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Importância do brincar e a relação entre saberes populares e educação

Imagem de uma apresentação do Instituto Brincante, com quadro pessoas tocando instrumentos de cultura popular nordestina
(Reprodução/Youtube)

O Instituto Brincante é um espaço que se dedica a estudar e disseminar a cultura popular brasileira. Rosane Almeida e Antonio Nóbreg são os fundadores desse lugar que já fez e vai fazer muita história. Quando estrearam o espetáculo conjunto Brincante, em 1992, a dançarina natural de Curitiba (PR) e o ator pernambucano tiveram dificuldades. Especialmente em atrair o interesse dos palcos paulistas para as manifestações culturais dos estados nordestinos, onde aprenderam juntos a brincar.

Foi a partir dessa carência que eles criaram o instituto no bairro da Vila Madalena, em São Paulo. Atualmente, o espaço oferece formações como Estudos da Cultura e Música Tradicional da Infância; Percussão Brasileira e Danças Afro-brasileiras. Além de fundadora, Rosane é responsável pelo desenvolvimento artístico e pedagógico do instituto. Ela encara a cultura popular como um território de saberes inesgotáveis e busca transformar os indivíduos por meio da educação e da arte. 

Os participantes que escolhem um dos cursos oferecidos não presenciam nos espaços reproduções de festas como reisado ou o cavalo-marinho. As brincadeiras,  quando estudadas, apresentam estruturas para que o indivíduo se conheça, conheça o outro e crie o que tem sustentado a repetição dessas manifestações até hoje: o espaço para criar.

Rosane conversou com o Portal Aprendiz para falar sobre a importância do brincar e da relação ente a população e saberes. Veja mais:

Portal: Como poderíamos definir um brincante?

Rosane Almeida: Os artistas populares se autodenominam brincantes porque brincam uma ‘brincadeira’ ou ‘folguedo’ quando performam dentro de manifestações culturais. Suas origens remontam à brincadeiras que foram reivindicadas com muita convicção em cenários de infrações da dignidade humana, como processos coloniais de escravidão e genocídio. Ou seja, conclamadas por pessoas que não podiam e não distinguiam seu fazer artístico de de sua vida áspera.

Quando alguém se considera brincante, ele está fazendo uma escolha: quer dar o melhor de si todo tempo. Ele performa rituais onde concretiza o ideal de uma beleza interior que altera a visão que os brasileiros mantêm de seu próprio povo, exclamando: “Não somos um povo cinza, somos coloridos, não somos analfabetos, temos potência, somos reis e rainhas!”.

Portal: Os brincantes só existem dentro de manifestações culturais tradicionais?

Rosane Almeida: Não. Veja bem, quando as brincadeiras começaram a ser semeadas, o tempo era de caos: você tinha negros que falavam línguas diferentes a dividirem estruturas únicas, índios tratados como animais e portugueses que vinham povoar o país como punição por delitos em sua terra natal. Foram justamente esses encontros forçosos que fizeram com que nossas festas se desenvolvessem de maneira rica, pois as culturas que as criaram tinham na memória elementos muito bem estruturados.

Repare nos primórdios do cavalo-marinho, brincadeira tradicional da zona da mata pernambucana. Quando esses povos se encontraram, todos comemoravam de formas particulares o solstício de verão. Para se comunicar festivamente, essas populações trocaram memórias de alegria: os negros trouxeram o pulsão de sua memória rítmica. O índio, por sua vez, levou uma lembrança de desenhos espaciais, ocupando terrenos em roda. E o europeu fechou o folguedo com a estrutura melódica.

Temos que parar de pensar nas manifestações culturais como se estivessem paradas no tempo. Todo material de cultura popular que chegou aos dias de hoje é fruto da felicidade do fazer e só sobreviveu porque se alterou. E quem brinca nelas também. Ao pensar que só no sertão do Cariri alguém pode ser brincante, estamos apequenando o aprendizado e limitando seu saber.

