partir de atividades práticas e significativas. Em seu primeiro ano oficial, já realizam 10 cursos com mais de 50 crianças e jovens. Encerraram 2017 com a inauguração de um espaço próprio que dará mais força e novas perspectivas para 2018.

Mentoring Young Talents Brazil

Projeto que oferece mentoria gratuita aos alunos do ensino médio público e organiza uma rede de jovens de todo o país que trocam experiências e oportunidades em um grupo de Facebook. Em 2017, participou de eventos como a Conferência Mapa Educação, Campus Party e TEDxItajubá. Também começaram a ser acelerados pelo Instituto Legado. A organização apoiou a reorganização do projeto e uma ampliação da estrutura operacional e organizacional para 2018.

Rafael Parente

PhD em educação (NYU), CEO da Aondê/Conecturma, presidente do conselho do CEIPE e sócio-efetivo do Movimento Todos pela Educação. Fundou e dirigiu o LABi, Laboratório de Inovação Educacional, de 2014 a 2017. Foi subsecretário na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro de 2009 a 2013.

Nesse ano, Rafael teve grandes conquistas com a Conecturma. Foram mais de 10 mil alunos usando a metodologia. Também firmou parcerias com o Google para desenvolvimento de jogos de realidade virtual e aumentada e com Porvir e Canal Futura para a criação do programa Educação na Veia. Rafael ainda está desenvolvendo o Conecturma Mini, para crianças de 3 a 5 anos. Trabalhar com tecnologia apoiando a educação continua um ponto forte e pode ser uma das tendências da educação de 2018.

Junto com isso, Rafael e sua equipe também começaram um grande projeto em Goiás, com 5 mil crianças. Lá, vão trabalhar para modernizar 200 escolas por ano. Para isso, trabalharão com infraestrutura tecnológica, formação de professores e gestores, metodologias e materiais inovadores.

Instituto Rodrigo Mendes

O IRM teve um ano e tanto. O Portal Diversa, que apoia redes de ensino no atendimento de alunos com deficiência na escola regular, ganhou destaque e novas seções. A iniciativa também participou de grandes eventos e ganhou prêmios nacionais e internacionais.

Após sua participação no painel “O impacto transformador do esporte” no World Forum on Sport and Culture, realizado no Japão pelo Fórum Econômico Mundial, Rodrigo Hübner Mendes palestrou no TEDxEducação. O Instituto também venceu a etapa nacional do World Summit Award (WSA) 2017, levou o Leão de Prata no Prêmio Cannes Lions Festival of Creativity e conquistou o Grande Clio de Entretenimento.

Em outubro, Rodrigo Hübner Mendes foi homenageado na 15ª edição do jantar de gala da ONG em Nova Iorque. O evento marcou o lançamento da iniciativa Abrace o Brasil, da qual o IRM participa com a campanha Abrace a Comunidade DIVERSA. O instituto também apoiou a criação de uma política nacional de educação especial em Angola e alcançou mais de 20 mil usuários em seus debates via Facebook.

Noc Educação

Um dos cursos de pré-vestibular que mais dá acesso à jovens de baixa renda, a Noc beneficiou 400 alunos em 2017 e conquistou prêmios e parcerias. “Uma conquista legal desse ano foi ter sido premiada em inovação social pelo Acelera FIESP, dentre 22500 organizações participantes!”, contou Luis Mendes, fundador da Noc.

O destaque do ano foi a parceria com o Instituto Acqua. Com ela, foi criado o projeto Universidade Cidadã. A iniciativa oferece curso preparatório gratuito para jovens de baixa renda e teve atuação no Maranhão e Santo André. Em 2017, contou com a participação da Casa1, uma república de acolhimento para LGBTs que foram expulsos de suas casas.

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Teatro em libras: a arte como ponte entre os mundos surdo e ouvinte

Teatro em Libras

Em um mundo predominantemente ouvinte, pouco se compreende e se discute sobre o acesso da população surda aos debates da agenda política do país. Ao mesmo tempo, quase não há espaço para apreciação e valorização da cultura surda, e da forma com que esta possibilita um outro jeito de ver o mundo. Com o objetivo de responder a estes desafios, e buscando a inclusão de adolescentes surdos no contexto do mundo ouvinte, a Escola Municipal de Educação Bilíngue para Surdos (EMEBS) Vera Lúcia Aparecida Ribeiro, em São Paulo, realiza o projeto Teatro em LIBRAS.

