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Mapeamento expõe as diferentes realidades que compõem a infância paulistana

Na Vila Andrade, distrito localizado na região sul da cidade de São Paulo, apenas 4 de cada 10 crianças na fila de espera por uma vaga na creche municipal conseguirão, de fato, ser matriculadas. A estatística coloca o distrito como detentor do pior indicador de “tempo de atendimento para vaga em creche” da capital paulistana.

A situação contrasta enormemente da realidade encontrada em Guaianases. Na zona leste do município, as vagas são garantidas para 98,6% das crianças com idade de 0 a 3 anos. Para efeitos de comparação, enquanto uma família da Vila Andrade precisa esperar 441 dias para conseguir uma matrícula nesta etapa escolar, esse tempo cai para 25 dias entre os moradores de Guaianases.

Os dados são um destaque do Mapa da Desigualdade na Primeira Infância, iniciativa da Rede Nossa São Paulo e da Fundação Bernard Van Leer. A pesquisa utiliza a mesma metodologia do Mapa da Desigualdade, publicado anualmente pela Rede desde 2012. O levantamento evidencia as desigualdades que permeiam a maior cidade do país no que diz respeito ao direito à infância.

Infância Paulistana

Os dados são alarmantes. Dos 96 distritos do município, apenas 10 não possuem favelas e quase metade (43) registram casos de violência sexual contra crianças de até cinco anos de idade. Os distritos de Marsilac e Parelheiros têm, respectivamente, apenas 0,81% e 36,75% de seus territórios com cobertura da rede de esgoto.

Ao todo, são 28 indicadores que se debruçam sobre temas que afetam diretamente o desenvolvimento da primeira infância como oferta de creches, pré-escola, situação de moradia e tempo de espera para atendimento em saúde. Os índices foram selecionados a partir da base do Programa Cidades Sustentáveis (PCS). Eles também estão associados aos eixos do Urban95 e aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Descaso público com as periferias

As periferias de São Paulo registram os piores indicadores quando o escopo é a oferta de serviços públicos. Os distritos de Grajaú, Cachoeirinha e Jardim Ângela são os que amargam os piores índices com maior frequência no estudo. No Jardim Helena, localizado na zona leste, mais de 40% das gestantes fizeram menos de sete consultas pré-natal durante a gravidez.

Uma exceção diz respeito à mortalidade infantil e materna, cujos maiores índices estão localizados na região central de São Paulo. A Sé detém a pior taxa de mortalidade infantil para crianças de até um ano. Lá, são registrados 21,83 óbitos a cada 1 mil nascidos vivos. O número é cerca de 20 vezes maior que o registrado em Perdizes, que tem o menor índice da cidade.

Observatório da Primeira Infância

Paralelamente ao Mapa da Desigualdade da Primeira Infância, a Rede Nossa São Paulo lançou a plataforma Observatório da Primeira Infância, que congrega dados sobre o tema para consulta pública. São 130 indicadores que retratam a situação das crianças de zero a seis anos nos 96 distritos da capital paulistana. Por meio da ferramenta, é possível comparar até cinco itens por distrito. O objetivo é fortalecer o debate sobre as infâncias e incidir sobre políticas públicas.

Outras novidades são o Guia de Multiplicação e o Guia Técnico do Observatório da Primeira Infância. Os documentos visam auxiliar outros municípios a criar seus próprios observatórios. Para isso, o Guia de Multiplicação explica como implantar a plataforma. Ele atenta-see para o conteúdo e os indicadores. Já o Guia Técnico orienta a respeito da instalação técnica da ferramenta.

Por último, o Banco de Boas Práticas lista experiências nacionais e internacionais de êxito na área da infância. É possível acessar as práticas utilizando filtros como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), os eixos do Programa Cidades Sustentáveis ou o Urban95, além de encaminhar sugestões de programas e políticas públicas para serem incluídas na plataforma.

Matéria publicada pelo Portal Aprendiz

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3 curiosidades para você conhecer o legado da cientista Marie Curie

Muito se sabe sobre Marie Curie, cientista responsável por descrever os elementos químicos Polônio e o Rádio e primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel — Física (1903) e Química (1911). Mas para celebrar a vida dessa mulher incrível, separamos três fatos sobre ela que você talvez não conheça.

Ela foi educada em segredo

Curie nasceu e cresceu em Varsóvia, na Polônia, que na época era controlada pelo Império Russo. Ela obteve sua educação universitária na Flying University. A instituição secreta polonesa que educava mulheres em locais que migravam de acordo com a necessidade.

Isso ocorreu porque na época os russos consideravam educar mulheres uma atividade ilegal: “Os esforços de germanização e rusificação (dependendo da pare da Polônia onde se vivia) visando o ensino superior tornaram quase impossível os cidadãos participarem de um currículo que, de alguma forma, não estivesse trabalhando para apagar a cultura polonesa”, explica o especialista Eric Grundhauser, para o Atlas Obscura.

