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Pesquisa mostra avanço nos níveis de empatia nos estudantes brasileiros

Jovens debatendo

A partir de 2020, as escolas brasileiras terão de incluir as habilidades socioemocionais no currículo, conforme prevê a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Atualmente, existem projetos e iniciativas voltados para o desenvolvimento dessas habilidades nas escolas. No entanto, ainda são bem escassos no Brasil estudos que comprovem seu impacto no comportamento dos estudantes.

Neste cenário, surge a primeira pesquisa nacional sobre o impacto do desenvolvimento de habilidades socioemocionais com jovens brasileiros. Conduzido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o estudo avaliou 9,6 mil estudantes entre 10 e 17 anos durante um ano. Todos participaram do Programa Semente, voltado para a aprendizagem socioemocional, em escolas todas as regiões do país.

Entenda como foi mensurado

Para mensurar a eficiência do Programa, os pesquisadores avaliaram os aspectos propostos pelo Collaborative for Academic, Social and Emotional Learning (CASEL). Esse é o principal centro de estudos da aprendizagem socioemocional do mundo. Ele é empregado como referência na metodologia do Programa Semente por meio dos cinco domínios: autoconhecimento; autocontrole; empatia; decisões responsáveis; e habilidades sociais.

No início de 2017, os estudantes tiveram acesso a um questionário em uma plataforma online. No final do ano, o mesmo grupo respondeu ao mesmo questionário, após quase um ano de experiência com o Programa. A pesquisa indicou dados positivos em todos os domínios. Ela apontou nos índices gerais de Habilidades Socioemocionais um aumento estatisticamente significativo de 6,7% na melhora do comportamento desses alunos. Analisando cada item, as mudanças variaram de 2,3%, em Empatia Cognitiva Emocional; 13,9%  no Autocontrole; Autoconhecimento com 13,5%; e as Habilidades Sociais com 7,2%.

Para fazer uma avaliação ainda mais profunda, eles também realizaram testes estatísticos sobre os resultados. Eles também analisaram questões como gênero, série e idade. Nos próximos anos, os alunos continuarão sendo avaliados. O objetivo é que se verifique o impacto longitudinal do programa.

Por que isso é importante?

Esse estudo é importante para destacar a relevância que a educação socioemocional tem na sala de aula. Além de estimular questões sociais muito importantes para o convívio, ela é uma ferramenta de grande destaque na aprendizagem. Afinal, ela auxilia no estímulo da participação escolar, no convívio e no bem-estar dos alunos. Colaborando, portanto, para uma educação com mais sentido e com maior engajamento por parte dos estudantes. Saiba mais sobre o Programa Semente clicando no link.

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Conselho de Classe – Fundação Lemman

Capa da pesquisa Conselho de Classe

Capa da pesquisa Conselho de ClasseConselho de Classe é uma pesquisa realizada pela Fundação Lemman para dar mais voz aos professores brasileiros. Encomendada ao IBOPE Inteligência pela Fundação Lemann e com o apoio do Instituto Paulo Montenegro, a pesquisa tem representatividade nacional e foi feita pela primeira vez em 2014. Com uma segunda edição em 2015, eles destacam que os professores são um pilar fundamental para uma nova educação.

Representatividade 

A pesquisa se dedica a entender o que pensam os professores. Ela abrangeu desde as satisfações e dificuldades do cotidiano escolar até políticas públicas que afetam a qualidade da educação. Como uso de tecnologias em sala de aula e Base Nacional Comum. Os professores falaram sobre defasagem; falta de acompanhamento psicológico para os alunos que precisam; relação com a família; formação continuada; entre outros.

Veja a pesquisa no link.

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A educação é luta e aconchego

Conexão com estudantes: xícara de café no centro da foto e flores e livro no entorno

Contei para o 8° B que estava fazendo estágio em uma outra escola do bairro. Ensino médio. Noturno.

“Escreve uma crônica sobre essa experiência, professora”.

Desde quando começamos a estudar crônicas os alunos pegaram gosto pelo gênero. Dia desses Talita chegou com uma crônica que ela tinha escrito. Escreveu assim do nada, porque quis.

Enfim, aqui está a crônica que Lucas pediu. A crônica sobre essa curta experiência em uma sala de terceiro ano de Ensino Médio.

