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O que é ensino domiciliar? E desescolarização?

A atriz Angelina Jolie tira os filhos da escola. Segundo a revista “People”, a atriz proporcionou que eles tivessem aulas em casa. Assim, conseguiriam administrar as diferenças culturais das crianças e jovens, com idades entre 9 e 16 anos. Eles já estão tendo aulas diárias com professores contratados por Jolie. “Eles têm tutores para vários tópicos e matérias, que vão de aulas de línguas estrangeiras ao uso de instrumentos”, disse uma fonte.

Imagem de Angelia Jolie com cinco dos seus seis filhos andando de mãos dadas
(Reprodução)

Angelina Jolie tira os filhos da escola e passa a ser mais uma mãe a optar pelo ensino domiciliar de seus filhos. Álvaro Dantas, ativista na área e pai de dois adolescentes desescolarizados conta: “de certa forma, Angelina Jolie é uma representação interessa, mas talvez ela não faça exatamente unschooling. Esse termo ainda não teve uma única definição. Muitas pessoas que estão num processo de desescolarização e cada uma segue o que acha justo e correto”. Cauê Dantas,de 13 anos, filho de Álvaro, acredita que essa ação da famosa dá apoio ao movimento.

Álvaro defende que a desescolarização parte de uma escuta direta da criança. Ele defende: “o caminho é sair da angústia paternal e seguir exatamente o que a criança está anunciando. Isso acontece mesmo que você, familiar, tenha uma sensação de que seu filho esteja em prejuízo com aquela decisão”. O movimento que surgiu no final da década de 1960, ganhou força com a publicação do livro “Sociedade Sem Escolas”, de Ivan Illich, com críticas às instituições escolares.

Segundo o autor, “um bom sistema educacional deve ter três propósitos. Um deles é dar a todos que queiram aprender acesso aos recursos disponíveis, em qualquer época de sua vida. O outro, capacitar todos os que queiram partilhar o que sabem a encontrar os que queiram aprender algo deles. Por fim, dar oportunidade a todos os que queiram tornar público um assunto a que tenham possibilidade de que seu desafio seja conhecido”.

Criado pelo educador americano John Holt, o termo unschooling defendeu que pais ou tutores poderiam assumir a educação das crianças e adolescentes, darem autonomia e estimulá-los a ter uma vida “desescolorizada” e acessarem várias formas de aprendizagem fora do sistema escolar, que era considerado por ele uma estrutura falida.

Nesse modelo, não se adota um currículo específico. O aprendizado é livre, garantindo automomia para crianças e jovens, que escolhem o que vão aprender através da interação com a família, os vizinhos, o bairro e a comunidade em que estão inseridos. Essa abordagem é diferente da educação domiciliar (ou homeschooling). Nele, os pais adotam um currículo pré-estabelecido semelhante ao ensino formal adotado pelas escolas.

Desescolarização é legal?

Enquanto nos Estados Unidos Angelina Jolie tira os filhos da escola, no Brasil as duas práticas costumam ser rejeitadas quando questionadas nos tribunais. O principal argumento é o artigo do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O documento diz: “os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino”

Essa interpretação, entretanto, está sob análise do Supremo Tribunal Federal. Para alguns, elas também estão em desacordo com o Código Penal e com a Lei de Diretrizes e Bases (LDB).

Os defensores do movimento questionam as interpretações legais e reforçar o artigo 205 da Constituição Federal. A lei defende que “a educação é direito de todos e dever do Estado e da família. Portanto, é dever de ambos. No seu exercício, a direção cabe à família, que deve receber assistência do Estado quando não puder ou não pode provê-la integralmente em casa”, segundo Alexandre Moreira, colaborador do Blog Mídia Sem Máscara. É possível analisar outros argumentos de Alexandre neste link.

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Caindo no Brasil agora é Caio Dib

Compartilhamos as melhores oportunidades da educação inovadora brasileira. São cursos e eventos, livros e publicações e práticas que você pode participar ou se inspirar.

Caio Dib viajou o Brasil de ônibus por 5 meses para conhecer as práticas de educação mais criativas que aconteciam pelo país em 2013, dando o nome de “Caindo no Brasil” ao projeto. De lá pra cá, foram mais de 200 palestras pelo país, três livros publicados, dois cursos online e milhares de conversas com diversos atores do ecossistema de educação e inovação brasileiro. 

O “Caindo no Brasil” cresceu. Acreditamos que nosso maior valor é conversar com as pessoas e que, para isso, é preciso ter uma cara “humana” em tudo que fazemos. Vamos continuar produzindo conteúdo baseados nas experiências que vivemos em todas as pontas da área. Continuaremos conversando com lideranças e tomadores de decisão, unir pesquisas, livros, conversas com especialistas com a outra ponta: quem faz a educação dia-a-dia dentro e fora da sala de aula.

Compartilharemos as melhores oportunidades e novidades da educação brasileira de maneira acessível, com linguagem simples e nos melhores formatos para você realmente estar informado.

Com essa mudança, esperamos nos tornarmos ainda mais humanos, acessíveis, transparentes em nossas opiniões. Mais do que isso, queremos ter um canal de diálogo ainda mais com você, que nos acompanha e muitas vezes colabora com a gente.

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Como lidar com a birra? SOS CanalBloom!

Uma criança pequena ainda não desenvolveu a capacidade suficiente em seu cérebro para lidar com as emoções, principalmente quando está frustrada. Isso significa que ela ainda não tem recursos para regular a atitude que vai ter diante dessas emoções. Por isso, ela reage gritando, batendo, se jogando no chão… Veja como ajudá-la a desenvolver essa capacidade de autorregulação, tão importante!

A criança não te escuta? SOS CanalBloom!

Antes de agir, você precisa estar calmo

É um desafio, mas tente respirar profundamente e devagar. Poucos segundos já são muito potentes. A criança só vai conseguir se acalmar se você também estiver calmo. Ele se assusta com a intensidade de todas essas emoções e precisa de você para se sentir segura diante de tudo isso. Por isso, se o coração acelerou com o estresse, você pode ir lavar o rosto e só depois tome uma atitude.

