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O que a escola queria ensinar me deixando de recuperação?

Fotografia tirada de cima de uma garota estudando.

Esse texto é uma publicação de Hamilton Henrique, colunista no Medium da Perestroika. Nós compartilhamos o texto na íntegra pois achamos que essa reflexão é essencial para uma educação com mais significado. Veja a matéria na íntegra no site

Fotografia tirada de cima de uma garota estudando.
(Pixabay)

Quando fiquei de recuperação pela primeira vez, rolou um misto de decepção e raiva por parte de meus pais. Na escola, os professores selecionavam seus preferidos e tentavam os deixar separados dos “sem futuro”. Os reincidentes apareciam para nos acalmar com uma calculadora e fazendo contas parecidas com aquelas no fim do campeonato brasileiro para saber se nosso time seria rebaixado ou não. Todos nós estudávamos pelo medo de ser reprovado, nunca pelo prazer de estudar. Repetir de ano e se manter na mesma escola era ganhar o diploma de “burro” e ninguém queria isso. Eu nunca quis estar ali, embora sempre ouvisse que estava porque queria ou porque não tinha me esforçado o suficiente. Entretanto o senso comum era de que um dia eu me arrependeria por não ter sido o melhor e isso me faria aprender. 

Então, era aquele caos mais parecido com aquele meme que mostra como todo mundo me vê.

Em casa, eu era o burro. Na escola, o desinteressado. Para os professores, o sem futuro. Para os amigos, o descolado e para mim mesmo… Ah! Para mim mesmo, era o que menos importava. Sem contar as pressões contextuais de drogas, pichação, problemas familiares e aquela pitada extra de ausência de autoestima. Eu até queria falar para a professora que não acreditava em mim e que realmente eu não queria estar ali, mas a resposta dela era sempre a mesma: “Tente se esforçar mais!” .

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A real importância de estudar

Fui para as aulas de recuperação que, na verdade, não eram aulas. A motivação dos professores era outra. Eles ficavam chateados, porque poderiam estar de férias, somado ao fato de que os alunos que estavam ali não eram os seus preferidos. E, para piorar, eles tinham que dar uma matéria que “teoricamente” já haviam ensinado. O clima, realmente, não era o dos melhores.

No fim de cada aula, dava para sentir o alívio de ambos os lados. E foi lá que aprendi a fazer o primeiro lobby da minha vida; sempre ria das piadas sem graça, levava aquele biscoito de leite para dividir, copiava o dever todo e levava na mesa para corrigir. Mas, sempre, no fim de toda aula, minha professora falava: “Você não quer nada com nada, você precisa estudar”. Mesmo copiando tudo e levando para ela corrigir, conversando com ela, chegando cedo e saindo depois do horário percebi que a frase dela nunca mudaria. Chegou o dia da prova e eu ali com meu caderno de grampo, tentando imaginar como seria a prova. Sentei e comecei a responder. 

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Respondendo tudo de acordo com o que lembrava, o que não lembrava chutava. E assim foi a prova toda. Nota final? 6 … em História! Minha professora olhou para mim e disse: “Você não quer nada mesmo! Desta vez foi raspando. Até quando você vai continuar assim?”. Sai da recuperação feliz. Não dei muita importância para o que ela falou. Cheguei em casa e ninguém vibrou. Comecei a perceber que o que me motivava a passar de ano nunca foi o aprender, mas sentir como o olhar do outro me afetava. E, nesse fluxo, ganhei o ingresso para cursar o sétimo ano sem saber fazer uma conta de divisão ou interpretar um texto. 

Enfim, entendi o motivo pelo qual a professora sempre falava que eu não queria nada. Ela percebeu em algumas aulas o que levei o ginásio todo para entender: As minhas notas nunca foram para mim. E isso significava que os meus resultados não me refletiam. E mesmo que eu fizesse tudo o que manda a cartilha. Chegando cedo, sentando na frente e copiando tudo nenhum dos meus esforços jamais foi capaz de me configurar como “estudante”. Percebi que estudar vai muito além do que me ensinaram na escola, embora a ela me cobrasse a dedicação de um estudante. Essa instituição não me ensinou a importância do estudar. 

Qual a lição da recuperação?

Até hoje não sei se qual a real lição da recuperação e se isso de fato tem a ver com a mensuração do que eu aprendi no ano ou se isso está mais ligado a quantidade de palavras que eu consigo decorar para executar uma avaliação. Entretanto estar em recuperação significa perceber a luz amarela sobre o propósito do que eu entrego e a compreensão de quem está recebendo minhas entregas.

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Aprendizagem Criativa promove educação com mais significado

Fotografia de três garotos explorando diversos materiais que estimulam a criatividade.

“A criatividade é um processo de aprendizagem em que o professor e o aluno se encontram no mesmo indivíduo”. A afirmação é do escritor húngaro Arthur Koestler que, entre outros objetos de estudo, dedicou-se a entender a criatividade humana. Seu pensamento vai ao encontro de um movimento cada vez mais conhecido na educação básica, a Aprendizagem Criativa.

Essa abordagem educacional mão na massa busca estimular o aprendiz a aproveitar materiais artesanais ou tecnológicos. Assim, ele consegue dar forma e sentido prático ao ato de aprender. Uma maneira lúdica, criativa e eficiente de ensinar e adquirir aprendizado, afinal, o aluno também pode ensinar.

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Esse termo foi inspirado nas ideias do educador Seymour Papert. No entanto, foi endossado por Mitchel Resnick. Ele é professor de Pesquisas Educacionais do Laboratório de Mídia do MIT, ligado à Fundação LEGO. Resnick trabalha com o desenvolvimento  de novas tecnologias e atividades para envolver crianças nas suas experiências criativas. O professor é também o fundador do Scratch, uma linguagem de programação visual. E também de uma comunidade de Aprendizagem Criativa on-line que já introduziu mais de 11 milhões de usuários, com foco nas crianças, ao universo dos códigos. Inclusive, o Brasil é o país que mais realiza Scratch Days (um dia para celebrar o Scratch e também um momento de aprendizado criativo e divertido) no mundo.

Aprendizagem Criativa no Brasil e no mundo

O gosto do brasileiro por práticas e soluções criativas, junto com uma grande demanda de novas soluções na educação, ajudou na criação e consolidação da Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa. Ela foi fundada em 2015 por meio de uma parceria entre o MIT Media Lab e a Fundação Lemann. A iniciativa tem como objetivo identificar os projetos alinhados com a Aprendizagem Criativa e conectá-los entre si. Depois, a partir das experiências combinadas com o MIT, disseminar boas práticas e buscar soluções para os problemas comuns. A rede já conta com mais de 2.000 educadores, empreendedores, artistas e demais pessoas que se interessam pela causa. Ao total, são 16 núcleos regionais no Brasil, sendo que São Paulo se destaca com cerca de 400 integrantes.