Fiquei um mês observando as aulas da professora Marisa. Todas as quintas a noite eu batia ponto lá na escola. Me sentia avulsa no início. Não era minha escola, eu não via meus alunos meio pequenos meio grandes (ainda se diz pré-adolescentes?). Os alunos do Ensino Médio já passaram do pré e da adolescência. São jovens. Alguns já adultos. Algumas já mães. Alguns pais – talvez. A mãe é informação explícita no contexto escolar. Já o pai…

Duas mães na mesma sala. Na lousa, aula sobre crase. No chão, panelinhas e chupetas. Assistiam à aula e as filhas.

Eu poderia encher todos os seguintes parágrafos de outras cenas que vi. De acontecimentos que realmente mexeram comigo. Mas até quem nunca pisou em uma sala de aula de uma escola pública – no período noturno, em uma turma de terceiro ano de Ensino Médio – consegue imaginar um esboço ainda que muito estereotipado e pessimista.

Eu prefiro preencher as linhas que seguem com a sensação de aconchego que carrego dentro de mim depois dessas quatro semanas de observação e desses poucos 40 minutos de aula que acabei de ministrar. Aconchego é mesmo a palavra que eu queria. Peço ajuda ao verbete.

Aconchegar (verbo transitivo direto e indireto)

  1. Chegar (umas coisas para junto de outras).
  2. Aproximar muito.
  3. Chegar muito a si.

Me aconcheguei a realidade daqueles alunos. Tão próximos do meu bairro, tão distantes de mim. No dia da minha aula, aconcheguei um texto a eles. “O legado das ocupações nas escolas”. Talvez quisesse deixar um legado ali. Simbólico, singelo.

Alguns chegaram atrasados, mas tiraram o fone de ouvido e se juntaram a roda. Nem todos participaram da conversa sobre o que foi lido, mas todos leram e responderam a provocação que estava na folha sobre a carteira:

O que você já fez para colaborar com um ambiente de aprendizagem e boa convivência na sua escola?

Não fiz nada. Presto atenção na aula. Comprei rifa para ajudar na pintura das salas. Organizei a rifa para ajudar na pintura das salas.

A resposta que eu mais gostei? Acho que foi a de João: Não fiz nada AINDA.

Ainda. Advérbio de tempo capaz de deixar tudo tão mais… aconchegante! Agradeço por ter sido tão bem-vinda pela professora Marisa e por todos os alunos do terceirão. Com aconchego e gratidão respondo agora uma das questões que a professora colocou no quadro no meu primeiro dia de estágio.

1) Argumente promovendo a progressão temática. Utilize um dos elementos coesivos abaixo:

CONTUDO

EMBORA

JÁ QUE

  1. a) A educação brasileira tem muitos desafios a enfrentar CONTUDO somos muitos os que estamos caminhando em busca de possibilidades onde parece que não há mais soluções. Estamos cada dia mais perto de nós, dos outros e do que queremos juntos. Ainda não chegamos lá, mas chegaremos. Como a Emily. A Emily que veio tirar foto comigo depois da aula e pediu meu face. “Vou te marcar no post de quando eu passar na UFMT” Mal sabe ela que já me marcou.

Texto escrito pela professora Maria Eduarda Gomes, colaboradora do Caindo no Brasil.Conheça mais relatos do Entrelinhas e Laços

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“Gênero e Relações de Poder na Matemática”

Matemática e mulheres. Cartaz de divulgação de Matemática: substantivo feminino

Matemática e mulheres. Cartaz de divulgação de Matemática: substantivo femininoEm parceria com o Colóquio do MAP, o Ciclo de Debates “Matemática: substantivo feminino” organiza a mesa redonda “Gênero e Relações de Poder na Matemática”. O encontro acontecerá no dia 8 de junho, às 14h, no Auditório Jacy Monteiro (IME-USP).

Confira as participantes

Convidadas:
– Ana Luiza Tenorio (Estudante IME-USP)
– Bruna Magno (Estudante UFABC)
– Elizabeth Lima (Rede Não Cala/FM-USP)
– Renata de Freitas (Professora UFF)

Mediadora:
– Renata Wassermann

Saiba mais e inscreva-se aqui.

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Fontes de Financiamento para Programas e Políticas de Tecnologia Educacional – CIEB

Imagem de capa da pesquisa

Imagem de capa da pesquisa Fontes de Financiamento para Programas e Políticas de Tecnologia Educacional, do CIEB

O terceiro estudo do CIEB foi elaborado pela Prospectiva Consultoria. Ele mapeia os principais programas e linhas de financiamento que poderiam ser fontes de recursos para ações de tecnologia educacional.