Em 2016, no contexto da crise política que levou ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff, a professora Maria Aparecida Pereira de Castro Augusto, responsável pelo projeto, identificou que seus estudantes estavam à margem da discussão que envolvia o país. Eles não tinham acesso a diferentes fontes de informação e com pouca contextualização dos fatos e eventos políticos que diariamente se encontravam na pauta nacional.  “Eles liam no jornal, mas a família não explicava o que acontecia, faltava a contextualização. Nisso, pensamos em fomentar uma abordagem crítica, que valorizasse a multiplicidade de fontes de informação, mas sem emitir opinião sobre o que acontecia, deixando que eles decidissem isso”, explica Maria Aparecida, lembrando que, muitas vezes, o repertório em LIBRAS dos familiares é insuficiente para discutir cenários ou situações complexas.

Teatro em Libras

Para falar de política com adolescentes de 7°, 8° e 9° anos, a professora, em diálogo com seus pares, deu início a rodas de conversa com os estudantes. Nelas, o grupo conversava sobre o que estava acontecendo no país, mobilizando diferentes veículos de mídia como fontes de informação. Em seguida, trabalhou-se a diferença de discursos destes veículos, e a relação e poder da mídia na sociedade, utilizando a leitura do clássico de George Orwell, “A revolução dos bichos”. Com os estudantes bastante mobilizados e interessados no texto, surgiu a ideia de montar uma peça, aberta à comunidade, encenada e produzida pelos estudantes surdos.

Direitos em cena

Muitos dos estudantes já acessavam o teatro com alguma regularidade. A escola recebe convites com frequência para apresentações de teatro com intérpretes em LIBRAS. Contudo, com a proposta de reconhecer e valorizar os estudantes em sua própria língua, os 28 alunos que participaram da produção elaboraram e apresentaram a peça em LIBRAS. Os professores foram intérpretes para o português para a plateia ouvinte.

Para a construção do texto em LIBRAS são muitos os processos. Entre eles, adaptação do texto verbal em gestos. Posteriormente, contextualização das emoções, entrelinhas, sugestões e figuras de linguagem presentes no universo falado. O projeto envolveu estudantes, professores, familiares e parceiros da comunidade no processo. A peça se tornou importante ferramenta para fomentar a inclusão e a sociabilização dos alunos surdos. Assim, desenvolveu suas habilidades artísticas, de comunicação e de compreensão do mundo, que muitas vezes está distante.  “Ficou perceptível como o teatro fez deles um grupo mais coeso e com vontade de crescer intelectualmente e ampliar seu repertório cultural”, descreve a professora. Ela afirmou que o impacto foi tão grande que motivou os alunos do ano seguinte a seguir com o projeto.

“A volta ao mundo em 180 gestos”

Em 2017, o projeto teve sequência com a montagem e encenação de “A volta ao mundo em 180 gestos”. A iniciativa teve ainda maior produção autoral das meninas e meninos. Encenada em 22 de novembro no CEU Vila Atlântica, alunos da EMEBS apresentaram aos ouvintes de diversas escolas da região. Tratava-se de um enredo que discutia algumas das tradições de seis países ao redor do globo. Baseada na leitura da obra de “A volta ao mundo em 80 dias”, de Júlio Verne. Diferente da primeira, não foi traduzida e sim toda interpretada com gestos e linguagem corporal.

“A LIBRAS é a segunda língua mais falada do Brasil. É muito rica, mas ainda ignorada. Ao apresentar uma peça para pessoas da mesma faixa etária, buscamos iniciar a discussão sobre a cultura surda”, explica. “E o teatro é universal. Para meus alunos, é um empoderamento saber que, quando estão no palco, todos podem entendê-los ”, conclui.

Matéria publicada pelo Portal Aprendiz

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Prêmio valoriza professores com projetos de educação esportiva inclusiva

Educação esportiva inclusiva: você acredita que o esporte pode ser um aliado na inclusão escolar de estudantes com e sem deficiência? O Instituto Península ofereceu uma experiência interessante para os cinco vencedores da categoria “Esporte como estratégia de aprendizagem”. Eles tiveram a oportunidade visitar o Núcleo de Alto Rendimento de São Paulo (NAR). Lá, assistiram a uma palestra de Rodrigo Mendes e também ganharam um kit com equipamentos de miniatletismo.