Marie Curie

Mulheres fizeram uma vaquinha para ajudá-la a continuar suas pesquisas sobre o Rádio — elemento que ela mesma descobriu

Quando visitou os Estados Unidos em 1921 Marie Curie ganhou um grama de Rádio para continuar suas pesquisas graças a uma arrecadação feita por mulheres norte-americanas — naquele período, esse material era extremamente caro. O presidente dos EUA durante aquele período, Warren G. Harding, e sua esposa, Florence Harding, apoiaram o esforço de angariação de fundos.

“Ela, que descobriu o Rádio, que compartilhou livremente todas as informações sobre seu processo de extração, e que havia dado o Rádio para que os pacientes com câncer pudessem ser tratados, encontrou-se sem os meios financeiros para adquirir a substância cara”, relata Ann Lewicki no periódico Radiology. Em 1921 um grama de rádio custava US$ 100 mil, o que hoje equivale a aproximadamente US$ 1,3 milhão.

O esforço feminino deu certo e em menos de um ano a quantia foi obtida. O que sobrou, exatos US$ 56.413,54 foram deixados para as pesquisas da filha Irène Joliot-Curie. Ela recebeu o Nobel em 1935.

Os cadernos dela (ainda) são super radioativos

“As décadas de exposição de Marie Curie [à radiação] a deixaram cronicamente doente e quase cega de catarata e, finalmente, causaram a morte aos 67 anos, em 1934, de anemia grave ou leucemia”, escreve Denis Grady para The New York Times. “Mas ela nunca soube plenamente que seu trabalho havia arruinado sua saúde”.

O efeito da radioatividade é tão grande que hoje, mais de 100 anos após suas descobertas, os cadernos que a cientista utilizava ainda estão contaminados pelas substâncias. Hoje, seus arquivos são guardados em caixas de chumbo: para acessá-los, é preciso assinar um termo de responsabilidade.

“E não são apenas os manuscritos de Curie que são perigosos de tocar. Se você visita a coleção de Pierre e Marie Curie na Biblioteca Nacional, na França, muitas de suas posses pessoais — de móveis a livros de receitas — requerem roupas protetoras para serem manipuladas com segurança”, afirma Adam Clark Estes ao Gizmodo.

Matéria publicada em Smithsonian

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“Assim como inglês, língua de sinais deve ser disciplina curricular”

Matéria publicada pela Revista Galileu

A educação de surdos foi tema no Enem 2017. Em uma sala de aula do9º do Ensino Fundamental, um simples jogo de par ou ímpar se tornou um desafio para um estudante. Com deficiência auditiva, o jovem não compreendia que havia um número sendo mostrado, mas tentava interpretar se aquela disposição da mão significava um sinal em Libras. “Quem tem deficiência auditiva e sabe Libras tem um reconhecimento visuo-espacial. Ou seja, quando você faz um movimento com as mãos, ele imediatamente procura o significado daquilo”, afirma Diany Nakamura. Hoje, ela é estudante de Licenciatura em Matemática da Universidade de São Paulo (USP).

A criança teve seu ensino prejudicado pela ausência de intérprete na sala de aula. Percebendo essa dificuldade, Nakamura começou a estudar formas de facilitar o aprendizado. O simples fato de adotar um sinal de Língua Brasileira de Sinais (Libras) que representasse os números no lugar de fazer os números na mão já representou um avanço.

O caso é um exemplo da importância da linguagem para o aprendizado, até quando o foco é lidar com números. “O principal desafio para ensinar qualquer disciplina para o surdo é a língua. Somos uma sociedade majoritariamente ouvinte, e o surdo, inserido nela, tem uma diferença linguística”, afirma a professora Adriana Bellotti, do ICMC.

Educação de surdos

Acesso ao ao aprendizado da Libras

De acordo com a professora, boa parte dessa dificuldade é o atraso com que as crianças têm acesso ao aprendizado da Libras. “A língua de sinais tem de ser a primeira língua para o aluno surdo, pois é por meio dela que ele forma seus conceitos no ensino de matemática”, conta. “Para ele compreender o conceito, precisa ter uma língua, que o faz compreender tudo, para que a conhecimento dele também evolua. Linguagem e cognição andam sempre juntos”.

O ideal é que o ensino da língua de sinais comece assim que a surdez for diagnosticada.  Assim, quando chegar na escola, a criança não demorará para conseguir acompanhar a turma. Mas é fundamental, também, que a escola seja preparada. “Esse aluno está inserido num ambiente ouvinte, mas ele tem um contato mínimo com seus colegas porque muitos não sabem se comunicar com ele. Então, ele fica restrito ao intérprete”, ela afirma.