Tecnologia Educacional

Esse material mostrou que, hoje, existem no Brasil recursos que podem ser aplicados em ações de inovação e tecnologia dentro do mundo da educação. Além disso, ele mostra que essa execução poderia realmente gerar impactos positivos na educação pública.

Para a análise, a Prospectiva utilizou o arcabouço teórico que o CIEB tem utilizado como base das suas atividades. A teoria Four in Balance (Quatro em Equilíbrio) mostra que, para que a tecnologia tenha impacto positivo na educação, é preciso abranger quatro dimensões: visão, competências de professores e gestores, recursos educacionais digitais e infraestrutura.

Veja a pesquisa no link.

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Indicadores da Qualidade na Educação Infantil – UNICEF

Imagem da capa da Pesquisa Indicadores de Qualidade da Educação

Imagem da capa da Pesquisa Indicadores de Qualidade da Educação
Publicado pela UNICEF, este material é um instrumento de autoavaliação da qualidade das instituições de educação infantil. Através de um processo participativo e aberto a toda a comunidade, a iniciativa tem como objetivo principal ajudar instituições de educação infantil.

Os direitos das crianças

Através das informações coletadas, a publicação busca colaborar para que haja cada vez mais práticas educativas que respeitem os direitos fundamentais das crianças. Além disso, ele também visa a construir uma sociedade cada vez mais democrática para todos.

Veja a pesquisa no link

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Educação para a cidade: como incluir o território na aprendizagem

Imagem de uma menina tirando uma foto com um celular através de uma grade em um campo

Em 2016, a EMEF Emiliano Di Cavalcanti passou a ser uma escola de tempo integral. Eles buscaram colocar no currículo práticas pedagógicas focadas no desenvolvimento integral e cidadão dos estudantes. Uma delas foi o projeto “Território do saber: Trabalho de Campo”, desenvolvido pelo professor Carlos Asakawa Novais, que reflete a descoberta e redescoberta dos territórios. Por lecionar geografia, o educador encara os territórios como uma categoria de análise, uma ferramenta para entender o mundo. Por isso, iniciou o projeto junto a escola em 2011. Antes da incorporação da Educação Integral ao Projeto Político Pedagógico (PPP) da EMEF.

Na época, o trabalho de campo era oferecido no contraturno escolar aos interessados. Mas o objetivo era o mesmo: não limitar-se ao perímetro da escola, apresentando novos lugares e reflexões sobre o território. Nesse modelo, os estudantes faziam uma viagem grande por ano e diversas visitas ao bairro e arredores da escola. Assim, eles trabalham temas como impacto do turismo, moradia e transporte. Já as “grandes” viagens tinham como principais destinos cidades paulistas como Campos do Jordão, Taubaté e Registro, em um reconhecimento de patrimônios históricos e ambientais.

Territórios Educativos

Imagem de uma menina tirando uma foto com um celular através de uma grade em um campo
(Reprodução/Youtube)

Com a mudança do PPP da escola e a adesão à Educação Integral, a escola transformou o projeto em uma prática regular. Assim, ele se tornou parte de uma série de projetos denominados Território do saber. Segundo o professor responsável pela ação, essa decisão expandiu as possibilidades do Trabalho de Campo. Afinal, ele passou a ter mais verba e tempo disponíveis para as atividades.

“As saídas têm sempre uma intenção pedagógica. Portanto é preciso ter uma bibliografia específica para a turma e planejar as atividades. Educação integral não significa apenas aumentar o tempo do aluno na escola. E sim trabalhar uma série de competências, que é o que buscamos fazer com esse projeto”, explica Carlos. Atualmente, há duas turmas de anos mistos, que têm aulas duas vezes por semana e realizam, em média, uma viagem grande por semestre e outras dez saídas nas proximidades da escola.

O projeto Território do Saber: Trabalho de Campo foi um dos 10 contemplados pela 2ª edição do Prêmio Territórios Educativos. Essa é uma iniciativa do Instituto Tomie Ohtake em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Há também o patrocínio da Universidade Estácio. O prêmio busca reconhecer e fortalecer experiências pedagógicas que explorem as oportunidades educativas do território onde a escola está inserida, integrando saberes escolares e comunitários. Este ano, o programa recebeu 67 inscrições oriundas de todas as Diretorias Regionais de Ensino de São Paulo e de diversos tipos de unidades escolares. Confira os outros projetos vencedores.