A Aprendizagem Criativa também está conquistando cada vez mais adeptos de outros países. O MIT criou uma comunidade chamada Learning Creative Learning – ou Aprendendo Aprendizagem Criativa – para conectar pessoas de todo o mundo que tenham objetivos, visões e valores similares dentro do universo de AC. Essa é uma oportunidade para que educadores e aprendizes possam se conhecer, compartilhando conhecimento e insights sobre Aprendizagem Criativa. A comunidade já conta com cerca de 5.000 participantes espalhados pelos quatro cantos do mundo.

Como integrar a Aprendizagem Criativa à escola?

Algumas instituições estão adiantadas no processo de Aprendizagem Criativa aplicado às escolas. Um exemplo disso é a Little Maker, de Americana, SP. Trata-se de uma metodologia inspirada nas práticas do LCL, que oferece um programa maker para escolas, através da aprendizagem criativa. Dessa forma, os alunos conseguem materializar suas ideias usando arte, robótica e materiais artesanais. Essa maneira hands on, lúdica e criativa de aprendizado gera mais sentido para as matérias obrigatórias da grade curricular.

Fotografia de três garotos explorando diversos materiais que estimulam a criatividade.
Alunos da Little Maker aprendendo com a mão na massa

“A Aprendizagem Criativa visa uma educação mais mão na massa, colaborativa e criativa, características que toda escola pode explorar, sem, necessariamente, mudar seu modelo de ensino. Por meio de atividades aplicadas em conjunto com a grade curricular até oficinas criativas desenvolvidas para o contraturno, há inúmeras maneiras de valer-se da Aprendizagem Criativa nos colégios. Essa associação da AC com o currículo ajuda os alunos a assimilar o conteúdo escolar de uma maneira mais rica e significativa”, diz Diego Thuler, fundador da Little Maker.

SAIBA MAIS: Laboratório de criatividade em escolas na periferia de SP traz educação socioemocional e mão-na-massa

Primeira Conferência de Aprendizagem Criativa no Brasil

Para quem se interessou no assunto, entre os dias 26 e 28 de setembro, em Curitiba (PR), acontece a 1ª Conferência Brasileira de Aprendizagem Criativa. Esse evento tem como objetivo ser um ponto de encontro de gestores, educadores, empreendedores e pesquisadores interessados nas práticas da aprendizagem criativa em escolas e espaços de educação de todo Brasil. Veja mais informações no link: http://www.conferencia.aprendizagemcriativa.org/

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Laboratório de criatividade em escolas na periferia de SP traz educação socioemocional e mão-na-massa

No canto esquerdo da fotografia há aproximadamente quatro jovens sentados. No centro, há três jovens sentados em almofadas no chão discutindo sobre um assunto olhando para o notebook.
No canto esquerdo da fotografia há aproximadamente quatro jovens sentados. No centro, há três jovens sentados em almofadas no chão discutindo sobre um assunto olhando para o notebook.
(Reprodução/Facebook Área 21)

Existem muitas formas de contar o que é a Área 21.

Podemos contar sua história através das perguntas que provocaram sua criação. Como “Que competências os jovens precisam desenvolver para garantir seu sucesso no século XXI?”. Durante a cocriação da Área 21, diversos especialistas em educação e espaço maker e jovens foram envolvidos.

Também poderíamos contar começando pela jornada desse projeto. Ele é um Laboratório de Criatividade que traz os jovens para um jogo, onde eles passam por uma fase tutorial antes de partir para as missões reais e conquistar o universo. Ou podemos focar nas competências socioemocionais. Elas são o nosso coração! Tudo na metodologia é pensado para que os jovens desenvolvam criatividade, comunicação e empatia, colaboração e cooperação, pensamento crítico e autoeficácia. Isso acontece através de um super espaço, que tem direito a tudo que um bom “espaço maker”. Ou, como dizemos, espaço mão na massa, que tem cortadora a laser; impressora 3D; arduino; programação; robótica; vídeo e muito mais. O espaço da sala de aula deles é cheio de materiais e projetos realizados pelos alunos, para ter mais pertencimento e conforto. 

Os jovens na Área 21

As formas são muitas, mas, no meio de tantos olhares, o mais aguçado é, sem dúvidas, o dos jovens que fazem a Área 21. “É muito bom pra você aprender coisas novas para sua vida, também não é só pra trabalhar e atuar no mercado de trabalho. Você pode também levar como um aprendizado pra vida, né? Você aprende coisas novas e utiliza elas no dia a dia”, contou Fernando, de 16 anos.

“É um lugar que você vai lá e você coloca suas ideias em prática. Então, você trabalha muito com empatia para saber escutar e também ser escutado pelas outras pessoas. Em todo momento do curso, eles perguntam se você está bem, se você tá de acordo com aquilo, perguntam o porquê das coisas. Afinal, você tem que saber o que tá falando. Então, isso te obriga realmente a pensar. Você cria a sua opinião. Eu sei das coisas porque eu pesquisei sobre isso. Eu fui atrás. Eu criei um projeto sobre isso. E eu posso mudar alguma coisa com esse tipo de projeto. Isso é totalmente reconfortante e muito satisfatório, de verdade.” também contou Giovana, de 15 anos.

No fim, ou no começo, o que vale enfatizar é isso: a Área 21 é dos jovens, eles são os protagonistas, eles constroem, eles aprendem e eles ensinam. Tem muito para contar sobre o projeto, e esperamos poder fazer isso aqui no Caindo no Brasil, convidando vocês para entrar nesse Laboratório de Criatividade. 

Vamos?

Por Lyna Malheiros, coordenadora da Área21 pelo Instituto Tellus

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Projeto Roda Mundo viaja pelo Brasil em busca de propostas educacionais transformadoras

Imagem de uma aluna da Escola Céu Azul agachada perto de um pequeno lago, colocando seu barco de papel para flutuar
Imagem de uma aluna da Escola Céu Azul agachada perto de um pequeno lago, colocando seu barco de papel para flutuar
Escola Céu Azul (Divulgação)
A educação está passando por um intenso período de transformações. E, em muitos lugares, o ensino busca cada vez mais promover uma experiência consciente e com mais significado. Foi a partir disso que surgiu o Roda Mundo. Um projeto de viagem que vai perpassar por alguns estados brasileiros em busca de práticas inspiradoras.
O projeto foi criado pela Elis Simões, pedagoga e educadora, em parceria com Diego Botafogo, fotógrafo, cineasta e vídeo maker. Eles pretendem visitar  propostas educacionais para buscar, registrar e aprender com essas experiências. Assim, seja em escolas formais, não formais ou outro espaço educacional, eles estão atrás de repensar a educação. Essa busca constante por alternativas educacionais que trabalhem com significado e engajem os estudantes é fundamental para manter o aluno na escola e ampliar as possibilidades para crianças e jovens.