E isso resulta em uma situação onde o intérprete acaba se responsabilizando pelo aluno, quando essa função deveria ser do professor. “Essa relação entre professor e aluno deveria ser mais próxima por meio de um conhecimento básico da língua de sinais. O professor não precisa ter domínio completo da língua. É preciso pelo menos, um conhecimento mínimo para incluir o aluno no contexto das explicações”, diz.

Educação de surdos deve estar nas grades dos cursos de licenciatura

Desde 2005, um decreto determina que os  cursos de licenciatura no país devem oferecer uma disciplina curricular obrigatória de Libras. Pedagoga e doutora em educação, é Adriana a responsável pela disciplina na USP. Ela dedica sua carreira acadêmica à pesquisa e docência na área de educação de surdos

O desafio é grande. Um exemplo é a geometria. Inicialmente, achamos que é mais simples para os alunos surdos aprenderem esse conteúdo, por ser mais visual. Apesar de captar a imagem com mais facilidade, eles ainda precisam compreender o conceito do que é um triângulo, qual seu sinal, o que são ângulos, por exemplo. “Temos que proporcionar atividades práticas para que ele compreenda o conceito”.

Para Adriana, o ideal seria que toda a sociedade aprendesse pelo menos um básico da linguagem de sinais. “As pessoas precisam valorizá-la enquanto língua, em vez de gestos ou mímica. Ela tem características próprias que a definem enquanto meio de comunicação e expressão da comunidade surda”, afirma a professora, que complementa. “Se é importante, assim como o inglês ou espanhol, por que não ser uma disciplina curricular para as crianças? Se for assim, no momento em que elas precisarem usar a Libras, será natural”.

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Química também é espaço de reflexão

Relato de Gabriel Barbieri, professor de Química que quis compartilhar suas experiências conosco. Tem uma história para contar? Manda pra gente que ela pode ser publicada aqui.

Dando aula de química – sempre ao lado de professores de historia, geografia e outras ciências ditas “humanas” (como se houvesse alguma ciência acima do humano ou fora dele) – e ouvindo conversas de alunos sobre como o que viviam tinha reflexo nas aulas desses professores (e seus conteúdos) fiquei com a pulga atrás da orelha. “Será que isso poderia acontecer com as ciências ditas “exatas” ?

Como trazer uma molécula, um conhecimento, pra perto de um aluno? O que fazer para que a química e as outras ciências estejam presentes no processo de descobrimento e compreensão desse mundo que esta em constante transformação? Quem passou por um curso desta área sabe que uma das primeiras coisas que se aprende é a inexatidão das experiências.

Aulas de Historia são reflexões sobre a vida, sobre os valores que um “eu” traz e se percebe dia a dia. E quando se chega nas aulas de química, o que há? Teorias… teorias para explicar “quem é” o mundo, “como” ele funciona. Explicamos química orgânica falando de industria de tinta, de compostos tóxicos que nunca – e esperamos que nunca mesmo – teremos contato.

As ciências exatas poderiam ser um espaço de reflexão?

Busquei enxergar o mundo político, econômico, social. Percebi que a química – assim como as outras ciências – é fruto de homens de um momento histórico, de suas necessidades e buscas por saná-las, além de outras questões. Se na historia compreendemos o homem de seu tempo e lugar – Antiguidade, medievo, contemporaneidade, Ocidente, Roma, Grécia, França, Inglaterra – as moléculas, as explicações, as teorias cientificas surgiram e passaram a ser aceitas também a partir de um momento, perguntas, buscas e possibilidades de respostas de um período.

Faz mais sentido uma molécula existir quando entendo que os catalisadores surgem para atender uma demanda da indústria têxtil, que começa a se desenvolver e ganhar importância econômica. E que isso também está relacionado à centralização do poder, à unificação e formação de um Estado, por exemplo. Dessa necessidade consigo entender o surgimento de compostos tão distantes da minha realidade.

Entender a historia do surgimento de determinada teoria nos faz compreender porque tal conhecimento e tais descobertas foram importantes a ponto de estarem no currículo escolar. O conhecimento é produzido de acordo com um momento. Isso é feito a partir de todos os conhecimentos validados até ali e das necessidades que esse mundo sentem.

Assim, tiramos a ideia que muitos alunos têm da ciência como algo mágico, um milagre, uma espécie de mito do passado que devemos cultuar. O conhecimento está relacionado a uma série de fatores do mundo que o cientista faz parte (cultura, religião, política etc.), ele não é tão inocentemente livre como pregam os livros, que inúmeras vezes criam grandes heróis, quando, na verdade, o que houve foram discussões, debates, teorias divergentes para que se chegasse ate ali.

A conservação de alimentos que descobriu o Brasil

A primeira experiência que tive nesse sentido foi em uma aula sobre pressão osmótica e descobrimento do Brasil. Expliquei a importância do sal para os colonizadores da época: devido às características do processo de osmose – em que o solvente vai de uma solução menos concentrada para uma mais concentrada – não haveria a reprodução de bactérias nos alimentos devido à ausência de água.