Post com resumo e modificações produzidas pelo Caindo no Brasil da publicação “Escola integra território ao currículo e expande educação para a cidade”, da repórter Nana Soares para o portal da Cidade Escola Aprendiz. Leia a matéria original e na íntegra clicando no link.

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Brasileira se inspira em método suíço de cuidado com bebês para beneficiar Paraisópolis

Mães sentadas no chão e fazendo atividades do Descobrir Brincando Paraisópolis

O começo da vida é uma janela de oportunidade para o desenvolvimento integral da criança que pode impactar sua vida adulta. Essa é a essência do Descobrir Brincando, um projeto com foco na primeiríssima infância, que vai do zero aos três anos. “Minha teoria de mudança é que, ao tratar dos adultos cuidadores, fortaleço o desenvolvimento integral da criança”, conta Ana Maria Bastos, fundadora do projeto. Dessa forma, sua busca está em preparar melhor pais, parentes ou qualquer responsável para estimular a criança a alcançar seu potencial máximo. E mais: fazer isso nas periferias.

Ana posando parar foto de divulgação do Descobrir Brincando Paraisópolis, com parede verde ao fundo
Ana criou o Descobrir Brincando ao adaptar para a periferia os cuidados com a primeiríssima infância descobertos na Suíça (Foto: Projeto Draft)

É no começo da vida que a criança desenvolve a estrutura do cérebro, sua capacidade de se comunicar e de raciocinar. Por isso, o conceito de estimular os pais cuidadores é fundamental em qualquer núcleo familiar. Mas o negócio de Ana prioriza o impacto social. Por isso, desenvolve esse trabalho com as classes C e D da periferia de São Paulo. Ao longo do último ano, o principal projeto da empresa foi o programa Novo Olhar. Ele foi desenvolvido junto com o Hospital Albert Einstein e a Fundação Mapfre, na favela de Paraisópolis, zona sul da capital paulista.

 

É uma série de seis encontros de quatro horas cada um para ensinar adultos a perceberem os bebês por outros ângulos. Ou seja, “enxergá-los como seres capazes”, com personalidade e grande necessidade de interagir e trocar. A imersão começa, justamente, com o resgate das memórias que os adultos têm da infância. De acordo com Ana, é esta percepção que faz com que eles se relacionem com os bebês de maneira completa.

“Além de ter o básico, que é comida e moradia, é importante deixar claro para os responsáveis que a criança não precisa tanto de recursos financeiros. O que faz diferença é o repertório apresentado a elas, a construção de um ambiente favorável, ter todas as necessidades físicas e afetivas atendidas. Na verdade, o adulto é a coisa mais importante”, diz.

Para crianças mais felizes, cuide do adulto que cuida dela

O modelo desenvolvido por ela é inspirado na abordagem Pikler-Lóczy, criada nos orfanatos de Budapeste, na Hungria, quando a cidade trabalhava para se reerguer após a Segunda Guerra. Ana conta que o conceito defende uma relação respeitosa entre adultos e bebês, que não segue a lógica do manda e obedece. Ela descobriu o método com o choque de realidade que só viver na prática proporciona.

Antes de ir em frente com o plano, no entanto, voltou para a sala de aula e foi fazer pós-graduação em Educação Infantil no Instituto Singularidades. Ela estava convencida de que o caminho mais interessante era desenvolver um trabalho voltado para as classes C e D que, na visão dela, enfrentam as maiores dificuldades. Ainda assim, não sabia muito bem por onde começar.

Mais estudo e sustentabilidade financeira

Mães sentadas no chão e fazendo atividades do Descobrir Brincando Paraisópolis
Ana chegou à periferia com o programa Novo Olhar, do Descobrir Brincando, por meio de uma parceria com o hospital Albert Einstein (Foto: Projeto Draft)

Em 2016, Ana participou de dois programas que a ajudaram a fazer conexões e ir em frente. O primeiro foi o Laboratório de Educação de Harvard. “Eles buscavam projetos sociais e fizeram um intenso processo seletivo. Entrei e era a única pessoa mais velha e que não tinha vindo da periferia”, lembra. O negócio de Ana passou ainda por um programa de aceleração da Artemísia, que reuniu 28 iniciativas de impacto social. “Fiquei entre os três destaques finais. É algo que te dá um respaldo”, diz. No fim daquele ano veio uma boa surpresa: o Einstein enfim tinha um patrocínio para colocar seu projeto para rodar por um ano a partir de 2017.