O Caindo no Brasil conversou com a Elis para entender mais sobre essa grande jornada. Veja mais:

Quais foram as principais motivações que deram início ao projeto?

As motivações iniciaram a partir de questionamentos pessoais acerca da minha própria prática. Conforme surgiam os desafios e demandas enquanto educadora infantil, me deparava com inúmeras questões. Como, por exemplo, minha formação, as propostas das instituições e até com formas e possibilidades de “resolução” de determinadas questões.

Imagem de uma aluna da Escola Céu Azul brincando em poças de água
Escola Céu Azul (Divulgação)

A partir disso, me coloquei a pensar e estar mais sensível ao me deparar com uma ambivalência sobre o que eu acreditava e o que eu realmente executava na prática junto das crianças. Trabalhei com diferentes contextos e propostas, e assim fui me apropriando e avaliando o que realmente fazia sentido para mim. Ainda sim, por muitas vezes, devido demandas institucionais, pude me encontrar em um espaço de reflexão acerca de inúmeros questionamentos como “Para quem?”, “A quem estamos destinando nosso trabalho?”, ”Queremos atender a quem?”, “De que forma? “.

Todas essas questões sem mesmo entrar num âmbito romantizado da educação, mas sim num lugar de pesquisa, constatação e reflexão. Logo, a maior motivação foi meu olhar para o próprio trabalho.

Assim, através de muito diálogo, percebi a importância de criar novas referências e motivações acerca da educação. Em um longo período de pesquisas e cursos, me articulei com diferentes temas para ampliar meu olhar e ganhar clareza nas próprias inquietações. Decidi então buscar pelo novo. Não no sentido de novidade, mas na possibilidade um outro encantamento, num outro formato, com novos cenários e rostos.

Encontro-me com inúmeras questões que conversam com problemáticas trazidas pelo Diego, que em meio a tantos diálogos, encara a perspectiva de encontrar através de suas fotografias um novo olhar, uma outra experiência. Assim, tornar possível articular imagem – observação – registro pautado em seu trabalho.

Tem algum caso que despertou essa inquietação que vocês possam nos contar?

Os casos – digo em plural pois foram diversas vezes – giram em torno das tantas práticas que não foram destinadas às crianças. Do não respeito ao tempo de cada um e sim de uma mera prestação de contas de conteúdo. Das tantas vezes que tive que interromper determinado momento embutindo um novo que talvez não fizesse tanto sentido. Das formas e estratégias criadas em torno de um modelo de turma que não se sustenta porque todos são diferentes. Sobre o tempo de aprendizado e todo seu processo de significado que pode ter ficado embaçado por alguma prática; pois no nosso sistema hierárquico é dito que é o professor que decide a hora de parar e a de continuar. Por não dar voz todas as vezes que puder ou desejei dar voz!

Quais são as expectativas de vocês para essa jornada?

As expectativas são bem amplas. Visamos não somente conhecer onde esses espaços educacionais ocupam, como ter a possibilidade de troca entre diferentes culturas, incluindo seus costumes, hábitos, referências e propósitos. Queremos conhecer histórias e pessoas que estejam engajadas em refletir, pensar e discutir sobre a Educação atual. Principalmente a Educação Infantil, a qual me atenho mais no trabalho prático no decorrer na minha carreira.

Buscamos percorrer por espaços, vislumbrar ideias e partilhar conhecimentos. Desejamos encontrar projetos que estejam comprometidos com uma educação consciente e significativa.

A evasão escolar e a falta de engajamento do estudante na escola são problemas sérios no Brasil. Como vocês enxergam isso e como a viagem vai buscar soluções para essas questões?

Tentando entender as diversas questões encontradas no âmbito educacional e de acordo com algumas já vivenciadas, percebemos que muitas estão relacionadas ao pouco espaço de diálogo entre escola- família-aluno. A invisível zona de troca e a ausência do espaço que é dado como possibilidade de voz para os alunos reverbera em muitas questões. Não somente no aprendizado, mas como no desencadeamento de evasão e desinteresse na escola.

Nosso modelo educacional se encontra num cenário em que os alunos recebem de forma passiva o conhecimento. Ou seja, uma educação em massa, que tenta atingir todos por igual, visando uma padronização dos pensamentos e atitudes. Consequentemente, ela não suporta o poder crítico e dialógico dos alunos.

Compreendemos que enquanto nossas escolas forem “fábricas de alunos”, não encontraremos possibilidades delas serem vistas como um lugar potente. Afinal, lugares onde não há espaço de voz, discussão e aceitação das diferenças, não representam uma aliança para os alunos.

O projeto “Roda Mundo” busca descobrir onde andam essas brechas e onde podemos encontrar disponibilidade para troca. Assim, podemos pensar sobre essas questões, através dessa permuta de experiências. Afinal, cada lugar é composto pelas suas relações sociais e intrapessoais, e por isso podemos nos enriquecer profissionalmente e pessoalmente. Acreditamos que a comunhão de ideias engajadas em reconhecer esse espaço de expressão individual transmuta em benfeitoria para o corpo escolar.

Imagem de um aluno durante uma atividade com potes e grãos de feijão
Escola Céu Azul (Divulgação)

Qual foi o critério de seleção dos projetos selecionados no itinerário?

O critério foi iniciado pela curiosidade em conhecer espaços específicos que descobrimos através de leituras, vídeos e ou relatos de parceiros de trabalho. Através de conversas, sugestões e pesquisas acerca das propostas dos espaços educacionais, começamos a traçar um repertório ampliando algumas ideias. Além disso, através de uma lista disponibilizada pelo MEC sobre propostas inovadoras, buscamos acrescentar outros locais. Nos atentamos para as que buscavam uma postura, espaço físico, e relação descrita entre escola e família, dentre outros aspectos. Em suma, priorizamos compor uma listagem que contemplasse diferentes propostas pedagógicas. Alguns exemplos são o método montessori, waldorf, construtivista, educação viva, creche parental e comunidade escolar. Assim, podendo ter uma visão mais ampla, alongando e amplificando nossas lentes e possibilidade de troca e pesquisa.

A partir da lista feita, traçamos um melhor roteiro que contemplasse nossa disponibilidade de data e o melhor trajeto a ser realizado, abrindo brecha e flexibilidade para acrescentar ou retirar itens da mesma.

Nós acreditamos que o projeto pode ser um apoio e incentivo para muitas pessoas com as mesmas angústias que vocês têm sobre o cenário atual da educação. Vocês tem alguma dica para os educadores?

A dica perpassa num lugar de encorajamento e planejamento. Atualmente, nos encontramos em muitos impasses financeiros e de estabilidade relacionado à carreira profissional , sendo assim encontrando maiores dificuldades nos diversos projetos pessoais a serem realizados.

