Selo com quatro dicas sobre como treinar o cérebro para mudar um hábito ruim

Querer mudar de hábito e sair da zona de conforto exige do cérebro uma reorganização constante. Segundo o coordenador da pós-graduação em Neurociência e professor de Programação Neurolinguística do Instituto Brasileiro de Formação de Educadores (IBFE), João Rilton, é possível treinar o cérebro para criar, mudar ou excluir um hábito.

“A verdade é que mudanças exigem muita disciplina e determinação. Afinal, o hábito é um aprendizado em nível de competência inconsciente. Ou seja, quando você executa-o, não precisa estar com sua atenção nele. Você funciona em modo automático”, explica. Isso se aplica para muitas áreas da vida, inclusive na educação. Especialmente porque, na nossa sociedade, ainda enfrentamos muitos obstáculos, como o tradicionalismo, na aprendizagem. O especialista cita 4 passos para treinar o cérebro a programar ou desprogramar costumes negativos:

Aumente sua atenção sobre o hábito

Descubra como seu hábito está estruturado. Ou seja, como e de que forma ele acontece.  Por exemplo, se for um hábito de postergar, é possível observar quais pensamentos chegam a consciência, como o corpo físico se sente e o que dá vontade de fazer. Uma outra maneira é criar uma forma de lembrete que mostre que você está envolvido por aquele hábito no momento. “Algumas pessoas utilizam um elástico no pulso. Toda vez que elas se percebem praticando o hábito, puxam o elástico e, assim, chamam a atenção do cérebro para aquele processo. Por exemplo, se você tem que estudar e percebe que tem o hábito de ficar negociando e postergando o estudo, o elástico no pulso pode ser uma boa forma de você perceber como é o processo de pensamentos que te levam a postergar”, afirma o especialista.

Desenvolva a autoconsciência

Perceber quais estímulos disparam aquele hábito e o que acontece em nível emocional é uma forma de treinar o cérebro. É necessário criar um contato entre os seus sentimentos e o hábito que está conectado a ele. Você perceberá, por exemplo, que a preguiça é apenas um hábito da mente querer preservar o conforto pelo maior tempo possível. Sendo assim, é importante ter ciência do seu nível biológico. Ou seja, dos seus batimentos cardíacos, da temperatura do corpo, da salivação, e quaisquer outros sintomas físicos.

Racionalize a questão

Crie alternativas mentais para a solução do problema. O especialista indica você fazer isso em momentos do dia em que se sinta bem. “Sonhe em possibilidades e crie imagens cerebrais. Não tem problema ser grandioso em seus pensamentos. Estamos trabalhando com um exercício mental e não com um código de conduta das coisas concretas”, afirma. Além disso, ele explica que é fundamental manter o emocional positivo para que se possa fazer uma boa reflexão sobre um assunto que deseja mudar ou transformar. “Se você resolver pensar sobre o assunto estando emocionalmente alterado, não conseguirá ter acesso as memórias mais criativas para o problema, pois essas são acessadas a partir de um corpo físico e um cérebro conectados em sensações positivas. Normalmente, momentos de criatividade são acompanhados de uma química cerebral que causa um grande bem estar”, analisa.

Aja diferente perante ao hábito

É fundamental tomar uma posição observadora. Ou seja, não se deixar levar pela inconsciência e cair na malha emocional daquele hábito.Isso se torna possível porque com a execução dos passos 1, 2 e 3, o cérebro já estará treinado a prestar atenção no momento presente. Isso facilitará o processo de enfraquecimento do modo automático do hábito. A partir disso, é possível se reprogramar ou excluir aquele hábito específico”, finaliza o especialista.