Ao fim do ciclo de um ano, Ana percebe uma série de vitórias na iniciativa em Paraisópolis. “No programa percebemos que as mães já conseguiam interagir com as crianças de outro ponto de partida, com um estímulo mais interessante.” O projeto está, nesse momento, em negociação para ser ou não renovado por mais um ano. “Estou torcendo”, diz Ana. Em 2017, a empresa alcançou uma patamar interessante de faturamento: foram 250 mil reais, montante que a empreendedora pretende aumentar ao longo deste ano. No cálculo de Ana, no entanto, não é só o balanço financeiro que importa. “Quanto maior o lucro, maior o impacto”, diz, lembrando que as ações do Descobrir Brincando já alcançaram 900 famílias e 1.200 educadores, ajudando no desenvolvimento de 24 mil crianças indiretamente.

Para 2018, com o negócio mais maduro, há também novos planos. No laboratório de Harvard, Ana entrou em contato com um método que usava jogos como ferramenta para ensinar conceitos científicos. Ao longo do ano passado, se apropriou da ideia e desenvolveu, ela mesma, alguns jogos de tabuleiro para ensinar adultos assuntos como neurociência e desenvolvimento da arquitetura cerebral.

Post com modificações produzidas pelo Caindo no Brasil da publicação “Método suíço de cuidado com bebês para a favela de Paraisópolis? Sim, é o Descobrir Brincando”, da reporter Giovanna Riato para o Projeto Draft. Leia a matéria original e na íntegra clicando no link.
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A importância do relacionamento de conteúdos no desempenho escolar das crianças

Imagem de dois meninos sentados na grama observando um livro
Imagem de dois meninos sentados na grama observando um livro
(Pixabay)

Com disciplina e periodicidade, o ser humano pode aprender qualquer coisa que desejar. Isso acontece porque a nossa massa cerebral é maleável. Por esse motivo, maioria das pessoas consegue assimilar um novo idioma, por exemplo.

No entanto, o cérebro de uma criança, antes de 6 anos, está em um momento ideal para o bilinguismo orgânico. Mas, no cenário escolar, o que acontece é que muitos estudantes recebem uma carga elevada de informações e responsabilidades que vão além das disciplinas de matemática e português.

Habilidades cognitivas

Então, como resolver essa dificuldade de atenção dos alunos que são expostos a tanta informação? E também ajudá-los a irem bem nas escola? Uma maneira interessante de ajudar essa problemática é despertar as habilidades cognitivas dos estudantes.

Augusto Jimenez, psicólogo e gestor educacional da Minds Idiomas, realizou uma pesquisa nas 70 unidades da rede. Ele obteve o resultado analisando mais de 1.000 alunos, por seis meses, e o resultado foi palpável. Mais de 60% dos estudantes melhoraram o desempenho escolar no último semestre de 2017. Além disso, foi feito um trabalho de aconselhamento aos alunos, os ouvindo toda semana. Constatou-se que além da melhora escolar, nas notas, houve uma elevação na autoconfiança e na habilidade de escuta.

Interdisciplinaridade e conhecimentos relacionados

Isso acontece porque ao aprender um novo idioma a mente é exercitada de uma maneira diferente do comum. O que faz com que as conexões neurais entre o conteúdo de outras disciplinas se unam com os conhecimentos que este aluno teve com um segundo dialeto. Os estudantes conseguem resolver testes analíticos e visuais em menos tempo e com redução de erros “Conforme as crianças de 9 a 13 anos foram passando de nível nos testes de inglês percebemos que estavam mais desenvoltas na capacidade lógica argumentativa. Essa rapidez na solução de problemas é o que interferiu nas demais matérias escolares”, conta Jimenez.

Além de novos idiomas, é muito importante o ensino lúdico para o desenvolvimento dos alunos. O uso de jogos, atividades dinâmicas, diálogos e o envolvimento da família são alternativas muito interessantes para esse processo.

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Mia Couto: “O professor tem que ser um contador de histórias”

Mia Couto posa para foto em Paraty
Mia Couto posa para foto em Paraty
(Reprodução/Nova Escola)

Essa publicação foi escrita pelo Wellington Soares para a Nova Escola. Nós acreditamos que a literatura e o protagonismo são questões essenciais para uma educação mais humana e com mais significado. Por isso, colocamos o texto na íntegra. Veja a matéria completa do texto Mia Couto: “O professor tem que ser um contador de histórias” clicando no link. 