Portal: E como isso se reflete no trabalho de formação do Instituto Brincante?

Rosane Almeida: A arte e a cultura popular propõem um chão de desafios para nos tornarmos indivíduos melhores. Na medida em que você toca, dança ou canta, você se realiza em estruturas que se refletem em todos os aspectos de sua vida. O cantar te coloca diante de palavras que proporcionam um discurso melhor, orientando o seu falar. O dançar te coloca de maneira orgânica de encontro com o outro e o território ocupado. E quando você menos percebe, você está brincando.

Portal: E com os educadores? Como é o trabalho?

Rosane Almeida: Cada um dos educadores que compõe o Instituto Brincante tem uma história de vida: a do Nóbrega olha para a questão da palavra e como ela se constrói poeticamente; eu, por outro lado, penso o corpo dentro da dança. Todos encontraram aquele lugarzinho onde seu fazer se expressa. O curso A Arte do Brincante para Educadores quer ajudar os professores a encontrarem o deles.

Dentro dos espaços educativos, como a escola, se cobra de um professor que ele ofereça aos alunos liberdade, autoestima, empoderamento, sentimentos que nunca experienciou no seu processo de formação. Então, usamos procedimentos de cultura popular brasileira para que o educador reconheça o quanto pode ser criativo. Mais importante: o que ele gostaria de investir enquanto aprendizado e o que não faz sentido.

Dentro da tradição, você encontra ferramentas, mas elas não podem ser um fim por si só. Não vamos dançar reisado no Instituto Brincante. Vamos construir experiências que dizem respeito ao encontro do educador com outro educador, naquele curso, naquele tempo-espaço onde elas aconteceram.

Portal: Poderia dar um exemplo de como uma tradição brincante pode ser ressignificada?

Rosane Almeida: Não existe nenhuma poesia estruturalmente tão rica quanto a feita no Brasil. Você tem sextilha, martelo agalopado  e tantas outras estruturas particularizadas pelas regiões onde germinaram. Uma das mais famosas é a quadrinha, onde o segundo verso rima com o primeiro: Batatinha quando nasce Espalha a rama pelo chão Menininha quando dorme Põe a mão no coração (…)

As quadrinhas foram inventadas há muitos anos, fazendo sentido no contexto de criação. Agora, não tem cabimento replicá-las. No Brincante, lançamos o desafio: faça sua própria quadrinha! Não cante sobre a batata, cante sobre um presidente que dilapida o país, sobre uma mídia opressora, enfim, sobre o seu cotidiano. Porque a criatividade depende do presente. Enquanto brincante, meu trabalho é o de fazer as pessoas enxergarem que: tão importante quanto intervir na coletividade, é entrar fundo, verticalmente, nessa qualidade do ser humano que se move na verdade do seu entorno.

Post com modificações produzidas pelo Caindo no Brasil da publicação “A cultura popular propõe um chão de desafios para nos tornarmos indivíduos melhores”, da reporter Cecília Garcia para o Portal Aprendiz. Leia a matéria original e na íntegra clicando no link.

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Genocídio e desigualdade: jovens mortos em chacina davam aulas de hip hop para crianças

Imagem de cartazes no chão com os textos "Assassinato" (riscado), "Genocídio" e "Nem mostos vão nos silenciar"
(Roberto Nogueira/Inter TV))

No final de março, cinco jovens foram mortos em uma chacina em Maricá, no Rio de Janeiro. Eles participaram de projetos culturais ligados à cultura do RAP. Segundo parentes, davam aulas de hip hop para crianças na área comum do Condomínio Carlos Marighella. As aulas aconteciam na quadra onde eles foram executados. Segundo a Prefeitura, três deles faziam parte da Roda de Rima, projeto das secretarias de Participação Popular, Direitos Humanos e Mulher e da Cultura.