Os professores Alison Pereira Batista de Parnamirim (RN), Elionaldo Bringel de Lima de Petrolina (PE), Jairo Silva de Araujo de Manaus (AM), Shirlei dos Santos Catao de Boa Vista (RR) e Zenith Pereira de Araguaína (TO) passaram o dia no NAR. Eles tiveram acesso a atletas de alto rendimento e conheceram a rotina de treinamentos que leva estes profissionais à excelência no esporte.

Palestra com Rodrigo Mendes

Educação esportiva
Rodrigo Mendes, fundador do Instituto Singularidades, na sua palestra para os vencedores do Prêmio (Divulgação)

Eles ainda ouviram a história de superação de Rodrigo Mendes. Fundador de Instituto Rodrigo Mendes, busca colaborar para que toda pessoa com deficiência tenha uma educação de qualidade na escola comum. Rodrigo, que dirigiu um carro de Fórmula 1 com o cérebro, falou sobre a importância do esporte como ferramenta de inclusão.

A visita ao NAR e a palestra de Rodrigo Mendes foram realizadas no dia 19 de dezembro. Nesta edição, o Instituto Península esteve presente também com três de suas iniciativas. O programa de educação esportiva Impulsiona, o NAR e o Singularidades. O instituto patrocina a categoria “Esporte como estratégia de aprendizagem”. Ele tem o objetivo de incentivar a educação esportiva nas escolas de todo o Brasil.

O Prêmio Professores do Brasil recebeu este ano mais de 3 mil inscrições de docentes do todo o país. A cerimônia de entrega dos prêmios foi realizada no dia 18 de dezembro, na Praça das Artes, em São Paulo. O evento contou com a presença de professores e diretores das 30 escolas vencedoras da etapa nacional.

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Prêmio de Inclusão Escolar para professores está com inscrições abertas

Inclusão EscolarA Paratodos, em parceria com os Institutos Lecca, Mara Gabrilli e Rodrigo Mendes, está promovendo a segunda edição do Prêmio Paratodos de Inclusão Escolar. A iniciativa tem como objetivo premiar experiências pedagógicas inclusivas que foram desenvolvidas por professores das instituições de ensino regulares do país.

As inscrições podem ser feitas por professores da rede pública e da rede particular. Em 2016, os trabalhos aceitos eram restritos apenas para a Educação Infantil e Ensino Médio. Já a edição deste ano está aceitando projetos também do ensino Superior.

Professores de todo o Brasil podem inscrever sua experiência pedagógica dos anos letivos de 2016 e 2017. Junto com os relatos, é possível também anexar vídeos, aplicativos, projetos pedagógicos ou fotografias que apresentem ou ilustrem melhor a ideia.

Segundo a pesquisa Engajamento Escolar, da Galeria de Estudos e Avaliação de Iniciativas Públicas (GESTA), criada pela fundação Brava, jovens com deficiências ou doenças graves (crônicas ou contagiosas), portadores de necessidades especiais, ou até mesmo temporariamente enfermos muitas vezes são impossibilitados de acompanhar o conteúdo ou até mesmo de comparecer às aulas, contribuindo para aumentar os índices de evasão e abandono. Mais de 5% dos jovens declaram ter abandonado a escola por esse tipo de impedimento.

Prêmio e divulgação do seu projeto

O prêmio tem o propósito de reconhecer, estimular e disseminar ações inclusivas em todos os segmentos da educação. O vencedor do prêmio receberá um tablet, e os melhores relatos serão divulgados no Diversa. A plataforma, do Instituo Rodrigo Mendes promove uma troca de experiências e construção de conhecimento sobre educação inclusiva. As escolas nas quais foram desenvolvidas as experiências selecionadas como finalistas também serão premiadas com placas comemorativas.

Inscreva-se e veja mais detalhes no site do Paratodos.

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“Assim como inglês, língua de sinais deve ser disciplina curricular”

Matéria publicada pela Revista Galileu

A educação de surdos foi tema no Enem 2017. Em uma sala de aula do9º do Ensino Fundamental, um simples jogo de par ou ímpar se tornou um desafio para um estudante. Com deficiência auditiva, o jovem não compreendia que havia um número sendo mostrado, mas tentava interpretar se aquela disposição da mão significava um sinal em Libras. “Quem tem deficiência auditiva e sabe Libras tem um reconhecimento visuo-espacial. Ou seja, quando você faz um movimento com as mãos, ele imediatamente procura o significado daquilo”, afirma Diany Nakamura. Hoje, ela é estudante de Licenciatura em Matemática da Universidade de São Paulo (USP).

