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TALK sobre novas maneiras de educar e aprender está disponível no Youtube

Imagem de Caio em pé e falando no palco, e ao seu lado os dois outros palestrantes sentados.

No dia 21 de agosto, rolou um encontro sobre tendências e alternativas para o ensino superior. Afinal, é muito importante saber pra onde todo esse caminho pode te levar. Promovido pela EBAC, o evento discutiu sobre as novas maneiras de educar e aprender. Nesse talk, eles falaram sobre a inovação das faculdades brasileiras para formar profissionais mais criativos e globalizados. 

TALK: encontro aborda novas maneiras de educar e aprender

A conversa contou com a presença de Miguel Thompson, CEO da do Instituto Singularidades, Carsten Snedker, CEO da EBAC e mediação de Caio Dib, fundador do Caindo no Brasil! 

Quer saber como foi essa super conversa? Olha só:

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Um pouco da história do Caindo no Brasil

por Caio Dib

Acredito numa Educação que forme pessoas pra vida. Existem outras maneiras de se viver processos de aprendizagem dentro e fora da escola que vão além da formação conteudista. A sociedade pede hoje pessoas que vejam o outro, convivam com o coletivo, troquem ideias, sejam autônomas, responsáveis, felizes e divertidas. Em 2013, queria conhecer mais de perto escolas, projetos e histórias de pessoas que seguissem essa mesma visão de mundo. Foi assim que começou a história do Caindo no Brasil.

Como tudo começou

Até o início de 2013, eu trabalhava atendendo consumidores de todo o Brasil em projetos de novos negócios nas áreas de Educação, Comunicação, Tecnologia e Marketing. Entrar em contato com tantas iniciativas me deixou com “gostinho de quero mais” e uma curiosidade enorme. Então, decidi largar o telefone e a internet, cair na estrada e conhecer as pessoas e os Brasis ao vivo. Resolvi aproveitar esse momento para mergulhar de cabeça em um universo que sempre me fascinou: a Educação. O primeiro ano de vida do Caindo no Brasil teve muito aprendizado: foram 5 meses e meio rodando o país de ônibus atrás de realidades brasileiras e práticas de educação transformadora.

Foram 17 mil quilômetros por terra, 58 cidades em 14 Estados e Distrito Federal. Saí de São Paulo com uma lista de indicações, mas também deixei a viagem me surpreender: encontrei grandes iniciativas locais que não eram conhecidas por nenhum especialista, mas estavam na ponta da língua do recepcionista do hostel ou da monitora do museu.

Roda de conversa com estudantes do projeto Re(vi)vêndo Êxodos, em Brasília
Em Brasília, conversando com estudantes do projeto Re(vi)vêndo Êxodos

 

Foi assim que eu conheci 30 iniciativas inspiradoras que eram conhecidas, quase sempre, apenas localmente. 13 dessas novas alternativas de educação estão no livro. Não só escolas, porque eu não acredito que educação dependa de um espaço tão encaixotado assim. Acho que, como diz Tião Rocha, escola é diferente de educação. Escola é meio, educação é fim. Me convenci mais ainda disso conhecendo projetos como o Bairro-Escola Rio Vermelho ou histórias como a de Seu Luiz, que nunca pisou numa sala de aula porque a escola ficava a duas horas de caminhada de sua casa, mas era um Doutor quando falávamos dos assuntos de sua realidade e conseguiu que sua filha completasse o ensino técnico em engenharia. EVASÃO 2018

 

O livro

História Caindo no Brasil Ensaio do Projeto Infâncias, da colaboradora Gabriela Romeu
Ensaio do Projeto Infâncias, da colaboradora Gabriela Romeu

São essas e muitas outras histórias que compartilhei no livro Caindo no Brasil: uma viagem pela diversidade da educação para apresentar esses indivíduos e comunidades atuantes que nos levam a valorizar, pensar e repensar a Educação como conhecemos. O livro possui ensaios de outros projetos que também mapearam esse tipo de iniciativa, como:

O livro também conta em uma linguagem simples, mas baseado em uma pesquisa profunda, sobre 13 iniciativas ou histórias de pessoas que conheci durante a viagem e que me encantaram. Entre elas estão:

O livro também contou com 48 entrevistas e mais de 90 referências bibliográficas que estão compartilhadas na obra. Além disso, teve apoio do Instituto Singularidades para a criação de um Guia do Educador, que estimula profissionais da educação a usarem os conteúdos da publicação em sua prática pedagógica. Em pesquisa recente, mais de 50% dos profissionais que trabalham com educação que leram o livro acreditam que a publicação ajudou muito a melhorar suas práticas pedagógicas.

