Fotografia de doze pessoas sorrindo, enfileiradas, para a foto.

Cinco jovens amigos da periferia do Rio de Janeiro, juntos, fazendo barulho. Foi assim que nasceu o CIJoga, a Caravana Itinerante da Juventude. “A gente se reunia para curtir e conversar e vimos que a nossa visão de mundo sempre foi muito parecida”, conta Gelson Henrique, que teve a iniciativa do projeto. “A gente sempre debatia sobre como a galera daqui da periferia e da escola pública nunca está participando ativamente e ocupando os locais da sociedade. E isso acontece porque eles não tem acesso a esses espaços.”

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Junto com Gelson, Rafaela, Maria, Emily e Felipe se uniram para formar o CIJoga. Essa ideia surgiu quando apareceu uma inscrição para uma iniciativa UNICEF Brasil, chamada Geração que Transforma. A iniciativa selecionou 10 ideia de jovens entre 14 e 24 anos para fazer uma imersão em São Paulo. “A gente se inscreveu e fomos selecionados. Então, fomos juntos fazer essa semana de imersão para realmente colocar essa ideia no papel”. 

Desafios e oportunidades

Uma das maiores ações do projeto é entrar em contato com escolas e espaços educativos e levar caravanas que contam com rodas de conversa, palestras e interações dentro das escolas. Nesses espaços, eles falam sobre o protagonismo desses jovens na sociedade. E, dentro disso, surge o seu maior desafio: a capitalização de recursos para viabilizar essa ação. No entanto, todo esse esforço se reflete nas oportunidades que o CIJoga já conseguiu.

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O primeiro retorno positivo foi o capital inicial recebido pelo Sementes da UNICEF, com um valor de 4 mil reais, verba que o grupo usou para fazer diagnósticos, estudos e ações iniciais. Depois, eles foram para a etapa final do Youth Challenge, uma iniciativa da Unicef que vai premiar 5 projetos de 16 países diferentes com até 20 mil dólares. Eles chegaram até os 32 finalistas, e agora eles vão selecionar apenas 5. Além disso, eles receberam o Prêmio Dandara, no Rio de Janeiro. “Mas, acima disso, uma das maiores conquistas foi ver que os jovens estão recebendo a gente, como eles realmente querem que isso dê certo”, conta Gelson.

O que queremos para o futuro?

Essas conquistas representam o quão importante é a participação política dos jovens. E também o quão emergente é olhar de fato para a periferia, construindo com eles. “Por isso, agora, a gente precisa sair do papel de receptores. Nós precisamos ser também desenvolvedores. E é isso que o CIJoga quer fazer. Nós não queremos que tudo pare na gente, queremos que os jovens desenvolvam coisas também”. Assim, o projeto busca, através dessas práticas, reverberar essa visão e, consequentemente, colaborar para que os jovens periféricos ocupem ada vez mais os espaços da sociedade.

“Então o que queremos para o futuro? Queremos que a gente realmente consiga estar efetivando essas caravanas, e continuar com esse retorno positivo. Não só pra gente, mas pra sociedade e que os jovens evoluam em todos os sentidos”, conta Gelson. “Queremos ir pra outras periferias, não só do Rio de Janeiro, mas no brasil e até do mundo. Queremos que no futuro nós sejamos relevantes de fato e que tenhamos reconhecimento pra gerar mais práticas e ter mais credibilidade para conseguir alcançar mais jovens.