A criança teve seu ensino prejudicado pela ausência de intérprete na sala de aula. Percebendo essa dificuldade, Nakamura começou a estudar formas de facilitar o aprendizado. O simples fato de adotar um sinal de Língua Brasileira de Sinais (Libras) que representasse os números no lugar de fazer os números na mão já representou um avanço.

O caso é um exemplo da importância da linguagem para o aprendizado, até quando o foco é lidar com números. “O principal desafio para ensinar qualquer disciplina para o surdo é a língua. Somos uma sociedade majoritariamente ouvinte, e o surdo, inserido nela, tem uma diferença linguística”, afirma a professora Adriana Bellotti, do ICMC.

Educação de surdos

Acesso ao ao aprendizado da Libras

De acordo com a professora, boa parte dessa dificuldade é o atraso com que as crianças têm acesso ao aprendizado da Libras. “A língua de sinais tem de ser a primeira língua para o aluno surdo, pois é por meio dela que ele forma seus conceitos no ensino de matemática”, conta. “Para ele compreender o conceito, precisa ter uma língua, que o faz compreender tudo, para que a conhecimento dele também evolua. Linguagem e cognição andam sempre juntos”.

O ideal é que o ensino da língua de sinais comece assim que a surdez for diagnosticada.  Assim, quando chegar na escola, a criança não demorará para conseguir acompanhar a turma. Mas é fundamental, também, que a escola seja preparada. “Esse aluno está inserido num ambiente ouvinte, mas ele tem um contato mínimo com seus colegas porque muitos não sabem se comunicar com ele. Então, ele fica restrito ao intérprete”, ela afirma.

E isso resulta em uma situação onde o intérprete acaba se responsabilizando pelo aluno, quando essa função deveria ser do professor. “Essa relação entre professor e aluno deveria ser mais próxima por meio de um conhecimento básico da língua de sinais. O professor não precisa ter domínio completo da língua. É preciso pelo menos, um conhecimento mínimo para incluir o aluno no contexto das explicações”, diz.

Educação de surdos deve estar nas grades dos cursos de licenciatura

Desde 2005, um decreto determina que os  cursos de licenciatura no país devem oferecer uma disciplina curricular obrigatória de Libras. Pedagoga e doutora em educação, é Adriana a responsável pela disciplina na USP. Ela dedica sua carreira acadêmica à pesquisa e docência na área de educação de surdos

O desafio é grande. Um exemplo é a geometria. Inicialmente, achamos que é mais simples para os alunos surdos aprenderem esse conteúdo, por ser mais visual. Apesar de captar a imagem com mais facilidade, eles ainda precisam compreender o conceito do que é um triângulo, qual seu sinal, o que são ângulos, por exemplo. “Temos que proporcionar atividades práticas para que ele compreenda o conceito”.

Para Adriana, o ideal seria que toda a sociedade aprendesse pelo menos um básico da linguagem de sinais. “As pessoas precisam valorizá-la enquanto língua, em vez de gestos ou mímica. Ela tem características próprias que a definem enquanto meio de comunicação e expressão da comunidade surda”, afirma a professora, que complementa. “Se é importante, assim como o inglês ou espanhol, por que não ser uma disciplina curricular para as crianças? Se for assim, no momento em que elas precisarem usar a Libras, será natural”.

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Papai Noel aprende língua de sinais para atender crianças surdas em São José

José Mário Graciano, 68 anos, que atua há dez anos como papai noel, aprendeu há três a linguagem. Ele atende em um shopping.

Um papai noel aprendeu a língua brasileira de sinais (libras) para atender crianças com deficiência auditiva neste Natal. Segundo José Mário Graciano, de 68 anos, e que atua há dez como personagem, o aprendizado foi há três para que conseguisse se comunicar com as crianças, sem restrições.

Graciano conta que decidiu fazer a especialização depois de ser surpreendido por uma criança surda que não conseguir se comunicar. “Eu estava preparado para mais um ano como todos os outros, quando fui surpreendido por dois jovens surdos. Eu não sabia o que fazer, não podia fazer com eles o que todo papai noel faz, que é ouvir o pedido. Foi quando fui pesquisar o que podia fazer e descobri o curso de libras”, conta Graciano.