O G1 trouxe os perfis das vítimas de acordo com informações passadas por parentes das vítimas. Matheus Bittencourt (18) era DJ, participou de um ato por eleições diretas para presidente, em Maricá, e participava da roda cultural Darcy Ribeiro. Marco Jonathan (17) era dançarino, participou de projetos da Prefeitura, ganhou o duelo do passinhos e se preparava para ser MC. Sávio Oliveira (20) era compositor, produtor, mestre de cerimônia das batalhas de rimas e estava gravando um CD. Matheus Baraúna (16) era membro da Nação Hip Hop e, junto com Marco Jonathan e Patrick da Silva, faziam parte da Roda do Bronx, que era no Condomínio Carlos Marighella. A roda era direcionada às crianças com idades de entre 8 e 10 anos. Patrick da Silva, cuja idade não foi divulgada, era membro da Roda Cultural do Bronx, no Conjunto Habitacional Carlos Marighella. Envolvido em projetos de hip hop na cidade.

Genocídio e desigualdade no Brasil

O caso é muito sério e comovente. O rapper Projota falou em suas redes sociais sobre a chacina. Os jovens haviam voltado do seu show horas antes de serem mortos. No post, o artista fala também sobre a desigualdade social do brasil. A questão do genocídio é outro assunto levantado. A cultura do hip hop e a expressão artística é um fator essencial para o desenvolvimento dos jovens. Afinal, essa é uma contribuição muito rica para a construção do senso crítico e social. 

Texto de Projota onde ele fala sobre a chacina dos jovens no RJ
(Reprodução/Facebook)

Moradores do Conjunto Habitacional Carlos Marighella fizeram uma manifestação para pedir mais segurança no local. Os jovens mortos na chacina também faziam parte de um grupo de dança em Itaipuaçu, de acordo com parentes. A Prefeitura de Maricá decretou luto oficial de três dias. Segundo a Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, os jovens foram obrigados a deitar no chão antes de serem baleados. A polícia já tem o perfil de um suspeito de participação do crime e trabalha com a hipótese deles terem sido vítimas de milicianos.

Post com resumo e modificações produzidas pelo Caindo no Brasil da publicação “Mortos em chacina davam aulas para crianças de 8 a 10 anos em área de lazer onde foram executados, em Maricá, no RJ“, do G1. Leia a matéria original e na íntegra clicando no link.

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Cultura tem papel fundamental na integração entre escola e território

Imagem de cinco pessoas encostadas em uma parede de tijolo sorrindo e segurando bonecos de pano

Imagem de cinco pessoas encostadas em uma parede de tijolo sorrindo e segurando bonecos de pano

“É, de tédio a gente não morre.” Foi assim que Marília De Santis, gestora do Centro Educacional Unificado (CEU) Heliópolis, inaugurado em abril do ano passado, começou sua intervenção no evento “Encontros da Cultura: Arte e Educação”, promovido pela Representação do Ministério da Cultura (Minc) de São Paulo e pela Funarte. 

“É tanta coisa acontecendo hoje. Na cidade, no país e no mundo, que não dá pra falar de educação sem falar de cultura”. Marília é corresponsável pela gestão do conjunto de equipamentos que compõem o CEU Heliópolis. Cravado em uma comunidade que, após longos anos de movimentação social por direitos básicos, hoje se reconhece como Bairro Educador.

“A cidade precisa de artistas, educadores e arte-educadores. Enfim, de gente com alma para realizar isso que a gente sonha”, relatou a também educadora, enquanto comentava que, naquele momento, estudantes, professores, educadores e a comunidade de Heliopólis estavam reunidos para discutir a programação cultural do final de semana na região. “É assim que se faz articulação e educação cultural de verdade”, provocou.

