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Volta ao mundo sozinha em benefício da Educação e da Sustentabilidade no Brasil

Ecovilas
Vanessa Tenório na Croácia, onde ela atuou como voluntária em duas ecovilas e visitou uma creche (Reprodução/Voe Nessa)

Cinco anos visitando todos os continentes do mundo, com o objetivo de juntar informações, conhecimento e experiências sobre educação e sustentabilidade. E depois disso tudo? Abrir uma escola brasileira com todas essas inspirações colhidas.

Esse é o plano – que já está sendo executado – de Vanessa Tenório. Ela trabalhou por 22 anos no mundo corporativo e decidiu realmente fazer algo que a completava. Ela quer entender como que o mundo pode melhorar, e colocar isso em prática.

Vanessa conquistou sua independência desde cedo. Começou a trabalhar com 15 anos, se casou aos 18 e se divorciou aos 25. Após todos esses acontecimentos, ela viajou sozinha por 10 anos durante suas férias por toda América do Sul. No entanto, quando voltava para a sua rotina normal, sentia um vazio.

“Então, comecei um processo de auto-conhecimento muito profundo”, afirma Vanessa. “Nesse processo, voltei para o meu primeiro curso de graduação, que foi Letras. Eu atuei um ano e meio como funcionária pública, mas vi que não tinha forças para transformar a educação como quero hoje”.

Depois desse período, ela teve uma motivação principal que despertou a vontade de pôr em prática seu projeto: fazer algo transformador no mundo, especialmente para as pessoas que não têm condições financeiras para pagar uma boa educação.

Apesar de todos os questionamentos, da insegurança de largar um emprego estável, de deixar a sua família no Brasil e outros obstáculos, Vanessa entendeu que ela precisava priorizar o que gostaria de viver.

Entre dificuldades e descobertas

Ecovilas
Vanessa na Dinamarca, na ecovila Friland, onde ela colaborou com um projeto de construção natural durante seis dias (Reprodução/Voe Nessa)

Vanessa seguiu seu plano e já está viajando há 8 meses. Ela desenvolveu um breve planejamento inicial, mas tudo é feito de acordo com a sua vivência e experiências. “A maior dificuldade é quando eu faço a mudança”, conta Vanessa. “Tenho que me adaptar às novas regras do local, cultura, pessoas e lugar. Eu levo uns dois ou três dias de adaptação, e a minha média por país tem sido um mês e meio”.

Além disso, pontes para próximas hospedagens são fundamentais para a viagem. “Meu orçamento é de 20 euros por dia. Mas meu maior custo é com transporte, porque as ecovilas dão roupas de acordo com a estação e me ajudam muito”.

O ponto inicial da viagem foi a Conferência de Ecovilas da Europa, onde ela poderia fazer muitas conexões positivas para o projeto. De março até julho de 2017, época em que aconteceu o evento, Vanessa ficou entre Portugal e Espanha, e conheceu mais de 20 projetos nesse tempo. Na conferência, haviam 650 participantes, o que abriu portas significativas para a sua experiência.

Observadora e participante

Quando Vanessa começa a fazer parte de uma ecovila, há alguns pontos que ela tenta observar com mais clareza. “Tento identificar como os princípios da permacultura são implementados de maneira sustentável e, como também sou colaboradora voluntária, já fiz de tudo”.

Apesar de conhecer inúmeros projetos inspiradores, Vanessa conta que muitas ecovilas ainda não são realmente uma comunidade. “Ainda vi muito individualismo predominando. Algumas pessoas queriam apenas um lugar para ficar no campo, em paz, em casas ecológicas, mas o espírito de comunidade – onde eles celebram junto, com acordos coletivos e boa convivência – ainda não existe. Muitas das ecovilas ainda estão visando lucro e estão dentro do sistema”, ela conta. “Eu saí de um sistema totalmente insatisfeita, e não quero entrar em um novo sistema assim. Quando percebo que não me sinto bem naquele ambiente, que não me sinto confortável, eu saio do lugar”.

Voltar para o Brasil para criar uma escola

Algumas experiências não são tão positivas, mas desistir não é uma opção. “As interações são muito importantes. Conheci muitos projetos que me incentivam, mas a minha maior motivação são as crianças”, ela conta. O foco dela, quando voltar para o Brasil, será o de criar uma filial da Cidade Escola Ayni no Rio de Janeiro.

Além disso, para colher mais informações e se aprofundar no assunto, durante esses dois anos de autoconhecimento antes da sua jornada, Vanessa visitou muitos lugares no Brasil. Ela fez o Gaia em Terra Una, em Minas, e também foi para o festival Gaia 10 anos, em Brasília. Lá, haviam ecovilas de todo o Brasil. “Muita gente que conheci nas ecovilas pelo mundo foi estudar no Brasil”, disse Vanessa. “A primeira delas que conheci, na Espanha, viajou para a América Latina para conhecer mais ecovilas. Aqui na Europa, existe muito a parte técnica. Na América do Sul, eles encontraram a parte natural, que veio dos nossos ancestrais”.

Brasil é referência mundial

Vanessa conta também que o Brasil é uma grande referência mundial, e ela encontrou muito projetos durante a sua jornada que aprenderam com práticas brasileiras. “Na minha primeira experiência com educação, por exemplo, que aconteceu em Portugal, eu vi o Pacheco apresentando um projeto brasileiro, o Âncora.”

Seu objetivo com essa escola é inspirar as pessoas a viverem de uma forma diferente, de uma forma mais natural e sustentável, e, segundo ela, “a melhor maneira de conseguir essa transformação é através da educação”.