Escolha

Mais que barba branca e a afinidade com as crianças, saber libras foi decisivo na hora da contratação, segundo a gerência do centro de compras, que pelo primeiro ano tem um Papai Noel inclusivo.

A aposta está fazendo sucesso e nesta terça-feira (12) ele recebeu a visita de cerca de 30 crianças da Associação de Apoio Ao Deficiente Auditivo (AADA). O Ricardo é uma das crianças e este ano ele conseguiu fazer o seu pedido: um cachorro de estimação.

Para a psicopedagoga da associação, Jussara Alvarenga, a habilidade do papai noel é um passo a mais paraa criação de uma sociedade inclusiva. “É tão comum para as crianças irem ao shopping nessa época do ano e fazerem seus pedidos. Isso precisa ser para eles também. Essa comunicação direta não tem preço”, comenta.

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Educação e síndrome de Down: estímulo é a palavra-chave

síndrome de Down

Karina Gouvea tem 38 anos e leva uma vida cultural agitada: congressos, viagens e namoro. Desde os 16, conquista sua independência e já trabalhou em vários lugares. Hoje atua na parte de assistência administrativa de uma empresa multinacional. “Entrego malotes, correspondências e materiais de escritório”, conta.

Aos três anos de idade, Karina foi diagnosticada com síndrome de Down. A família optou por uma escola regular, junto com os outros dois irmãos. Foi assim até concluir o ensino médio e depois cursos profissionalizantes. A mãe, Gislene Gouvea, afirma que a escolha do colégio foi pensando na autonomia e adaptação para os outros espaços sociais.

“Tive muita dificuldade em matemática, mas gostava de português, história e física”, relembra Karina. Durante o colégio, além de um curto período de fonoterapia, ela contou com a ajuda de uma professora auxiliar no contraturno. A profissional ficava disponível para todos os alunos. O gosto pela arte, também entre suas disciplinas favoritas quando criança. Isso influenciou a participação posteriormente em aulas de dança, fotografia, pintura e teatro.

síndrome de Down
Karina Gouvea e a mãe Gislene. Trabalhando desde os 16 anos e com ensino médio completo, Karina Gouvea teve grande incentivo da arte (Reprodução/Catraquinha)

Estimular é necessário

“As grandes conquistas estão relacionadas aos estímulos que recebem desde cedo e o tripé fundamental é a família, a escola e a terapia”, garante a fonoaudióloga Christiane Caruzzo. Ela relata que as crianças, em geral, reagem de maneiras diferentes aos estímulos. Por isso, é importante levar em conta a individualidade de cada um.

Em relação às crianças com síndrome de Down, a fonoaudióloga aponta algumas características que podem afetar o desenvolvimento cognitivo. Entre elas, estão a apraxia da fala, uma dificuldade de programação e planejamento dos movimentos motores. Além disso, a memorização de curto prazo. “É importante trabalhar de forma lenta, repetida e com elementos concretos”, afirma.

Seu filho Henrique, de setes anos, tem síndrome de Down e frequenta o primeiro ano do ensino fundamental. Com ele, ela utiliza o trabalho manual, com auxílio de letrinhas de madeira para a formação de palavras. “Na educação infantil eles acompanham as crianças do ensino regular, mas no ensino fundamental o atraso fica mais evidente”, observa.

Conheça alguns métodos

Mesmo com o trabalho e as pesquisas no Brasil sendo recentes, segundo ela, alguns métodos interessantes podem ser destacados no processo de alfabetização: método dos dedinhosmultigestos e a utilização de aplicativos, que estimulam não apenas linguagem auditiva, mas sobretudo a visão.

Na opinião da especialista em políticas de educação e fundadora do Movimento Down, Maria Antônia Goulart, o maior ou menor acesso a essas terapias faz diferença para que a criança desenvolva algumas habilidades, como de motricidade e linguagem, que impactam diretamente na aprendizagem.

“Mas esses serviços ainda são pouco oferecidos no (SUS) Sistema Único de Saúde. Isso significa, na prática, que crianças que têm melhores condições financeiras acabam tendo mais condições de avançar no seu desenvolvimento”, aponta.

Autonomia e interpretação

Amante dos livros que ganha desde a infância, Tamile Ritzmann Fronczak sonha em ser professora. Aos 23 anos, ela cursa o segundo semestre de Pedagogia na Universidade Positivo, em Curitiba. Uma vez por semana, faz estágio de observação em uma escola infantil.

Com miopia e após uma cirurgia no coração, a estudante teve o apoio de vários profissionais e atividades para ter bons resultados quando criança: educadora visual, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicopedagoga, além de estimulação aquática e programas de enriquecimento instrumental.

Mas se houve um fator indispensável para trabalhar a comunicação, de acordo com sua mãe, Maria Teresinha, foi a oportunidade de convívio. Ela lembra que a filha teve dificuldade de locomoção, mas que os colegas ajudavam Tamile a chegar ao parquinho da escola. Enquanto ela começava a andar, os colegas aprendiam o significado da solidariedade.

“Precisamos desmistificar a deficiência, pois todos nós temos necessidades diferentes em algum momento da vida. Na escola pública, por exemplo, alguns alunos chegam com fome, o que também afeta o processo de educação e vai demandar auxílio”, diz Teresinha.

síndrome de Down
Tamile Ritzmann Fronczak está no segundo semestre de Pedagogia e faz estágio em uma escola infantil (Reprodução/Catraquinha)

Estimulação precoce

Para a mãe, a estimulação precoce e a oferta de experiências diversificadas ao longo da vida de Tamile também foram a base para para construir uma leitura do mundo após sua alfabetização. Em casa, quando criança, Tamile tinha a tarefa de fazer a lista de compras semanal. Ela observava o que estava faltando na geladeira e copiando o nome dos produtos. “Se ela não colocava na lista, nós não comprávamos, então ela sentia a responsabilidade daquilo”. Além disso, os pais desenhavam mapas com sinalização quando saíam de casa, para ela aprender a se localizar desde cedo.

Hoje, a universidade se adaptou para atender as necessidades específicas da aluna. A instituição disponibiliza uma professora auxiliar e reduzindo a carga horária, para garantir o apoio no contraturno. Todas as janelas da semana estão preenchidas e, nesse meio tempo, já leu uma obra inteira do pedagogo e filósofo Paulo Freire. E as palavras que Tamile escolheu para escrever as páginas da própria vida, também parecem ser aquelas destacadas no livro do autor admirado por ela: educação e autonomia.

Números

No Brasil, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, 2013, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 0,8% da população têm algum tipo de deficiência intelectual. Deste total, 54% tem um grau intenso ou muito intenso de limitação. Apesar disso, ainda não se sabe o número exato de brasileiros com síndrome de Down. Neste caso, é utilizada a estimativa da Organização Mundial de Saúde de que, no mundo, uma em cada setecentas crianças nasce com síndrome de Down. O Movimento Down organiza uma campanha pela notificação dos nascimentos: Notificar Importa!

Conhecendo os direitos

Reconhecer que cada pessoa tem necessidades específicas é o ponto de partida para o desenvolvimento de políticas que garantam a inclusão. E, sendo a escola um dos primeiros espaços de aprendizagem coletiva, ela se torna um ambiente indispensável para que crianças desafiem suas dificuldades e demonstrem habilidades.

“A educação inclusiva é aquela realizada em sala de aula regular ou comum, que atende a toda a diversidade dos estudantes matriculados, incluindo alunos com e sem deficiência. A premissa é a de que pessoas diferentes aprendem melhor juntas, em estratégias colaborativas”, explica Maria Antônia Goulart, fundadora do Movimento Down e especialista em políticas de educação.

No caso de estudantes com deficiência, esse direito é expresso na Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada pelo Brasil em 2006. Em 2008, surge a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, criada pelo Ministério da Educação, para se adaptar às novas legislações. Somente em 2015, entra em vigor a Lei Brasileira de Inclusão (LBI).

Apesar da garantia pelo Estado de uma estrutura adequada para o acolhimento de pessoas com deficiência nas escolas, que inclui transporte acessível, atendimento educacional especializado, diversidade de instrumentos de avaliação, entre outros elementos, apresentados na Cartilha Escola para Todos, elaborada pelo Movimento Down, não se pode padronizar os métodos de aprendizagem aplicado às crianças que têm síndrome de Down, segundo Maria Antônia Goulart.