Garanta a segurança

A criança pode querer bater ou arremessar objetos, como um jeito de se defender dessas emoções tão desconfortáveis. Você vai querer dizer que ela não pode bater, mas nesse primeiro momento a conversa não é uma boa estratégia. A parte reativa do cérebro da criança está em ação e isso significa que ela não vai conseguir entender o que você diz. Então, garanta que a criança não vai se machucar e nem machucar alguém. Tire os objetos perigosos do alcance e garanta um ambiente seguro.

Acolha a criança

Ela só vai te escutar quando o cérebro dela deixar de operar a partir desse estado reativo. Tenha paciência e dê um tempo para essa reação passar. Para isso, conecte-se com a criança. Seja carinhoso. Quando você a acolhe, você o ajuda a acalmar essa parte reativa do cérebro. O que ela precisa é um contato amoroso, mais do que palavras. Experimente um abraço, sempre respeitando o espaço dela. Se ela não quiser, esteja por perto. Isso fará ela se sentir segura. Quando ela estiver mais calma, vocês poderão conversar.

Aceite a emoção, não a atitude

Ajude a criança a perceber a diferença entre o que ela sentiu e o que ela fez. Todas as emoções são naturais, mas não é toda atitude que é aceitável. Você pode dizer: “Eu entendo que você ficou tão bravo que quis quebrar o brinquedo. Mas você não pode destruir o brinquedo. Vamos pensar em outra forma de expressar a sua raiva?”. É importante que você a ajude a encontrar soluções mais saudáveis para lidar com essa emoção. Pode ser batendo em um travesseiro, assim ninguém se machuca.

Tenha paciência e lembre que a criança está aprendendo a lidar com o que sente. Para conferir o SOS completo sobre esse tema, acesse: https://canalbloom.com/sos/lidando_com_a_birra.

O CanalBloom é uma plataforma que traz ferramentas para apoiar pais e mães nos desafios da parentalidade, buscando uma infância mais saudável com base em orientações de especialistas e um conhecimento qualificado. Acesse através do: www.canalbloom.com

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Monitoria nas escolas estimula o interesse dos alunos pela carreira de professor

Uma pesquisa divulgada recentemente, feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostrou que apenas 2,4% dos jovens com 15 anos de idade tem interesse em ser professor. As condições de trabalho, o salário e os problemas da rede pública fazem com que os jovens não se sintam estimulados a seguir a profissão.

A pesquisa também mostrou que esse desestimulo também acontece dentro de casa. Os familiares dos estudantes incentivam os filhos a buscarem carreiras que entreguem um maior reconhecimento profissional e financeiro. O preconceito com relação ao professor existe, e reflete de forma significativa na falta de interesse dos jovens. Fabrício Cortezi, coordenador do Sistema de Ensino pH, conta que a situação só é diferente quando há histórico de professores na família, assim o adolescente olha para essa carreira com mais proximidade.

Escola pode incentivar jovens a seguirem carreira docente

Monitoria desperta o interesse em ser professorO estímulo para a carreira profissional na área da educação deve começar dentro das escolas. “É o lugar de acolhimento, onde o professor, além de ser responsável pela apresentação dos conteúdos, deve estar sempre agregando as disciplinas à realidade do aluno. É uma relação de confiança e que muitas vezes vai além da sala de aula”, diz Cláudio Falcão, diretor do Sistema de Ensino pH. “O retorno financeiro se complementa de acordo com a entrega de cada profissional”, completa.

Atividades como a monitoria estudantil podem ser o passo inicial para ajudar o estudante a se interessarem pela carreira. Esse tipo de trabalho também desenvolver habilidades que são exigidas em qualquer profissão. “Os alunos que se tornam monitores desenvolvem empatia e generosidade ao ensinar outro colega de sala; responsabilidade e disciplina ao cumprir com atividades e horários; além de exercer a comunicação, pois a arte de se comunicar bem é essencial para qualquer profissão atualmente”, diz Falcão. Ele já foi monitor, antes de ser professor e diretor do pH. Hoje, cerca de 90% da equipe de autores do Sistema de Ensino pH já participaram de monitoria estudantil antes de seguir a carreira docente.

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Quem é o professor do futuro e como a tecnologia pode apoiá-lo?

Aprender no celular: jovem usa celular e computador

“O professor do futuro é um curador de conteúdos e líder de equipes – um profissional que não mais será uma mera fonte de conhecimento, mas que irá promover uma aprendizagem por experiência e uso de metodologias ativas”, afirmou Marcelo Veras, presidente da Unità Faculdade e Canvassador (título especialmente dado pela Instructure a um embaixador e parceiro Canvas)Ele fechou o círculo de palestras apresentado no estande do Canvas/Instructure durante a 25ª edição da Bett Brasil Educar.

Aprender no celular: jovem usa celular e computador

Veras defende que as mudanças em sala de aula, como a possibilidade do uso do celular, não devem ser desculpas para uma mudança de comportamento diante das novas demandas da educação. “Na sala de aula o aluno pode se conectar e procurar uma informação num milésimo de segundo, mas cabe ao educador curar aquele conteúdo”. Plataformas como o Canvas, Woz U e até mesmo YoutubeEdu vieram pra facilitar esse meio campo, com o conteúdo compartilhado diretamente para o aplicativo no smartphone.  

Plataformas também podem apoiar professores

Especialistas defendem que essas plataformas devem garantir o uso simples e intuitivo para que tanto os educadores quanto os alunos concentrem seus esforços no aprendizado e usem a tecnologia como apoio. Na Bett Brasil Educar, a equipe do Canvas apresentou os novos recursos do sistema como o Arc, plataforma que torna os vídeos interativoscontribuindo assim para o engajamento dos estudantes e o Caminhos de Aprendizagem e o SpeedGrader, que são ferramentas que corrigem as atividades facilitando o trabalho dos professores e feedback aos alunos

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Educação mais humana: o que são competências socioemocionais?

Tonia Casarin posa para foto com o livro Tenho Monstros na Barriga, que aborda Inteligência Emocional e competências socioemocionais
Texto escrito por Tonia Casarin, CEO da Fireworks Education e autora do Tenho Monstros na Barriga

Imagine um mundo em que todos tivessem habilidade de se colocar no lugar do outro. Em que as pessoas pudessem lidar com as situações que provocam as emoções mais extremas. Um lugar onde todos conheçam a si mesmos, suas limitações e seus pontos fortes, que saibam lidar com as diferenças e que entendam e saibam se adaptar o contexto onde estão inseridos. Um mundo no qual as pessoas tenham iniciativa, confiem umas nas outras e que queiram ter sucesso na vida. Provavelmente, todos gostariam de viver em um lugar assim, apesar de muitas vezes essa realidade parecer muito distante.

Todas as aptidões descritas acima, que tornam o mundo tão especial, fazem parte de uma cesta de habilidades conhecidas como competências socioemocionais.

Mas, o que são competências socioemocionais?

As competências socioemocionais incluem a capacidade de cada um lidar com suas próprias emoções, desenvolver autoconhecimento, se relacionar com o outro, de ser capaz de colaborar, mediar conflitos e solucionar problemas. Elas são utilizadas no nosso dia-a-dia de forma sistemática e integram todo o processo de formação de uma pessoa como um ser integral: como indivíduo, como profissional e como cidadão.

Para entender melhor o que são essas habilidades, veja a imagem abaixo:

Círculo mostrando importância das competências socioemocionais
Conectados entre espaços, os três círculos – Eu, Outro e Mundo – interagem em uma imensa, eterna e frequente relação

Essas competências foram estudadas com base em pesquisas nas áreas de Educação, Psicologia, Pedagogia e Andragogia, Neurociência, Economia e outras ciências. O interesse maior desse conjunto de conhecimento é a busca de soluções para preparar crianças e jovens para a vida.

No século 21, a interconectividade, a crescente complexidade das transformações sociais e tecnológicas, e a interação entre raças, gênero e religião, por exemplo, têm ampliado a relevância dessas competências para a realização no âmbito pessoal, de trabalho e social.

Como as socioemocionais apoiam no aprendizado de qualidade?

Pesquisas apontam que a aprendizagem socioemocional melhora os resultados acadêmicos; reduz conflitos e ajuda os alunos a desenvolverem o autocontrole; melhora as relações entre a escola e a comunidade; mantém o controle dentro da sala de aula; e ajuda os jovens a serem mais saudáveis e bem-sucedidos tanto na escola quanto na vida.

Os estudos também comprovam resultados em todos os anos escolares, contextos sociais e tipos de escolas. Os resultados mostram que 23% dos alunos apresentam melhoria em habilidades socioemocionais; 9% mudam de atitude frente à escola, família e outras pessoas de seu convívio; 9% melhoram o comportamento social; e 11% apresentam melhoria em testes acadêmicos.

Esses benefícios são acompanhados pela redução em 9% dos problemas de comportamento e 10%, em distúrbios emocionais. Além disso, os pesquisadores identificaram a redução de fatores de risco para a vida de uma criança, como a violência, o abuso de substâncias químicas ou a reprovação escolar.

Portanto, parece que desenvolver as competências socioemocionais é um caminho promissor para que a educação crie mais propósito e significado para os jovens, além de desenvolvê-los como indivíduos, profissionais e cidadãos, que vão constituir uma melhor sociedade.

Tonia Casarin é mestre em Educação pela Universidade de Columbia em Nova York, é Lemann Fellow e Global Salzburg Fellow. Empreendedora na área de educação, é educadora e palestrante, tendo feito um TEDx Talk em 2016. É professora de Pós Graduação no Singularidades, da PUC-Rio e autora do livro infantil “Tenho Monstros na Barriga” – que virou bestseller no Brasil – e do segundo livro “Tenho Mais Monstros na Barriga”, lançado em setembro de 2017. Foi vencedora do Global Impact Challenge no Brasil, prêmio da Singularity University em 2017. Saiba mais em www.toniacasarin.com.br.

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CENPEC explica BNCC em 10 perguntas e respostas

Imagem com o texto "10 perguntas e respostas sobre a BNCC"

Imagem com o texto "10 perguntas e respostas sobre a BNCC"

O dia 6 de março é o Dia D de discussões sobre a BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Secretarias, escolas e professores de todo país se mobilizaram para estudar, entender e discutir a Base. Frente a um documento extremamente importante para a educação brasileira, o CENPEC (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária) explica o que é a Base. Além disso, ele mostra como ela deve repercutir nas principais políticas públicas educacionais em 10 perguntas e respostas.

O Dia D de discussões sobre a Base é uma iniciativa realizada pelo Consed (Conselho Nacional de Secretarias de Educação), a Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) e o MEC (Ministério da Educação).

Para Maria Amábile Mansutti, coordenadora técnica do CENPEC, “a implementação é, sem dúvida, o momento mais importante para a BNCC. As redes de ensino estão sendo convocadas a repensarem seus documentos curriculares, de modo a realizarem um grande pacto federativo. Vivemos um momento singular. Temos a oportunidade e a força política de buscar soluções para inúmeras questões da política educacional que precisamos enfrentar”.

É a primeira vez que o Brasil tem uma Base, um documento normativo que define parte significativa do que todos os nossos estudantes devem aprender a cada ano, em todas as creches e escolas, públicas e privadas. O texto foi homologado pelo Presidente da República em dezembro, após aprovação de parecer do Conselho Nacional de Educação.

A aprovação da Base explicita o compromisso do país para que cada estudante, independentemente do estado ou cidade onde mora, de sua raça, gênero, orientação sexual, etnia ou condição social, tenha acesso ao mesmo conjunto de conhecimentos e de práticas culturais que são fundamentais para o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho, como previsto na Constituição. Está em jogo o projeto de país que queremos construir e quais cidadãos queremos formar.

Na avaliação do CENPEC, a construção da Base é um grande passo para assegurar uma educação de qualidade a todos. O texto aprovado traz muitos avanços em relação às versões anteriores. Contudo, há pontos preocupantes, como a indicação do ensino religioso e a supressão das questões de gênero e orientação sexual. Confira!

O que é a BNCC?

É um documento normativo que define, orgânica e progressivamente, o conjunto de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades de ensino no nível da Educação Básica. Um exemplo é o direito de pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho. O documento indica conhecimentos e competências a serem desenvolvidos ao longo da escolaridade. É uma referência para a formulação dos currículos dos sistemas e redes de ensino de todo o país e das propostas pedagógicas das escolas.

A Base está amparada na legislação?

A necessidade de construção da BNCC está prevista em diferentes marcos legais. Entre eles, destacam-se: o Art. 206 da Constituição Federal (incisos II e III); o Art. 3º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei n. 9.394/96; a Lei 13.005/14, que institui o Plano Nacional de Educação (2014-2024); e as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica. A elaboração do documento começou em 2015. Veja como foi o processo de contrução na linha do tempo produzida pelo Ministério da Educação.

A Base é um currículo nacional?

A BNCC não é currículo, nem pode ser considerada o mínimo a ser ensinado. Cada estado, município e estabelecimento de ensino deverá complementar a BNCC. Ou seja, eles devem produzir orientações curriculares próprias que contemplem as especificidades e os conhecimentos específicos de cada localidade. Nessa tarefa, é crucial que os novos documentos sejam elaborados e executados com extensa e efetiva participação de seus docentes, como determina o parecer do CNE.

A Base determina os objetivos de aprendizagem esperados da creche ao Ensino Médio?

Por enquanto, foram aprovados apenas os objetivos de aprendizagem para a creche, a pré-escola e o Ensino Fundamental. O Ministério da Educação decidiu, após o anúncio da reformulação do Ensino Médio, discutir apenas em 2018 os objetivos de aprendizagem para esta etapa.  O CENPEC reafirma sua preocupação com essa decisão. Afinal, parte dos desafios do Ensino Médio também ocorrem nos anos finais do Ensino Fundamental. Portanto, é fundamental que estas etapas estejam articuladas e que esta transição ocorra sem prejuízos para as aprendizagens dos estudantes.

Quais as principais lacunas do documento aprovado?

Em que pesem os esforços em aperfeiçoar a Base, o CENPEC lamenta que questões como a diversidade de gênero e de sexualidade não apareçam explicitamente no texto final. Somente com a explicitação e o reconhecimento das diferentes formas de gênero e sexualidade existentes conseguiremos fornecer orientações precisas aos educadores para que estes desempenhem uma formação não discriminatória no cotidiano escolar.

Outro ponto de atenção é a manutenção do ensino religioso no documento. A sociedade deve estar atenta: a BNCC não torna essa disciplina obrigatória. A disciplina segue com caráter facultativo. E as redes de ensino precisam garantir e respeitar as escolhas das famílias e dos estudantes. E, apesar de o Superior Tribunal Federal autorizar o ensino confessional, o ideal é a oferta de uma abordagem pluriconfessional. Ou seja, que respeite a laicidade do Estado e promova uma formação voltada ao respeito e à tolerância. Vale ressaltar que o CNE se comprometeu em elaborar normas específicas sobre computação, orientação sexual e identidade de gênero, bem como deliberar se o ensino religioso será uma área do conhecimento ou um componente curricular da área de Ciências Humanas, no Ensino Fundamental.

A Base pode ser revista?

O Conselho Nacional de Educação determina que a BNCC seja revista em cinco anos. O CENPEC defende a necessidade de revisão periódica, bem como o monitoramento de sua implementação. O currículo não é um documento estanque e, à medida que for implementado, deve ser revisitado e atualizado periodicamente. É necessário sempre considerar os avanços de aprendizagens dos alunos e as necessidades pedagógicas das escolas da rede.

Qual o prazo para a implementação da Base?

As instituições ou redes de ensino podem, de imediato, alinhar seus currículos e propostas pedagógicas. Contudo, a adequação dos currículos à BNCC deve ser efetivada preferencialmente até 2019 e, no máximo, até o início do ano letivo de 2020, conforme resolução aprovada pelo CNE. Em relação às matrizes de referência das avaliações e dos exames, em larga escala, elas devem ser revistas e alinhadas à Base em um ano. O último edital do PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) já foi elaborado já contemplando a adequação à base. Contudo, esse processo ocorreu antes da aprovação da última versão do documento. A adequação dos cursos e programas destinados à formação continuada de professores pode ter início já em 2018.

A Base resolverá todos os problemas da educação brasileira?

A aprovação do documento significa uma contribuição fundamental para compor com os esforços já empreendidos, nos últimos anos, por estados e municípios na construção de suas orientações curriculares. Contudo, se por um lado a elaboração da Base é necessária, ela não é suficiente para que o país ofereça uma educação de qualidade a todos.  Seu êxito depende da sua implementação. Ela precisa ser acompanhada de outras iniciativas que combatam a cultura da reprovação nas escolas e na sociedade brasileira. Além disso, iniciativas que promovam a crença de que todas as crianças podem aprender também são muito importantes.

É importante ressaltar que não há possibilidade da implementação da BNCC sem o pleno cumprimento da Lei 13.005/14, que institui o Plano Nacional de Educação, sem o zelo pela garantia das condições materiais de trabalho, de formação inicial de professores (com base em ensino, extensão e pesquisa) e de formação continuada, orientada por políticas de desenvolvimento profissional, que incluam plano de carreira, valorização e remuneração de docentes.

Como a Base chegará às escolas?

As escolas devem traduzir e contextualizar o documento curricular, (re)elaborado pela rede de ensino após a aprovação da Base. Em cada unidade de ensino, a comunidade escolar deverá rever seu projeto político pedagógico. Nesse processo deve não apenas incorporar os objetivos de aprendizagens determinados pela base, mas, articulá-los a sua realidade local. Isto significa conhecer o território onde a escola está inserida, o perfil das famílias e dos alunos e compreender suas necessidades. Depois, a partir deste diagnóstico, elaborar um plano de trabalho que precisa ser monitorado e acompanhado por todos.

O projeto político pedagógico deve estar em sintonia com a realidade dos territórios onde as escolas estão inseridas. Assim, é possível criar vínculos e um equilíbrio entre o raciocínio científico e certo relativismo trazido pelo local e suas tradições culturais. Afinal, elas precisam ser reconhecidas, valorizadas e sistematizadas, pois são patrimônio da cultura brasileira e fazem parte da identidade dos alunos.

A Base retira a autonomia de cada escola na elaboração do currículo?

Não. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) determina que os sistemas de ensino devem assegurar às unidades escolares públicas de educação básica progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira. Por meio da cooperação entre os entes federados, espera-se que os currículos das redes estaduais dialoguem com a Base Nacional; que os dos municípios estejam alinhados às orientações dos estados; e, por fim, que os Projetos Político Pedagógicos das escolas atendam às necessidades locais, do seu território, de modo que haja coerência entre todos esses documentos.

Matéria publicada pelo CENPEC.

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Escola em Guaratiba ganhará nome de vereadora morta no Rio

A Prefeitura do Rio dará o nome de Marielle Franco a uma escola que será inaugurada nos próximos meses em Guaratiba, na zona oeste do Rio de Janeiro. O anúncio foi feito por Marcelo Crivella, na manhã desta quinta-feira (15), durante visita a uma unidade municipal.

A parlamentar foi assassinada na noite desta quarta-feira (14) no Estácio, zona norte da cidade. Além da vereadora Marielle Franco, o motorista Anderson Gomes também foi atingido e morreu no local. A principal linha de investigação adotada pela DH/Capital (Divisão de Homicídios) é execução.

O crime repercutiu na imprensa internacional e chocou a população fluminense. Antes de iniciar as visitas nas escolas municipais, Marcelo Crivella pediu um minuto de silêncio em homenagem à vereadora morta.

— Estamos todos horrorizados, todos nós repudiamos o homicídio brutal que sofreu a nossa Marielle Franco. Ela vai ser homenageada pela Prefeitura, vamos dar o nome dela a uma escola que está sendo concluída, em quatro meses vai estar pronta, em Pedra de Guaratiba, mostrando a seus assassinos que eles não foram capazes de apagar o nome dela da História do Rio de Janeiro — afirmou Crivella.

A Prefeitura do Rio decretou luto oficial de três dias pela morte da parlamentar. A escola que terá o nome de Marielle está com cerca de 70% das obras concluídas e abrirá vaga para mais mil alunos na rede pública municipal. Outras três unidades do complexo escolar da Estrada do Magarça, em Pedra de Guaratiba, também passarão por reforma e ficarão como novas.

Investimento em escolas

O evento no Palácio da Cidade tinha por objetivo o anúncio de investimentos de R$ 200 milhões na rede municipal de ensino. Os recursos são oriundos de um empréstimo com a Caixa Econômica Federal, segundo informou a Prefeitura do Rio.

O valor será usado para reformar 128 escolas e construir onze novas unidades. Com o dinheiro, serão compradas também 41 mil peças de conjunto mobiliário (mesas, cadeiras, quadros e outros) e instalados aparelhos de ar-condicionado em 100% das escolas da rede. Também haverá melhorias na rede de internet das escolas.

— Ao longo de 2018, a rede municipal de educação vai dar um salto de qualidade na infra-estrutura das escolas — destacou o secretário municipal de Educação, Cesar Benjamin.

matéria publicada pelo R7

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É preciso dar autonomia aos professores, diz coordenador do Pisa

Andreas Schleicher
Andreas Schleicher, vice-presidente para Educação da OCDE e coordenador do Pisa (Reprodução/Nova Escola)

“Precisamos dar mais autonomia aos docentes” e “Devemos favorecer a cultura de colaboração nas escolas”. As declarações são de Andreas Schleicher, coordenador do Pisa, principal avaliação internacional de desempenho de estudantes, durante o evento “Competências na Ibero-América”, realizado na capital paulista em 20 de fevereiro.

Surpreso? De fato, as afirmações sinalizam uma inflexão nas recomendações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entidade que reúne 34 nações desenvolvidas e emergentes. “No passado, colocamos ênfase excessiva no professor como indivíduo”, admite Schleicher. Essa noção levava à conclusão que a chave era apostar todas as fichas na formação de professores. Afinal, eles seriam os principais responsáveis pela qualidade da educação.

Os resultados mais recentes da avaliação internacional mostram outros pontos importantes. Segundo Schleicher, não adianta ter professores bem formados se o sistema não lhes dá autonomia. E também se o ambiente nas escolas não favorece a colaboração. A importância desses dois últimos fatores aparece na evolução de países como o Vietnã, que melhorou significativamente seu desempenho no Pisa durante a última década. Além disso, essas questões combatem grandes questões como a evasão escolar e a falta de engajamento dos estudantes.

A seguir, trechos da entrevista com o coordenador do exame, realizada em conjunto por NOVA ESCOLA, o portal Porvir e o jornal Valor Econômico:

A defesa da autonomia docente e da formação colaborativa nas escolas é uma mudança nos pontos de vista defendidos até pouco tempo?

Sim. No passado, colocamos ênfase excessiva no professor como indivíduo e em seu processo de aquisição de conhecimento na formação inicial. E acabamos enfatizando pouco o tipo de ambiente em que os professores trabalham e ensinam. Muitos dos sistemas de educação mais bem sucedidos prestam muita atenção a como os professores colaboram nas escolas, como aprendem uns com os outros, observando aulas, dividindo conhecimento e experiência. Isso é o que distingue uma organização profissional de uma organização industrial.

Qual a diferença?

Numa organização industrial, o chefe sabe tudo e os empregados apenas desempenham tarefas. Numa organização profissional, o conhecimento é criado pelas pessoas que trabalham lá. Aí é que entram os processos de colaboração, em que a autonomia é também muito importante. Autonomia profissional não significa que eu faço o que quero. Significa que faço o que eu sei que é a coisa certa a fazer.

Nesse sentido, há espaço para aulas prescritivas?

Não dou aulas padrão, pois tenho a experiência profissional para julgar qual é a coisa certa a se fazer. Comparando com a medicina, o médico faz um diagnóstico e pensa num tratamento específico para fazer com que o paciente volte a ter saúde. Na Educação, ainda se dá o mesmo tratamento para todos – esperando que os resultados sejam bons. Não é a resposta. Acho que precisamos dar aos professores mais autonomia numa cultura colaborativa para moldar o ambiente de trabalho e ajudar estudantes a avançar.

Isso parece uma mudança de paradigma em relação à ideia de que sistemas de baixo desempenho precisam buscar soluções padronizadas.

Esse tipo de abordagem prescritiva desprofissionaliza a docência. Você torna a docência menos atraente. Se o trabalho de um professor é ler um livro didático, você não vai atrair ótimos profissionais, mesmo que sejam bem remunerados. O desafio é o oposto. Você precisa investir na capacidade dos professores.

Como isso impacta a implantação da Base Nacional?

A nova base curricular do Brasil é uma oportunidade incrível. No entanto, ela só vai acontecer se investirmos na capacidade das pessoas. O pior jeito de implementá-lo é desenvolver planos de aula prescritivos, que determinem o que e como ensinar. A boa resposta é investir na capacidade dos professores para entender qual é a intenção do currículo, qual a ideia por trás dele, e como trabalhá-lo.

Matéria publicada pela Nova Escola.

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O que são comunidades de aprendizagem?

Comunidades de Aprendizagem

Por Francisco Imbernón

Os acontecimentos sociais do final do último quarto de século levaram a instituição educativa a uma crise. Se a escola padece de uma crise, os profissionais que nela trabalham também a compartilham. Por isso, muitos professores hoje estão desorientados sobre o seu papel. A escola não é mais o que era há alguns anos (nem pode ser). Nem os professores têm o mesmo papel. Suas funções mudaram; portanto, é preciso mudar sua forma de trabalhar.

Tudo isso e muito mais suscita a busca de alternativas à escolarização democrática de toda população. A escola, tal como a conhecemos foi criada na modernidade do século XVIII. Consolidada em suas funções de educação da cidadania no século XIX, foi renovada pelos movimentos da escola nova durante o século XX. Ela tenta educar crianças do século XXI com professores formados em procedimentos educativos do século XX.

Não é nada estranho que, a partir dos movimentos mais preocupados com uma melhor educação da infância, sejam buscadas alternativas de mudança. E uma das possíveis alternativas que surgiu nos últimos anos foi a de converter a escola em uma comunidade de aprendizagem. Ou seja, visto que a escola mostra-se impotente para educar sozinha todas as crianças em uma sociedade democrática, ela necessita da intervenção. Essa intervenção considera todas as instâncias de socialização que intervêm na educação das crianças em um determinado contexto.

É uma alternativa para que todos adquirem as aprendizagens que lhes permitam desenvolver-se na sociedade do futuro. Também é uma alternativa para evitar o fracasso escolar, a desigualdade de aprendizagens e a exclusão social de muitas crianças.

ORIGEM E PRINCÍPIO PEDAGÓGICO DA INOVAÇÃO EDUCATIVA

As primeiras experiências de participação da comunidade são encontradas nos Estados Unidos e em alguns países sul-americanos no início dos anos 1980. Essas experiências recebem nomes diversos. Podem-se destacas as de Levin (Escolas Aceleradas), de Slavin (Sucess for All) e de Corner, em Yale, assim como Every Parent a Volunteer e Transforming Community Schools into Open Learning Communities.

Todas essas experiências têm em comum o objetivo de converter a escola em um verdadeiro agente de transformação social. Desta maneira, é possível propiciar uma maior aprendizagem por parte dos alunos. Assim, é possível desenvolver sua autoestima e possibilitar a aquisição durante a escolarização de conhecimentos e habilidades. Isso proporciona igualdade de oportunidades com os alunos escolarizados em condições mais favoráveis. A partir daqui se propõe uma escola na qual predomina o diálogo, a participação, a cooperação e a solidariedade entre todos.

A MUDANÇA NA ORGANIZAÇÃO ESCOLAS

Transformar a escola em uma comunidade de aprendizagem implica uma importante mudança nas relações de poder na escola. É imprescindível a mudança da organização da escola. Uma vez que ela já que ela está subordinada aos objetivos e às tarefas propostas por todas. A organização, a partir de agora, está subordinada às prioridades definidas pela comunidade.

O prédio escolar, com a estrutura arquitetônica e a forma de se organizar dentro dele, corresponde hoje a uma escola do passado. Ela foi pensada para ensinar as crianças e para o trabalho dos professores de outras épocas. O novo projeto de educação comunitária requer uma organização diferente, que encontre fórmulas alternativas à organização escolas tradicional. É necessária uma organização escolar não estática e participativa. Ela deve possibilitar uma melhor aprendizagem e romper com o isolamento dos professores. Além disso, a liderança escolar deve ser compartilhada mediante o convívio com iguais.

Isso implica atribuir um novo papel ao conselho escolar, à equipe de direção e às comissões escolares. Elas passarão a ser mistas (comunidade-professores) e comandarão a vida da escola. A organização escolar colaborará com as comissões da escola para que eles definem suas funções e sirvam como instrumentos de participação de todos os membros da comunidade.

A SALA DE AULA NAS COMUNIDADES DE APRENDIZAGEM

Muda, assim, a metodologia didática. Entram mais pessoas na sala de aula. Todos os professores são mestres de todos. Trabalha-se com aprendizagem recíproca e cooperativa. Amplia-se a noção de sala de aula, assim como as possibilidades e função educativas desse espaço. Não se trata necessariamente de um lugar entre quatro paredes. Se trata de qualquer âmbito onde se estabeleça uma relação educativa entre alunos e entre professores e alunos.

Essa reconceitualização amplia o grau de responsabilidade e de autonomia dos profissionais na sua gestão. Ela também destaca o papel ativo que têm também os próprios alunos na regulação dos intercâmbios. Além disso, os parâmetros de referências sob os quais atuam garantem um enorme potencial explicativo e de possibilidades formativas e autoformativas para os professores.

Linhas de trabalho

Entre as novas conceitualizações que as diferentes linhas de trabalho fizeram emergir nas salas de aula. Destacam-se que estas:

  • são contextos que permitem a elaboração, por parte dos indivíduos, de uma cultura própria no seio do grupo. Não são apenas a reprodução padronizada da cultura social ou acadêmica dominante.
  • representam instâncias relevantes para a elaboração, por parte dos próprios integrantes, de suas concepções e práticas de ensino e aprendizagem. Isso, a partir das tarefas realizadas, das experiências e das interações vividas.
  • criam múltiplas situações de comunicação e de uso tanto da linguagem oral e escrita quanto dos diversos códigos de relação interpessoal. Isso, a partir dos níveis, registros e códigos dos próprios integrantes.
  • constituem um espaço significativo na tomada de consciência do indivíduo como ser social e para a realização da aprendizagem das relações de poder, seja entre adulto e alunos ou entre iguais.
  • produzem no indivíduo oportunidades para a reelaboração de imagens mais ou menos positivas sobre si mesmo e para a reinterpretação do ser social de cada um de seus componentes a partir das situações vividas.

Nesse sentido, todas as pessoas que ocupam os espaços educativos desempenham papéis de agentes ativos na construção de normas, na reelaboração das normas sociais, dos valores e na construção de regras de relação social. Além disso, os efeitos de natureza social e afetiva que se produzem no seio do grupo são extraordinariamente importantes para os indivíduos, porque incidem na sua própria autoestima e mitigam o impacto de uma determinada ação educativa ou institucional sobre o indivíduo.

O PAPEL DOS PROFESSORES NA SEQUÊNCIA DO TRABALHO DIDÁTICO

Na experiência de comunidades de aprendizagem, a cooperação e o diálogo exercem um papel fundamental na construção das aprendizagens das crianças. Essa cooperação e esse diálogo são considerados de quatro pontos de vista.

  1. Como estratégia de desenvolvimento cognoscitivo: o enfoque sociocultural reelaborou três noções para explicar o processo segundo o qual um indivíduo desenvolve habilidades cognoscitivas, noções que serão básicas em toda a corrente histórica da pedagogia ativa, mas que agora possuem uma maior fundamentação e base operativa, a saber:
  • a noção de aprendizagem. Nela, se destaca o papel ativo dos alunos em seu desenvolvimento, o apoio também ativo de outros atores sociais na organização de certas atividades ou tarefas e a dimensão sociocultural dos contextos institucionais, das tecnologias e dos propósitos da atividade cognoscitiva, um apoio que requer uma relação de interdependência. A partir dessa conceitualização, o desenvolvimento na compreensão dos conceitos não é apenas um fato intelectual, mas também um objetivo social;
  • a noção de participação guiada. Ela implica necessariamente a interação interindividual, o cara a ara, o ombro a ombro em uma determinada atividade;
  • a noção de apropriação. Ela define o desenvolvimento como um processo dinâmico, resultante da participação ativa individual em atividades organizadas culturalmente. Não distingue entre o externo e o interno, em contraste com a noção de interiorização, tal como a conceitualizaram as teorias condutistas.
  1. Como metodologia para a interação: para a comunicação na resolução de problemas, no contraste de procedimentos ou na construção de conceitos e de esquemas, sejam aqueles de caráter cognoscitivo, ético ou procedimental.
  2. Como organização do trabalho: favorece hábitos metacognoscitivos e de autoavaliação.
  3. Como estratégia para a socialização: traz implícitos determinados valores sociais (de integração acadêmica, de gênero, social e cultural) de cooperação, assim como a participação e o favorecimento da autonomia moral e da iniciativa pessoal dos alunos.

QUATRO PONTOS DE VISTA A CONSIDERAR

Do ponto de vista social, a comunidade de aprendizagem é uma proposta orientada à construção de cenários educativos inovadores na escola. Isso acontece mediante a participação dos vários agentes sociais. Estes formam a comunidade de aprendizagem: os alunos, a universidade, a escola, as equipes docentes, as família, etc. Cada um desses agentes traz ao programa elementos valiosos, que contribuem para que este perdure a longo prazo.

Do ponto de vista acadêmico, o projeto de comunidades de aprendizagem busca essencialmente desenvolver habilidades socioafetivas, cognoscitivas e psicolinguísticas nos alunos mediante sua participação ativa em comunidades educativas. Os membros realizam atividades demarcadas em um ambiente de aprendizagem. Esse programa oferece amplas oportunidades cotidianas para a interação social, a comunidade oral e escrita e a prática na solução de problemas de natureza diversa.

Do ponto de vista do processo de transformação, o projeto das comunidades de aprendizagem é construído mediante o desenvolvimento de uma série de fases. Nelas, participam de forma cooperativa e baseada no diálogo dos diferentes agentes socializadores que intervêm no “ato educativo”.

Do ponto de vista de formação, o projeto das comunidades de aprendizagem está aberto à comunidade e deve ser entendido como tal. Esse projeto de inovação das comunidades de aprendizagem é uma alternativa possível. Ela é voltada à instituição escolar que pretende alcançar uma melhor e maior aprendizagem dos alunos e evitar que, em uma sociedade democrática, muitas crianças sejam excluídas socialmente.

Matéria publicada pelo Centro de Referências em Educação Integral

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O que é educação compartilhada? Unesco lança relatório sobre o tema

Educação Compartilhada Unesco

Educação compartilhada. Eis um termo que deve estar sempre no radar quando falamos de preparar uma criança para o futuro. Mas afinal, o que ele significa? Quais atores devem estar envolvidos no processo?

Pensando em ampliar o olhar sobre essa questão, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) lança o Relatório de Monitoramento Global da Educação de 2017/2018 (GEM Report, sigla em inglês para Global Education Monitoring), que foi lançado em evento especial em Brasília no mês de outubro.

O documento defende que o aprendizado integral dos alunos só pode acontecer se for estabelecido um pacto de responsabilidade compartilhada. Esse pacto deve ser firmado entre todos os membros da sociedade: pais, professores, políticos, estudantes, imprensa e sociedade civil. O objetivo é evitar a culpabilização que recai principalmente sobre os educadores.

Outro ponto importante que o Relatório ressalta é o efeito negativo do modelo de prestação de contas sobre problemas educacionais. A pesquisa identificou que isso acaba recaindo sobre dos atores desse pacto. Segundo informações do Porvir, “a Unesco exemplifica que a escola é a responsável final da cadeia a oferecer ambientes de aprendizagem construtivos, mas, para dar conta dessa função, depende de recursos dos governos, de professores que cumpram as normas, e do comportamento adequado dos alunos”.

A forma como são aplicados os testes para medir a qualidade da aprendizagem, por exemplo, não são efetivos e muitas vezes induzem o professor a dar mais atenção a estudantes mais propensos a apresentar resultados melhores. “Testes de alta relevância podem levar os professores a ensinar somente aqueles que são capazes de obter melhores resultados”, defende o relatório.

Além de citar a luta dos movimentos estudantis pelo acesso à educação e a importância da imprensa para a trazer à luz casos de corrupção, o texto reconhece que tudo começa a partir da postura adotada pelos governos, que devem estabelecer leis que elevem a educação a um direito.

O Relatório também investigará a responsabilização na educação, ao analisar como todas as partes interessadas relevantes podem oferecer educação de forma mais eficaz, eficiente e equitativa. Ele examina, ainda, diferentes mecanismos de prestação de contas que são utilizados para atribuir responsabilidades a governos, escolas, professores, pais, estudantes, sociedade civil, comunidade internacional e setor privado, em busca de garantia de uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade. Ao analisar quais políticas favorecem ou não o bom funcionamento dos mecanismos de responsabilização e quais fatores externos influenciam seu sucesso, o Relatório GEM 2017/18 apresentará conclusões com recomendações concretas que ajudarão a construir sistemas educacionais mais fortes. (Fonte: Unesco)

A Unesco exemplifica alguns caminhos possíveis no relatório

1. Estruturar a responsabilização para escolas e professores de forma solidária. Isso deve evitar mecanismos punitivos, especialmente aqueles com base em medidas limitadas de desempenho;

2. Permitir a participação democrática. Respeitar a liberdade de imprensa para investigar criticamente a educação e criar instituições independentes para lidar com reivindicações;

3. Desenvolver regulamentações confiáveis e efetivas com sanções relativas a todos os provedores de educação, públicos e privados, que assegurem a não discriminação e a qualidade da educação;

4. Fazer com que o direito à educação tenha efeitos jurídicos, o que não é o caso em 45% dos países.

Matéria publicada pelo Catraquinha

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A importância da educação para o crescimento econômico

crescimento econômico e educação

É comum associarmos o crescimento econômico com o aumento da renda geral. Mas isso não é suficiente para definir o que é crescer economicamente? Este é o tema que Robert Solow, ganhador do Prêmio Nobel em 1987, investigou durante sua vida profissional.

Após 4 anos de pesquisa, em 1956, Solow publicou seu posicionamento no artigo “A contribuição para teoria do crescimento econômico”. Nele, introduziu um modelo inovador intitulado “Solow-Swan model”. Ele propõe que o crescimento econômico a longo prazo está associado ao crescimento da população. A poupança (capital) e o progresso tecnológico (alusivo à inovação) também são considerados. Em parceria com o economista Trevor Swan, eles criaram um modelo matemático. O estudo combina esses elementos para estudar o comportamento de países com características semelhantes. Dessa forma, foi possível estabelecer um padrão no desempenho dos países. Os pesquisadores também formularam uma hipótese em relação a taxa do PIB em função das 3 principais variáveis que ditam a função.

O economista, seguindo os estudos de Solow, procurou entender como a acumulação de capitais e a força de trabalho interagem e afetam a produção de bens e serviços. Para isso, ele combinou essas variáveis e percebeu que se desconsiderarmos o fator tecnológico. Assim, os países subdesenvolvidos ou emergentes teriam a tendência de ter um crescimento mais rápido do que países desenvolvidos. Analisando os dados, ele percebeu que essa correlação não necessariamente ocorre.

crescimento econômico e educação

Na prática, isso é realmente perceptível. Em 2016, por exemplo, o PIB dos EUA, uma economia desenvolvida, cresceu 1,6%, enquanto que o PIB do Brasil, país emergente, recuou 3,6%.  Ele concluiu que aproximadamente metade do crescimento econômico não pode ser explicado pela mera acumulação de capital e força de trabalho.

Então, será que o desenvolvimento tecnológico – por representar a última variável do modelo – constitui uma grande parcela determinante do crescimento da economia?

Solow afirmou que a tecnologia aplicada aos meios de produção é um dos principais fatores para a expansão econômica. Dessa forma, em seu modelo, o capital está diretamente ligado com a tecnologia conhecida. À medida que a tecnologia vai se aprimorando, o capital novo fica mais valorizado quando comparado ao capital antigo.

Educação como pilar

Seguindo essa linha de raciocínio, a teoria do economista acaba tornando a educação em um dos principais pilares da economia. Isso porque indivíduos com acesso à educação proporcionam as melhores ideias, promovendo inovação tecnológica. Assim sendo, o incentivo a criatividade humana torna-se o instrumento mais influente na economia.

Confrontando tais ideias com a realidade brasileira é possível entender por que é tão difícil alcançarmos crescimento econômico sustentável no longo prazo. A falta de investimentos na educação cria pouquíssimos incentivos para a promoção de indivíduos intelectualmente notáveis. A péssima gestão no setor também contribui para isso. Em 2016, na prova do PISA, exame anualmente organizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para medir os níveis de educação dos países, o Brasil ficou em 63º em Ciências e em 66º em Matemática entre 70 países. Nos primeiros lugares figuram Cingapura, Japão e Finlândia. Esses países tiveram um crescimento econômico estável no longo prazo, aliado a um enorme desenvolvimento social.

Combatendo a desigualdade

Outra preocupação que surge nas conclusões de Solow é a questão da desigualdade. Ao dar enfoque no progresso tecnológico, que é consequência de investimentos na educação, a concentração de riquezas no longo prazo e seus efeitos são vistos com novos olhos. O crescimento econômico será prolongado à medida que haja um crescimento nas mesmas proporções para todas as parcelas da população. Pelo contrário, se existir uma concentração de riquezas, algo muito corriqueiro nos dias de hoje, no longo prazo, o país vai eventualmente se desestabilizar e ter um desenvolvimento tardio.

Em contrapartida, investir na educação aparenta ser a forma mais eficiente de proporcionar um crescimento econômico estável e perene. Inclusive, é bem comum que em países com grande desigualdade haja a chamada Fuga de Cérebros. Neles, pesquisadores promissores mudam-se para outros países com qualidade de vida e apoio científico melhores, agravando a situação do país de origem.

Diante do exposto, percebe-se que a teoria do crescimento econômico, estruturada por Solow, indica que o progresso tecnológico tem o maior peso para expansão da economia. É de se pensar quão importante é a criatividade nos dias de hoje, afinal, não é à toa que a inovação está enraizada na economia. Já que a educação é o principal meio para incentivar a criatividade, temos sempre que dar suporte às instituições educacionais, pois são elas que definem o futuro.

Matéria publicada pelo G1