O mundo é complexo, não adianta mais separar as ciências que falam de nós e nossos processos, e as ciências que falam de nossas técnicas. A ciência é onipresente, assim como as questões morais e sociais. Acredito que seja hora de pararmos de fingir que somos cartesianos, racionais ou passionais apenas. Precisamos buscar algo mais próximo do que diz Humberto Gessinger na canção “Esportes radicais” da banda Engenheiros do Hawaii: Sentir com inteligência / Pensar com emoção!

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Ampliação de recursos para Ensino Médio é insuficiente e não reduz desigualdades, alerta CENPEC

Estudo do CENPEC alerta que ampliação de recursos para Ensino Médio é insuficiente e não reduz desigualdades, alerta CENPEC. O governo federal anunciou a liberação de R$ 406 milhões para o Programa de Fomento às Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral. O investimento garantirá a ampliação do número de escolas que ofertam matrícula em tempo integral de 516 para 967. O programa foi criado junto com a Reforma do Ensino Médio, aprovada em fevereiro de 2017.

O CENPEC – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária avalia positivamente a ampliação anunciada pelo MEC. No entanto, ressalta que ela atenda menos de 5% das cerca de 20 mil escolas com ensino médio no país. A organização alerta para o fato de outras modalidades de ensino e um conjunto maior de escolas não terem recebido aumento de recursos. De acordo com o CENPEC, isso pode agravar as desigualdades educacionais no Brasil.

Wagner Santos, coordenador do Núcleo de Juventude do CENPEC, defende: “Um bom ensino médio deve garantir que todos os alunos tenham as mesmas possibilidades de desenvolvimento pessoal, de inserção no mercado de trabalho e de acesso ao ensino superior, independentemente de estudarem em tempo de integral ou parcial, ou em turmas do diurno ou noturno”.

Em 2018, alguns estados começam a colocar em prática as primeiras experiências do chamado “novo ensino médio”. É o caso de São Paulo. Na cidade, 33 escolas técnicas estaduais (Etecs), ligadas ao Centro Paula Souza, vão oferecer duas novas opções de curso baseados no modelo da reforma. Serão o ensino médio com habilitação técnico-profissional e o ensino médio com qualificação profissional. Serão oferecidas 1.741 na primeira modalidade, já com as 3.000 horas estabelecidas pela reforma. Já os cursos com qualificação, que terão 395 vagas, seguirão com as 2.400 horas atuais.

A medida provisória da Reforma do Ensino Médio afirma que os cinco itinerários formativos previstos serão oferecidos conforme as capacidades das redes de ensino. Isso não acontecerá de acordo com os contextos locais e com demandas das diversas juventudes. “No caso de São Paulo, há capacidade instalada para o ensino técnico, mas apenas nas Etecs. E como fica o restante da rede estadual ou outros estados, que têm dificuldades para oferecer qualquer um dos percursos?”, questiona Santos.

Formação de professores é essencial

Mônica Gardelli Franco, superintendente do CENPEC, lembra que para os cinco percursos previstos pela reforma são necessários infraestrutura e professores devidamente capacitados. “Hoje, apenas 54,9 % dos professores do ensino médio têm formação superior na área em que lecionam. Como irão oferecer uma formação aprofundada em determinada área sem formação?”, pergunta a dirigente.

Mônica acredita que, para que todas as escolas de ensino médio sejam impactadas, será necessário investir em formação de professores e equipes gestoras com o suporte de tecnologias, entre outras iniciativas. “Como temos a missão e o compromisso com a sociedade civil de produzir conhecimento e refletir e de impactar políticas públicas, estamos nos preparando para colaborar com os estados, principalmente na reflexão sobre o que significa um trabalho com juventude, aproveitando os cerca de 20 anos de trabalhos do CENPEC”, diz ela.

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Cai número de matrículas no ensino fundamental e médio, mostra Censo Escolar 2017

O Ministério da Educação divulgou nesta quarta-feira (31) o Censo Escolar 2017. Os dados mostram falta de estrutura na rede pública de ensino. Quase metade das escolas de ensino fundamental não tem biblioteca ou sala de leitura. Na maioria não existe laboratório de ciência nem de informática.

Uma em cada três nem tem acesso à internet e a maioria não tem rede de esgoto

Das escolas do ensino médio, quase 40% não têm banheiro adequado para estudantes com deficiência ou mobilidade reduzida. Mais da metade não possui laboratório de ciências. O censo mostra também, que nos últimos cinco anos, houve redução nas matrículas. 1,8 milhão a menos no ensino fundamental. São 380 mil a menos no ensino médio.