Mia Couto é escritor moçambicano e um dos maiores representantes do continente africano, especialmente nos países de língua portuguesa. Nas turnês para lançamentos de livros – como a que realiza agora no Brasil para promover O Bebedor de Horizontes –, é frequentemente questionado sobre as relações do continente com o restante do mundo, política e sociedade. Couto não se esquiva. “Quando estou com amigos, gosto de rir e contar anedotas”, conta. Mas inevitavelmente usa a leitura e literatura como pano de fundo para suas opiniões.

No Brasil para lançar a última obra de uma trilogia em que fala sobre um dos mais emblemáticos episódios da história de seu país, a queda do imperador Gungunhane, o autor concedeu entrevista a NOVA ESCOLA, em que comentou sobre a própria experiência escolar – e um professor que marcou sua vida –, sua relação com a gramática e arriscou uma sugestão: é preciso que haja mais espaço para a imaginação.

Como foi sua experiência escolar?

MIA COUTO Eu era um aluno sofrível, eu tirava a nota que bastava para passar. A escola não me seduzia, não me encantava. O que eu aprendi nela foi que faz falta esse lugar de sedução. A escola, para mim, era um lugar onde eu aprendia a não estar onde eu estava. Era uma espécie de exercício de exílio. Eu ficava junto a uma janela para ver o mundo e a vida, porque me parecia que a escola era muito cinzenta e pouco divertida.

E a escola pode ser um lugar com mais sedução?

COUTO Acho que hoje ela já é diferente. Quando entrei na escola, por volta de 1961, 1962, era uma obrigação. Um lugar muito obscuro, cinzento e cheio de normas. Hoje eu vejo que meus filhos e netos têm um grande prazer em ir para a escola. E eu tinha prazer em não ir (risos). Essa coisa simples de desenhar não é só entretenimento e lazer. É algo que precisa ser profundamente instigado e acolhido porque o desenho é uma linguagem em que a criança diz o que está dentro dela e toma conta do mundo.

Em algum momento, a escola seduziu você?

COUTO Eu sempre conto essa mesma história. Foi de um professor que não deu uma aula, e sim uma lição – que é uma coisa diferente. Ele nos mandou fazer uma redação que seria apresentada à turma. No dia seguinte, como se fosse um aluno, ele trouxe um caderno e sentou-se em uma das nossas cadeiras. Ele era um homem enorme, muito grande. Ficou ali todo desajeitado. Converteu-se num menino, como nós, numa criança – e com as mãos tremendo, leu a redação que tinha feito em casa, à noite, como se fosse um de nós.

O texto dele chamava-se As Mãos da Minha Mãe. E as mãos da mãe dele também eram as mãos da minha mãe: ele falava de mãos marcadas pelo trabalho, pelo sofrimento, pela vida e como ele gostava daquelas mãos marcadas. Eu tinha talvez uns 9 ou 10 anos, mas nunca me esqueci disso. Esse foi o momento em que eu pensei que a escola fazia algum sentido.

Como esse episódio se reflete na sua carreira como escritor?

COUTO Aquilo deixou uma grande impressão por duas razões: a primeira é que percebi que o que eu via como um texto obrigatório era sem sabor nenhum. Simplesmente porque tinha que estar atento à ortografia e normas da gramática. Eu notei que o prazer que tinha ao escrever uma história é o de viver no texto o que está dentro do nosso peito. A segunda razão é que aquele professor, de repente desamparado na cadeira, transformou-se num colega meu. Não é só uma questão curricular, uma questão de programa. É uma questão de atitude do professor.

No Brasil, muitos professores se perguntam como despertar o prazer pela leitura. Como isso é possível?

COUTO Falta ler histórias na escola. A aprendizagem da Língua Portuguesa e daquilo que deve ser o gosto pela leitura tem que ser pensado para que a ligação com o livro chegue ao aluno não apenas como uma fonte de saber, mas como fonte de recolha de prazer absoluto. O professor tem de ser um contador de histórias. Eu fiz isso, agora já adulto, como escritor. Eu contava uma história, que estava dentro de um livro, uma história que fosse muito interessante, que fosse realmente instigadora. Depois de fazermos daquilo um objeto de brincadeira, de brincar com o texto, eu apresentava o livro. Há uma separação do aprender com o brincar. Quando toca a sineta e o professor diz: “Agora é o recreio, é o momento de brincar”. Ou: “A brincadeira ficou lá fora, agora cá dentro da sala é outra coisa”. Essa separação é muito pouco pedagógica porque os meninos aprendem brincando.

