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Aprendizagem criativa em escolas públicas: desafios e caminhos

A professora Débora Garófalo, da escola municipal Almirante Ary Parreiras, no bairro de Cidade Leonor, na Zona Sul de São Paulo, vivia em condições de trabalho semelhantes a dos outros 62 mil docentes da rede pública até fevereiro deste ano. Naquele mês, ela recebeu uma ligação da Fundação Varkey informando que seu nome estava na lista dos dez finalistas do Global Teacher Prize – o “Prêmio Nobel da educação. 

O vencedor foi o professor queniano Peter Tabichi, mas o projeto de Débora – em que alunos coletam lixo no entorno da escola para utilizá-la como matéria-prima para a construção de projetos relevantes à comunidade, por exemplo – a transformou em uma das grandes inspirações da educação no país. Hoje ela é responsável pela implementação da disciplina de Tecnologia na rede pública estadual paulista.

Para o fundador da Little Maker – uma metodologia de ensino embasada pela aprendizagem criativa – Diego Thuler, Débora é um exemplo entre outros docentes que realizam verdadeiros feitos heroicos na educação pública. “A Débora mostrou que é possível inovar práticas educacionais, proporcionando uma aprendizagem com mais significado, sem a necessidade de grandes investimentos, ou grandes ferramentas. Ela conseguiu engajar os alunos mostrando uma paixão real pela educação”, diz.

“Assim como ela, acredito que todos os atores envolvidos em educação,  independente se estarmos falando de rede pública ou privada, têm o dever de pensar no ensino público do país. Devemos discutir a corresponsabilização, entendendo que a educação é um compromisso de todos”, diz. 

Thuler é um dos membros da Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa, um grupo multidisciplinar que procura, desde 2015, disseminar práticas de ensino criativas e “mão na massa” ao ensino público. A ideia é inspirar (e ser inspirado) por educadores, como a própria Débora.

O método mão na massa, ou maker, que já é bastante comum nos Estados Unidos, chegou ao Brasil por meio de colégios privados e iniciativas com recursos disponíveis para investir em inovação, mas ainda é raro na rede pública. Somado a isso, há outro grande desafio, como Levanta Thuler — a falta de formação de professores para práticas inovadoras de ensino. Para ele, o trabalho de Débora e da própria Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa podem ser grandes inspirações para uma significativa melhoria no ensino do país. 

Para Simone Lederman, pedagoga e coordenadora do Instituto Catalisador (organização da sociedade civil) toda instituição de ensino se beneficiaria com a aprendizagem criativa. Na rede pública, os benefícios se dariam, principalmente, na relação, já desgastada, entre o professor e o aluno.

“As estratégias criativas mão na massa promovem conexão de corpo e alma, que resultam em outra forma de conexão entre professores e alunos, novas formas de ensinar e aprender, novas possibilidades de construir significado no processo de aprendizagem”, diz.

“Elas deslocam o professor e o aluno daquele lugar de repetição desgastado. A Aprendizagem Criativa consegue criar movimento, trazer novidade, inovação, invenção e muda as relações. É possível criar novas formas de vínculos de respeito e de escuta e fala em sala de aula, o que também amplia o repertório de habilidades tanto de professores quanto de alunos”, completa.

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Como as escolas podem preparar os jovens para as profissões do futuro?

Como as escolas podem preparar os jovens para as profissões do futuro?
(Reprodução)

Com o passar do tempo, profissões são criadas e outras extintas. E essa mudança é normal, principalmente por causa da tecnologia. Foi pensando nisso que o relatório “21 More Jobs of the Future”, produzido pelo Center for the Future of Work (Centro para o Futuro do Trabalho), lista 21 apostas no mercado da próxima década.

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O estudo cita profissões como Engenheiro de Reciclagem de Dados, Designer de Personalidade de Robôs e Designer de Arenas para E-sports. E muitas dessas atividades envolvem temas como pensamento computacional, inteligência artificial e resolução de problemas.

E na sala de aula?

Por isso, desenvolver essas habilidades nos jovens durante o seu desenvolvimento é uma maneira de prepará-los para algumas dessas oportunidades. A Mind Makers é uma editora educacional que oferece disciplinas como Pensamento Computacional e Empreendedorismo Criativo para escolas brasileiras.

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As aulas desenvolvem habilidades como criatividade, interação, gerenciamento de recursos, resiliência e autocontrole. No caso do Pensamento Computacional, o aprendizado engloba conhecimentos de algoritmo, abstração, decomposição de problemas e identificação de padrões.

Já com aulas de Empreendedorismo Criativo, oferecidas para estudantes do Ensino Médio, os alunos aprendem técnicas de gerenciamento de problemas e de ideias. Dentro da disciplina, o empreendedorismo é entendido como uma habilidade a ser aprimorada e não apenas a capacidade de abrir uma empresa. Nela, os participantes são estimulados a pensar em soluções criativas que impactam diretamente a comunidade escolar.

João Lacerda, diretor da Mind Makers, defende que o papel das escolas é investir nesses novos meios e formatos de educar com o objetivo de aperfeiçoar seus alunos. Os jovens aprendem hoje para, no futuro, desempenharem funções que muitas vezes ainda não foram inventadas. Por isso, é importante prepará-los, tornando-os aptos a se desenvolverem e se adaptarem para novos mercados de trabalho. Quer saber mais sobre o trabalho da Mink Makers? Clica aqui para ficar por dentro!

