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Censo Escolar e evasão: os erros da educação brasileira

Imagem de uma menina sentada na carteira da sala de aula vazia, olhando pensativa para a janela
Imagem de uma menina sentada na carteira da sala de aula vazia, olhando pensativa para a janela
(Pixabay)

A taxa de reprovação do  3º ano do Ensino Fundamental é de 11% no Brasil. Esse número se repete no 9º ano, quando o aluno deveria encarar a próxima fase escolar. Este pode ser um indicativo da dificuldade dos alunos de se manterem estimulados com os estudos, segundo o MEC. E isso pode ser um dos fatores da queda de 1,8 milhão de matrículas no Fundamental nos últimos quatro anos.

A apresentação dos dados da edição 2017 do Censo Escolar aconteceu em janeiro e teve algumas conclusões. O que ficou evidente é que os fracassos diários na alfabetização têm um impacto direto no desempenho do aluno nos anos seguintes. Atualmente, como o 3º ano é fim do ciclo de alfabetização, a falta de base para as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática impactam na aprendizagem de outros conteúdos ao longo do caminho.

Em parte, uma das explicações para essa queda de matrículas de 2013 para cá é a tendencia de adequação à dinâmica demográfica. Outra parte é resultado direto da trajetória dos estudantes. Com as reprovações, a distorção idade-série cresce ao decorrer dos anos escolares. A maior elevação se dá no 5º ano, que chega a 19,6%. No último ano do Fundamental, ela atinge 24,2%. “Boa parte dos alunos que não vão para o Ensino Médio é porque estão com uma grande distorção idade-série. Essa tendência é extremamente preocupante”, considera Maria Helena Guimarães, ministra da Educação substituta. “É inútil reprovar e não mudar o que a escola pode fazer. Todo aluno pode aprender. É um número que representa o fracasso da escola e não do aluno”, diz.

Mais jovens na EJA

A crescente matrícula da Educação de Jovens e Adultos em 2017 mostra o tamanho do desafio. Hoje, o EJA conta com 3,6 milhões de alunos. Entre 2014 e 2016 houve um período de queda nessas matrículas. Embora os dados da EJA para o Fundamental apresentem uma tendência de estabilização, o aumento para o Médio foi  de 3,5% em 2017. “Essa afluência não é vista com bons olhos por nós. O EJA é uma ação compensatória, que tem recebido mais jovens que poderiam estar sendo atendidos pelo ensino regular”, avalia Maria Inês Fini, presidente do Inep.

A ministra é enfática na questão. “Há um analfabetismo jovem. É inaceitável que pessoas nascidas no final da década de 1990, que tiveram oportunidades de acesso à Educação, componham esse percentual tão alto”, afirma Maria Helena. Para Rossieli Soares, secretário de Educação Básica do MEC, é preciso investir no combate à taxa de reprovação. “A taxa de insucesso do Fundamental precisa ser resolvida, senão continuaremos crescendo na EJA”, afirma o secretário.

O impacto no Ensino Médio

Nesta etapa, o cenário é fruto dos problemas acumulados ao longo de toda a Educação Básica. O próprio Inep indica que a queda de matrículas no Médio se dá, principalmente, por dois motivos. Um deles é a redução dos alunos que concluem o Fundamental que se matriculam para a etapa seguinte. O outro é o percentual de evasão de 11,2%. “A taxa de evasão do Médio se manteve em 2017, mas o dado positivo é que o número de concluintes da etapa aumentou”, diz Carlos Moreno, diretor de estatísticas educacionais do Inep.

A aposta do MEC para reverter esse quadro são os novos programas e políticas anunciadas desde 2016. Como o Mais Alfabetização, a residência pedagógica, a reforma do Ensino Médio e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). No entanto, para Ernesto Martins Faria, diretor-executivo do Portal Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), o desafio no sucesso das políticas públicas é a continuidade. “Educação não é um processo que muda de um ano para outro por isso a continuidade e a articulação entre governos federal, estaduais e municipais são tão importantes”, analisa Ernesto.

Post com modificações produzidas pelo Caindo no Brasil da publicação Evasão: Censo Escolar revela “fracasso da escola”, da reporter Laís Semis para o Gestão Escolar. Leia a matéria original e na íntegra clicando no link.

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Educação Básica: 21,6% dos professores não possuem superior completo

Imagem de uma sala de aula infantil, com a professora na frente da sala e cerca de 13 alunos sentados em carteiras e divididos em grupos
(Reprodução/Nova Escola)

“Hoje o desafio do Brasil está menos no acesso à escola. A maior preocupação é melhorar em qualidade”, diz Rossieli Soares, enquanto era secretário de Educação Básica do MEC durante a divulgação dos dados do Censo Escolar 2017.

Um dos maiores desafios é a formação de professores. De acordo com o Censo Escolar, apenas 78,4% dos profissionais possuem formação específica de nível superior, em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam. Destes, 4,2% não possuem licenciatura, apenas bacharelado.