Parece um presídio

Com portas de ferro e cheio de grades, uma escola pública de ensino fundamental em Ceilândia, a 30 quilômetros de Brasília recebe os alunos. Mais de dois mil alunos vão voltar às aulas com biblioteca precária, poucos e obsoletos computadores, sem falar no laboratório de ciências que virou um depósito de entulhos.

Na escola, três em cada dez alunos são reprovados e um quarto deles está fora da faixa etária da turma. “Nós temos aqui aluno com 16 anos no 6º ano. Sendo que o aluno era para estar com 11 anos de idade. Temos aluno com 17 anos numa turma de 7º ano. Então, é uma distorção muito grande”, conta a diretora da escola, Isnã Ambrósio.

Elisângela pensa no futuro da filha de 16 anos, que já foi reprovada três vezes. “Com a dificuldade que nós temos em relação ao desemprego, a tudo, você se preocupa. E quando vai passando o tempo, para você recuperar é mais complicado”, desabafa a motorista partícular Elisângela de Jesus.

Tainã parou de estudar com 21 anos, no início do ensino médio. “Me arrependo. Era para mim ter terminado meus estudos, talvez eu tava fazendo uma coisa melhor”, diz Tainã Santos Serrão, que está desempregada. A taxa de reprovação e abandono da escola, na rede pública, é de mais de 19% no 6º ano do ensino fundamental. E no 1º ano do ensino médio piora: vai para 28%, enquanto na rede particular é de pouco mais de 8%.

Censo Escolar 2017

O Ministério da Educação reconhece que os percentuais são altos e o problema precisa ser enfrentado

“Não existe nenhum país no mundo com bom sistema de ensino com taxas de aprovação baixas como essas. Não existe. Reprovar alunos é sinônimo de atraso na visão do que significa o processo de ensino-aprendizagem. Isso significa, sobretudo, um fracasso da escola, não é fracasso do aluno. É fracasso da escola”, afirma a ministra substituta da Educação, Maria Helena de Castro.

A especialista em educação Priscila Cruz defende mais investimento na formação de professores para reverter o quadro de repetência e evasão escolar. “O Brasil precisa colocar em marcha uma política robusta para as carreiras docentes, para o professor, com formação adequada, tanto a inicial como a continuada, com carreira, com salário, para fazer com que o professor esteja preparado na sala de aula para garantir a aprendizagem do aluno. A gente não vive uma crise na educação, a gente vive uma crise na aprendizagem. A aprendizagem depende de um bom professor em cada sala de aula”, disse Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos pela Educação

Matéria publicada pelo G1

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“A educação está sendo vitimada pela cultura do imediatismo”, diz Zygmunt Bauman

O sociólogo Zygmunt Bauman foi um dos grandes pensadores contemporêneos. Autor de mais de quarenta livros, teve enorme sucesso dentro e fora da academia. No vídeo abaixo, Bauman alerta para os prejuízos que o crescente desenvolvimento tecnológico pode representar em relação à educação.

Zygmunt Bauman: concentração afetada

“Em sua opinião, o conjunto disperso de informações ao qual temos acesso e a cultura imediatista em que estamos inseridos comprometem certas capacidades psicológicas, como a concentração”, escreveu a Revista Pensar Contemporâneo:

 

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Entenda como funciona o Enem para presidiários e infratores

O Exame Nacional do Ensino Médio para pessoas privadas de liberdade (Enem PPL) é aplicado em presídios e unidades de de internação socioeducativas. A prova tem grau de dificuldade equivalente ao do Enem Regular. Ela pode ser uma oportunidade para menores infratores e adultos presidiários entrarem no ensino superior.

Em 2017, o Enem PPL teve 31.765 inscritos, em  mais de mil unidades prisionais de 577 municípios brasileiros. Segundo o site oficial do Governo do Brasil, “o exame pode servir para obter o certificado de conclusão do ensino médio em cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA), o antigo supletivo, oferecido por unidades socioeducativas. Em 2012, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) estimou que 57% dos jovens infratores reclusos no País não frequentavam a escola antes de ingressar nas unidades de internação”. O mesmo estudo identificou que 86% dos menores infratores ainda estavam no ensino fundamental.

O Enem PPL pode ser a oportunidade de entrada no ensino superior

Estudantes com nota acima de 600 pontos no Enem PPL podem se inscrever no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para tentar uma vaga nas universidades federais. A prova também permite a disputa de bolsas no Programa Universidade para Todos (Prouni).

A liberação de jovens infratores e presidiários para estudar, contudo, depende de aprovação da Justiça. Entre outros critérios avaliados pelos juízes, está o bom comportamento e a aplicação das pessoas privadas de liberdade em estudar.