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Quero na Escola Especial Professor tem inscrições prorrogadas

Quero na Escola Especial Professor
(Reprodução)

O Quero na Escola é um projeto muito legal que nós já contamos com mais detalhes aqui. Agora, no Quero na Escola Especial Professor, educadores de escolas públicas de todo o Brasil dizem quem gostariam de receber em suas escolas para ajudar em algum tema. Felizmente, suas inscrições foram prorrogadas até o dia 20 de setembro!

Através do seu site, professores e gestores podem para dizer que colaboração querem para si ou para seus alunos. Mais de 200 pedidos já estão no ar e quem quiser pode participar como presente no mês dos professores.

Também é possível enviar uma proposta pelo site. Basta clicar no assunto que mais te agrada em cada escola (você pode ver os pedidos aqui). O Quero na Escola Especial Professor é uma parceria com a Fundação SM que está na quarta edição. Em 2018, 48 atividades foram promovidas sob demanda das escolas, beneficiando mais de 3 mil estudantes e professores. Clique aqui para participar!

E olha só esse vídeo dos professores fazendo um convite:

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Quer ganhar um kit de livros sobre educação inovadora do Porvir?

Quer ganhar um kit de livros sobre educação inovadora do Porvir?
(Reprodução)

No mês passado, o Porvir lançou uma campanha para sorteiar 6 kits de livros. As obras falam sobre o mundo da educação inovadora, como escolas inovadoras, metodologias ativas e educação socioemocional. Um dos exemplares será o nosso Guia de Sobrevivência da Inovação Inovadora e o Caindo no Brasil, além de livros como Tenho monstros na barriga e O Futuro alcançou a escola?.

LEIA MAIS: O novo poder: como disseminar ideias, engajar pessoas e estar um passo à frente

O objetivo deles é melhorar seu relacionamento com seus leitores, que apoiam a educação brasileira e o projeto. Assim, esse vai ser um marco da nova fase do Porvir, que depois de sete anos junto com o Instituo Inspirare, agora vai ter autonomia e receber apoio de outras instituições.

Como participar?

Para concorrer, é só atualizar seus dados ou assinar a sua newsletter. O sorteio acontece no dia 10 de setembro e o resultado será divulgado pelas redes sociais do Porvir.

É bem rápido! Clique aqui e participe.

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Pesquisa da Consulta Brasil quer entender como jovens fazem uso das TICs

Pesquisa da Consulta Brasil quer entender como jovens fazem uso das TICs
(Divulgação)

O Consulta Brasil disponibilizou uma pesquisa online para entender melhor como crianças e adolescentes usam a Internet e outras tecnologias. Ela é voltada para jovens entre 9 e 17 anos e o projeto busca conscientizar sobre como usar as TICs (Tecnologias da informação e comunicação) de forma segura.

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Esse projeto foi realizado pela Viração Educomunicação, com parceria da Rede Conhecimento Social e apoio do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). O formulário estará disponível até o dia 08 de setembro. Para participar é só acessar o link: http://bit.ly/consultabrasil

Na sua primeira etapa, uma equipe de educadores viajou para 10 cidades pelo Brasil para realizar formações em escolas públicas e ONGs. Assim, eles conseguiram garantir maior representatividade dos jovens maior capilaridade de atuação e representatividade das juventudes no mapeamento. A partir de metodologias ativas (como o “PerguntAção”) e de um processo educomunicativo entre pares, os participantes das oficinas são incentivados a refletir a respeito do uso seguro, criativo e cidadão das Tecnologias da Informação e Comunicação.

Quais os resultados da Consulta Brasil?

A partir dos resultados da pesquisa e análise de especialistas, serão produzidos dois guias sobre o uso consciente das TICs. Um será voltado para crianças e adolescentes e outro para pais, professores, educadores e outros profissionais. Os guias serão disponibilizados para download gratuito nos canais da Viração. No Youtube também será publicado uma websérie com 4 episódios. Eles irão abordar os temas levantados pelas crianças e adolescentes participantes das oficinas. 

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As produções visam oferecer materiais para orientar esta faixa etária a utilizar a Internet e as TICs de forma consciente. Além disso, elas podem ajudar as pessoas a lidarem com estes avanços, garantindo o uso seguro e cidadão destas tecnologias. É possível acessar a página no Facebook da Viração para acompanhar o andamento do projeto.

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Instituto Canoa oferece material com atividades de matemática alinhadas à BNCC

O Instituto Canoa tem um projeto interno de desenvolvimento e adaptação de atividades matemática alinhadas às habilidades da BNCC e voltadas para o trabalho em grupo. Recentemente, eles publicaram um conjunto destas atividades com o objetivo de espalhar essa ideia para professores de todo o Brasil.

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Atividades de matemática

É possível aprender conceitos e práticas matemáticas em profundidade quando os estudantes interagem uns com os outros. Isso é o que propõe a metodologia de trabalho em grupos colaborativos com foco na busca pela equidade (Complex Instruction). Ela foi desenvolvida pelas pesquisadoras Elizabeth Cohen e Rachel Lotan da Universidade de Stanford, e sustenta as atividades de matemática.

O conteúdo está disponível gratuitamente no site. Até o final do ano serão mais de 60 atividades para o Ensino Fundamental II, avisando apoiar professores no seu planejamento.

Clique aqui para acessar as atividades de matemática.