É uma grande conquista conseguir planejar e organizar tamanho projeto, mas também um árduo trabalho. Sobre o planejamento, uma boa ideia é trocar e dialogar com pessoas que já tenham realizado ações parecidas e que podem contribuir de alguma forma para sua execução. Em seguida, as pesquisas e leituras acerca do foco que busca, transformam as informações em maior norte para assim serem concretizadas em planejamento e roteiro.

O roteiro foi planejado com diversas brechas a fim de serem preenchidas com informações e visitas que somente estando no próprio local, acreditamos encontrar.

O processo de encorajamento foi consequência de tamanho planejamento. Vivemos cada etapa de uma vez, tendo a consciência e percepção gradativa dos impasses e conquistas para a realização da mesma. Vislumbramos também o estabelecimento de parcerias, que possam de alguma forma contribuir para uma melhor trajetória do Roda Mundo.

Vocês pensaram em alguma maneira de divulgar o projeto de maneira simultânea?

Estamos atualmente desenvolvendo uma página no Instagram para amigos e parceiros poderem acompanhar nossa trajetória. Além disso, a partilha de experiências e vivências com todos os interessados é muito importante. Nós acreditamos no poder da troca e das tantas transformações possíveis.

Assim que tivermos uma quantidade razoável de materiais, criaremos um blog no propósito também de dividir registros escritos e fotográficos, como um banco de dados, com a preocupação de investigar e disseminar nossas experiências. Agradecemos muito pelo interesse e pela atenção.

O contato do Projeto Roda Mundo é viagemrodamundo@gmail.com.

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4 dicas para motivar alunos em sala de aula

Selo com o título "Dicas para motivar alunos em sala de aula", com quatro sugestões para educadores

Manter alunos atentos e motivados em sala de aula não é uma tarefa fácil. Muitas vezes, o professor compete sua atenção com os celulares, histórias interessantes de amigos de sala, entre outros fatores que dispersam olhares atentos. A especialista em Educação para Nativos Digitais do Instituto Brasileiro de Formação de Educadores – IBFE, Escola de Educação da Unità Faculdade, Carolina Defilippi, explica que os alunos podem ter metas de aprendizagem ou simplesmente metas de rendimento. “A motivação para a geração digital depende de autonomia, excelência e propósito. Discutir estratégias para que educadores proporcionem mais atividades com satisfação intrínseca à própria atividade e tenham menos necessidade de dar compensações extrínsecas no processo de ensino-aprendizagem é uma forma de motivar seus alunos”, afirma.

Dessa forma, para que um estudante se interesse pela aula, aprenda com prazer e tenha comportamentos adequados em sala, motivação é essencial. Confira quatro práticas que são fundamentais no papel do professor para que isso ocorra:

Construa relações de confiança e suporte em sala de aula

Se o aluno sabe que o professor está ali para apoiá-lo e não apenas para julgá-lo, o aprendizado se torna um processo mais tranquilo. O professor pode e deve conversar individualmente com o aluno sempre que necessário.

Aplique tarefas em que o aluno possa se sair bem

Quando o aluno experimenta o sucesso, ganha autoconfiança para continuar a buscar o conhecimento. Se ele só tem fracassos em seus projetos, provavelmente desistir será uma de suas opções.

Procure relacionar as tarefas com a rotina do aluno

Quanto mais ele vir a aplicação daquele conteúdo na prática, mais relevante aquilo será e mais motivado ficará para aprender.

Deixe-o participar

Deixe o aluno criar com você a experiência do aprendizado. Quanto mais protagonista no processo ele for, mais motivado estará. Pedir para o aluno trazer de casa uma pesquisa sobre o assunto que será tratado em aula pode gerar motivação. Ou também perguntar de tempos em tempos qual é o assunto que desperta interesse entre eles. Por exemplo, imagine a satisfação do aluno se ele puder falar de vídeo game e o professor relacionar ao conteúdo?

 

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Em escola rural, crianças montam coleção de insetos em projeto de ciências

Imagem de um aluno segurando e observando uma planta durante experimento
Imagem de um aluno segurando e observando uma planta durante experimento
(Reprodução/Porvir)

A professora Maria Cristina Fachin Liberalesso contou para o Porvir como desenvolveu um projeto de iniciação científica com alunos do quarto ano do ensino fundamental. Compartilhamos a matéria na íntegra:

Durante minha profissão, pude provar que o aluno só aprende quando a proposta de trabalho atende ao seu interesse e necessidade. Ele precisa ser o construtor dessas aprendizagens. É fundamental que desenvolva desde cedo habilidades de percepção, observação, investigação, reflexão, análise, formulação de conceitos e conclusões. A partir dessas concepções, vivenciamos em 2016, na escola rural Escola Municipal de Ensino Fundamental São Thomáz de Aquino, em Pinhal Grande (RS), uma experiência com a turma do 4º ano do ensino fundamental. O projeto de ciências “Pequeno Cientista” durou cerca de seis meses e teve como objetivo proporcionar à turma a aprendizagem através da pesquisa prática.

Tudo começou quando encontramos o banheiro das meninas cheio de insetos. Isso despertou o interesse da turma em saber mais sobre aquela bicharada. Vi na situação uma oportunidade de grandes descobertas. A primeira delas: a lâmpada do banheiro ficou acesa durante uma noite inteira e os insetos foram atraídos pela luz. Aos poucos, muitas curiosidades foram surgindo. Registramos tudo o que a turma queria saber, levantamos hipóteses e, mais tarde, confrontamos com respostas que iríamos obter através das pesquisas.

A busca por informações

Fotografamos e colhemos exemplares dos insetos, que foram postos sobre uma lâmina de isopor para exames. Também fomos para a internet e selecionamos materiais de interesse para estudos. O assunto tomou conta da turma, e a coleção de lepidópteros da sala de aula aumentou, pois os alunos sempre traziam mais. Montamos um laboratório que era diariamente monitorado, tendo os registros feitos em diários de bordo. Vimos ovos de mariposa, nascimento de lagartas, formação casulos e metamorfoses completas.

Imagem de quatro alunos reunidos procurando e estudando insetos na grama
(Reprodução/Porvir)

Nem tudo saiu como a gente esperava, também surgiram algumas surpresas. Mesmo assim, tudo era aproveitado para estudo. Um dia encontramos uma lagarta morta, e um aluno disse que ela morreu de depressão porque estava fora do seu ambiente. Então, trabalhamos sobre a importância de se respeitar a natureza. Outro dia, encontramos uma mariposa que se confundia com a calçada e pesquisamos sobre mimetismo, camuflagens e disfarces.

Organizamos e classificamos a coleção do laboratório. Cada exemplar foi catalogado de acordo com sua ordem, família e nome científico. Registramos tudo através de gráficos.

Durante o projeto, foram feitas observações fora da sala de aula, para descobrir de onde vinham tais insetos e quais eram seus habitats. Pesquisamos sobre o modo de vida, estrutura corpórea, utilidades e prejuízos para o ser humano e para a natureza. Pesquisamos também sobre o clima e a meteorologia para saber as condições favoráveis ao aparecimento dos bichos no banheiro.