Como você se sente a respeito de ter sua obra lida nas escolas?

COUTO É claro que eu tenho um certo orgulho de que meus textos possam servir às escolas, mas meu receio é justamente esse de servir. A literatura não tem uma função no sentido de ser um material escolar. Ela deve ensinar os meninos a terem uma certa indisciplina mesmo, uma certa desobediência, a viajarem, a saírem da escola. A literatura tem que ser aquela janela em que eu me encostava na escola para olhar a vida e o mundo. Eu gostaria de ser mais lido aqui no Brasil, mas com a segurança de que os meninos tenham uma relação de prazer com a leitura, que não seja uma imposição.

Eu li textos literários e foi uma tortura para mim. Sou escritor apesar desse contato que me obrigaram a ter com certa literatura. Ninguém me contava claramente a história de quem estava a contar a história. Luís de Camões, por exemplo, tinha uma história que eu só descobri como era deliciosa e cheia de aventura depois. Era como se o texto aparecesse por inspiração. Cada texto tem uma relação com o lugar, o momento em que é escrito. Mas a literatura não é ensinada dessa maneira, o texto aparece como se fosse um diamante, desligado de todo o resto.

Ano passado, quando discutimos a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), uma questão muito forte foi a relação entre a gramática e o texto.

Como você vê as normas gramaticais?

COUTO Primeiro, há um pressuposto que tem que estar presente que é: a escola precisa ensinar a pensar e a saber, tanto quanto deve ensinar a imaginar. No mundo de hoje, é importante que essas crianças saiam dotadas da capacidade de imaginar um outro mundo, um outro modo de existir e de nos relacionarmos uns com os outros. Acho que essa necessidade urgente deve ditar todo o resto. E pensando assim, é preciso fazer as duas coisas. Eu escrevo porque domino a norma. Quando a subverto, essa subversão é que me faz ter esse prazer, senão eu não teria qualquer prazer. Mas é preciso que haja também o espaço para a imaginação. Quando dava aulas na faculdade de arquitetura, eu dizia: “Não me importa que vocês aprendam qualquer coisa nova, mas eu quero que vocês tenham outra sensibilidade”. Todos os dias passamos por objetos que estão na rua e não olhamos para eles. A natureza nos fala coisas o tempo inteiro. Tão grave quanto não saber ler o papel é deixar de ler o mundo.

Para chegar nesse ponto, é preciso sair da sala?

COUTO Essa dicotomia tem que ser resolvida. A escola tem que ter a possibilidade de que essa essa luz, essas vozes estejam dentro. No caso da África, por exemplo, é importante que os velhos contadores de histórias entrem e transmitam sabedorias diferentes, que os meninos tenham esse contato com alguma coisa que lhes abra outras janelas.

Como é seu processo de escrita? Você planeja muito o que escreve?

COUTO Eu planejo pouco. Não porque eu não quero, mas porque eu não sei. Eu me apaixono por uma certa ideia, o núcleo de uma história. Primeiro, eu construo os personagens e esses personagens têm que ter uma vitalidade, um poder de sedução que faça com que eles persistam dentro de mim e ganhem dimensão. São eles que depois me convocam e eu fico autorizado, por causa do meu silêncio, da maneira respeitosa com que compareço, a contar sua história. E eles me contam o resto da história. Depois essa linha vai se definindo sem que eu queira saber como vai fechar. Esse não saber, para mim, é uma fonte de estímulo. Ensinamos aos meninos o medo de não saber e o medo de não prever. E isso cria uma gente muito angustiada, porque nunca deixaremos de não saber – e cada vez menos somos capazes de prever. Há dez anos, quem seria capaz de prever que o Brasil ficaria como está? É preciso ensiná-los a serem felizes num mundo que tem essa margem de caos. Não podemos ter medo de desconhecer.

Como isso se concretiza na experiência da escola?

COUTO Aquela proposta de incitar a imaginação mostra que o erro não é sempre condenável. Se o menino escreveu errado, mas tem uma alma de escritor, se ele me contou uma boa história, eu não posso matar o escritor que está ali em nome da boa escrita. Muitos escritores se tornaram bons autores porque escreviam mal, ou seja, não seguiam o rigor da gramática. A gramática e a ortografia se aprendem depois – e deve-se aprender. É mais complicado transformar o menino que obedece à gramática num bom contador de histórias do que pegar um menino que escreve mal, mas que conta uma boa história.