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Design Thinking e vida real: como aplicar a metodologia na sala de aula

Nosso trabalho é compartilhar oportunidades e práticas inspiradoras para que a educação seja um campo cada vez mais plural. Para isso, estamos sempre procurando possibilidades e estratégias para espalhar por aí. Uma delas é o Design Thinking (DT), uma metodologia que falamos algumas vezes por aqui.

Fotografia de Osório durante curso de Design Thinking em pé, ao lado de uma lousa, explicando as informações escritas em cores diferentes, símbolos e papéis.
Curso de Design Thinking com alunos de Publicidade em Instituição Federal de Ensino (Divulgação)

Nós reunimos um guia sobre sobre o DT com livros, cursos, vídeos, textos, imagens e outros materiais para você ficar por dentro do assunto. Agora, trouxemos o publicitário e professor Amarinildo Osório. Ele compartilhou um pouco mais sobre o tema com a gente. Olha só:

Simplificando, o que é o Design Thinking?

A melhor forma de entender o que significa o DT é pondo a mão na massa. Ou seja, se desprender de conceitos engessados e pesquisar, testar, experimentar, discutir e melhorar questões sobre algum espaço ou lugar. Mas, de uma forma simples, eu diria que o Design Thinking fala sobre inovação. Ele aborda uma cultura de valores com foco mais humano voltado para o desenvolvimento de projetos, negócios, produtos e serviços. Assim, podemos criar soluções onde o foco seja as pessoas e em diferentes áreas de atuação. E desta forma surgem inovações e resoluções de problemas como questões de relacionamento, da cidade, políticas, ambientais, educacionais, entre outros.

Ou seja, o DT pode ser aplicado em todas as áreas que buscam melhorias, visando a participação de todos. É esse olhar mais empático, dinâmico e colaborativo que caracteriza essa abordagem e vem despertando interesse de muitas pessoas. 

Como podemos espalhar o DT em toda a comunidade escolar?

Uma dessas aplicações é justamente pensar na escola além da sala de aula e dos muros que a cercam. Esse espaço deve ser visto como coletivo, unindo o aluno e toda a comunidade. Além disso, temos a possibilidade de abordar diferentes temas dentro da sala de aula e desenvolver projetos externos.

Por exemplo: um projeto de horta escolar; uma campanha de sensibilização para arrecadar agasalhos no período de inverno; coletar materiais eletrônicos para melhorar o ensino de física ou de um conteúdo específico; discutir o bullying e outros temas em sala de aula com a participação de pessoas convidadas. Essas são algumas possibilidades de ações que podem começar na sala de aula, envolver a comunidade e promover mudanças positivas. Pra mim, isso é uma forma de fazer educação inovadora, além do espaço formal da sala de aula.    

Como trabalhar com foco no aluno em salas muito grandes?

Algo muito interessante nessa metodologia é a importância da autonomia, rompendo a ideia tradicional do professor como centro do processo de ensino-aprendizagem. Aplicar essa abordagem em sala de aula exige mudanças, mas também gera muitos resultados positivos. Afinal, o aluno aprende a trabalhar de forma mais autônoma, construindo conhecimento e valorizando suas habilidades.

Para salas de aula muito grandes, algumas estratégias são dividir os alunos em equipes e trabalhar a aprendizagem por projetos. É possível estabelecer critérios uniformes para o desenvolvimento das atividades e um sistema de orientações individual às equipes. Os trabalhos, projetos ou assuntos abordados podem compreender ações e atividades dentro e fora da sala da aula. No caso de atividades externas, é importante que o professor crie mecanismos para monitorar essas atividades, como um grupo do WhatsApp ou diário de campo. Assim, é possível assegurar resultados mais assertivos. 

Como despertar o interesse dos alunos nesse processo?

O Design Thinking acontece em um processo em colaboração, construído de forma participativa. Não é uma fórmula mágica, pois exige preparo e motivação do professor para engajar seus alunos. Mas o interesse surge à medida que o aluno começa a discutir e expor suas opiniões, trabalhar temas que são do seu interesse e ter mais protagonismo no processo de ensino-aprendizagem. Pela minha experiência em sala de aula usando o Design Thinking, esse processo acontece de uma forma natural, quando, por exemplo, o aluno percebe que precisa da ajuda do outro para uma atividade e sente a necessidade de interagir. 

Com aplicar valores do Design Thinking (empatia, colaboração e experimentação) em escolas com poucos recursos?

Fotografia de uma jovem de costas escrevendo em um post-it colado na parede. Há diversos papéis, ideias e informações dispostas.
Curso de Design Thinking com alunos de Publicidade em Instituição Federal de Ensino (Divulgação)

Esses valores não estão diretamente ligados a recursos financeiros e materiais. Claro que eles são importantes, mas o principal capital ao longo de sua aplicação é o ser humano. Isso é uma forma de entender que ser mais empático, colaborativo e pôr a mão na massa diz mais respeito a atitudes do que recursos. Muitos projetos são desenvolvidos apenas com papel e caneta, por exemplo. Logo, exercitar esses valores começa com nossas ações e com os recursos que temos. 

Além de leituras e cursos, como apodemos conectar teoria e prática?