A Nova Escola entrevistou Ernesto Martins Faria, diretor-executivo do Portal Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede). Para ele, é pouco razoável imaginar que em 10 anos o Brasil conseguirá garantir formação adequada em todas as áreas. “Embora seja um aspecto básico que deveria ser garantido, existem questões estruturantes de desafio. Como poucos professores formados em Exatas”, avaliou. Ernesto também explicou que não se trata apenas do quantitativo geral. Mas também de distribuição de formação no Brasil – que é mais grave em determinadas regiões do país.

As medidas anunciadas pelo MEC

Em outubro do ano passado, o ministério anunciou a Política Nacional de Formação de Professores. Entre as ações previstas pela medida estão:

– Residência pedagógica (80 mil vagas estão previstas a partir de 2018 pelo programa);

– Ampliação de cursos de mestrado profissionalizante e cursos de especialização, abrangendo todas as áreas e componentes curriculares da BNCC;

– Flexibilização das regras para bolsistas do Programa Universidade para Todos (ProUni) para o preenchimento de vagas ociosas;

– Criação da Base Nacional de Formação Docente para nortear o currículo de formação de professores;

– Reserva de 75% das vagas da Universidade Aberta do Brasil (UAB) para a formação de professores que estejam cursando seu primeiro ou segundo curso de licenciatura.

As disciplinas mais afetadas pela formação

Nos anos finais do Fundamental, 85,3% dos docentes possuem superior completo, sendo 82% com licenciatura. No Ensino Médio, o índice sobe para 93,5% – mas apenas 86,8% são licenciados. Veja nos gráficos abaixo, produzidos pela Nova Escola, como essa divisão acontece por disciplina em cada etapa:

Gráfico Educação Básica

Gráfico 2 Educação Básica

Esse post é um resumo com alterações do Caindo no Brasil de matéria publicada pela repórter Laís Semis para o portal Nova Escola, com o título “Educação Básica: 21,6% dos professores não possuem superior completo”. Clique no link para conferir a matéria original e completa.
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Cai número de matrículas no ensino fundamental e médio, mostra Censo Escolar 2017

O Ministério da Educação divulgou nesta quarta-feira (31) o Censo Escolar 2017. Os dados mostram falta de estrutura na rede pública de ensino. Quase metade das escolas de ensino fundamental não tem biblioteca ou sala de leitura. Na maioria não existe laboratório de ciência nem de informática.

Uma em cada três nem tem acesso à internet e a maioria não tem rede de esgoto

Das escolas do ensino médio, quase 40% não têm banheiro adequado para estudantes com deficiência ou mobilidade reduzida. Mais da metade não possui laboratório de ciências. O censo mostra também, que nos últimos cinco anos, houve redução nas matrículas. 1,8 milhão a menos no ensino fundamental. São 380 mil a menos no ensino médio.

Parece um presídio

Com portas de ferro e cheio de grades, uma escola pública de ensino fundamental em Ceilândia, a 30 quilômetros de Brasília recebe os alunos. Mais de dois mil alunos vão voltar às aulas com biblioteca precária, poucos e obsoletos computadores, sem falar no laboratório de ciências que virou um depósito de entulhos.

Na escola, três em cada dez alunos são reprovados e um quarto deles está fora da faixa etária da turma. “Nós temos aqui aluno com 16 anos no 6º ano. Sendo que o aluno era para estar com 11 anos de idade. Temos aluno com 17 anos numa turma de 7º ano. Então, é uma distorção muito grande”, conta a diretora da escola, Isnã Ambrósio.

Elisângela pensa no futuro da filha de 16 anos, que já foi reprovada três vezes. “Com a dificuldade que nós temos em relação ao desemprego, a tudo, você se preocupa. E quando vai passando o tempo, para você recuperar é mais complicado”, desabafa a motorista partícular Elisângela de Jesus.

Tainã parou de estudar com 21 anos, no início do ensino médio. “Me arrependo. Era para mim ter terminado meus estudos, talvez eu tava fazendo uma coisa melhor”, diz Tainã Santos Serrão, que está desempregada. A taxa de reprovação e abandono da escola, na rede pública, é de mais de 19% no 6º ano do ensino fundamental. E no 1º ano do ensino médio piora: vai para 28%, enquanto na rede particular é de pouco mais de 8%.

Censo Escolar 2017

O Ministério da Educação reconhece que os percentuais são altos e o problema precisa ser enfrentado

“Não existe nenhum país no mundo com bom sistema de ensino com taxas de aprovação baixas como essas. Não existe. Reprovar alunos é sinônimo de atraso na visão do que significa o processo de ensino-aprendizagem. Isso significa, sobretudo, um fracasso da escola, não é fracasso do aluno. É fracasso da escola”, afirma a ministra substituta da Educação, Maria Helena de Castro.

A especialista em educação Priscila Cruz defende mais investimento na formação de professores para reverter o quadro de repetência e evasão escolar. “O Brasil precisa colocar em marcha uma política robusta para as carreiras docentes, para o professor, com formação adequada, tanto a inicial como a continuada, com carreira, com salário, para fazer com que o professor esteja preparado na sala de aula para garantir a aprendizagem do aluno. A gente não vive uma crise na educação, a gente vive uma crise na aprendizagem. A aprendizagem depende de um bom professor em cada sala de aula”, disse Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos pela Educação

Matéria publicada pelo G1