Nosso trabalho é compartilhar oportunidades e práticas inspiradoras para que a educação seja um campo cada vez mais plural. Para isso, estamos sempre procurando possibilidades e estratégias para espalhar por aí. Uma delas é o Design Thinking (DT), uma metodologia que falamos algumas vezes por aqui.

Fotografia de Osório durante curso de Design Thinking em pé, ao lado de uma lousa, explicando as informações escritas em cores diferentes, símbolos e papéis.
Curso de Design Thinking com alunos de Publicidade em Instituição Federal de Ensino (Divulgação)

Nós reunimos um guia sobre sobre o DT com livros, cursos, vídeos, textos, imagens e outros materiais para você ficar por dentro do assunto. Agora, trouxemos o publicitário e professor Amarinildo Osório. Ele compartilhou um pouco mais sobre o tema com a gente. Olha só:

Simplificando, o que é o Design Thinking?

A melhor forma de entender o que significa o DT é pondo a mão na massa. Ou seja, se desprender de conceitos engessados e pesquisar, testar, experimentar, discutir e melhorar questões sobre algum espaço ou lugar. Mas, de uma forma simples, eu diria que o Design Thinking fala sobre inovação. Ele aborda uma cultura de valores com foco mais humano voltado para o desenvolvimento de projetos, negócios, produtos e serviços. Assim, podemos criar soluções onde o foco seja as pessoas e em diferentes áreas de atuação. E desta forma surgem inovações e resoluções de problemas como questões de relacionamento, da cidade, políticas, ambientais, educacionais, entre outros.

Ou seja, o DT pode ser aplicado em todas as áreas que buscam melhorias, visando a participação de todos. É esse olhar mais empático, dinâmico e colaborativo que caracteriza essa abordagem e vem despertando interesse de muitas pessoas. 

Como podemos espalhar o DT em toda a comunidade escolar?

Uma dessas aplicações é justamente pensar na escola além da sala de aula e dos muros que a cercam. Esse espaço deve ser visto como coletivo, unindo o aluno e toda a comunidade. Além disso, temos a possibilidade de abordar diferentes temas dentro da sala de aula e desenvolver projetos externos.

Por exemplo: um projeto de horta escolar; uma campanha de sensibilização para arrecadar agasalhos no período de inverno; coletar materiais eletrônicos para melhorar o ensino de física ou de um conteúdo específico; discutir o bullying e outros temas em sala de aula com a participação de pessoas convidadas. Essas são algumas possibilidades de ações que podem começar na sala de aula, envolver a comunidade e promover mudanças positivas. Pra mim, isso é uma forma de fazer educação inovadora, além do espaço formal da sala de aula.    

Como trabalhar com foco no aluno em salas muito grandes?

Algo muito interessante nessa metodologia é a importância da autonomia, rompendo a ideia tradicional do professor como centro do processo de ensino-aprendizagem. Aplicar essa abordagem em sala de aula exige mudanças, mas também gera muitos resultados positivos. Afinal, o aluno aprende a trabalhar de forma mais autônoma, construindo conhecimento e valorizando suas habilidades.

Para salas de aula muito grandes, algumas estratégias são dividir os alunos em equipes e trabalhar a aprendizagem por projetos. É possível estabelecer critérios uniformes para o desenvolvimento das atividades e um sistema de orientações individual às equipes. Os trabalhos, projetos ou assuntos abordados podem compreender ações e atividades dentro e fora da sala da aula. No caso de atividades externas, é importante que o professor crie mecanismos para monitorar essas atividades, como um grupo do WhatsApp ou diário de campo. Assim, é possível assegurar resultados mais assertivos. 

Como despertar o interesse dos alunos nesse processo?

O Design Thinking acontece em um processo em colaboração, construído de forma participativa. Não é uma fórmula mágica, pois exige preparo e motivação do professor para engajar seus alunos. Mas o interesse surge à medida que o aluno começa a discutir e expor suas opiniões, trabalhar temas que são do seu interesse e ter mais protagonismo no processo de ensino-aprendizagem. Pela minha experiência em sala de aula usando o Design Thinking, esse processo acontece de uma forma natural, quando, por exemplo, o aluno percebe que precisa da ajuda do outro para uma atividade e sente a necessidade de interagir. 

Com aplicar valores do Design Thinking (empatia, colaboração e experimentação) em escolas com poucos recursos?

Fotografia de uma jovem de costas escrevendo em um post-it colado na parede. Há diversos papéis, ideias e informações dispostas.
Curso de Design Thinking com alunos de Publicidade em Instituição Federal de Ensino (Divulgação)

Esses valores não estão diretamente ligados a recursos financeiros e materiais. Claro que eles são importantes, mas o principal capital ao longo de sua aplicação é o ser humano. Isso é uma forma de entender que ser mais empático, colaborativo e pôr a mão na massa diz mais respeito a atitudes do que recursos. Muitos projetos são desenvolvidos apenas com papel e caneta, por exemplo. Logo, exercitar esses valores começa com nossas ações e com os recursos que temos. 

Além de leituras e cursos, como apodemos conectar teoria e prática?

Muitos me perguntam qual a melhor forma de aprender Design Thinking e eu respondo: praticando. Pode ser engraçado, mas é desta forma que eu vejo esse caminho e tenho participando de experiências envolvendo DT. Design Thinking é um exercício diário, que agrega visões diferentes e bebe em muitas fontes de informação como psicologia, comunicação,
engenharias, design, entre outros. Isso o torna multidisciplinar e agrega uma diversidade que possibilita qualquer pessoa ou profissional unir teoria e prática.

Para quem se interessou em conhecer mais sobre o Desing Thinking e aplicá-lo, o caminho é iniciar uma formação básica. Ler bastante – há muito material disponível na internet –, fazer um curso online ou presencial, observar alguns cases. Esse processo já agrega uma visão de como teórica e prática caminham lado a lado.

Fotografia de aproximadamente cinco pessoas reunidas na frente de uma lousa, checando informações e discutindo sobre o assunto usando a metodologia do Design Thinking.
Curso de Design Thinking com alunos de Publicidade em Instituição Federal de Ensino (divulgação)

Quer saber mais?

Em 2018, o Prof. Osório concluiu um estudo sobre o uso do Design Thinking para o ensino de projetos publicitários, sob orientação da Profa. Dra. Andréa Pereira Mendonça no Mestrado Profissional em Ensino Tecnológico do IFAM. Como resultado da pesquisa, organizaram um Guia Didático para professores no formato de um Ebook. Essa é uma proposta de ensino-aprendizagem para o ensino de projetos publicitários com DT. O material compreende: ementa; planejamento de ensino; roteiros de aprendizagem, instrumentos de avaliação e um conjunto de orientações para que professores possam aplicar o DT em sala de aula. O material está disponível para download por meio do link e no site: www.dtnapublidade.com.br