Muitos me perguntam qual a melhor forma de aprender Design Thinking e eu respondo: praticando. Pode ser engraçado, mas é desta forma que eu vejo esse caminho e tenho participando de experiências envolvendo DT. Design Thinking é um exercício diário, que agrega visões diferentes e bebe em muitas fontes de informação como psicologia, comunicação,
engenharias, design, entre outros. Isso o torna multidisciplinar e agrega uma diversidade que possibilita qualquer pessoa ou profissional unir teoria e prática.

Para quem se interessou em conhecer mais sobre o Desing Thinking e aplicá-lo, o caminho é iniciar uma formação básica. Ler bastante – há muito material disponível na internet –, fazer um curso online ou presencial, observar alguns cases. Esse processo já agrega uma visão de como teórica e prática caminham lado a lado.

Fotografia de aproximadamente cinco pessoas reunidas na frente de uma lousa, checando informações e discutindo sobre o assunto usando a metodologia do Design Thinking.
Curso de Design Thinking com alunos de Publicidade em Instituição Federal de Ensino (divulgação)

Quer saber mais?

Em 2018, o Prof. Osório concluiu um estudo sobre o uso do Design Thinking para o ensino de projetos publicitários, sob orientação da Profa. Dra. Andréa Pereira Mendonça no Mestrado Profissional em Ensino Tecnológico do IFAM. Como resultado da pesquisa, organizaram um Guia Didático para professores no formato de um Ebook. Essa é uma proposta de ensino-aprendizagem para o ensino de projetos publicitários com DT. O material compreende: ementa; planejamento de ensino; roteiros de aprendizagem, instrumentos de avaliação e um conjunto de orientações para que professores possam aplicar o DT em sala de aula. O material está disponível para download por meio do link e no site: www.dtnapublidade.com.br 

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No interior de São Paulo, alunos reciclam 10 toneladas de materiais durante aulas “mão na massa”

Alunos de escolas do interior de São Paulo já transformaram, somente este ano, 323 quilos de lixo em protótipos de sucata produzidos durante as aulas do ensino infantil e fundamental. A expectativa é que, até o final do ano, o número chegue a 10,4 toneladas.

As sucatas são coletadas pela Little Maker, metodologia maker presente em 23 colégios situados em Campinas e região, como o Notre Dame, Progresso, Anglo Taquaral, entre outros, e pelos próprio alunos, que transformam materiais, como garrafinhas PET e caixas de leite em engenhocas significativas para as próprias aulas.

A prototipagem da sucata, que acaba reciclando materiais que iriam para o lixo, é parte da estratégia educacional da proposta, em que crianças e/ou adolescentes aprendem conteúdo curricular – como Língua Portuguesa, Matemática e Ciências Biológicas – enquanto constroem vários artefatos distintos. Tudo é produzido a várias mãos, cuja ideia principal é transmitir aos alunos atitudes e valores, tais como cooperação, colaboração, resiliência, criatividade, entre outros.

“Quando as crianças aproveitam sucatas no lugar de brinquedos que já chegam prontos, elas se tornam agentes de mudanças’, porque se reconhecem naquilo que produziram ao mesmo tempo em que colaboram com a natureza. Não precisamos dizer que a produção gigantesca de lixo já se tornou um problema mundial”, diz Diego Thuler, CEO da Little Maker. “Não se trata somente de uma questão de sustentabilidade, mas de consciência de reuso estimulada desde a infância”, completa.

Diego se refere, sobretudo, a um projeto de educação compreendido na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para os ensinos fundamental e médio, aprovada pelo Ministério da Educação no ano passado. Entre as dez diretrizes do plano, estão o “Pensamento Científico, Crítico e Criativo, a Empatia e Cooperação e a Responsabilidade e Cidadania” – elementos trabalhados pelo método maker.

Para Leandro Samora, professor do Ensino Fundamental do colégio Progresso, situado em Campinas, o trabalho com sucata ajuda os estudantes a ressignificar a relação com o próprio lixo.

“Os alunos vivem num contexto de consumismo muito grande, onde estão acostumados a ver as embalagens só com sua função primária, e logo as descartam. Quando eles usam a sucata para concretizar o plano teórico do projeto [Little Maker], acabam tendo uma perspectiva mais ampla de como podem utilizar os objetos. A ideia da sustentabilidade, que a gente sempre comenta em teoria, se faz mais lógica na prática, diz. 

Sucatas na educação mundial

A relação entre reciclagem e aprendizado é contemplada em diversos projetos educacionais ao redor do mundo: na África, a empreendedora britânica Anna Lowe toca um projeto que ensina jovens e adultos a reusar ou reformar objetos que iriam para o lixo, permitindo que eles voltem a participar de uma economia circular. “A quantidade de material reutilizado pode ser pequena, mas isso pode acontecer em qualquer lugar”, escreveu em um artigo para a Great Recovery.

Para o estadunidense Gary Stager, co-autor do livro Invent To Learn: Making, Tinkering, and Engineering in the Classroom (Inventar para Aprender: Fazer, Pensar e Construir na Sala de Aula, sem tradução para o português), um espaço maker não precisa construir sempre objetos de alta tecnologia ou de extrema utilidade. “Materiais reciclados como caixas de papelão, tecidos e restos de madeira podem ajudar os jovens a pensar ideias para a vida”.