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Comunidades como motor da aprendizagem transformadora

Meu nome é Amanda, e, antes de mais nada, quero contar o início da minha história. Fui neta da vó Lala, uma professora de primário que, com sua presença amorosa, me alfabetizou “sem querer” em nossas brincadeiras e conversas. Ela me ensinou a amar aprender, como em qualquer brincadeira livre, criativa e espontânea. Desde então, associei o fato de aprender, de sentir o “Self” expandir e de me desenvolver com um imenso prazer!

Depois, em minha trajetória, me formei publicitária e facilitadora. Comecei a explorar metodologias participativas e colaborativas de aprendizagem em programas que coordenei no terceiro setor para formação de jovens lideranças, sustentabilidade e empreendedorismo social. Então, me entendi e me assumi como educadora social e não formal, mesmo sem títulos acadêmicos ou rótulos bem definidos. Hoje, costumo dizer que o diálogo com o mundo têm feito de mim aprendiz-educadora em livre formação e uma anfitriã de espaços férteis para a aprendizagem transformadora acontecer, o que chamei de “Anfitriã de Aprendizagens Transformadoras”.

Nos últimos anos, foram inúmeras experiências onde pude presenciar o desabrochar de pessoas “se encontrando”. Conheci pessoas compartilhando que se sentiam livres para serem quem elas realmente eram, em espaços de confiança, abertura, afetividade e autonomia. Gente essa que se perguntava: “por que não é assim na escola/na empresa/lá fora?”.

Pois é, por que? “O que acontece ‘aqui’ que é diferente de ‘lá’? “Que magia é essa que acontece quando estamos ‘juntos’, quando nos sentimos uma ‘unidade’? Como uma aprendiz por excelência, em vez de respostas, fui guiada por mais perguntas, que se tornaram cada vez maiores, mais instigadoras, com cada vez mais força de me tirar da cadeira e convidar para uma aventura… E então comecei a me perguntar:

“QUANDO FOI QUE SEPARAMOS A EDUCAÇÃO DA VIDA? QUANDO FOI QUE A VIDA DEIXOU DE REPRESENTAR VIVER EM COMUNIDADE? E QUANDO FOI QUE NOSSAS COMUNIDADES HUMANAS SE VIRAM SEPARADAS DA TERRA?”

Estes questionamentos representam o que mais tarde chamei de “três esferas da aprendizagem transformadora”:

  • a do indivíduo em sua concepção integral
  • a das relações em comunidade
  • a da relação com o planeta (uma interdependente da outra, nenhuma anterior ou posterior)

Comunidades de aprendizagem na prática

O Transbordas teve como primeiros destinos iniciativas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O projeto conheceu a Cidade Escola Ayni (Guaporé – RS), a escola Caminho do Meio (Viamão – RS), entre outras

Qual a relação entre “comunidade” e “aprendizagem transformadora”?

E, enfim, a pergunta que abriu uma fresta e me tirou da cadeira… Foi então que embarquei numa jornada de seis meses pelo Brasil, que chamei de Transbordas. Embarquei para o Rio Grande do Sul no dia dia 21 de setembro. Como uma outra forma de “cair no Brasil”, o projeto busca mapear e sistematizar experiências de Comunidades de Aprendizagem Transformadora. O projeto tem o propósito de reconectar a educação com a vida, a vida com o “viver junto” em comunidade.

Eu não busco o melhor método, mas sim a essência que existia antes que ganhasse o nome de “educação”, aquilo que TRANSBORDA e TRANSCENDE os próprios métodos. Afinal, o que é a educação se não a tradução do processo orgânico de desenvolvimento, da transcendência e da expansão da vida?

Na minha jornada, além da integração na rotina das comunidades de aprendizagem, coloco à disposição o meu “baú” de ferramentas e metodologias, como a Arte de Anfitriar Conversas Significativas, a Comunicação Não Violenta, o Dragon Dreaming e o currículo Gaia Education, e ainda tenho como inspiração a Educação Popular de Paulo Freire, os Quatro Pilares da Educação (UNESCO), os Sete Saberes Fundamentais à Educação do Futuro (Edgar Morin), e tantas outras para usar somente SE e QUANDO forem úteis e desejadas.

Roda de Aprendizagem Transformadora

Por fim, ofereço às comunidades de aprendizagem que visito uma “Roda de Aprendizagem Transformadora”, onde há a sistematização das experiências que merecem ser compartilhadas. Acredito que a principal contribuição será polinizar soluções. Ao disseminar essas práticas, pretendo inspirar outras comunidades de aprendizagem pelo país, sejam elas escolas ou iniciativas formais ou informais na educação.

A viagem está sendo viabilizada por meio de um financiamento coletivo recorrente, na plataforma benfeitoria. As pessoas contribuem mensalmente e, conforme as metas vão sendo alcançadas, ofereço as recompensas coletivas como a divulgação do diário de bordo, encontros online com a rede de apoiadores, mentorias online e produção de um minidocumentário e material para publicação posterior.

Desde então, perguntas maiores têm se apresentado… revelando questões que – talvez – me guiem para um caminho bem longo e tragam ainda mais perguntas:

COMO NOS TRANSFORMAMOS JUNTOS? PARA QUÊ AFINAL ESTARÍAMOS AQUI NESSE PLANETA? O QUE TEMOS PARA APRENDER COM ELE NESSE CAPÍTULO DA HISTÓRIA?

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