Como complemento, fizemos entrevistas e enquetes na localidade para saber sobre a influência desses insetos na agricultura e na vida das pessoas. Constatamos o uso excessivo de agrotóxicos para controle de pragas, inclusive em hortas e pomares, o que gera degradação ambiental e desiquilíbrio ecológico.

Durante as entrevistas, um dos alunos ouviu que as mariposas pretas eram bruxas. Então, trabalhamos também acerca da mitologia. Concluímos: “As pessoas acreditam, mas na realidade não são e a gente tem que respeitar as crenças delas.”

Um encerramento para o projeto científico

Ao final das atividades, montamos o projeto científico como se fosse um trabalho acadêmico de pesquisa, com todos os passos. Em dois momentos, os alunos apresentaram pesquisas em eventos formatados como seminário.

O projeto foi sendo guiado pelo interesse dos alunos. Cada descoberta gerava novas perguntas. Eu, como professora, não dei respostas. Sempre que surgiam dúvidas, a turma era conduzida a pesquisas e experimentos. Os alunos aprenderam coletar, registrar e processar dados e informações, pesquisar, fazer experimentos, preencher formulários, fazer anotações, diários de bordo, resumos, confrontar e socializar conhecimentos, formular opiniões, hipóteses, conceitos e conclusões, argumentar, montar tabelas, gráficos, quadros comparativos, esquemas, desenhos e painéis.

Dentro da capacidade de cada um, todos participavam das atividades, interagindo coletiva ou individualmente. A avaliação foi constante e formativa. A gente retomava uma ação até que a turma ou determinados alunos conseguissem dominar, respeitando sua capacidade de aprendizagem.

Como produto final do projeto, montamos um livro que foi apresentado à comunidade escolar. Afinal, a divulgação do trabalho e dos resultados é parte importante na pedagogia de projetos.

Post escrito pela professora Maria Cristina Fachin Liberalesso e publicado pelo Porvir com o título Em escola rural, crianças montam coleção de insetos em projeto de ciências.

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Parceria entre escola e museu revela a potência de um Território Educativo

Imagem de aproximadamente 20 pessoas durante a inauguração da casa da árvore na EMEI Dona Leopoldina. Um homem e uma mulher estão segurando uma faixa vermelha.
Imagem de aproximadamente 20 pessoas durante a inauguração da casa da árvore na EMEI Dona Leopoldina. Um homem e uma mulher estão segurando uma faixa vermelha.
Inauguração da casa da árvore na EMEI Dona Leopoldina (Reprodução/Portal Aprendiz)

O conhecimento está em todos os lugares. É a partir deste princípio que o conceito de Cidades Educadoras trabalha. nele, as escolas se tornam um ponto de articulação com outros espaços e atores para garantir o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. 

A EMEI Dona Leopoldina, na zona oeste de São Paulo, e o Museu da Casa Brasileira (MCB) têm esses princípios incorporados e colocados em prática por meio do projeto Escola e Museu – uma experiência possível e necessária.

Nessa parceria, a equipe do MCB realiza formações quinzenais na EMEI, tanto com professores quanto com os estudantes. E eles priorizam os eixos de arte e natureza trabalhados pela escola. Já o MCB recebe as crianças para visitas frequentes, alimentando uma relação de proximidade e pertencimento à instituição cultural.

O projeto, aliás, nasceu de uma dessas visitas, que forjou uma oportunidade de diálogo entre as partes. “Estávamos buscando uma aproximação com as escolas. E o projeto pedagógico inovador e diferenciado da EMEI Dona Leopoldina nos chamou muito a atenção. É uma escola com uma concepção e uma visão de mundo muito interessante”, relatou Carlos Barmack, diretor do Educativo do Museu da Casa Brasileira em entrevista para o Portal Aprendiz.

O casamento de ideias e planos entre a EMEI Dona Leopoldina e o MCB deu certo. As partes conversam, se escutam, alinham objetivos e possibilidades, dialogando com os pais dos alunos e com outros agentes do bairro. O escopo do Museu da Casa Brasileira permite trabalhar uma gama de temas. Além disso, alinha-se aos eixos definidos pela escola, como a valorização das matrizes culturais brasileiras.

Barmack ressaltou que essa não é a única combinação possível entre escola e museu. Cada escola (e museu ou qualquer instituição cultural) tem suas singularidades, seu público, suas prioridades e questões a desenvolver. “Muito mais importante do que ser modelo, o projeto Escola e Museu é uma inspiração. Porque cada unidade vai buscar as respostas para suas próprias perguntas. O importante é ter a vontade de ganhar o mundo, de expandir suas fronteiras”.

Territórios Educativos

O projeto Escola e Museu – uma parceria possível e necessária, sob coordenação da professora Beatriz Garcia Costa da EMEI Dona Leopoldina, foi um dos 10 contemplados pela 2ª edição do Prêmio Territórios Educativos, iniciativa do Instituto Tomie Ohtake em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e patrocínio da Estácio.

O prêmio busca reconhecer e fortalecer experiências pedagógicas que exploram as oportunidades educativas do território onde a escola está inserida, integrando os saberes escolares e comunitários. Este ano, o programa recebeu 67 inscrições oriundas de todas as Diretorias Regionais de Ensino de São Paulo e de diversos tipos de unidades escolares. Confira os outros projetos vencedores.

Post com resumo e modificações produzidas pelo Caindo no Brasil da publicação Parceria entre escola e museu revela a potência de um Território Educativo, da repórter Nana Soares para o Portal Aprendiz. 

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Presença de migrantes leva CIEJA Perus a propor currículo intercultural

Aprender o Português é fundamental para o processo de adaptação no novo país. Em Perus, zona noroeste de São Paulo, dos cerca de 700 cidadãos haitianos que vivem na região. Destes, 190 estão matriculados no Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA).

“A demanda cresceu muito de 2016 para 2017 e os alunos haitianos constituíram-se uma turma própria com suas particularidades. E se destacou muito o desejo e a necessidade de se apropriar do português”, explicou a educadora Cristiane Fialho para o Portal Aprendiz. A partir da chegada desses estudantes, ela percebeu que o currículo da escola precisava de mudanças.

As aulas regulares não faziam sentido para os migrantes já que eles não entendiam a língua. Além disso, muitos dos estudantes já vinham escolarizados do Haiti. A equipe da escola uniu-se então para pensar formas de criar um diálogo intercultural. O foco era ampliar as interações entre os estudantes brasileiros e haitianos. Assim, eles buscaram converter a escola em um espaço de acolhimento para essa população. Foi o nascimento do projeto “O Haiti é aqui….em Perus!”