Recentemente, o Brasil também mostrou um caso avançado de aprendizagem via reciclagem. Tornando-se finalista do Global Teacher Prize, premiação vista como o “Nobel” da educação, a professora paulistana Débora Garofalo conquistou os alunos da Escola Municipal Almirante Ary Parreiras, na periferia de São Paulo, construindo protótipos de sucata. Nessa dinâmica, a educadora uniu suas aulas à urgência de combate às enchentes, sensibilizando alunos e a comunidade local para o aproveitamento de recicláveis descartados nas ruas. Ao total, resgataram uma tonelada de lixo.

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Educação Empreendedora: conheça os projetos vencedores do Prêmio Sebrae Minas

Imagem com o fundo roxo e o texto "Prêmio Sebrae de Educação Empreendedora"
(Reprodução)

No mês passado, foi realizado o evento de premiação dos vencedores do Prêmio Sebrae de Educação Empreendedora, no Sebrae Minas. No “Exploratórium – Professores que inspiram”, foram conhecidas as melhores práticas de educação empreendedora do estado. Haviam quatro categorias: Ensino Fundamental, Médio, Profissional e Superior.

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Projeto “Ler é Crescer”

Em 1º lugar, na categoria Ensino Fundamental, ficou o projeto “Ler é Crescer”. Ele faz parte da Escola Estadual Coronel Filomeno Ribeiro, de Montes Claros/MG. Lá, eles desenvolveram a cultura da leitura com os alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. Ao mesmo tempo, estimularam o desenvolvimento dos comportamentos empreendedores.

Projeto “Educação Empreendedora: Sonhos e Práticas”

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Já na categoria Ensino Médio, o 1º lugar foi para o projeto “Educação Empreendedora: Sonhos e Práticas”. Ele aconteceu na Escola Estadual Américo Martins, de Montes Claros/MG.  Foi construído um ambiente empreendedor na escola, com diversas atividades que resultaram na realização da 1ª Feira Empreendedora da Escola. Nesse encontro, foram criados 36 novos negócios. “Alguns alunos continuaram as empresas e outros planejam abrir o próprio negócio. O espírito empreendedor tomou conta da escola. E o desânimo e a falta de esperança e autoestima ficaram mais distantes dos nossos jovens”, ressalta Sande.

Projeto “Clube de Empreendedorismo”

No Ensino Profissional, o 1º lugar foi para o projeto “Clube de Empreendedorismo”. A iniciativa aconteceu no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais – Campus Muzambinho. O clube foi criado para promover eventos e experiências curriculares que inspirassem ações empreendedoras inovadoras nos cursos do instituto. Além disso, buscava criar oportunidades de vínculo entre empreendedores regionais e o campus, visando soluções para problemas locais e regionais. 

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Projeto “Educação 5.0: Surfando pelo futuro da Aprendizagem”

Por fim, na categoria Ensino Superior, o 1º lugar foi para o projeto “Educação 5.0: Surfando pelo futuro da Aprendizagem”. Ele aconteceu no Centro Universitário de Patos de Minas (Unipam). O projeto interdisciplinar uniu estudantes dos cursos de Pedagogia e Engenharia Elétrica. O desafio era desenvolver produtos educacionais a serem utilizados em oficinas pedagógicas na educação infantil. Desta forma, eles puderam refletir sobre como poderiam inovar e contribuir com a comunidade.

Educação Empreendedora

Os vencedores foram escolhidos a partir da análise dos relatos de casos apresentados pelos participantes durante a inscrição no prêmio. Eles irão representar Minas Gerais na etapa regional do certame, com a possibilidade de classificação para a etapa nacional da premiação.

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Conferência HUB19 reuniu 600 educadores para falar sobre inovação

Fotografia de um auditório no HUB19, com dezenas de participantes sentados na platéia e um grande painel com slides e escrito HUB, em roxo.

A conferência “HUB19: Conexões para a educação do futuro” aconteceu em junho e reuniu 600 educadores para falar sobre inovação. Afinal, o cenário mundial da educação mudou muito e está cheio de tendencias que buscam preparar jovens para a vida. Ferramentas como metodologias ativas, ensino híbrido, bilinguismo e habilidades socioemocionais já são apontadas como um caminho eficaz para esse desenvolvimento. No entanto, essa aplicação nas escolas brasileiras ainda tem um longo caminho para percorrer.

Fotografia de uma participante do evento. Ela está de costas e escrevendo em uma lousa muito grande, cheia de outras frases.
(Divulgação)

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Um dos motivos desse problema é a falta de formação dos professores para atuarem de acordo com essas inovações na sala de aula. Por isso, nos dias, 7 e 8 de junho, esses profissionais se reuniram para ter um contato prático sobre o assunto. No evento foi possível resgatar vivências e trabalhar o autoconhecimento (e reconhecimento) do papel que exercem para a sociedade.

Sobre o HUB19

Fotografia de um auditório no HUB19, com dezenas de participantes sentados na platéia e um grande painel com slides e escrito HUB, em roxo.
(Divulgação)

O HUB19 reuniu especialistas em neurociência, neuropediatria e saúde mental para debater sobre a importância do cuidado com o lado mental de toda a comunidade da educação. Além disso, abordaram a questão das Fake News e sua influência negativa no ensino e aprendizagem. Outros assuntos também foram discutidos, como: empatia; criatividade; BNCC; gamificação, bilinguismo no ensino básico, e também temas como questões sociais e mercado de trabalho.