Unindo a lei com as necessidades dos estudantes

“O importante é estar atento às características do estudante, ao seu estilo de aprendizagem e oferecer os recursos necessários de forma personalizada a partir do seu perfil e não da síndrome”, defende. Ela reforça que, embora algumas questões sejam comum nas crianças com síndrome de Down de forma mais ampla, como a hipotonia (redução do tono muscular), experiências que ganham sucesso são as que identificam as características da criança, elaboram o Plano de Desenvolvimento Individualizado e ajustam as estratégias e os materiais pedagógicos a essas necessidades.

  • Direito de todos

É dever do Estado garantir “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino” (Constituição Federal, art. 208)

“Qualquer escola, pública ou particular, que negar matrícula a um aluno com deficiência comete crime punível com reclusão de um a quatro anos”. (Artigo 8º da Lei 7.853/89)

A coordenadora de Desenvolvimento Institucional do Movimento Down, Bianca Ramos, afirma que, por vários motivos, o desenvolvimento da capacidade oral e, consequentemente, o processo de alfabetização podem ser afetados.

É o caso de sua irmã Karolina, de 16 anos. A sua escola busca valorizar potências para pensar em boas estratégias de aprendizagem. Além de terapia e apoio pedagógico suplementar, a família discute com professores um equilíbrio entre as atividades de apoio.

  • Passo a passo garantir a vaga de uma criança com deficiência na escola

1º: Diálogo com a escola
2º: Procurar advogado inscrito na OAB da cidade ou Defensoria Pública do município
3º: Acionar a Secretaria de Educação do Estado
4º: Denunciar ao Ministério Público ou ao Disque 100- Direitos Humanos

(FONTE: Movimento DOWN)

Outros caminhos

“É sempre um prazer ser campeão”, diz o atleta Juan Rodrigues do Nascimento Silva, de 27 anos, que conhece bem o gostinho da vitória. Hojr, Juan integra atualmente a seleção brasileira de futebol e também a de natação para atletas com essa necessidade específica. Sua rotina envolve treinos de segunda a sábado.

Augustinho Meireles tem orgulho das conquistas do filho e a certeza de que o incentivo é a palavra-chave para o desenvolvimento de pessoas com Down. Hoje, ele é vice-presidente da Associação Paradesportiva JR,. A instituição incentiva a prática de esporte e o desenvolvimento de atletas com Deficiência Intelectual (DI),. Ele avalia como o esporte mudou a vida de Juan e dos outros 90 alunos da JR. “A gente percebe a evolução deles na parte da fala, do pensamento, das atividades em grupo e também na conquista da independência”.

Mas a atenção desde o momento do nascimento foi indispensável. Com um mês, Juan já recebia o auxílio de fonoaudiólogos da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). Ele entrou na escola com nove anos. Entretanto, a necessidade de acompanhamento dos pais e de profissionais não permitiu que ele ficasse mais do que três anos dedicado ao ensino regular. “Hoje a lei garante a inclusão, mas naquela época era mais difícil”, lembra o pai.

Síndrome de Down
Tamile Ritzmann Fronczak está no segundo semestre de Pedagogia e faz estágio em uma escola infantil (Reprodução/Catraquinha)

Liberdade como caminho

A família optou por dar liberdade a Juan e deixar que ele expressasse suas aptidões. Eles logo perceberam o amor pela música e pelo esporte. Hoje, sem completar alfabetização, Juan tem vontade de aprender a ler e a escrever. No entanto, ele não acha que ir para a escola seja o caminho. “Ele tem uma trajetória de escolhas próprias e está voltando a se interessar pelos estudos. Nós vamos ajudar”, afirma Augustinho.

“Quando eu era pequeno eu nadei na Apae e foi isso que mudou para mim. Depois comecei a nadar com a JR. Hoje estou competindo natação fora do país”, conta o atleta, que já disputou na Grécia, Itália, México, entre outros lugares.

E se de um lado Juan esbarra nas letras, de outro sua saúde e seu treino estão em dia. Por enquanto esse é o equilíbrio que permite o atleta seguir em frente. Ele tem a expectativa e o pensamento de um vencedor: “Rumo ao mundial do Canadá em 2018”.

Matéria do Catraquinha.

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Enem 2017: Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Estudantes praticam linguagem de sinais
Fonte: Reprodução Portal Diversa

Educação de surdos é tema da prova

A redação Enem 2017 abordou a educação inclusiva, convidando os estudantes a escreverem sobre os desafios para a educação inclusiva no Brasil. Separamos, de última hora, 5 materiais produzidos pelo projeto Diversa, do Instituto Rodrigo Mendes, que abordam essa questão:

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