Um novo currículo

Para endereçar as demandas diagnosticadas pela escola, o português foi reforçado com aulas em todos os dias da semana. Além disso, conteúdos sobre a cidade de São Paulo, Perus, história e geografia brasileira foram incluídos. Cristiane, que dá aulas de Português, reforça que esse processo foi pensado sem deixar de respeitar e absorver todo o conhecimento trazido do Haiti.

“A demanda era muito clara. Por isso, embora a adaptação seja complexa, ela também é, de certa maneira, fácil”, declara Cristiane. A professora permite que os interesses, curiosidades e dúvidas dos estudantes norteiem os assuntos trabalhados em sala de aula. As músicas, por exemplo, entraram como ferramenta para ampliar o repertório de quem está aprendendo a língua portuguesa. E como muitos dos matriculados estão em níveis muito iniciantes da língua, uma saída foi utilizar canções em Francês ou Creole, para que eles possam traduzir com a ajuda dos colegas.

Imagem de aproximadamente 15 alunos do Cieja Perus sentados durante a aula
Vindos do Haiti, estudantes são recebidos pelo Cieja Perus (Reprodução/Portal Aprendiz)

Cultura como vetor

Executar um currículo específico ainda tinha como tarefa reverter o cenário de isolamento dos haitianos identificado pela escola. Para isso, a equipe criou uma Feira Cultural Haitiana, realizada em junho de 2017. O objetivo do evento era apresentar a cultura haitiana: culinária, música, vestimentas e a história do país. “Para que todos pudessem entender quem eles eram e de onde vinham.”

Todo o conteúdo foi desenvolvido pelos estudantes da unidade. Eles ministraram oficinas de música haitiana, cozinharam e convidaram os brasileiros a assistir as aulas. Além de alunos e professores, moradores da região também participaram e colaboraram com a festa.

Imagem de dois alunos em pé do CIeja Perus durante uma atividade em sala de aula, enquanto os outros estudantes observam
Oficina de dança haitiana pronovida pelos alunos migrantes em preparação para a Feira Cultural (Reprodução/Portal Aprendiz)

O evento foi tão bem sucedido que fez crescer o número de migrantes matriculados na escola. Hoje eles se dividem em duas turmas, diferenciadas pela familiaridade dos alunos com o idioma. A Feira de cultura haitiana inspirou também uma sobre o Brasil, realizada meses depois, e a ideia é torná-las fixas no calendário escolar.

Imagem de três alunos do Cieja Perus sorrindo para foto durante evento organizado pelos imigrantes
Alunos durante a feira cultural haitiana promovida pelo CIEJA Perus (Reprodução/Portal Aprendiz)

 

Territórios Educativos

O projeto “O Haiti é aqui….em Perus!”  foi um dos 10 contemplados pela 2ª edição do Prêmio Territórios Educativos, iniciativa do Instituto Tomie Ohtake em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e patrocínio da Estácio.

O prêmio busca reconhecer e fortalecer experiências pedagógicas que exploram as oportunidades educativas do território onde a escola está inserida, integrando os saberes escolares e comunitários. Este ano, o programa recebeu 67 inscrições oriundas de todas as Diretorias Regionais de Ensino de São Paulo e de diversos tipos de unidades escolares.

Esse post é um resumo com alterações do Caindo no Brasil de matéria publicada pela repórter Nana Soares para o portal Aprendiz, com o título “Presença de migrantes leva CIEJA Perus a propor currículo intercultural”. Clique no link para conferir a matéria original e completa.

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Cultura popular nas escolas: por uma educação com mais significado

Pedro apresenta cultura popular na escola em cima de palco
Imagem de Pedro Popoff de costas no palco durante apresentação em escola
(Reprodução/Facebook)

A cultura popular popular está em tudo. Ela é música, dança, canto, festas, literatura, brincadeiras, culinária, entre muitas outros outros hábitos de um povo. No entanto, há um detalhe muito importante: ela precisa ser transmitida de geração em geração, porque é assim que esses costumes se fixam.

Apesar de não haver uma relação tão clara entre a tradição e o mundo globalizado, a cultura popular está mais próxima do que imaginamos. Por ser muito ampla, ela pode estar presente no cotidiano de diferentes formas. Pode ser através do rap, do funk e da cultura indígena, africana e até de outras regiões do Brasil.

Cultura popular e aprendizagem

Pensando nisso, como ela pode ser útil dentro da sala de aula? Afinal, ao relacionar a aprendizagem com situações da vida real, a educação ganha muito mais significado e desperta muito mais engajamento. O Cordel é um exemplo disso, como mostra o Projeto Brincando de Cordel, de Pedro Popoff.

Com apenas 12 anos, Pedro tem como missão espalhar a cultura e literatura nordestina dentro das escolas. Ao apresentar o gênero, a literatura de cordel, histórias, objetos e comidas típicas, novas possibilidades culturais são despertadas. Assim, é possível mostrar que a arte e a cultura abrem horizontes, especialmente quando estão relacionadas ao processo de aprendizagem. Além disso, a conscientização sobre o respeito entre as diferenças culturais, o incentivo a pesquisa e o desenvolvimento da escuta e da leitura são questões essenciais a serem trabalhadas.

O cordel é um bom exemplo, além de outras possibilidades pedagógicas que podem ser exploradas dentro da cultura popular. Com isso, é possível oferecer aos alunos espaços para debates de temas como cidadania, solidariedade, preconceito e protagonismo.

Veja um pouco mais sobre o projeto de com Cordel nas escolas de Pedro:

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5 formas de estimular a criatividade

Imagem com 5 dicas de como estimular a criatividade dos estudantes

Imagem com 5 dicas de como estimular a criatividade dos estudantes

Desenvolver criatividade é estar constantemente estimulando crianças, adolescentes, adultos e idosos. Pensando nisso, o portal Porvir criou uma lista de cinco matérias que apontam estratégias e caminhos para despertar a criatividade dos estudantes:

Educação artística

De acordo com o estudo Buenos Días Creatividad (da Fundação Botín, da Espanha), a educação artística pode elevar em 17% as possibilidades de uma criança ingressar no ensino superior. Além de melhorar o desempenho acadêmico, as artes também criam espaço para que as crianças possam se expressar de forma criativa.

Jogos

Para pesquisadores, os jogos trabalham questões éticas e prepararam os alunos para situações ao longo da vida. Além disso, eles são boas estratégias para estimular a criatividade. Com ou sem a presença de tecnologia, eles colocam crianças e adolescentes diante de situações que exigem novas respostas e reflexões a cada rodada.

Experiências Musicais

A música também pode ser um caminho para despertar a criatividade. Principalmente quando as crianças têm a oportunidade de explorar diferentes sons e construir novos instrumentos. Com essa estratégia, elas mergulham em um universo lúdico cheio de possibilidades.