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Na contramão de qualquer cenário desfavorável, professores brasileiros têm dado bom exemplo. Na lista dos 50 melhores professores do mundo, do Global Teacher Prize 2019, considerado o Nobel da Educação, dois deles são brasileiros. E não é a primeira vez que isso acontece. O professor pernambucano Jayse Ferreira é um deles, selecionado entre 10 mil candidatos, de 179 países. Desenvolvendo produções audiovisuais com os alunos, elevou a autoestima deles e conquistou a aceitação de diferenças. Além disso, conseguiu engajamento de toda a comunidade ao redor da escola em que trabalha. Ao lado dele estava o professor Diego Lima, de escola municipal do interior de São Paulo. Ele foi eleito um dos 10 melhores profissionais na edição anterior do prêmio. No evento, contou sobre como liderou mudanças que impactaram positivamente toda a comunidade escolar onde atua.  

Eventos de educação

O HUB é realizado pelo programa bilíngue Edify, que insere o ensino da língua inglesa através de projetos em escolas pelo Brasil. Esta é a segunda edição do evento e aconteceu no espaço ExC.Rio, do Jockey Club do Rio. Eles ofereceram ambientes para a reflexão sobre empatia, criatividade e destinados a dinâmicas. Em espaços especiais, sentados em carteiras escolares, os participantes podiam ouvir um áudio com questões que os remetiam aos tempos em que eram alunos. Depois, eles podiam escrever em quadro negro memórias ou usar um caderno de caligrafia e um mimeografo.

Fotografia de uma participante do HUB19 na frente de um painel grafitado. Ela está contribuindo e fazendo uma pintura.
(Divulgação)

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Outras experiências ofereciam áudios que traziam relatos de diferentes situações em que o ensino se mostrou inclusivo ou conectou diferentes realidades.  Oficinas convidavam a pôr a mão na massa e todos os presentes podiam deixar uma marca em um painel destinado a assinaturas, desenhos e grafite. Todas as palestras contaram com tradução em Libras.

Acesse o site do Edify Education para ficar por dentro de outras inovações educacionais.

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Design Thinking: um guia de referências e inspirações

Fotografia ilustrativa sobre Design Thinking, com três mulheres sentadas ao redor de uma mesa, com seus notebooks, rindo e conversando.

No final do ano passado nós fizemos um webinar muito interessante sobre Educação e Design Thinking. Tivemos uma participação da Karla Vidal, Fotógrafa, Designer e Gerente de Projetos, e do Amarinildo Osório, Publicitário e professor universitário.

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Desta conversa, materiais muito ricos surgiram e, por isso, reunimos aqui um guia com referências e inspirações pra você entender um pouco mais e se aprofundar no assunto. Olha só:

Livros

Design Thinking Brasil: Empatia, colaboração e experimentação para pessoas, negócios e sociedade (Luis Alt e Tennyson Pinheiro). Aqui, o DT é apresentado a partir de uma abordagem onde as empresas coloquem as pessoas no centro da sua estratégia. Assim, elas podem cocriar soluções mais eficientes e significativas. A obra mostra que empatia, colaboração e experimentação devem ser parte da cultura de todos os negócios inovadores e competitivos no mercado. No fim, há um kit de ferramentas para você começar imediatamente a aplicar o Design Thinking aos seus projetos e dia-a-dia. Veja mais.

Design Thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias (Tim Brown). Além de introduz a ideia de Design Thinking, o livro mostra um processo que converte necessidade em demanda. O foco está no aspecto humano em busca da resolução de problemas e no desenvolvimento da inovação e criatividade. A obra é voltada para líderes criativos que buscam alternativas para seu negócio ou para a sociedade. Veja mais.

Capa do livro Design Thinking na educação presencial, a distância e corporativa

Design Thinking na educação presencial, a distância e corporativa (Carolina Cavalcanti e Andrea Cristina Filatro). Aqui, as autoras mostram essa metodologia como uma forma de promover inovações no campo educacional. Isso se dá no uso do design como ferramenta para a solução de problemas de forma criativa, sistêmica e colaborativa. Veja mais.

Design de experiências de aprendizagem: criatividade e inovação para o planejamento das aulas (Alex Sandro Gomes e Paulo André da Silva). Esse livro discute sobre a noção de aula e como ela pode ser limitada quando pensamos na forma natural de aprendizagem do ser humano. Afinal, experiências de aprendizagem ampliam a visão de como podemos promover melhor aceitação e engajamento na educação. Para isso o design é muito valioso para entender esse cenário e ampliar o leque de procedimentos pedagógicos para o professor. Veja a edição impressa aqui e o Ebook aqui.

Sprint (Jake Knapp, John Zeratsky e Braden Kowitz). Livro fala sobre o Sprint, método criado pelo designer Jake Knapp quando ele trabalhava no Google, onde foi muito utilizado. Depois, ele se juntou a Braden Kowitz e John Zeratsky no Google Ventures e o método se espalhou para diversas áreas. Na obra, eles abordam o Sprint e mostram como ele serve para equipes de todos os tamanhos e pode ser aplicado de diversas formas. Saiba mais.

E-books 

Design Thinking para Educadores (Priscila Gonsales). Esse livro vem junto com um caderno de atividades. Nesse kit, eles mostram como utilizar a abordagem do DT a partir de desafios cotidianos que os educadores enfrentam. Seja na sala de aula, no grupo de professores ou na escola e a comunidade, o foco está sempre nas pessoas. A obra é organizada em cinco etapas: descoberta, interpretação, ideação, experimentação e evolução. Saiba mais.