O INEP criou um infográfico apresentando o cenário do Enem PPL no ano de 2015:

Enem PPL 2015
Reprodução/Site Governo do Brasil, 2015
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Enem 2017: Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Estudantes praticam linguagem de sinais
Fonte: Reprodução Portal Diversa

Educação de surdos é tema da prova

A redação Enem 2017 abordou a educação inclusiva, convidando os estudantes a escreverem sobre os desafios para a educação inclusiva no Brasil. Separamos, de última hora, 5 materiais produzidos pelo projeto Diversa, do Instituto Rodrigo Mendes, que abordam essa questão:

Confira mais matérias na tag “surdos” do Diversa.

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Inovação aberta em educação: CIEB faz pesquisa com panorama brasileiro

Inovação Aberta

O Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB) publicou pesquisa sobre educação aberta e as possibilidades de inserção da mesma no contexto econômico atual. A construção de uma educação aberta envolve o engajamento e o diálogo entre Estado, setor público e sociedade civil. Por isso, a análise da pesquisa buscou prever os modelos de negócios viáveis a partir de recursos abertos.

Tecnologias sendo usadas para ampliar as oportunidades para educação

O novo compromisso, denominado Agenda 2030 Para o Desenvolvimento Sustentável mantém a educação como elemento fundamental rumo à sustentabilidade do planeta. O documento destaca a tecnologia no processo de impulsionar o progresso humano. Ele também destaca como é necessário eliminar o fosso digital e fomentar o desenvolvimento de sociedades do conhecimento.

Integrar as tecnologias digitais ao currículo de forma qualitativa para aproximar a escola da cultura digital é um desafio global. A pesquisa apontou que o uso da tecnologia passa, em primeira instância, pela formação inicial e continuada de docentes. Em seguida, apontou-se como o uso da tecnologia na educação pode tornar o aprendizado mais próximo do cotidiano dos estudantes.

Inovação aberta e colaboração em rede

A tecnologia também pode apoiar o compartilhamento de práticas entre os professores. No entanto, a pesquisa indicou que ainda é preciso desenvolver essa cultura entre os docentes. A pesquisa TIC Educação 2015 indica que apenas 30% dos professores têm o hábito de publicar na internet os materiais que produzem. Essa porcentagem permaneceu estável em relação às edições anteriores da pesquisa.

Falta de tempo (13%). Baixa velocidade de conexão com a internet (12%). Obsolescência dos equipamentos utilizados (11%). Receio de se expor (8%) e o de violar direitos autorais (7%). Essas causas foram citadas como os itens que mais dificultam a publicação dos conteúdos produzidos pelos professores. A preocupação em relação aos direitos autorais é real. Uma vez que a maioria dos conteúdos disponíveis na rede encontra-se protegida pela lei de direitos autorais. Isso impede a modificação de um conteúdo sem a autorização prévia do autor.

Inovação Aberta

Empreendedores podem apoiar a ampliação da cultura de inovação aberta em educação

De acordo com a pesquisa do CIEB, a entrada de empreendedores e investidores no mundo da educação é bem-vinda. No entanto, é essencial que esses novos atores compreendam a educação como bem público. Ou seja, que possam construir um tipo diferente de mercado. Nele, a expectativa de lucro das empresas deve estar aliada à busca de impacto social no setor.

O Relatório Educação Inovadora e Educação para a Inovação, publicado pela OCDE em 2016, faz duas considerações ao chamado “emergente mercado de dispositivos tecnológicos”. A primeira é saber se o setor público está preparado para explorar as oportunidades oferecidas. A segunda é se o modelo de negócios está baseado apenas em licenças fechadas de propriedade intelectual, limitando as possibilidades de uso.

O desafio em questão é construir um modelo de negócio que levem em conta a cultura do compartilhamento e da colaboração. A  geração de bem público e a sustentabilidade para as empresas também devem estar nessas equações. Disponibilizar conteúdo para acesso livre e oferecer serviços associados pode ser um caminho, indica a pesquisa do CIEB.

Design Thinking pode apoiar a criação de modelos de negócio inovadores

Design Thinking pode ser entendido como um novo jeito de pensar e abordar problemas. A metodologia é baseada em um modelo de pensamento que coloca as pessoas no centro da solução de um problema. Isso porque os designers não pensam somente na beleza estética do produto ou serviço. Também se pensa na funcionalidade para o usuário.

Como novo modelo de pensamento, o Design Thinking se baseia em três pilares: empatia, colaboração e experimentação. Quando aplicamos o conceito no setor de serviços, surge o que se denomina Design de Serviços. Trata-se de uma série de atividades de planejamento e organização de pessoas, componentes materiais, infraestrutura e comunicação de um serviço. Isso é feito de forma a melhorar sua qualidade e a interação entre a empresa provedora do serviço e seus usuários.

Hoje, já existem várias publicações e eventos diversos dedicados a reunir makers para impulsionar a cultura de colaboração ao compartilharem as novidades nas quais estão trabalhando. Neste setor, há grande facilidade de encontrar parceiros interessados em colaborar para o desenvolvimento de um novo produto.