Imagem do artista Eufra durante uma apresentação em um auditório
Eufra começou sua fala com um cordel (Reprodução/Portal Aprendiz)

 

 

De canto em canto

“A cultura é uma ferramenta, não uma obrigação”, disparou Eufra Modesto, enquanto explicava a iniciativa que desenvolve em Várzea Paulista, Campo Limpo e Jundiaí, chamada Folclorinho. Nele, cantigas antigas, cordéis e cantorias são ensinadas para as crianças, que são instigadas a dividir com suas famílias. A canção passada adiante acaba por despertar velhas lembranças nos pais e avós. Além disso, ela aprofunda os laços comunitários com a escola.

Ele revelou que, recentemente, quando chegou em uma escola, encontrou 150 avós e 150 netinhas e netinhos cantando a cantiga “Índia”, aprendida pelas crianças no projeto. A articulação gerada pela canção redundou em piqueniques e encontros mensais. “Esses encontros trazem ainda mais atividades, cantigas de roda, cordéis, poesias e cantigas matutas. O fazer cultural, a mudança que a gente precisa, é nessa ação, na atitude. No momento em que o educador recebe a ferramenta da cultura popular, esse material vira um encantamento”, defende.

A formação, inclusive, pode vir em plena ação educativa. Pelo menos é isso que a experiências do PIÁ, nas periferias paulistanas, têm mostrado. Inspirado nas metodologias da Escola Municipal de Educação Artística (EMIA), o programa leva quatro artistas, de diferentes linguagens, para desenvolverem trabalhos em turma. É um projeto que é diferente em cada espaço e com cada conjunto de artistas, que vão se formando como educadores no processo.

Ela conta que, atrás do CEU Jaçanã, onde uma turma do PIÁ se formou, havia um rio. Ele foi tema do trabalho dos artistas, que resolveram trabalhar as miudezas do local. Descobriram que Jaçanã era uma ave e deram um ovo de vidro para as crianças levarem para casa e “incubarem poéticas”, em um processo de criação de narrativas naquela região. Um pente enterrado na várzea do córrego também foi material de intervenções. Isso resultou numa exposição fotográfica, mostrando que o território é pleno de oportunidades artísticas e educativas.

Existir é resistir

Val também participa do Poronga, um centro de formação em arte-educação social em São Paulo, que desenvolve diversas linguagens artísticas com educadores que atuam em projetos sociais de ONGs ou na rede regular de ensino. O projeto privilegia a participação de homens e mulheres negras sem escolaridade para criar turmas diversas e com incidência social.

“Para mim, isso demonstra uma grande coerência sobre que mundo queremos transformar e como. Quantos professores e professoras negras você teve?”, questiona Val, que ressalta a importância de trabalhar com pessoas que sejam “subversivas apenas por resistirem em existir”, e com linguagens e artes não hegemônicas. “É muito forte você trabalhar com arte indígena e negra, criar processos de horizontalidade e mudar olhares. Você amplia sua perspectiva sobre o mundo de uma maneira intensa”, completa.

Os “Encontros da Cultura” irão seguir ao longo desse ano, sempre na última quarta-feira do mês. Saiba mais pela página do Facebook da Funarte-SP.

Esse post é um resumo com alterações do Caindo no Brasil de matéria publicada pelo repórter Pedro Roberto Nogueira para o portal Aprendiz, com o título “Cultura tem papel fundamental na integração entre escola e território”. Clique no link para conferir a matéria original e completa.

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8 obras da literatura indígena brasileira para crianças e jovens

Imagem de nove quadros com retratos pintados de meninas indígenas
Imagem de nove quadros com retratos pintados de meninas indígenas
(Reprodução/Centro de Referências em Educação Integral)

Apresentar, desde a primeira infância, o vasto e rico universo cultural dos povos indígenas do Brasil e as especificidades de sua produção literária é muito importante. Especialmente para despertar entre crianças e jovens reflexões sobre as identidades indígenas construídas por índios e não índios ao longo de séculos e, desta maneira, romper estereótipos. Além disso, abordar esses assuntos é uma ótima maneira de promover o engajamento dos estudantes e o protagonismo dentro da aprendizagem.