Design Thinking: Inovação em negócios (Maurício Vianna, Ysmar Vianna, Isabel K. Adler, Brenda F. Lucena, Beatriz Russo). O livro oferece uma visão inicial do DT, voltado para aplicação de projetos em inovação. Deesta forma, ele busca mostrar essa ferramenta como uma estratégia para empresas que buscam novas visões e possibilidades, sempre com um desenvolvimento colaborativo. Saiba mais.

Design Thinking na Prática. Esse Ebook gratuito mostra as ferramentas necessárias para aplicar o DT Nos processos de inovação. O material aborda como desenvolver projetos e serviços inovadores, transformar culturas organizacionais e repensar estratégias e processos. Saiba mais.

Capa do livro Design Livre

Design Livre. Esse é um livro colaborativo escrito pela comunidade Faber-Ludens, com projeto gráfico aberto e impresso sob demanda pelo Clube dos Autores. No material, eles discutem sobre como o Design Livre vai muito além, visando um olhar abrangente e inclusivo, valorizando pessoas. O livro une o design com questões como liberdade, ética, política, cultura e pedagogia na atualidade. Saiba mais.

Artigos

Uma Proposta de Ensino-Aprendizagem para o Desenvolvimento de Projetos Publicitários com Design Thinking.

Design Thinking como abordagem para a prototipagem de campanha publicitária de combate ao sedentarismo e uso da bicicleta como meio alternativo.

Enade Day: Uma experiência utilizando o Design Thinking para a elaboração de um projeto de sensibilização de alunos na preparação para o Enade.

Dificuldades na elaboração de um projeto publicitário por meio de uma experiência de aplicação com Design Thinking (DT).

Vídeos

Ursinho Elo – Hospital Camargo Corrêa: 

Documentário “Design the New Business”

https://vimeo.com/33531612

O processo do Design Thinking:

De onde vem boas idéias? 

Design Thinking na educação | Destino Educação – Escolas Inovadoras (EUA)

Design Thinking para Educadores

Cursos

O Coursera, empresa que disponibiliza cursos online gratuitos, conta com uma lista de formações que abordam o Design Thinking. Saiba mais.

O Instituto Educa, na sua plataforma de Educação a Distância, também conta com uma lista de cursos sobre o assunto. Saiba mais.

O ProfLab também oferece cursos que envolvem o Design Thinking e suas ferramentas. Saiba mais.

Infográficos

Vantagens em aplicar Design Thinking

Imagem com itens que descrevem as Vantagens em aplicar Design Thinking

Como criar projetos fantásticos

Imagem informativa com fundo na cor rosa claro e tópicos sobre como criar projetos fantásticos.

Instituições que trabalham com DT na educação

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Ex-ministros da Educação se reúnem para debater atual situação do Brasil e lançam carta

Fotografia lateral dos seis ex-ministros da Educação no auditório da USP. O microfone está sendo usado por Fernando Haddad.
Fotografia lateral dos seis ex-ministros da Educação no auditório da USP. O microfone está sendo usado por Fernando Haddad.
(Reprodução/Folha de S. Paulo)

Hoje, dia 4 de junho, os seis ex-ministros da Educação se reuniram pela primeira vez para discutir a atual situação educacional do Brasil. José Goldemberg, Murílio Hingel, Cristovam Buarque, Fernando Haddad, Aloizio Mercadante e Renato Janine Ribeiro debateram sobre o assunto no Instituto de Estudos Avançados da USP.

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Após o encontro, os ex-ministros deram uma entrevista coletiva à imprensa e divulgaram uma nota, que você pode conferir a seguir:

Nós, ex-ministros da Educação que servimos o Brasil em diferentes governos, externamos nossa grande preocupação com as políticas para a educação adotadas na atual administração. Nas últimas décadas, construiu-se um consenso razoável sobre a educação, que se resume numa ideia: ela é a grande prioridade nacional.

Contingenciamentos ocorrem, mas em áreas como educação e saúde, na magnitude que estão sendo apresentados, podem ter efeitos irreversíveis e até fatais. Uma criança que não tenha a escolaridade necessária pode nunca mais se recuperar do que perdeu. A morte de uma pessoa por falta de atendimento médico é irreparável. Por isso, educação e saúde devem ser
preservadas e priorizadas, em qualquer governo.

Uma educação pública básica de qualidade forma bem a pessoa, o profissional e o cidadão para desenvolverem, com independência e sem imposições, suas potencialidades singulares.

A educação é, ainda, crucial para o desenvolvimento social e estratégico da economia do Brasil. A economia não avança sem a educação, que é a chave para nosso país atender às exigências da sociedade do conhecimento.

O consenso pela educação como política de Estado foi constituído por diferentes partidos, por governos nas três instâncias de poder, fundações e institutos de pesquisa, universidades e movimentos sociais ou sindicais. Em que pesem as saudáveis divergências que restaram, foi uma conquista única, que permitiu avançar no fortalecimento da educação infantil, na universalização do ensino fundamental, na retomada da educação técnica e profissional, no esforço pela alfabetização e educação de adultos, na avaliação da educação em todos os seus níveis, na ampliação dos anos de escolaridade obrigatória com aumento expressivo das matrículas em todos os níveis de ensino, na expansão da pós-graduação, mestrado e doutorado e, consequentemente, na qualidade da pesquisa e produção científica realizada no Brasil.