Mão na massa

A educação mão na massa resgata a experiência lúdica do aprendizado que passa pelas mãos. Com atividades práticas e projetos, os alunos aprendem diferentes conceitos e resgatam habilidades deixadas de lado no jardim da infância. Alguns exemplos são robótica, programação, produção de mídia, entre outros.

Tentativas e erros

O medo de errar é uma das primeiras barreiras que impede a criatividade. Especialistas defendem que para uma pessoa ser criativa, ela precisa lidar com os erros e aprender a se relacionar com o outro, já que as novas ideias exigem tentativas e reparos.

Post publicado pelo Portal Porvir pela repórter Marina Lopes com o título “5 formas de estimular a criatividade.

 
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Aprenda sete brincadeiras antigas jogadas por nossos pais e avós

Imagem com cinco brincadeiras antigas para as crianças jogarem

Imagem com cinco brincadeiras antigas para as crianças jogarem

Por Ingrid Matuoka e Thais Paiva, do Centro de Referências em Educação Integral 

Brincadeiras antigas  jogadas por pais e avós –  como pular corda ou amarelinha – vem perdendo espaço na era dos videogame e outros jogos digitais.

No entanto, como aponta o estudo Brinquedos, brincadeiras e cantigas de roda: como brincavam nossos pais e avós, resgatar essa cultura é um rico exercício, pois possibilita às crianças conhecer e vivenciar novas experiências, além de uma reflexão empática de como brincavam as infâncias de outrora.

Ao abordar e praticar as brincadeiras dos tempos dos pais e avós, amplia-se o repertório lúdico desses jovens. Além disso, neste processo de investigação, isto é, quando as crianças perguntam para seus familiares como brincavam, onde e com quais pessoas, ocorrem trocas férteis e aproximação entre as diferentes gerações por meio da valorização da experiência do outro.

Nesta perspectiva, o Centro de Referências em Educação Integral selecionou algumas práticas tradicionais que podem promover diálogos intergeracionais e, claro, entreter as crianças.

Brincadeiras antigas
(Pixabay)

Cantigas de roda

As cantigas de roda brasileiras têm grande influência das culturas africanas, indígenas e europeia e fazem parte do nosso folclore. Transmitidas de geração em geração, revelam muito sobre a cultura local, misturando tradição oral ao brincar.

Em cantigas de rodas, as crianças dão as mãos e cantam músicas que normalmente brincam com os nomes dos envolvidos. Além disso, costumam vir acompanhadas de coreografias, o que estimula a sintonia entre os pares. Afinal, eles precisam mover-se ao mesmo tempo, fazendo os gestos em sintonia.

Dentre as cantigas mais conhecidas, estão Escravos de Jó, Atirei o pau no gato e O cravo e a rosa. Há também Sapo Cururu e a tradicional Ciranda, cirandinha.

Pião

Com o pião em mãos, enrole o barbante ao redor do brinquedo, de cima a baixo, e segure uma ponta. A ideia é lançar o pião com um movimento similar ao de chicotear, ainda segurando uma das pontas. O objetivo é fazê-lo deslizar pela corda e rodar assim que a ponta de ferro bater no chão.

Se não der certo de primeira, não se frustre, esta brincadeira requer certa habilidade. Os mais velhos também podem entrar em ação para ensinar os macetes que facilitam fazer o pião rodopiar. E quando as crianças pegarem o jeito, pode-se desenhar um círculo no chão e desafiá-las a lançar o pião dentro da área delimitada.

Pular corda

Muito utilizada em coletivos de teatro para estimular e praticar o ritmo e a sintonia entre todos, pular corda em grupo é uma atividade que exige atenção no outro. Como essa brincadeira pode vir acompanhada de muitas canções, a comunicação entre os pequenos também tem papel relevante.

Com uma corda longa e três crianças ou mais, a brincadeira ganha forma. Em cada ponta, fica uma criança responsável por bater a corda em sincronia. Outra fica no meio e pode pular a corda de frente ou de lado para uma das pontas. Também é possível pularem duas ou mais pessoas juntas, em um pé só. Elas também podem tentar entrar no meio da corda para pular depois de ter começado a girar.

Esta brincadeira também pode ser realizada individualmente, de diversas maneiras. Uma delas é com um pé após o outro ou os dois juntos, e aumentando a velocidade. Vale contar qual o máximo de pulos feitos sem errar, e se desafiar a superar essa contagem.

Se quiser dificultar, pode-se pular a corda alternando entre um pulo normal e um cruzado. Quando os braços estiverem em sua frente, cruze a corda e tente passar as pernas pelo laço inferior, e descruze ao passar pela altura da cabeça, pulando a corda do jeito tradicional.

E para acompanhar os pulos, existem diversas músicas que podem ser cantadas junto.

Bolinha de gude

As bolinhas de gude permitem diversas brincadeiras. A maneira tradicional é uma competição em que uma criança acerta a bolinha do adversário para tentar capturá-la para si.

Conforme o combinado entre as crianças, as bolinhas podem ser devolvidas ao final da partida. No entanto, tudo varia de acordo com a capacidade de negociação entre os pares. O autoconhecimento dos pequenos para saber o que preferem e se são capazes de lidar com as perdas é muito importante.

Para dificultar a atividade, pode-se criar uma espécie de arena no chão, em formato triangular ou circular, colocando no centro três bolinhas de cada participante. As crianças têm que acertar as bolas partindo de fora da arena. Se alguém não acertar nenhuma bolinha, perde a vez. E se ela ficar presa dentro da área delimitada, também perde a bolinha.

Outras maneiras de brincar com as bolinhas de gude envolvem completar circuitos desenhados ou acertar latas e outros objetos posicionados no chão.

Para lançar as bolinhas, vale atenção à posição dos dedos. O indicador deve envolver a bolinha em formato de gancho, e o polegar serve para dar o impulso que vai lançar a bola. Os pais e avós também podem mostrar como jogavam e qual era a sua melhor técnica para fazer a bolinha atingir um alvo.

Rodar pneu de bicicleta ou bambolê com um pauzinho

Esta brincadeira funciona melhor em espaços abertos, em que a criança pode correr. Basta um pneu de bicicleta ou um bambolê posicionado na vertical e uma vareta, galho ou pauzinho para conduzi-lo.

O objetivo é conseguir percorrer a maior distância, ou por mais tempo, sem derrubar o pneu ou bambolê. Para dinamizar a atividade, pode-se criar uma pista de obstáculos e linhas de partida e chegada.

Amarelinha

O jeito mais simples de criar uma amarelinha, é desenhá-la no chão de cimento com giz de lousa. Faça um retângulo grande e divida-o em retângulo menores alternando entre um e dois espaços, e enumere-os de 1 a 10.

O objetivo da brincadeira é jogar um marcador, que pode ser uma pedra, em uma das casas e atravessar a amarelinha sem pisar no quadrado em que ele está. Na volta, é preciso pegá-lo do chão.

O desafio está em alternar entre pular em um pé só ou com os dois, bem como manter o equilíbrio para pegar o marcador. Quem completar todos os marcadores de 1 a 10 primeiro, sem errar, ganha. Para dificultar, pode-se adicionar mais marcadores e mais casas para pular.

Passa anel

Forme uma roda e peça que todos unam a palma das mãos, com os dedos apontando para o centro do círculo. Agora, uma criança vai ser escolhida para colocar um anel ou uma pedrinha na palma da mão. Ela deve percorrer toda a roda passando as suas mãos entre as mãos dos colegas.

Em determinado momento, ela deve deixar o objeto cair nas mãos de quem ela escolher, sem que os demais percebam. Depois, ela vai chamar outra criança para adivinhar onde está o anel. Se acertar, é sua vez de passar o anel. Se errar, está eliminada do jogo.

Aos poucos, as crianças aprendem a prestar atenção aos detalhes e a interpretar as expressões corporais para decifrar sutilezas. Além disso, elas aprendem a estabelecer relações de cumplicidade, uma vez que a criança que recebeu o anel também não pode revelar que o objeto está com ela.

Matéria publicada pelo Portal Aprendiz.

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Maria Peregrina: uma escola corajosa

Escola Maria Peregrina

*Artigo escrito por Jean Sigel, especialista em Marketing, Comunicação e Inovação, e co-fundador da Escola de Criatividade em parceria com Guilherme Fernandes, mestre em economia, estudioso, entusiasta da Educação Inovadora e sócio da Escola de Criatividade. Os profissionais colaboram voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

Escola Maria Peregrina
(Reprodução/Gazeta do Povo)

Coragem. Se fosse necessário responder a “velha” pergunta de como definir a Escola Maria Peregrina em uma só palavra esta certamente seria a nossa escolha.

Não que lá não exista muito planejamento, amor, consciência, autonomia, vontade e criatividade. Isso tudo está presente e visivelmente percebido nas expressões dos tutores, professores, alunos e dos fundadores. Mas a coragem de iniciar e manter até hoje a escola é marcante. Não é qualquer grupo que consegue conduzir uma escola no interior de SP sem mensalidades. E que ainda adota a pedagogia de projetos e é chancelada pelo próprio José Pacheco. E que também realmente ouve e inicia seus trabalhos com base nos interesses dos alunos e com o envolvimento das famílias e comunidade.

A liberdade para escolha do tema de cada projeto é uma das características marcantes da Maria Peregrina. Liberdade essa que traz desafios diretos aos tutores da Escola. Afinal, eles precisam ser humildes o suficiente para reconhecer que não são experts em todos os assuntos. Muitas vezes vão aprender tanto quanto os alunos. Após a definição do tema, os alunos escolhem os tutores para acompanhá-los e orientá-los durante o projeto. Depois, eles elaboram perguntas, muitas perguntas norteadoras que vão dar o caminho para o início da pesquisa e descoberta. O universo de pesquisa está nos livros, na biblioteca da escola, na internet e também na comunidade nas visitas fora da Escola. Ou seja, o velho sonho da Escola que não se restringe aos seus muros e mostra que a aprendizagem pode estar em qualquer lugar.

O processo da Maria Peregrina

Nos chamou bastante atenção como todo o processo é muito bem desenhado. A começar pela utilização das inteligências do cientista Howard Gardner como pilares para os projetos. Eles avaliam as 8 inteligências múltiplas: linguística, lógica-matemática, espacial, musical, corporal-sinestésica, intrapessoal, interpessoal e naturalista. E o educando, em conjunto com o tutor, define como o conteúdo que será estudado se encaixa nas mesmas. São as áreas de conhecimento “tradicionais” (matemática, física, química, biologia, etc ) que farão parte de cada uma das inteligências. A partir disso, os professores especialistas de cada área entram, orientam, ensinam e criam exercícios, avaliações e desafios aos alunos dentro de cada tema escolhido. É o reconhecimento, em base teórica, de que cada um possui seu potencial e sua característica. E que ter a mesma idade não significa os mesmos conhecimentos e mesma velocidade de desenvolvimento e aprendizado. Existe um planejamento e cuidado que vai muito além da escolha da melhor apostila para aplicar o conteúdo pré-definido como ocorre na maioria das escolas do país. E só para deixar claro, apostilas passam longe da Maria Peregrina.

Ouvir dos próprios alunos, que já são excelentes RPs, sobre o funcionamento do Ensino Médio nos deixou muito impressionados. Sobre liberdade, o quanto gostam de lá e a experiência muito positiva com o treinamento para o vestibular também. Mais uma comprovação de que a autonomia, comunicação e curiosidade desenvolvidas desde pequenos formam alunos mais capazes de sobreviver e inovar no mundo atual. Aliás se há uma palavra que se sobressai lá é autonomia. Esse é um dos grandes mantras da escola.  E isso na prática acontece lá dentro e fora dela com os projetos dos alunos ganhando asas. A partir dessa valorização dos alunos e seus conhecimentos, o engajamento estudantil é muito presente.

Coragem e comunicação aberta

Educadores da Escola Maria Peregrina
(Reprodução/Gazeta do Povo)

A coragem da escola é própria. Um exemplo provocador à muitas escolas e educadores, a Maria Peregrina aposta na essência de cada criança e adolescente. Na vontade da descoberta, no desejo de aprender, trabalhar e brincar junto. E também na comunicação aberta e afetuosa com pais e professores, no estímulo a autonomia com responsabilidade e nas relações humanas. Uma escola onde seu diretor fez mestrado para medir a felicidade de seus alunos e professores. Que acredita na singularidade de cada criança e estimula seus canais de expressão à partir de ideias e projetos colaborativos. O que aprendi? Como e Por que? O que queremos descobrir de novo? O que já sei e posso compartilhar? São apenas algumas das perguntas dos inúmeros projetos desenvolvidos pelos próprios alunos e que são tutoriados, apresentados, avaliados e compartilhados.

O sucesso da Maria Peregrina em ensinar os alunos a aprenderem e a interagir, a formar jovens curiosos, criativos, comunicativos e transformadores é encorajador. Especialmente diante de um sistema que pouco muda ao longo dos anos – o sistema educacional. A coragem da Escola está muito mais em se expor e inovar diante de pais, mães, educadores, pedagogos e uma sociedade que ainda resistem às mudanças e exigem o mesmo ensino de 30, 50 anos atrás do que em apresentar algo novo às crianças e jovens. Jovens aceitam, mudam e inovam rapidamente. Enquanto nós adultos não aceitamos a inovação porque simplesmente a mudança dói e dá trabalho. Inovação acontece apenas quando a aceitamos, quando temos coragem e realizamos. Um super estímulo para todos aqueles que como nós acreditam em uma educação que pode sim ser diferente do convencional, mais criativa e encantadora.

Matéria publicada pela Gazeta do Povo.