A pedido do Centro de Referências em Educação Integral, a especialista em Literatura Indígena, Janice Thiél, autora de Pele Silenciosa, Pele Sonora: A literatura indígena em destaque (Ed. Autêntica, 2012), selecionou as seguintes obras da literatura indígena brasileira para leitura e discussão nas escolas:

1. Das crianças Ikpeng para o mundo. Marangmotxíngmo mirang: um dia na aldeia Ikpeng.

A partir do filme de Natuyu Yuwipó Txicão, Karané e Kumaré Ikpeng
De Rita Carelli (adaptação e ilustrações)
São Paulo: Cosac Naify, 2014. (Coleção Um Dia na Aldeia)

Nessa obra, as crianças Ikpeng guiam o leitor para que experimente 24 horas em sua aldeia, no Mato Grosso. O filme – feito pelas crianças Ikpeng -, bem como o livro (em edição bilíngue) são ideais para apresentar a cultura do povo Ikpeng para crianças de todas as culturas.

2. Olho d’água: o caminho dos sonhos

De Roni Wasiry Guará
Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2012

Vencedora do 8º Concurso Tamoios de Textos de Escritores Indígenas, essa obra narra tradições e diferentes tempos vividos pelo povo Maraguá, do Amazonas. Por meio de um texto poético, o narrador permite que conheçamos um pouco dos anseios, das decepções e esperanças de seu povo, que teve a vida afetada pelo contato com o não-índio.

3. Awyató-pót: histórias indígenas para crianças.

De Tiago Hakity
São Paulo: Paulinas, 2011 (Coleção o universo indígena. Série raízes)

As narrativas dessa obra apresentam a trajetória de vida e as aventuras de Awyató-pót, guerreiro valente do povo Mawé, do Amazonas. O texto possibilita o conhecimento de histórias relacionadas a mitos de origem e à construção de um personagem que procura defender seu povo e promover a continuidade de sua cultura.

4. As fabulosas fábulas de Iauaretê

De Kaká Werá Jecupé. Ilustrações de Sawara
São Paulo: Peirópolis, 2007

Essas fábulas sobre a onça-rei Iauaretê foram narradas oralmente por Kaká Jecupé à sua filha, Sawara. Ambos colaboraram para selecionar os textos que compõem o livro, ilustrado por Sawara. A obra inclui histórias divertidas e relacionadas a temas relevantes, como vida, morte, coragem e paz.

5. Irakisu: o menino criador.

De Renê Kithãulu. Ilustrações do autor e das crianças Nambikwara
São Paulo: Peirópolis, 2002. (Coleção memórias ancestrais: povo Nambikwara)

Esse livro, o primeiro feito pelos Nambikwara, que moram no Mato Grosso e em Rondônia, apresenta narrativas de origem e tradições desse povo. O texto destaca as diferenças culturais e linguísticas dos povos indígenas e valoriza as identidades construídas pela voz de cada povo nativo.

6. Coisas de índio: versão infantil

De Daniel Munduruku
São Paulo: Callis, 2003

Essa obra descreve o dia-a-dia, visões de mundo, aspectos culturais, sociais e políticos dos povos indígenas em uma linguagem acessível e clara. O autor discute o que significa ser índio e destaca a importância de se valorizar as diferenças étnicas, culturais, sociais e linguísticas dos povos nativos brasileiros.

7. As serpentes que roubaram a noite e outros mitos.

De Daniel Munduruku. Ilustrações das crianças Munduruku da aldeia Katõ.
São Paulo: Peirópolis, 2001. (Coleção memórias ancestrais: povo Munduruku)

Esse texto inclui mitos de origem narrados por anciãos do povo Munduruku. As histórias promovem o aprendizado sobre sua cultura e representam a memória e o sentido da vida para esse povo. Aspectos culturais, literários, sociais e linguísticos dos Munduruku são apresentados para que o leitor conheça um pouco mais sobre a vida na aldeia.