É impressionante que, diante de um assunto como a educação que conta com especialistas e estudiosos bem formados, o governo atue de forma sectária, sem se preocupar com a melhoria da qualidade e da equidade do sistema, para assegurar a igualdade de oportunidade.

Em nenhuma área se conseguiu um acordo nacional tão forte quanto na da educação. A sociedade brasileira tomou consciência da importância dela no mundo contemporâneo.

Numa palavra, a educação se tornou a grande esperança, a grande promessa da nacionalidade e da democracia. Com espanto, porém, vemos que, no atual governo, ela é apresentada como ameaça.

Concordamos todos que a educação básica pública deve ser a grande prioridade nacional, contribuindo para superar os flagelos da desigualdade social gritante, da falta de oportunidades para os mais pobres e do atraso econômico e social. Ela implica o aprimoramento da formação dos professores, do material didático, a constante atenção à Base Nacional Curricular Comum, a valorização das profissões da educação, inclusive no plano salarial, a reforma do ensino médio, o aperfeiçoamento da gestão educacional, a construção de diretrizes nacionais de carreira de professores e diretores do ensino público. Requer a constante inovação nos métodos, deslocando-se a ênfase no ensino para a aprendizagem, que deve ser o centro de todos os
nossos esforços.

Exige também o empenho na educação infantil e na alfabetização na idade certa, a melhora das escolas e dos laboratórios e bibliotecas e, mais que tudo, o respeito à profissão docente, que não pode ser submetida a nenhuma perseguição ideológica. A liberdade de cátedra e o livre exercício do magistério são valores fundamentais e inegociáveis do processo de aprendizagem
e da relação entre alunos e professores. Convidar os alunos a filmarem os professores, para puni-los, é uma medida que apenas piora a educação, submetendo-a a uma censura inaceitável. Tratar a educação como ocasião para punições é exatamente o contrário do que deve ser feito. Cortar recursos da educação básica e do ensino superior, no volume anunciado, deixará feridas que demorarão a ser curadas.

Não menos importante é o fortalecimento da cooperação e da colaboração entre União, Estados, Municípios e o Distrito Federal e o respeito à autonomia das redes, como determinam a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e a própria Constituição Cidadã de 1988. Não podemos ignorar o Plano Nacional de Educação, aprovado por unanimidade pelo Congresso
Nacional, os Planos Estaduais e os Planos Municipais de Educação, já pactuados entre a sociedade, os governos e a própria comunidade escolar. Ele decorre de iniciativas que já vinham de longe, como o Plano Decenal de Educação para Todos (1993/2003), elaborado pelo MEC com apoio dos estados, dos municípios, do Distrito Federal, de entidades representativas da área educacional e que atendia a compromisso internacional assumido pelo Brasil na Conferência realizada em 1990 em Jomtien (Tailândia), de que o Brasil participou, promovida pela UNESCO, pelo UNICEF, pelo PNUD e pelo Banco Mundial.

Enfim, e para somar esforços em vez de dividi-los, é indispensável que se constitua e se organize um efetivo Sistema Nacional de Educação.

Ademais, a prioridade à educação básica demanda que cresçam os repasses do governo federal para os estados e municípios, responsáveis pelo ensino infantil, fundamental e médio, sendo prioridade a renovação e, se possível, ampliação do FUNDEB – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, que expira em 2020. Sem ele, a situação do ensino nos municípios e estados mais pobres, que já é inadequada, se tornará desesperadora.

No tocante à expansão do ensino superior, é fundamental se assegurar o ingresso e permanência dos estudantes, especialmente dos egressos das escolas públicas e das famílias de baixa renda. O ensino superior necessita ter qualidade, o que requer tanto constantes avaliações quanto recursos, garantindo seu papel insubstituível na formação de profissionais qualificados para um mercado de trabalho cada vez mais exigente, impactado pelos desafios das inovações e das novas tecnologias. A autonomia universitária é uma conquista que deve ser mantida para garantir a liberdade e qualidade na pesquisa, formação e extensão.

O Brasil dispõe, hoje, de uma lista de políticas devidamente estudadas e estruturadas, de medidas e instrumentos que permitem progredir significativamente na educação. Nada disso é ou será fácil, mas o consenso obtido e o aprimoramento das medidas clamam pela junção de esforços em prol de uma educação que se equipare, em qualidade, à dos países mais desenvolvidos.

Muito tem de ser feito, tudo pode ser aprimorado, mas a educação depende da continuidade ao que já foi conseguido ou planejado. Educação é política de Estado: nada se fará se a ênfase for na destruição das conquistas, no desmonte das políticas públicas implementadas e no abandono dos planos construídos pela cooperação entre os entes eleitos e a sociedade.

Vimos a público defender esta causa estratégica para as futuras gerações e propomos a formação de uma ampla frente em defesa da educação. Nós, neste momento, estamos constituindo o Observatório da Educação Brasileira dos ex-ministros da Educação, que se coloca à disposição para dialogar com a comunidade acadêmica e científica, sociedade e entidades representativas da educação, com parlamentares e gestores, sempre na perspectiva de aprimorar a qualidade da política educacional.

Assinam este documento os ex-ministros da Educação:

José Goldemberg
Murílio Hingel
Cristovam Buarque
Fernando Haddad
Aloizio Mercadante
Renato Janine Ribeiro

Você também pode conferir a transmissão ao vivo neste link.