O Caindo no Brasil hoje

Hoje o Caindo no Brasil se tornou um negócio social que tem o objetivo de dar luz a iniciativas que fazem diferença na educação brasileira. Somos uma agência de comunicação que busca, de diversas maneiras, contar tudo de melhor que está acontecendo na área em nosso país. Para isso, temos duas frentes de trabalho:

Drops do Caindo no Brasil
Drops do Caindo no Brasil
  • Curadoria de conhecimento: ajudamos eventos e produções audiovisuais a encontrarem os melhores projetos educacionais para enriquecerem seus conteúdos. Eles nos falam as características dos projetos que desejam encontrar e nós fazemos uma pesquisa com as melhores iniciativas 🙂
  • Produção de conteúdo: criamos produtos e serviços do Caindo no Brasil para contar as histórias de quem faz a diferença na educação brasileira. São livros, palestras, cursos online e até uma assinatura de conteúdo via Whatsapp para fazer com que essas histórias sejam cada vez mais ouvidas!
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Revisitando experiências: a Vivendo e Aprendendo hoje

Vivendo e Aprendendo hoje

Muita coisa mudou desde a viagem e a publicação do livro do Caindo no Brasil, em 2013. Tanto no país, quanto na educação de modo geral. A continuidade costuma ser um dos maiores desafios para quem trabalha com projetos educacionais, principalmente aqueles que saem dos padrões. Estamos sempre imaginando: como será que está aquela iniciativa do livro hoje? Pensando nisso, vamos revisitar – ainda que virtualmente – essas experiências, e saber o que aconteceu com elas de 2013 para cá.

A escola hoje

A primeira iniciativa a passar por essa atualização foi a Vivendo e Aprendendo. A escola é administrada por uma associação engajada com a mudança da educação. Por isso, foi uma das que mais chamou a atenção do Caio na viagem. Brasília, de modo geral, se mostrou – e se mostra cada vez mais – uma cidade em que a inovação está adentrando as escolas e faculdades.

De 2013 para cá a escola passou por diversas reformulações. Pablo Martins, por exemplo, era professor na época que o Caio passou por lá. Hoje, ele é o coordenador pedagógico e dividiu com a gente um pouco dessa história. “A Associação tem muitos fluxos que ocasionam mudanças a cada chegada de pessoas novas, com desejos e preocupações novas. Essas são mudanças corriqueiras que fazem a Vivendo ser o que ela é, baseada na reconstrução cotidiana”, ele conta.

Comissões transformadoras

Algumas das mudanças significativas da escola passam por duas comissões, formadas por associados. Uma delas é a de agrofloresta, e a outra é a de bem-estar, higiene e saúde. A primeira “é uma comissão que está repensando nossa relação com o meio ambiente. Ela trouxe o plantio e o ciclo da vida mais para próximo. Estamos fazendo uma composteira, temos uma agrofloresta que já proporcionou uma colheita, outros animais chegaram à Vivendo”, conta Pablo. Já a outra costumava chamar apenas “higiene e saúde”. Mas Pablo nos explicou a mudança: “esse nome, bem-estar, veio com a energia da comissão. Eles fizeram diversas discussões com a associação como um todo, com cine-debates, diálogos e oficinas de alimentação. Isso aproximou as pessoas desse olhar mais sensível à alimentação consciente. Isso tem repercutido muito nos grupos que compõe a escola”.

Volta às aulas na Vivendo

Perguntamos à Katia Lima como seria a volta às aulas da escola. Ela, que é uma mãe super atuante de um aluno da Vivendo e Aprendendo, conta:

“Estamos na Vivendo desde 2015. Nos encontramos nessa escola, tanto eu, tendo um espaço de participação claro e possível por meio da Comissão de Bem-Estar, quanto o meu filho que achou nas árvores seu lugar no mundo.

Passamos as férias da Vivendo, junto com a Vivendo. Como na colônia de férias, com o educador e algumas famílias da Sala Verde, ou com encontros nos parques com amigos. Tem também uma ida ou outra até a escola para olhar o andamento das reformas e para fazer algumas reuniões. Não havia aulas, mas estávamos por lá.

Levamos a Vivendo até quando viajamos, a caixinha de férias nos fez lembrar de guardarmos lembranças para partilharmos depois. Encontramos muitos primos na casa da vovó e do vovô e levamos os combinados. Eles são o “não gostei” e – por que não – um pouco do caos organizado das crianças que a Vivendo nos faz ver com mais tranquilidade.”

Para Katia, a volta às aulas foi gratificante. Especialmente pelo reencontro com os amigos e com uma escola reluzente, reformada. O retorno também é cheio de expectativas: uma reunião ampliada, marcada desde o semestre passado, discutiria os novos combinados da alimentação na escola. Além disso, também seria o fim de um longo ciclo de trabalho e reflexão sobre o tema.

Revisitando outras histórias

O livro do Caindo no Brasil contou um pouco sobre outros atores atuantes nessa escola. E estávamos curiosos para saber como eles estão hoje. A Diane, por exemplo, que era coordenadora pedagógica e conversou com o Caio na época, hoje é educadora da rede pública. “Nós sempre desejamos que os educadores, ao saírem daqui, fossem para escolas públicas para fortalecer o sistema de educação, levar essa experiência”, festeja Pablo. “E não vamos esquecer que a Diane é neta de Luis Carlos Prestes, revolucionária de berço!”.

A Fatima, que tinha seu filho Pedro matriculado na Vivendo em 2013, hoje permanece próxima à escola. “Ela é professora da Faculdade de Educação da UNB, uma de nossas colaboradoras. Uma grande parceira que traz seus alunos, faz observações, dá consultoria, promove muitas coisas”.

Desafios de uma escola democrática hoje

“Acredito que atualmente não estamos num momento muito bom no sistema educativo”, diz Pablo sobre o cenário da educação hoje. “Fora isso, de certa forma, a sociedade está mais consciente e aberta a propostas educativas educadoras. O assunto da educação inovadora e da autonomia na educação está mais presente no discurso pedagógico mais amplo. Da descentralização dos processos educativos e do jovem como protagonista também. Mas ainda temos muito a caminhar.”

E por falar nesses desafios, eles contam que a escola organizará em outubro o seminário “Democracia para que te quero – que partido queremos tomar para a educação”. A ideia do evento é posicionar a Vivendo e Aprendendo contra o projeto de lei conhecido como Escola Sem Partido. “Ser uma associação não é uma escolha meramente de gestão, tem a ver com a crença de uma construção coletiva. E essa construção permeia o diálogo, a diferença, e uma clareza muito grande que não existe educação neutra. Toda educação é ancorada num projeto de sociedade, ancorada em ideologias e pressupostos. Então o que está se discutindo hoje é uma ilusão”, explica Pablo.

A Vivendo e Aprendendo amanhã

Sobre o futuro, o coordenador conta que desejam expandir cada vez mais os espaços de troca, sair do seu microcosmo e dialogar com outras iniciativas. “Temos feito parcerias legais, com uma escola de Cavalcante, por exemplo, que é uma associação também. Isso tem enriquecido muito nosso trabalho, então desejamos fazer mais pontos com outras escolas, sistematizar mais nosso trabalho. Queremos fazer mais publicações, seminários, para a gente aprender com outras iniciativas. Assim, podemos doar o que a gente tem de bom”. Pablo completa dizendo que esses são desafios além daqueles que já fazem parte do cotidiano da Vivendo: “como promover a participação, porque o Brasil é um país com pouca cultura de participação”.

por Sabrina Coutinho