Educação aberta centrada no usuário

Esse contexto de abertura abarca diferentes objetos de observação e estudo. No campo da Educação podemos citar os recursos educacionais abertos, os livros didáticos abertos, o currículo aberto, as tecnologias de código aberto, a ciência aberta e os dados abertos públicos. Integrante deste conceito de Educação Aberta estão os Recursos Educacionais Abertos (REA). É um movimento mundial que começou a se capilarizar em 2002. Isso aconteceu quando a Unesco realizou o primeiro evento sobre o tema e cunhou o conceito.

Segundo uma das definições mais aceitas, Recursos Educacionais Abertos são “materiais de ensino, aprendizado, e pesquisa em qualquer suporte ou mídia, que estão sob domínio público, ou estão licenciados de maneira aberta, permitindo que sejam utilizados ou adaptados por terceiros.

O conceito de REA é focado em três princípios básicos: conteúdo de aprendizagem; licenças de uso que permitam maior flexibilidade e o uso legal de recursos didáticos e o uso de formatos técnicos abertos que sejam fáceis de modificar em qualquer software.

Dessa forma, apenas dar acesso a determinado recurso educacional não se caracteriza como um Recurso Educacional Aberto. Os REAs se apoiam em algumas liberdades mínimas concedidas pelo autor da obra ao usuário final. As liberdades são conhecidas como 5Rs:

A Educação Aberta e os REA oferecem novas oportunidades para a gestão do direito autoral, permitindo ao autor escolher quais liberdades gostaria de fornecer aos usuários finais da sua obra e expressar essa vontade por meio do uso de licenças e termos flexíveis de uso.

Mudanças necessárias para empreender em inovação aberta no Brasil

A educação pública brasileira ainda tem a compra de conteúdos educacionais fechados como uma das principais despesas do Estado. A pesquisa do CIEB se baseou em análise da consultoria legislativa do Senado Federal, realizada 2011. O estudo mostra que os programas governamentais de aquisição de livros didáticos têm enorme importância para o mercado editorial brasileiro. Essas compras governamentais representam cerca de 54% da indústria nacional de livros.

“O Estado responde pela aquisição de aproximadamente 90% dos livros publicados. Do lado da oferta, poucas editoras vêm concentrando o maior volume de compras ao longo do tempo”, registra a pesquisadora Tatiana de Britto. A conclusão está no estudo da Ação Educativa e do Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Educacionais (Greppe). A pesquisa identificou que o investimento consome entre 2% e 6% do orçamento previsto para a educação.

Um ecossistema aberto compreende elementos importantes. Políticas e uso de licenças flexíveis, formatos e padrões abertos, estratégias de atuação mais experimentais que possam ir além do tradicional. Além disso, a inovação aberta tem potencial para incentivar e moldar os mercados. Esse modelo pode favorecer a diversidade e a multiplicidade de modelos de negócios abertos. Trata-se de mudar o modelo mental de produto pronto ou preparado para o uso determinado que podem ser mais flexíveis e customizáveis.

Sustentabilidade financeira dos criadores de conteúdo

O estudo do CIEB aponta que cabe ao mercado dedicado à educação se reinventar. Para isso, empreendedores devem considerar o cenário de mudança pelo qual a sociedade passa, refletindo sobre a percepção de valor que pretende gerar em seu público. Paul Stacey, do CC Global, em sua investigação de modelos de negócio que utilizam licenças flexíveis, chegou a algumas premissas:

• Ao longo de décadas os bens comuns eram fechados e protegidos por forças do governo e do mercado. Mas os bens comuns estão agora no centro do debate sobre propriedade intelectual, particularmente os “commons” digitais, configurando-se como um importante meio alternativo de atingir os objetivos sociais e econômicos;

• A internet e a tecnologia digital têm potencializado a rede distribuída de produção e armazenamento, possibilitando a distribuição de produtos e conteúdos online com custos até próximos do zero;

• Custo zero marginal está contido no conceito da abundância (ou o potencial de abundância) que a economia de mercado mais tradicional não tem um modelo de atendimento;

• Os bens comuns não se restringem a conteúdos e recursos, mas evocam um processo social, possibilitado pela tecnologia, que envolve pessoas participando constantemente, partilhando, cooperando e colaborando;

• O processo social de práticas colaborativas vai afetar, mais cedo ou mais tarde, todos os setores da sociedade, incluindo a educação, manufatura, saúde, energia, trabalho, e até o próprio dinheiro.

“The Living Company: Growth, Learning and Longevity in Business”

No livro de Arie De Geus, o autor oferece um estudo com as 500 maiores empresas da lista da Fortune de 1999. Ele analisa as razões da diminuição radical da longevidade das organizações nas últimas décadas, cuja média no período estava entre 20 a 30 anos de existência:

1. Sensibilidade ao ambiente: Representa a habilidade de a empresa aprender a se adaptar. As empresas longevas do estudo foram capazes de se adaptar às mudanças no mundo a sua volta. Conforme as guerras, depressões, tecnologias e políticas surgiram e desapareceram, elas sempre se destacam em manter-se conectadas, em sintonia com o que estava acontecendo.