8. A palavra do grande chefe: uma adaptação livre, poética e ilustrada do discurso do Chefe Seattle.

De Daniel Munduruku e Mauricio Negro (adaptação).
São Paulo: Global, 2008.

Essa obra é uma adaptação do discurso vinculado ao Chefe Seattle, indígena norte-americano. Ela apresenta uma visão crítica sobre o modo de o Chefe perceber como a terra tem sido tratada pelo não-índio. O texto promove a defesa do meio ambiente e de todos os seres que habitam a terra, e alerta para a necessidade de se desenvolver consciência e atitudes de proteção da vida.

Sugiro que, para trabalhar com essas obras, o professor elabore atividades para as etapas de pré-leitura, durante a leitura e pós-leitura.

Na etapa de pré-leitura, é importante realizar a contextualização das obras. Os alunos podem realizar pesquisas sobre os povos indígenas, discutir o título da obra e os elementos visuais da capa para inferir os temas das histórias.

Durante a leitura, os alunos podem ser orientados a observar a relação entre as histórias narradas e as ilustrações. Além, disso, é possível comparar as informações sobre os povos indígenas com aquelas apresentadas em livros de história e livros didáticos, a fim de desconstruir visões de mundo eurocêntricas e estereótipos.

Na etapa de pós-leitura, os alunos podem preparar projetos, com base em temas e discussões realizadas em grupos. Depois, eles podem apresentá-los por meio de ilustrações, pôsteres, apresentações musicais e dramatizações.

Post publicado com o título 8 obras da literatura indígena brasileira para crianças e jovens, pela repórter Thais Paiva para o Centro de Referências em Educação Integral.

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Cultura popular nas escolas: por uma educação com mais significado

Pedro apresenta cultura popular na escola em cima de palco
Imagem de Pedro Popoff de costas no palco durante apresentação em escola
(Reprodução/Facebook)

A cultura popular popular está em tudo. Ela é música, dança, canto, festas, literatura, brincadeiras, culinária, entre muitas outros outros hábitos de um povo. No entanto, há um detalhe muito importante: ela precisa ser transmitida de geração em geração, porque é assim que esses costumes se fixam.

Apesar de não haver uma relação tão clara entre a tradição e o mundo globalizado, a cultura popular está mais próxima do que imaginamos. Por ser muito ampla, ela pode estar presente no cotidiano de diferentes formas. Pode ser através do rap, do funk e da cultura indígena, africana e até de outras regiões do Brasil.

Cultura popular e aprendizagem

Pensando nisso, como ela pode ser útil dentro da sala de aula? Afinal, ao relacionar a aprendizagem com situações da vida real, a educação ganha muito mais significado e desperta muito mais engajamento. O Cordel é um exemplo disso, como mostra o Projeto Brincando de Cordel, de Pedro Popoff.

Com apenas 12 anos, Pedro tem como missão espalhar a cultura e literatura nordestina dentro das escolas. Ao apresentar o gênero, a literatura de cordel, histórias, objetos e comidas típicas, novas possibilidades culturais são despertadas. Assim, é possível mostrar que a arte e a cultura abrem horizontes, especialmente quando estão relacionadas ao processo de aprendizagem. Além disso, a conscientização sobre o respeito entre as diferenças culturais, o incentivo a pesquisa e o desenvolvimento da escuta e da leitura são questões essenciais a serem trabalhadas.

O cordel é um bom exemplo, além de outras possibilidades pedagógicas que podem ser exploradas dentro da cultura popular. Com isso, é possível oferecer aos alunos espaços para debates de temas como cidadania, solidariedade, preconceito e protagonismo.

Veja um pouco mais sobre o projeto de com Cordel nas escolas de Pedro: