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Inovação open source e animação 3D a baixo custo são destaque na minha jornada na NYU

Demorei um pouco para fazer novos posts, pois as coisas aqui estão muito corridas. Eu basicamente moro no laboratório. Entro as 10h da manhã e saio às 10h da noite.

Tento assistir pelo menos duas aulas por dia e utilizo o resto do dia para prototipar. Ontem consegui finalizar os 9 protótipos. Hoje, entrei no próximo nível: o desafio de fazer reciclados perderem a cara de sucata e criar uma identidade, para ficarem com uma cara bonita =)

Inovação open source 

Inovação open source: Julia testando o Pulse Sensor
Julia testando o Pulse Sensor

Enquanto escrevo este post estou dentro de uma aula chama “Biohack your Heart with Pulse Sensor”. O cara que está liderando a sessão se chama Joel Murphy. Foi ele quem criou a parada. O pulse sensor é um monitor ótico para batimentos cardíacos totalmente open source. A ideia surgiu como uma brincadeira. Ele jogou no Kickstarter e, a partir daí, começou a produção. Hoje ele vende 15 mil unidades por ano. Temos que lembrar que essa empresa não é a fonte de renda do Joel e sim um projeto open source que ele simplesmente queria jogar na web. Você pode conferir o pulse aqui: https://pulsesensor.com.

Animação 3D a baixo custo

Pela manhã eu tive uma aula de criação de animações para realidade virtual usando uma ferramenta chamada three.js. Nela, é possível criar sua própria animação de realidade virtual utilizando o browser. Essa ferramenta é muito interessante pois permite acessibilidade ao mostrar que não é necessário o uso de softwares caros para a criação da animação 3D. Depois, nos conseguimos visualizar no celular através desta extensão chamada WebVR API Emulation extension e do uso de um óculos de realidade virtual 3D qualquer, como o Google Cardboard por exemplo.

Inovação e Design

Como estava animada resolvi fazer mais uma aula, que cujo tema era sobre “a inovação e o design” e o pano de fundo foi a construção de uma catapulta. Essa aula foi  de longe a melhor aula do dia. O objetivo era claro, o assunto interessante e apenas 15% do tempo foi utilizado com uma breve explicação (muito bacana por sinal) sobre a história do design seguida de uma atividade mão na massa. O líder da sessão era um professor colombiano. Ele conseguiu relacionar o exercício com muita criatividade e apresentar o conteúdo de maneira inteligente, criativa e fácil. Isso me deixou feliz, pois ele é um dos poucos que consegue fazer isso aqui.

Desafios para aprendizagem acontecem em todos os lugares

Crachá com foto de JuliaUma coisa que tenho observado bastante é que apesar da empolgação, todas as aulas técnicas partem do princípio que de as pessoas já entendem e aplicam o básico do assunto que está sendo estudado. Por isso, os iniciantes – que configuram aqui uns 30 a 40 % do grupo de 150 do camp – se sentem intimidados e em geral abandonam as sessões. Também existe o pessoal muito técnico em alguma coisa, mas que não se dá tão bem em outros assuntos. Por exemplo um amigo meu aqui é desenvolvedor hardware. Ele faz coisas bem avançadas mesmo. Eu vou falar sobre ele no próximo post porque esse cara parece que saiu do espaço sideral. Vocês vão entender quando eu mostrar as coisas que ele faz. No entanto, ele não entende nada de unity e me confessou ter se sentido completamente perdido em uma sessão.  

Acho que no fim o que eu estou querendo dizer, é que mesmo estando dentro da universidade de Nova York, que é uma das melhores do mundo, a interação do professor com o aluno, a dinâmica de aulas, a dificuldade de para simplificar conceitos teóricos e explicações também acontece. Isso em uma escala MUITO menor, mas também está presente aqui. Agora que eu já constatei o fato vou investigar e ver o que eles andam fazendo para resolver esse problema por aqui!

A aula acabou. Vou correr atrás de um café expresso para preparar meu cérebro para a aula de criação de hardware. Amanhã tem mais!

Brasileira que está participando do programa de verão da Universidade de Nova York. Ele é realizado dentro do laboratório do ITP, o Programa de Telecomunicação Interativa. O resultado final dessa jornada será a criação do “Livro das ferramentas”, uma coletânea de ferramentas makers que poderão ser montadas de maneira simples e de baixo custo. Confira todos os relatos aqui.

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Educação maker é aprender a partir da prática

Já é madrugada aqui e me preparo para dormir após um dia longo, exaustivo, cheio de altos e baixos. A manhã começou bem alegre com uma aula sobre Game Design Play. Nela, tivemos a oportunidade de aprender um pouco sobre estratégias para entretenimento de grupos de pessoas. Também aprendemos sobre stotytelling para a criação de jogos com um professor de Design que tem uma empresa de jogos e festivais.

Ele explicou um pouco sobre o processo de desenvolvimento da lógica dos jogos e explicitou a importância da audiência. Debatemos um pouco sobre fracassos, obsessões e vitórias, além de compartilhar informações bastante interessantes. Você sabia que muitos dos jogos mais divertidos e populares no mundo não são justos com todos os jogadores? Neste caso tudo bem pois faz parte da diversão? E que a maioria das pessoas perde o interesse em um jogo após vencer?

Trabalhando nos meus protótipos

Saí da aula direto para uma loja de ferramentas para comprar alguns materiais que precisava. Cada chave de liga desliga custou 4 dólares e eu senti saudades do mercado do Saara do Rio de Janeiro. De bolso vazio e sacolas na mão passei, o resto do dia trabalhando em protótipos que não só não funcionaram, como destruíram as pilhas.

Educação Maker: acendendo as leds com as mãos

Já tomada pela frustração, fui pedir ajuda para algumas pessoas. Um sujeito ficou preocupado com minha falta de conhecimento em umas coisas de eletrônica e disse que minha idéia era horrível e que eu deveria ter umas aulas antes de resolver mexer com coisas que não conhecia. Eu dei um sorriso amarelo, e sai de fininho. Compreendi  que ele estava preocupado com meu bem estar físico (e o dos outros alunos também), mas aquela atitude me lembrou a daquele pessoal old school que acha que tecnologia é só para nerds e ratos de laboratório e vem pintar os muros  da gente de cinza sabe?

Depois dessas palavras de desencorajamento, fiquei me questionando se não estava louca. Se meu protótipos não eram um delírio galopante da minha cabeça. Será que não é um micão? O dia seguiu com vários protótipos fracassados e um péssimo humor da minha parte.

Faltando 30 minutos para o laboratório fechar, decidi largar os eletrônicos e finalizar o protótipo de VR. Liguei um som de Alceu Valença pra ganhar uma coragem e melhorar a minha cara de azeda e me dei mais uma chance. Afinal, algo precisava dar certo neste dia do inferno. Fiquei enrolando para finalizar as coisas pois do jeito que o dia havia seguido, mais um fracasso e eu ia desabar ali mesmo, na frente de todo mundo. Terminei a montagem ainda desacreditada e fui testar o bicho…

Educação maker é aprender a partir da prática

Abri os olhos e constatei que a engenhoca estava funcionando. Que momento meu Deus, QUE M-O-M-E-N-T-O! Rodopiei e mandei uma banana imaginária para as descrenças do sujeito de antes. E decidi melhor, esse cara acabou de entrar pra minha lista de pessoas que receberão, EM MÃOS, meus protótipo prontinhos. Me aguarde com a farinha gringo, estou chegando com a FAROFA!

Brasileira que está participando do programa de verão da Universidade de Nova York. Ele é realizado dentro do laboratório do ITP, o Programa de Telecomunicação Interativa. O resultado final dessa jornada será a criação do “Livro das ferramentas”, uma coletânea de ferramentas makers que poderão ser montadas de maneira simples e de baixo custo. Confira todos os relatos aqui.

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Quão importante, necessário e desafiador é o desenvolvimento de práticas que possam auxiliar o trabalho dos professores?

Nessa manhã, saí esbaforida da estação W4 para chegar no Washington Square Park. Havia combinado de encontrar com uma amiga de Cingapura. Fomos conhecer a Feira de Ciências local que estava rolando. O parque estava lotado de famílias e cheio de barraquinhas com experiências simples e divertidas para aguçar a curiosidade das crianças em relação à Ciência. Qual foi a minha felicidade ao constatar que a experiência mais legal de todas era uma pista preenchida com  líquido não-newtoniano onde as crianças podiam andar sobre as águas. Experiência que faço com meus alunos no Brasil!

O relógio bateu meio dia e fomos para o workshop “Making Time”. Foi uma sessão muito divertida onde construímos relógios. Foi maravilhoso e totalmente mão na massa. Eu criei um relógio com circuitos de leds. Estava na esperança que refletisse o conceito de estrelas no espaço sideral. Só que não calculei o tempo de prototipagem direito e, como fiz correndo, a soldagem dos circuitos ficou muito porca e frágil. Isso fez com que as leds parassem de funcionar em dois segundos. Mas no fim os ponteiros estavam girando e eu me senti satisfeita com o resultado, mesmo que capenga.

 
Educação Maker Tunnel Lab parede com colagens

Ponto de virada

Não consegui participar da segunda aula do dia, e ela era sobre a construção de campos de mini-golfe. GRANDE erro, os projetos ficaram incríveis. Enquanto o pessoal se divertia, eu resolvi dedicar minha atenção ao segundo workshop de criação de relógios. Nele, iríamos, supostamente operar modificações nos relógios já desenvolvidos via microcontroladores.

a aula foi um D-E-S-A-S-T-R-E.

Os líderes – como chamamos as pessoas que tocam cada sessão – estavam completamente despreparados. (Vamos lembrar que são os mesmos do primeiro workshop que tinha sido maravilhoso). Eles ficaram uma hora montando o protótipo de demonstração, numa falação interminável, enquanto as pessoas ficavam olhando. Não havia tutorial passa a passo. Meu olho já estava pesando.

Educação Maker Tunnel Lab boneco de sucataFinalmente, em determinado momento a falação acabou e um dos líderes perguntou se as pessoas preferiam montar os relógios com os microcontroladores ou falar sobre tempo virtual. Eu levantei minha mão o mais alto que pude e um cara me acompanhou. Enquanto isso, o resto do grupo disse que queria continuar com a falação. Não deu 5 minutos TODOS do grupo estavam procurando as placas de Arduino. A maioria das pessoas nunca nem havia segurado um ferro de solda antes. Isso me fez concluir que além de chata, a aula estava sendo inútil pois ninguém ali estava conseguindo acompanhar nada. As pessoas estavam fazendo aquilo que sempre fazem dentro de sala quando a aula é ruim: FINGINDO que estavam entendendo o que estava se passando ali.

Tive vontade de sair de sala, mas ia pegar meio mal pois pra variar eu estava bem na cara do líder da sessão. Então, fiquei trabalhando em um projeto meu por de trás do computador enquanto contava os minutos para que desse 19 horas.

Quais foram os aprendizados

Apesar de frustrante, essa segunda sessão fracasso dos relógios, foi um ponto de virada. Foi uma confirmação de quão importante, necessário e desafiador é o desenvolvimento de práticas que possam auxiliar o trabalho dos professores. E de como o mesmo professor pode ser terrível em uma aula e INCRÍVEL em outra, isso  em questão de segundos. Também fiquei particularmente feliz pois esse episódio serviu de combustível para o desenvolvimento da sessão que como bolsista do programa eu tenho que obrigatoriamente oferecer para o pessoal do camp.

Alguém consegue adivinhar qual será o tema do meu workshop? Começa com T de TERRIBLE e termina com T de TEACHING! =)

Brasileira que está participando do programa de verão da Universidade de Nova York. Ele é realizado dentro do laboratório do ITP, o Programa de Telecomunicação Interativa. O resultado final dessa jornada será a criação do “Livro das ferramentas”, uma coletânea de ferramentas makers que poderão ser montadas de maneira simples e de baixo custo. Confira todos os relatos aqui.

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Brasileira relata primeiro dia de imersão maker em Nova York

É meia noite e posso dizer que sobrevivi ao primeiro dia do camp. Começamos o programa com uma breve apresentação das pessoas. Afinal, são 150 campers de vários lugares dos Estados Unidos e do mundo, como Cingapura, México, Suíça e até Pólo Norte.

Como o Camp é organizado pelo Programa de Mestrado de Telecomunicações Interativas, a galera de VR, AR e Machine Learning está em peso aqui. Pude observar isso no menu de aulas. O Programa se chama Camp, porque é um acampamento mesmo. Os participantes postam as aulas dentro do site do programa e nós escolhemos se queremos assistir ou não. Temos desde machine learning e escrita de código a  treinamento em artes marciais militares russas (e eu estou falando SÉRIO neste último exemplo).

O laboratório do ITP, embora fique no mesmo prédio que outros cursos é totalmente aberto. Com mesas de trabalho coletivo e todo o tipo de máquinas, estações e ferramentas. Não existe uma nenhuma sala com carteiras convencionais e acho que isso já diz muito sobre a filosofia deste Lab.

A aula inaugural do camp foi de Programação Criativa com um professor da Universidade do Colorado. Utilizamos uma plataforma online chama P5.js, que é muito interessante para quem está aprendendo a programar. É super friendly e conta com um banco de informações ENORME. A aula terminou com um exercício onde fizemos um emoji com os códigos. A grande lição que ficou desta aula foi uma constatação sobre o futuro do ensino da programação. Não se trata apenas de escrever códigos para criar coisas funcionais e sim escrever códigos para criar coisas expressivas.

 

Foi o tempo de tomar um copo de água e outra aula já estava começando. Foi uma atividade bem divertida: a criação de luvas interativas que acendem leds ao se tocarem. Nada tem como dar errado com Wearables, e foi divertido ver 150 pessoas se enrolando com linha e agulha. Esta aula foi dada pela Kate Hartman, que é professora da NYU e diretora do Camp.

O protótipo do novo livro começou a ser criado

No final do tarde o Lab já estava livre para a criação de projetos pessoais. Consegui chegar a fazer 3 protótipos bem legais e com uma funcionalidade bem razoável. Para isso, usei apenas materiais reciclados ou facilmente encontrados no dia a dia. Não vou ficar dando spoiler, mas um protótipo de VR ficou BEM INCRÍVEL. Na minha opinião, mais legal do que o cardboard que não cabe em todos os celulares e é chato pra caramba de montar se você for fazer do zero.

Pisquei e  as luzes do Lab já estavam se apagando. Os assistentes entregaram a minha bolsa, na esperança de que eu fosse embora e eles pudessem fechar o prédio. Afinal de contas já estava para bater 22 horas e todo mundo merece descansar um pouco no sábado a noite, não é mesmo?

Peguei o metrô da linha D e vim matutando no caminho sobre o que estava por vir nesses próximos dias de Camp e como o dia de hoje havia sido um dos mais produtivos que tenho lembrança. Que Nova York tem seus encantos todo mundo sabe, mas estudar tecnologia aqui chega a ser covardia.

Brasileira que está participando do programa de verão da Universidade de Nova York. Ele é realizado dentro do laboratório do ITP, o Programa de Telecomunicação Interativa. O resultado final dessa jornada será a criação do “Livro das ferramentas”, uma coletânea de ferramentas makers que poderão ser montadas de maneira simples e de baixo custo. Confira todos os relatos aqui.

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Brasileira participa de imersão nos EUA para criar livro sobre ferramentas makers

A brasileira fundou um laboratório maker de inovação educacional que utiliza a tecnologia como ferramenta para capacitação de profissionais e alunos do ensino básico de competências escolares e habilidades de vida. Cuja o principal objetivo é contribuir para que as aulas possam ser mais interessantes, estimulantes e inspiradoras. Isso tanto para alunos quanto para professores!

Educação Maker Tunnel Lab tira foto de rua em Nova York

Este mês ela estará em Nova York participando do programa de verão da Universidade de Nova York. Ele é realizado dentro do laboratório do ITP, o Programa de Telecomunicação Interativa. São 150 participantes de vários lugares do mundo, das áreas de tecnologia, arte, educação, engenharia.

Dentro do grupo de participantes, algumas pessoas são selecionadas como  bolsistas Instigators, os “instigadores”, que devem propor um projeto que deve acontecer durante o programa. A fundadora do laboratório maker está participando como instigator.

Inovação e tecnologia

O objetivo dela é criar protótipos para uma coletânea de ferramentas makers que poderão ser montadas a partir de um livro. São ferramentas que utilizam apenas papelão e materiais recicláveis. Afinal de contas, existe algo mais maker do que CRIAR as próprias ferramentas?

O livro será destinado a crianças de 8 a 80 anos. Ele vai contar com todos os templates e muita engenharia de papel para mostrar que a tecnologia não é um bicho de sete cabeças. A publicação mostra que, com um pouco de criatividade, podemos desmistificar a cultura da ciência e da tecnologia. Confira aqui o primeiro relato

Quem quiser vai poder acompanhar todas as novidades a partir de agora através do portal e do Instagram do @caindonobrasil. Também teremos relatos de workshops que vão desde a criação de relógios de parede ao ensino de machine learning sem o uso da internet ou computadores. Vamos ainda aproveitar a estadia para visitar escolas e projetos inovadores.