2. Coesão e Identidade: Refere-se à capacidade inata de uma companhia de construir uma comunidade e uma persona para si. Nas organizações resistentes no tempo, há uma consciência da sua identidade. O sentimento de pertencer a uma organização e se identificar com um propósito distintivo cria um sentido de comunidade que é essencial para a sobrevivência a longo prazo.

3. Tolerância e descentralização: São ambos sintomas da consciência ecológica da empresa: sua capacidade de estabelecer relacionamentos construtivos com outras entidades, interna e externamente. As empresas de longa vida são abertas aos movimentos e experimentos que surgem na margem do seu “core business” como as experiências e ‘excentricidades’ que estão além da sua compreensão. Eles reconheceram que novas iniciativas podem estar totalmente desvinculadas do negócio principal da companhia e que o ato de começar um novo negócio não precisa ser controlado centralmente.

4. Finanças conservadoras: Como um atributo crítico corporativo: a capacidade de gerir o seu próprio crescimento e evolução de forma eficaz. As empresas longevas não arriscam o seu capital gratuitamente. Elas entendem o significado do dinheiro de uma maneira antiga; a liquidez permite agarrar oportunidades que seus concorrentes não podem.

Recomendações

Para Políticas Públicas

 Estimular criatividade e inovação por meio de editais de incentivo baseadas no conceito de inovação aberta, cujos produtos e serviços financiados com recursos públicos sejam disponibilizados sob licença flexível;

• Revisar a atual legislação que rege as compras e licitações públicas de modo a contemplar possibilidades variadas, como serviços, atividades, e não somente produtos prontos e previamente preparados por empresas e agentes externos à escola;

• Considerar o conhecimento em tecnologias digitais como foco curricular e não apenas de forma periférica ao currículo;

• Criar estratégias de promoção de encontros e eventos para troca e cooperação entre educadores com habilidades e interesses comuns, aproveitando o potencial da internet em facilitar a conexão;

• Compartilhar produtos, processos e considerar opiniões e intervenções de seus públicos na formulação de novos produtos e serviços;

• Agir sob a lógica da abertura e da transparência. Incorporar as premissas e a metodologia da Parceria de Governo Aberto (OGP-Brasil) na formulação de políticas.

Para institutos e fundações

• Incorporar, em suas estratégias de projetos, programas e ações práticas bottom-up de cocriação de projetos ou mesmo apoiar diretamente iniciativas empreendedoras de escolas ou gestores técnicos de secretarias de educação. Oferecer suporte a partir da própria experiência com procedimentos internos de avaliação de processo e resultados;

• Apoiar financeiramente novos modelos de negócio em educação baseados nos conceitos de REA e inovação aberta, que sejam pautados na geração de valor via colaboração.

• Realizar ações que engajem educadores e gestores a serem empreendedores educacionais, aproximando-os do universo de inovação ao qual as startups interessadas em oferecer serviços educacionais costumam ter mais acesso;

• Participar de eventos de educação aberta e estreitar relações com organizações com experiência de atuação no setor;

• Utilizar licenças flexíveis e softwares livres em conteúdos e projetos que são ofertados sem custo para secretarias de educação, favorecendo não somente a sustentabilidade dos mesmos, como também a facilidade de adaptação e customização.

Para o mercado educacional

• Criar possibilidades e oportunidades para receber ideias externas, vindas de outras empresas (concorrentes ou não), redes de empreendedores, técnicos de governo, universidades e centros de pesquisa. Usar abordagens cocriativas como o Design Thinking;

• Valorizar contribuições de pessoas de dentro da própria organização. Com isso, criar uma cultura de inovação por meio de processos sustentáveis e de longo prazo, em vez de somente se preocupar em lançar produtos originais;

• Desenvolver um olhar empático em relação às necessidades dos usuários e optar por ferramentas que permitam flexibilidade de adaptação e customização do produto ou serviço, especialmente aqueles voltados para a educação pública;

• Aproximar-se dos debates e eventos do movimento Educação Aberta e REA e buscar compreender possibilidades novas de atuação nesse cenário;

• Integrar grupos, redes e associações focadas no estabelecimento de parcerias intersetoriais que visam a transformação de políticas educacionais. Renovar e atualizar políticas públicas para as necessidades atuais é ação fundamental;

• Criar protótipos de soluções de inovação aberta para a educação e experimentar com algumas escolas, secretarias ou educadores. Correr mais riscos em vez de evitá-los;

• Buscar áreas na educação menos visadas por soluções tecnológicas, como por exemplo, a formação inicial de docentes.