Unir tendências da educação, escuta dos alunos e professores e profissionais especialistas em diversas áreas. Essa é a equação que a Escola Santi, de São Paulo, encontrou para aprimorar sua proposta educativa e desenvolver jovens de 11 a 15 anos com uma perspectiva integral. O Currículo 21 oferece cursos não-obrigatórios para os estudantes do 6º ao 9º ano. Os jovens desenvolverem competências socioemocionais e entrarem em contato com novas áreas.

As disciplinas consideradas tradicionais ainda se mantém. No entanto, os cursos serão mais um caminho para os estudantes conectarem o que aprendem em Matemática, Português, História com projetos reais e com maior significado para os jovens. São cursos como Procedimento de Estudo (6º ano), Competências Socioemocionais (divididos em Mindfulness, Estratégias para Atuação em Grupo e Ação de Impacto Social, para os estudantes do 7º ano), Projeto Bilíngue (Garbology e Games&Coding para o 8º ano) e Design Thinking (9º ano). Marta Durante, diretora pedagógica, explicou. “Estamos incentivando alunos a realizarem essas conexões entre as disciplinas tradicionais e as do Currículo 21. A Santi já tem a cultura de realizar projetos interdisciplinares dentro do currículo”.

Procedimento de Estudo ajuda estudante a desenvolver consciência da aprendizagem

A entrada no Ensino Fundamental 2 pode ser um desafio. De um único professor, o aluno começa a precisar organizar-se entre diversos professores e um número maior de disciplinas e de trabalhos e testes. O Procedimento de Estudo apoiará os estudantes nesse novo momento. “Existem estratégias diferentes no aprendizado. Mais do que aprender estratégias de estudo e de organização, os alunos terão a possibilidade de desenvolver a consciência de aprendizagem. O curso possibilita que eles tenham mais clareza do processo dos professores e principalmente deles mesmos”, explicou Marta.

Competências Socioemocionais

Três alunas praticam mindfulness no Curriculo 21

No 7º ano, os estudantes terão uma série de micro-cursos voltados para o desenvolvimento de competências socioemocionais. Adriana Cury, diretora geral da escola, ressaltou: “O Currículo 21 nos permitiu criar ciclos mais curtos. Assim, o aluno começou a perceber que precisa aproveitar muito aquele trimestre, porque no próximo ele já estará envolvido em outro projeto, com outro educador”. 

Durante o ano, os estudantes com idades entre 12 e 13 anos terão cursos envolvendo Mindfulness, Estratégias para atuação em grupo e Ação de impacto social positivo. Assim, farão uma jornada que parte do maior conhecimento de si mesmos e trabalho com foco, atenção e autocontrole e começarão a experimentar trabalho em equipe. Por fim, realizarão um projeto beneficiando uma ONG.

Projeto Bilíngue

No 8º ano, os estudantes trabalharão ativamente com projetos que envolvem sustentabilidade. Esse será o primeiro momento no qual os alunos terão parte do currículo com a língua inglesa como idioma oficial. No curso de Garbology – junção de garbage (lixo) e arqueology (arqueologia) -, os jovens trabalharão com gestão de resíduos, consumo e sustentabilidade. Já no segundo e no terceiro trimestres, aprenderão a linguagem de programação ainda tendo como tema de fundo a sustentabilidade.

Alunos debatem durante a aula de Design Thinking, do Currículo 21Design Thinking

Os estudantes do 9º ano, por sua vez, são apresentados oficialmente ao Design. A disciplina desenvolve habilidades para os jovens buscarem soluções que promovam uma experiência mais empática nas pessoas. A abordagem é baseada em empatia, colaboração e experimentação.

No curso, os jovens aprendem o conceito de design e, em seguida, realizam um projeto prático para aplicar a teoria na sua realidade. “Eles são convidados a revisitarem suas histórias na Santi a partir do Design. Utilizando os conceitos que aprenderam, desenvolvem um projeto sobre as pessoas, os jogos de vôlei e outros momentos marcantes que tiveram na escola”, contou Adriana.

Currículo 21 muda maneira de aprender e ensinar

A nova proposta da Santi ainda está no seu primeiro trimestre de atuação. Mesmo assim, já apresenta resultados interessantes para alunos e professores. Os alunos passaram a ter uma relação diferente com o aprendizado e com a resolução de conflitos. Esse processo, que já vinha sendo trabalhado na Santi, aumenta ainda mais a corresponsabilização do aprendizado entre alunos e professores.

Já os professores também estão sendo impactados. “Qual o compromisso que o professor terá a partir dessa nova maneira de educar? Esses cursos passam a ser um valor para o professor. Os professores vão repensar sobre a prática a partir do que os alunos estão realizando e não a partir da opinião dos coordenadores”, provocou Marta. Isso está refletido na própria formação docente. Todos os funcionários da Santi passaram por uma oficina de Design. O desafio era propor uma solução para trazer a felicidade para o outro durante a semana pedagógica. “Nesse momento, eles precisaram olhar para a necessidade do outro, trabalhar em grupo e prototipar. Os resultados foram incríveis”, contou Adriana.