Durante as discussões sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) também foi muito polêmica a discussão sobre o espaço da História Africana e Brasileira em relação com a história europeia. Como alguém que diz ter sido influenciado tanto pelo continente europeu quanto pelo continente africano, onde você nasceu e cresceu.

Qual sua opinião?

COUTO Mais que ouvir todas essas histórias, é importante perceber que existem ali civilizações diferentes, que há modos de olhar o mundo que são diversos. Quando dava aulas, eu reparava, com tristeza imensa, que alunos africanos, todos eles negros, achavam que a civilização e o mundo começaram na Grécia. Eles não tinham a menor ideia de que a civilização nasceu em todo lado. Fazemos isso quando apagamos os duzentos mil anos em que fomos caçadores e coletores e criamos tudo o que formou a bases da nossa modernidade. Aprendemos o sentido divino das coisas, a dimensão artística do mundo, o sentido de família, que formam as grandes bases da nossa alma hoje e que vêm de lá – e não nos reconhecemos aí. Achamos que tudo começou com os romanos e os gregos.

No Brasil também se esquece que os brasileiros de hoje são a gente que chegou. Bom, os indígenas também chegaram e o que é que ficou desses indígenas no Brasil, além de alguns nomes e uma certa consciência de culpa do genocídio que foi feito? Eles não tinham arte? Não tinham uma sabedoria própria? São só objeto etnográfico? Faz falta isso, pelo menos perguntar, ter anseios de dizer: eles não são só vítimas, essa gente é sujeito da história. De onde é que vieram? Como vieram? O que é que pensavam? E que isso não seja folclore, uma coisa que a gente aceita de maneira condescendente, quase como a celebração de um objeto exótico.

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14º Seminário Nacional ABED de Educação a Distância aborda educação e tecnologia

Imagem de uma jovem sentada em uma mesa escrevendo no notebook e com um caderno com anotações do lado

Imagem de divulgação do Seminário Ed Meets Tech

O 14ºSeminário Nacional ABED de Educação a Distância (SENAED) é um evento que busca discutir o futuro da educação. Ele reúne  instituições de ensino, educadores, empresas de tecnologia, startups e investidores para pensarem como trabalhar para o desenvolvimento de soluções e melhorias na experiencia de alunos e professores. 

Educação e tecnologia

O tema deste ano é  ”ED MEETS TECH”, ou seja, o encontro entre educação e tecnologia. Essa é uma alusão ao termo usado para as startups da área da educação, as EdTechs. Além do conteúdo pedagógico, este ano as startups apresentarão conteúdo sobre tecnologia e empreendedorismo digital. Assim, gestores e professores podem entender como funciona a era exponencial, o modelo enxuto de negócios, investimento, futurismo, design thinking, user experience e todas as metodologias utilizadas por empresas de tecnologia para que possam aplicar no dia a dia de sua instituição. Já as instituições, educadores e alunos apresentarão suas demandas e necessidades pedagógicas e administrativas para que empresas de tecnologia e startups ajudem-nas a pensar e desenvolver soluções eficazes.

Assim, o evento tem como objetivo promover uma reflexão em busca de uma educação transformadora e efetiva. Esse encontro vai acontecer nos dias 28 e 29 de junho deste ano, em São Paulo. As inscrições podem ser feitas através do site da ABED até o dia 22 de junho. 

 

 

 

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Caminhos do Direito de Aprender – UNICEF

Capa do livro caminhos do direito de aprender UNCEF

Capa do livro caminhos do direito de aprender UNCEF

Essa pesquisa da UNICEF investiga os principais fatores que fizeram o IDEB em 26 municípios avançarem, à luz de 3 dimensões previamente definidas: práticas pedagógicas; formação de professores; e ambiente de aprendizagem.

Índice de Desenvolvimento da Educação Básica

Esse material faz uma análise da trajetória de 26 municípios – um de cada Estado. Ele mostra como eles empreenderam para conquistar importantes avanços no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica entre 2005 e 2007. Com populações variando de 3.814 (Pejuçara, RS) a 720.070 habitantes (Campo Grande, MS), as cidades selecionadas para o estudo são representativas da realidade e da diversidade brasileira.

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